Rio – O escritor Milton Hatoum tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) nesta sexta-feira (24), em cerimônia realizada na sede da instituição, no Petit Trianon, no Centro do Rio. Ao assumir a cadeira 6, ele se torna o primeiro autor amazonense a integrar o quadro de “imortais” da ABL.
Cerimônia de posse do escritor Milton Hatoum na ABLDivulgação/ABL
Em um discurso focado na função humanizadora da literatura e na resistência do imaginário, o romancista, que acumula mais de meio milhão de obras vendidas e livros traduzidos em 17 países, exaltou a educação pública como o alicerce fundamental para a consciência crítica brasileira e defendeu a literatura como espaço de reflexão.
“Enquanto houver vida neste mundo em chamas, haverá histórias a serem narradas, lidas e ouvidas. Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva, na experiência mística. Vivemos também no devaneio”, disse.
O novo ocupante da cadeira 6, vaga desde a morte do jornalista Cícero Sandroni, foi recebido pela Acadêmica Ana Maria Machado.
‘Milton Hatoum oferece uma análise sutil, cheia de camadas inteligentes, sofisticadas e corajosas, relacionando pontos distintos, numa argumentação bem informada que ilumina nuances até então impensadas pelo entrevistador. Não foge do tema. Mas se recusa a ser porta-voz não nomeado de estereótipos alheios”, afirmou.
Presidente da ABL, o Acadêmico Merval Pereira celebrou a chegada do novo imortal à Casa: “O maior escritor brasileiro vivo é um romancista de primeira ordem”, declarou.
Milton Hatoum
Além de romancista, Hatoum é contista, ensaísta, tradutor e professor universitário. Em 1989, seu primeiro romance “Relato de um certo Oriente”, publicado pela Companhia das Letras, ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance e foi adaptado para o cinema com o filme de mesmo nome cuja direção é de Marcelo Gomes.
Já a obra “Dois Irmãos”, publicada em 2000, foi eleita o melhor romance brasileiro no período entre 1990 e 2005 em pesquisa realizada pelos jornais Correio Brasiliense e O Estado de Minas. O título foi publicado em Argentina, Alemanha, China, Espanha, Estados Unidos, Itália, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Líbano, Portugal, República Tcheca e Sérvia. Além disso, o livro recebeu uma adaptação para o audiovisual, com uma minissérie da TV Globo, sob direção de Luiz Fernando Carvalho e roteiro de Maria Camargo.