Não raramente ponho-me a imaginar as histórias de algumas dessas pessoas cujas vidas se resumem a duas datas. Não são necessariamente grandes personalidades; gosto de pensar que são apenas pessoas, seres que na bendita data do nascimento devem ter trazido alegria a alguém que se pôs de imediato a fazer planos sobre seu futuro e sobre sua existência, prefiro pensar que tenha sido assim.
Entre as duas datas descritas em linha reta pela imprensa, quantos pontos divergentes, quantas coisas implícitas e não ditas… infância, alegrias e traumas, juventude, paixões e loucuras, maturidade, enfim, a luta árdua para vencer obstáculos e seguir em frente, isso fora as realizações, pois por mais medíocre que tenha sido uma existência esta também é pontilhada por pequenas-grandes alegrias: acordar de manhã, contemplar as belezas da vida, adormecer sob a luz do luar, tomar uma xícara de café quente num dia frio, coisas assim…
O fato é que uma existência vai além do que possa imaginar nossos devaneios; há a beleza dos pássaros e das flores, para os que desenvolvem a sensibilidade de sabê-los; mas também há lágrimas e dores ao longo do caminho que separa as duas datas, a do nascimento e a da morte.
“Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.”
