







Nossa homenagem a todas as mães, especialmente às confreiras da ACLER, através deste lindo poema:
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade


Primeira mulher a ocupar a cadeira 17, a veterana foi eleita com 32 votos para integrar o grupo de imortais
A atriz Fernanda Montenegro tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) nesta sexta-feira (25). Primeira mulher a ocupar a cadeira 17, a veterana foi eleita com 32 votos para integrar o grupo de imortais no dia 4 de novembro de 2021. A cerimônia aconteceu no Petit Trianon, Rio de Janeiro.
Considerada uma das “damas do teatro nacional”, a artista sucede o diplomata Affonso Arinos de Melo Franco (1930-2020). “William Shakespeare deixou eternizado esse conceito estrutural da afirmação de uma arte. O mundo é um palco e todos nós, seres humanos, somos atores nesse palco. Agradeço muito ao meu coração e minha razão por estar sendo aceita nesta casa, protagonista, referenciada, da nossa mais alta cultura, que é a Academia Brasileira de Letras”, disse em seu discurso de posse.
“Emocionada, tomo posse da cadeira número 17. Sou atriz, venho desta mística arte arcaica que é o teatro. Sou a primeira representante da cena brasileira a ser recebida nesta casa. Esse meu ofício expressa uma estranheza compreensão. A raiz dessa arte está na complexidade de só existir através do corpo e da alma de ator ou de uma atriz ao trazer a literatura dramática para a verticalidade cênica”, completou.
No evento, Fernanda confirmou o desejo de repaginar o teatro da casa; revelou a vontade de encenar Simone de Beauvoir (1908-1986); e saudou Nélida Piñon, secretária-geral da atual gestão da ABL. Filha da artista, a também atriz Fernanda Torres fez uma homenagem para a mãe. A veterana ficou emocionada. O igualmente imortal, o cantor Gilberto Gil, também marcou presença.
Fernanda Montenegro nasceu em 16 de outubro de 1929 no Rio de Janeiro. Iniciou na carreira em 1950 nos palcos ao lado do marido Fernando TOrres. Até hoje a única brasileira já indicada ao Oscar de Melhor Atriz pela atuação em Central do Brasil (1998), de Walter Salles.
Entre os diversos prêmios nacionais e internacionais, ela ganhou o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação na série Doce de Mãe, da TV Globo, de 2013.
A global foi condecorada, em 1999, pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, com a maior comenda civil do país, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito. Além dos cinco prêmios Molière, ela ganhou em 1998 o Urso de Prata no Festival de Berlim, pela interpretação em Central do Brasil.
Na área da literatura, a atriz publicou, em 2018, o livro Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico e, no ano seguinte, lançou o livro Prólogo, Ato, Epílogo, pela Companhia das Letras, escrito em parceria com Marta Góes.
O jornalista e escritor Merval Pereira tomou posse como novo presidente da Academia Brasileira de Letras.
Ano novo com a Academia Brasileira de Letras sob nova direção.
A sessão solene para a cerimônia de posse do jornalista Merval Pereira como novo presidente da ABL reuniu colegas de redação, admiradores e amigos.
O salão nobre da casa de Machado de Assis ficou lotado.
A chapa da nova diretoria assume a ABL com um olho na tradição e outro na modernidade. Neste ano, a Academia celebra 125 anos de existência, e prometendo renovação com ainda mais espaço para a cultura e a diversidade.
Estiveram presentes à posse a médica Margareth Dalcomo; o presidente da Globo, Paulo Marinho; e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, além de acadêmicos, escritores, políticos e artistas.
Merval Pereira Filho ocupa a cadeira 31 da ABL desde 2011.
O jornalista começou no jornal O Globo em 1968 e recebeu vários prêmios ao longo da carreira. Merval é comentarista da GloboNews e da CBN e colunista do jornal O Globo.
Imortais da ABL saudaram a nova fase da Academia.
“Está aqui há alguns anos já, é muito interessado, muito trabalhador, tem um interesse muito grande nesse dinamismo do qual estamos falando aqui, e vamos lá ajudar a fazer o trabalho”, disse o cantor Gilberto Gil.
“Muito feliz. Acho que merecido. Vai ser outra academia, e ele já mexeu, porque o Merval faz 200 coisas ao mesmo tempo, e ele faz tudo bem. Realmente, não sei como ele arranja tempo para fazer tanta coisa”, falou o escritor Zuenir Ventura.
Em seu discurso de posse, Merval foi muito aplaudido na definição que deu à ABL.
“Há momentos como o de agora, conturbados pela situação internacional dominada pela guerra da Ucrânia e pela nossa crise interna, em que os tempos exigem mais de nós. Estamos prontos, mas a Academia Brasileira de Letras não é a casa do ‘não’. É a casa do ‘sim’. É a casa da aproximação, da concórdia. A casa do entendimento. A casa que sabe que a cultura ajuda a fortalecer uma nação. Esperamos que essa nova quadra das nossas vidas seja o tempo da reconstrução. Muito obrigado”, falou Merval Pereira.
O Prêmio Machado de Assis foi entregue ao escritor Ruy Castro, pela contribuição da obra dele à literatura.
Em seu discurso, um texto já considerado antológico por muitos presentes, Ruy lembrou um de seus primeiros trabalhos jornalísticos, quando, aos 19 anos, na mesma Academia, cobriu a posse de Guimaraes Rosa, que morreria apenas três dias depois. E agradeceu o prêmio.
“Talvez, o Prêmio Machado de Assis não seja só pelo conjunto de obra, mas também pelo conjunto de vida, de uma vida dedicada a segunda coisa mais nobre ao nosso alcance: aprender. A primeira, naturalmente, é ensinar. À academia, minha gratidão. E a consciência de que ser premiado por ela redobra minha responsabilidade como escritor e como brasileiro. Muito obrigado”, disse Ruy Castro.
Em entrevista, o novo presidente da ABL afirmou que a defesa da liberdade de expressão é uma prioridade.
“Nós temos importância na defesa da cultura brasileira, num momento que a cultura está muito maltratada pelo governo, então é mais uma tarefa lutar pela liberdade de expressão. Lutar contra a censura é uma tarefa da Academia que nós vamos levar adiante.”
Fico deveras surpreendida com a diversidade da obra de Viriato Moura. Impressiona-me a pluralidade de seu talento, algo que exercita criteriosa e cuidadosamente, características que elevam a arte como um todo, sobretudo as artes plásticas e as letras de Rondônia. Viriato é uma artista.
No que tange à literatura, Viriato, poeta por excelência, tem nos apresentado um trabalho vanguardista, algo que foge aos padrões da maioria dos escritores de sua geração, entre os quais me incluo.
Depois das Aldravias, poemas minimalistas constituídos de seis palavras-verso cuja proposta é a concisão na forma, aliada ao máximo de poesia, Viriato nos brinda com Nanocontos.
Eis os vinte nanocontos!
BLOQUEADA
Odiava a velhice, por isso a matou antes de ela chegar.
IMPACIENTE
De conversas vazias, retirava-se cheio.
OCUPAÇÃO
Os espaços vazios por onde passava ficavam cheios de sua presença.
DIREÇÃO
De tanto olhar pelo retrovisor, esqueceu das ameaças frontais.
ALIMENTO
Sua miséria era tanta que fartava a misericórdia alheia.
VASSOURA
Era uma bruxa, porém voava sempre de primeira classe.
AVESSO
Sofreu tanto na vida que, ao chegar ao céu, negou-se a entrar.
VACUIDADE
Era um ser cheio de vazios.
IMPROFÍCUO
De tanto perder, desaprendeu a reconhecer as próprias vitórias.
DESEJO
Não gostava de sorvete, mas lambia os beiços ao vê-la degustar um.
OUTRO
Quem o conhecia, queria ser como ele — menos ele.
INSATISFEITO
Procurava compulsivamente, porém, quando encontrava, não era mais o que estava procurando.
CHAVE
Durante o julgamento, a esposa do acusado adentrou na sala e disse: “Foi ele que me matou!”.
DEFESA
Era o sol da vida dele, por isso ficou cego de ódio de tanto olhar para ela.
EVENTO
Sua ausência compareceu deixando todos os presentes mortos de saudade dela.
FALTA
O que o incomodava nas viagens era não ter bagagem.
REJEIÇÃO
Como um Frankenstein, era composto por pedaços alheios à sua vontade.
INABILITADO
O sonho dele de andar sobre as águas concretizou-se. Virou pesadelo quando acordou: não sabia nadar.
BULLYING
Logo após matar o marido, a gorda comeu um bolo de chocolate inteiro.
Médico, jornalista, artista visual, poeta, contista, cronista, membro efetivo da Academia de Letras de Rondônia, idealizador e apresentador do programa de televisão Viva Porto Velho, um marco nas comunicações do estado, colaborador de diversos sites a nível local e nacional.
Viva Viriato Moura!








