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Acadêmica Sandra Castiel comenta o livro ‘Mergulho no Talvez’, do Ac. Viriato Moura

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Caríssimo Viriato,

Quero cumprimentá-lo pelo livro que, tão afetuosamente, chegou-me às mãos: coloquei-o na pilha que mantenho em minha cabeceira por ordem de chegada.

Comecei a ler seu livro e não consegui parar sequer para uma pausa. Fui envolvida pela profundidade dos sentimentos que o eu-lírico escancara a cada página: quanta intensidade! E as metáforas, então? Nelas, não há preocupação com a beleza poética; há, sim, a expressão corajosa desses sentimentos promovida pelo sujeito lírico, uma expressão tão vigorosa que, se fosse possível descrevê-la através de uma imagem, eu a descreveria como fluxos de águas abundantes, assim como uma grande cachoeira.

Em vários momentos, o eu-lírico que vive em mim identificou-se completamente com o eu-lírico presente em seus textos: crises existenciais terríveis, dessas que fazem o sujeito sentir-se menos que nada; em outros, pitadas de humor inusitadas e deliciosamente originais, como esta:“Um dinossauro comia as moças da laje com 65 milhões de anos de atraso.”

Há que se comentar as ilustrações que se referem a cada um dos textos: nelas, outra linguagem para expressar o dito, outra forma de arte além da literária; ambas conversam sobre esse eu-lírico que chegou à plenitude no ato da expressão criativa. Eu poderia levar dias a comentar esta obra, tal o grau da riqueza com a qual eleva a literatura contemporânea. Mudam-se os tempos, mas o homem continua igual em sua essência.

Parabéns, Confrade Viriato Moura!

E.T: Para não me alongar muito, deixei de mencionar o impacto que os contos sem título (aliás, todos) causaram em minha alma um tanto desencantada.

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