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A denominação das ruas de nossa cidade

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No rastro das razões contidas na crônica intitulada PORTO DOS ESQUECIDOS, da lavra da professora Sandra Castiel, onde com justa razão reclama de critérios pouco compreensíveis de que se valem as autoridades municipais para denominar algumas de nossas vias públicas, o que a fez merecer o aval de vários de seus tantos leitores, filio-me, embora tardiamente, às suas razões e, por oportuno, peço vênia para a publicação de um “escrito” que fiz, há bastante tempo, à conta de minha estupefação ao descobrir que existe por aqui uma rua denominada Anastásio Somoza, o qual foi publicado no sempre combativo e acolhedor Jornal “O Alto Madeira”.  
 

RUA ANASTÁSIO SOMOZA – uma (i)merecida homenagem!

Ao leitor mais atento advirto-o, desde logo, não se tratar de uma brincadeira de exagerado mal-gosto. Existe mesmo a rua e fica bem alí no bairro Caladinho/COHAB, em Porto Velho.  Insigne homenagem ao ex-Presidente da Nicarágua ANÁSTASIO SOMOZA DEBAYLE.

Que motivos tem o autor para questionar “justa” homenagem a um ex-Presidente nicaragüense? Tantos e variados!  Cito alguns:

TACHITO SOMOZA, como lhe chamava os íntimos, foi Presidente da Nicarágua, no período compreendido entre 1967 a 1979 – 12 anos -, tendo recebido o comando da nação das mãos do irmão LUIS ANASTÁSIO, que por sua vez o recebera do pai ANASTÁSIO SOMOZA GARCIA, patriarca de uma família que comandou com mão-de-ferro, e, sob os auspícios dos patrões americanos até o ano de 1978, os destinos de uma pobre nação latino-americana – a Nicarágua – de 1937 a 1979.

Convencido de que o poder e o apoio dos americanos jamais lhes fugiriam à mão, a “família” SOMOZA abusou o quanto pode do povo de seu país em detrimento ao respeito de suas honras e de suas dignidades.

Durante a ditadura SOMOZA,MANÁGUA, a capital do país, foi sacudida por um terremoto matando milhares de nicaragüenses e deixando sem teto a grande maioria da população.TACHITO não perdeu tempo.  Vislumbrou, nesse momento, a possibilidade de enriquecer ainda mais seu clã.  Sob a alegação de que a área atingida pelo terremoto estava susceptível de outras tragédias semelhantes deslocou o centro histórico de MANÁGUA para local próximo, localizando-o “coincidentemente” em uma áreade propriedade de sua família, que fora desapropriada a peso de ouro, e paga com grande parte da ajuda que entidades humanitárias de todo o mundo haviam conseguido para ajudar o povo daquele país.   
 

SOMOZA GARCIA, o pai, odiava ser importunado. Certa vez tomou conhecimento da existência de um camponês – sem-terra? – de nome AUGUSTO CÉSAR SANDINO que vivia a assacar-lhe pesadas “ofensas” além de incitar a ordeira população de seu país contra o poder oligárquico representado pelo clã corrupto dos GARCIA.  Foi duro e grosso. SANDINO foi sumariamente liquidado, sendo a ação amplamente divulgada a fim de se evitar o surgimento de outros “ingratos” opositores do regime.  Desconhecia GARCIA que naquele momento nascia o mártir que emprestaria seu nome e seu exemplo para a luta pela libertação de seu país.  Assim, anos mais tarde quando a indignação do povo nicaragüense chegou ao seu limite, e este povo resolveu se organizar para por fim à “dinastia” SOMOZA fora criada a FRENTE SANDINISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL, a FSLN, em homenagem ao líder assassinado.

TACHITO SOMOZA tinha sua sustentação militar na chamada GUARDA NACIONAL mandando adestrar seus integrantes de modo a capacitá-los às práticas mais cruéis contra a pessoa humana, tendo um de seus soldados protagonizado a cena mais horripilante e cruel jamais visto em televisão, quando assassinou a sangue frio, depois de várias humilhações, um repórter de TV americano, num gesto considerado pela imprensa internacional como o ato mais animalesco praticado durante toda aquela guerra civil.

Sentindo faltar-lhe forças para resistir à determinação do povo nicaragüense TACHITO decidiu abandonar o “trono” e fugir depressa, mas ainda teve tempo para saquear o que restava da combalida finança do país, rumando para o Paraguai onde seu colega, o também ditadorAlfredo STROESSNER, lhe dera asilo político.

Em 17 de setembro de 1980, TACHITO SOMOZA fora assassinado quando passeava pelas ruas de Assumpción, no Paraguai, a bordo de sua Mercedez-Benz blindada que não foi suficiente capaz para suportar o projétil arremessado por uma bazuca.  Ao saber do ocorrido o governo popular nicaragüense decretou “dia de Júbilo nacional” para gáudio de toda sua população que festejou o atentado como se fora a conquista de um título esportivo mundial.

Duvido que em toda Nicarágua exista uma só homenagem à família SOMOZA, nome que causa, ainda hoje, grande repulsa ao ordeiro e pacífico povo nicaragüense. Por que aqui em Porto Velho?

 

* Advogado, escritor e memorialista, conta histórias que viu ou ouviu sobre nosso estado, nossa cidade e do bairro em que nasceu e reside: o Santa Bárbara. e-mail: [email protected]

PORTO VELHO — SETENTA ANOS DE CUMPLICIDADES

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Antônio Cândido da Silva
Membro da Academia de Letras de Rondônia 

Estou a caminho de completar setenta anos que cheguei a Porto Velho, no distante ano de 1945. Vinha do Seringal Boa Hora, como um retirante, sem lenço, sem documento e sem certeza de futuro.

Porto Velho era uma cidade pequena como eu e, talvez por isso, surgiu entre nós aquele amor à primeira vista, amor de criança que segue em frente pela vida a fora.

Fomos confidentes, cumplices e parceiros nas minhas peraltices dos tempos de moleque, das conquistas da juventude, do trabalho honesto e agora do prazer de lhe comtemplar na quietude da aposentadoria.

Um dia eu registrei minha chegada assim:

         PORTO VELHO

 

      Antônio Cândido da Silva

 

Quando dobrei na curva do teu rio

com somente três anos de criança

tinha apenas meu canto e o desafio

num barco envelhecido pela andança.

 

O barco, um arremedo de navio,

meu canto o arremedo de uma herança.

O peito preenchido de vazio

trazido pelas sombras da lembrança.

 

Nós éramos, então, duas crianças.

Eu trazia um punhado de esperanças

e tinhas um futuro promissor.

 

Ao me acolher a vida me sorriu

e desde então minha alma se sentiu

sob os encantos do primeiro amor…

 

Diz o provérbio popular que “quem ama o feio, bonito lhe parece” e, apesar de tudo o que dizem de ruim da minha cidade, eu só consigo vê-la com os olhos de quem ama.

Como posso não gostar de Porto Velho se quando abro a janela do meu quarto e o sol passando pela roseira que plantei no fundo quintal, vem rendilhar com réstia de luz o meu rosto que desperta para o amanhecer?

Se ao despertar para mais um dia vejo os bem-te-vis em desafio pousados nas antenas e os pardais em sinfonia, vindo me pedir as migalhas de pão que, para eles, jogo no quintal?

Sim, porque aqui ainda podemos nos dar ao luxo de termos quintais, de plantarmos uma árvore e fazermos um balanço de cordas para os filhos e os netos.

Como posso não gostar de Porto Velho se convivi com as suas dificuldades que foram tantas. Se eu aprendi a esperar durante um mês para receber a resposta de uma carta, porque o avião da FAB só aparecia aqui a cada quinze dias ou quando a luz do SALFT, precária, nos deixava sem energia e brincávamos no terreiro iluminado pela luz da sua lua?

Como não amar Porto Velho se convivi com as retretas da Praça Rondon, aprendi a pular o muro do Estádio Paulo Saldanha pra ver o futebol nas tardes de domingo, roubar frutas nos quintais sem muros e descer a Ladeira do Cemitério em carrinho de rolimãs?

Como não amar Porto Velho se suas noites de sábado se faziam mais bonitas para as serenatas que Jorge Andrade, Vovô e eu íamos fazer pelas ruas da cidade adormecida, e terminávamos na Rua Irmã Capelli para acordar uma “interna” com quem casei há quarenta e nove anos?  

É impossível não amar esse seu céu azul, esse sol que no final da tarde pinta com as cores do ouro as águas do seu rio amarelo, como se Deus voltando a ser menino, fosse brincar de pintor e derramasse tinta na tela azul do céu.

Eu não consigo entender como podem encontrar defeito na minha cidade. Ela é perfeita. O que existe de errado não é dela a culpa. Porto Velho não tem culpa de abrigar aqueles que a procuram, que se dão bem, compram carros, superlotam as suas ruas, aumentam os problemas de saúde, segurança, educação e ainda elegem, por serem maioria, pessoas incompetentes para administrar os problemas que eles criaram.

A minha Porto Velho, não tem problemas. O problema é de quem, por não  a conhecer como eu conheço, atestam a sua ignorância dizendo que ela não tem história, como pretexto para destruir a nossa memória, inclusive nas escolas onde as crianças são educadas com a utilização de livros que ensinam uma realidade diferente da nossa.

Enfim, prefiro parar por aqui com esse assunto. Não vou falar de corrupção, de desfalques, acordos e conchavos que acontecem na tentativa de exaurir o último quinhão da sua riqueza, porque hoje eu estou emocionado por saber que a bandeira que te representa, que eu tenho orgulho de dizer que eu fiz, estará tremulando nos mastro dos teus prédios.

Hoje eu quero falar de amor. Do nosso amor que eternizei assim:

 

PORTO VELHO

 

Antônio Cândido da Silva

 

Eu amo realmente esta cidade

como quem ama uma mulher bonita

com a forte paixão de mocidade

que pela vida no meu ser palpita.

 

Hei de cantá-la para a eternidade.

Ser seu amante é como lei escrita

que no meu peito em doce suavidade

meu coração agradecido agita.

 

Quero dormir meu sono derradeiro

no seu solo fecundo e hospitaleiro

que um dia me acolheu com seu calor.

 

E ser o dono de uma rua dela

para minha alma passeando nela

declamar versos sobre o nosso amor.

 

Parabéns! Minha cidade. Obrigado pelos setenta anos de cumplicidades.



HOMENAGEM AOS AUTÊNTICOS DESTEMIDOS PIONEIROS

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CENTENÁRIO DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO

02 DE OUTUBRO DE 1914 – 02 DE OUTUBRO DE 2014

(HOMENAGEM AOS AUTÊNTICOS DESTEMIDOS PIONEIROS)

 

O Município de Porto Velho foi criado por intermédio da Lei n.º 752 de 02 de outubro de 1914, sancionada por Dr. Jonathas de Freitas Pedrosa Governador de Estado do Amazonas, e instalado no dia 24 de janeiro de 1915, no povoado de Porto Velho, surgido em 1907 na margem direita do alto curso do Rio Madeira.

Rememoro os episódios de maiores relevâncias e seus protagonistas, ocorridos no espaço tempo de 1907 a 1931 relativos ao surgimento, evolução e consolidação politica, urbana, econômica  e social de Porto Velho, tendo por objetivo resgatar e perpetuar a memória desses personagens, homens e mulheres, os autênticos desbravadores pioneiros edificadores do patrimônio material e sócio-cultural da comunidade portovelhense , direcionando os esforços de seus trabalhos em prol do desenvolvimento investindo as rendas usufruídas de seus empreendimentos, na construção de casas residenciais, de prédios comerciais , escolares, cinemas, hospital, hotéis, panificadoras e outros, dado continuidade por seus descendentes e por aqueles que vieram a eles se agregarem somando esgorços para a construção de Porto Velho.

Aos pioneiros rendo especiais homenagens, evocando-os no regozijo do transcurso do cenário do nosso Município como segue:

Mister May um dos sócios da empresa norte-americana May, Jekyll Randolph, contratada pelo empresário norte-americano Percival Farquhar para construir a ferrovia Madeira-Mamoré. Transferiu de Santo Antônio do Rio Madeira para um local abaixo 7 km, o Porto do Velho, o ponto de inicio da ferrovia, em junho de 1907, instalando o povoado ferroviário dotado de uma estrutura com equipamentos e instalações modernos de ultimas gerações. Próximo a este   surgiu um desorganizado povoado constituído de um aglomerado de barracas construídas de palha de palmeira, habitadas por pessoas sem vinculo com a empresa Madeira-Mamoré. Era o povoado dos brasileiros e estrangeiros, núcleo original da cidade de Porto velho.

George João Resky, libanês chegou ao Brasil em 1909, vindo dos Estados Unidos da América do Norte, no qual se estabeleceu e 1902 no Estado da Califórnia, como proprietário de uma haras participando os seus cavalos nas corridas no hipódromo da cidade de São Francisco, dos quais dois da raça árabe foram campeões. Aceitou o convite do seu amigo o engenheiro Randolph, um dos sócios da empresa May and Jekill, para vir morar no Brasil. Em Santo Antônio do Rio Madeira se estabeleceu numa casa comercial de armarinho e gêneros alimentícios, por pouco tempo, mudando –se para o povoado de Porto Velho dos brasileiros , surgindo em 1907. Os seus empreendimentos contribuíram para o desenvolvimento econômico e social assim como para urbanização desse nascente núcleo populacional. De sua primeira loja localizada na rua da Palha (atual Nataniel de Albuquerque)expandiu-se, construiu a primeira casa de alvenaria na rua dos Portugueses (Barão do Rio Branco), esquina com a rua José de Alencar, outras na rua do Comercio (7 de Setembro), esquina com a rua José de Alencar; na Avenida 7 de Setembro construiu o edifício Genny (nome de sua esposa), no qual instalou o primeiro cinema sonoro (o cine Catega, posteriormente Brasil) e em outro prédio uma moderna panificação. Na rua Natanael de Albuquerque esquina com a praça General Rondon, construiu um majestoso prédio , neste instalado o Cine Teatro Resky.

Instituiu a empresa “Organizações Resky” gerida por ele e seus filhos. Faleceu em 13 de março de 1963, com 83 anos de idade, sendo sepultado no Cemitério dos Inocentes, em Porto Velho.

Seus herdeiros constinuaram os empreendimentos , investindo em diversificados segmentos econômicos.

Abidão Bichara   comerciante libanês, se estabeleceu no povoado de Porto velho dos brasileiros em 1908, com comercio de estivas ferragem, armarinho, tecidos e perfumaria. Era auxiliado por seus irmãos Jorge, Elias e José. Antes de se definirem por Porto Velho, trabalharam na Vila do Abunã e Santo Antônio do Rio Madeira, em atividades comerciais. Os lucros obtidos investiram em novos empreendimentos ou ampliando os implantados. Construíram em 1915, o edifício “Monte Líbano” em alvenaria, com dois pavimentos situado na esquina da rua José de Alencar com a rua Floriano Peixoto. Sediava loja de comercio varejista e os escritórios da firma Abidão Bichara, da Agência Empresa Aérea Cruzeiro do Sul, da Shele Mex Brasil Limited e da Representação Cia. Nacional Air France. Construiu um prédio na rua José do Patrocínio e outro na rua José de Alencar, acoplados, ambos de alvenaria e dois pavimentos. Contribuíram com seus trabalhos para o desenvolvimento econômico social e urbano de Porto velho.

João Pedro da Rocha  (seu João Brasil) destacado comerciante no meio social e estimado pelo povo. Nos primórdios de Porto Velho, ele e sua mãe exerciam relevante ação de filantropia em prol dos carentes marginalizados, lhes prestando assistência médica e alimentar, os abrigando num galpão às suas expensas. Nos anos vinte do século recém passado, mesmo sendo maçom, membro de uma instituição combatida pela igreja católica, era imprescindível apoiador do padre João Nicoletti colaborando na realização de suas obras sócias. Além dos donativos pecuniários, lhe presentiou um cavalo (o Mossú) para facilitar os seus deslocamentos de visitas aos enfermos em suas barracas à quaisquer horas do dia e da noite. Empreendedor comercial construiu um prédio na atual Avenida Presidente Dutra esquina com a Avenida 7 de Setembro, instalando o Bar Central frequentado por todos os seguimentos sócias. Em sua frente , no eixo da segunda citada avenida, construiu o Cliper, ponto de encontro da elite. Mais adiante, próximo a praça Jonathas Pedroza construiu outro Cliper. Comprou um sobrado em Santo Antônio do Rio Madeira (o histórico Casarão como passou  a ser conhecido , construído pelos Collis). Nele instalando a sede sua fazenda de gado bovino. Foi um dos contribuídores para a implantação, consolidação e desenvolvimento material e social da cidade de Porto Velho.

A Avenida Presidente Dutra, Divisória até 1931 e Rui Barbosa até 1947, era chamada pela população, Ladeira do João Brasil, em sua homenagem.

Felinto Costa  primeiro agente postal, da Agencia instalada em 26 de julho de 1910 no povoado de Porto Velho dos brasileiros.

Miguel Rodrigues Souto    primeiro gerente da Mesa de Rendas Alfandega instalada em 13 de setembro de 1912, no povoado de Porto Velho dos brasileiros .

Labibe Aicher Bártolo , artista produtora cultural, escritora de peças teatrais dirigindo-as e sendo integrante de seus elencos como uma dos interpretes. Organizadora de eventos sociais, tertúlias, bailes, saraus, desfiles de moda e corsos carnavalescos. Palestrante , oradora, declamadora e ativista politica partidária. Chegou ao povoado de Porto Velho dos brasileiros, em 1912 com três anos de idade, vinda de Manaus/AM, trazida por seus pais, os quais se estabeleceram com uma casa comercial na rua da Palha. Ainda criança com apenas oito anos de idade integrou o elenco artístico do Grande festival comemorativo do aniversario da República Portuguesa promovido pelo Teatro Fenix, declamando a poesia “Os Pobres” e cantando no Côro, conforme o programa publicado no Jornal Alto Madeira na edição de 20 de outubro de 1917. Foi sua estreia, não parou mais. Ela foi a primeira e a maior ativista cultural de Porto velho, merecendo sem nenhum favor, o teatro estadual ostentar seu nome , conforme indiquei aos governantes Narciso Ivo Cassol e Confucio Aires Moura, com a devida justificativa do pleito.

José Benjamim Rosas  instalou em 1908 na rua da Palha o Cine Teatro Fenix. Adquirido em 1915 pelo Intendente Álvaro de Almeida Rosas, proprietário do café Pilão e do cinema Risos.

 José Z. Camargo– em 1911  instalou em um prédio situado na Avenida 7 de Setembro esquina com a Divisória (atual Presidente Dutra), o primeiro cinema no povoado de Porto velho dos brasileiros.

Sabino Joaquina Costa    em 1912 – inaugurou o Cine Caripuna, o segundo a funcionar no povoado de Porto Velho dos brasileiros.

Emiliano de Melo Sampaio   Tenente da Marinha, primeiro Agente da Capitania dos Portos instalada em Porto Velho, no dia 15 de janeiro de 1912.

Dr. Jonathas de Freitas Pedrosa, governador do Estado do Amazonas sancionou a Lei n.º 741, de 30 de outubro de 1913, criando o Termo Judiciário de Porto Velho, instalando no povoado da mesma denominação, no dia 30 de janeiro de 1914. Nomeando: Dr. Nataniel de Albuquerque Juiz de Justiça Municipal; Joaquim Raulino Sampaio, José Braga Vieira e Felinto Costa suplentes juiz; Francisco Fernandes da Rocha Adjunto de Promotor de Justiça e José Vieira Escrivão e Tabelião.

Por intermédio da Lei n.º 752 de 02 de outubro de 1914, criou o Município de Porto Velho, instalando no povoado deste nome, no dia 24 de janeiro de 1915.

Fernando Guapindaia de Souza Brejense, Major reformado do exército, foi nomeado por decreto do governador do Estado do amazonas, no dia 24 de dezembro de 1914, no cargo de Superintendente (Prefeito) do Município de Porto Velho, com a incumbência de instalá-lo, estrutura-lo urbanisticamente, no administrando o período de 1915 a 31 de dezembro de 1916, e realizar a eleição do Superintendente, dos Intendentes Vereadores), e seus Suplentes, constituintes do Conselho Municipal (Câmara). Presidiu em 1º de dezembro de 1916 a primeira eleição municipal, dando posse aos eleitos no dia 1º de janeiro de 1917. Missão cumprida com elevada capacidade administrativa e empreendedora; com altivez opondo-se e coibindo a ingerência da empresa Madeira Mamoré em atos privativos do Município.

Teivelinda Guapindaiaprimeira professora funcionária municipal docente e diretora da Escola Pública Municipal Jonathas Pedrosa, criada pela Lei n.º 5, de 1º de março de 1915.

Aristides  Leitetenente da policia estadual do amazonas, primeiro Delegado de Policia de Porto  Velho, da Delegacia criada em 1º de fevereiro de 1915.

José Ribeiro de Souza Júnior– contratado pelo , major Guapindaia elaborou a planta do povoado de Porto Velho, pela qual, após aprovada pelo Conselho Municipal , pela qual passou a ser ordenado o espaço urbano.

João Alfredo de Mendonça– fundou o Jornal o Município” em 1º de dezembro de 1915, sediado na rua Floriano Peixoto (ex. curral das Éguas). Circulou até 1917, sendo substituído pelo Jornal “lto Madeira, fundado por Dr. Joaquim Augusto Tanajura.

José Vieira Braga, em 1915 instalou o Diretório Municipal do Partido Republicano Conservado (PRC), por ele presidido , a primeira agremiação politica partidária estabelecida em Porto Velho.

Membros da elite social, fundaram a Associação Dramática Recreativa  e Beneficente de Porto velho, em 1915. Posteriormente passou a ser denominada Clube Internacional, em 1919.

Esperança Rita, mãe-de-santo, fundou no bairro do Mocambo, em, 1914 a Irmandade Beneficente de Santa Bárbara. Construiu a capela em 1916. Posteriormente transferiu as instalações do terreiro do Mocambo pra a rua Almirante Barroso esquina com a Avenida Guanabara, construindo nova capela, inaugurada com missa solene, em 4 de julho de 1946, celebrada por Monsenhor Pedro Massa, bispo da Diocese do Amazonas. Pessoa prestigiada pela população  e pelas autoridades, as quais compareciam ao banquete anual oferecido em seu terreiro de candomblé em homenagem à Santa Bárbara, Yemanjá Ogum e demais sete orixás.

Mr. Leonard Craney, fundou o Clube de Futebol União Esportiva em 11 de junho de 1916. O primeiro time futebolístico de Porto velho, do qual era presidente.

Dr. Joaquim Augusto Tanajura, tenente médico do exercito brasileiro, membro da Comissão Rondon, primeiro prefeito do município de Santo Antônio, eleito em 1º de dezembro de 1916, Superintendente do município de Porto Velho, tomando posse no dia 1º de janeiro de 1917 com mandato até 31 de dezembro de 1919. Demarcou de acordo com a Lei n.º 46, de 25 de julho de 1917 as quadras suburbanas do bairro favela, até então área agrícola. Aterrou o charco Barreiro das Antas, no qual construiu a Praça Amazonas, atual Jonathas Pedrosa. Criou a Secção Especial da Lavoura para prestar apoio aos pequenos agricultores. Elaborou o projeto de instalações das redes d’agua encanada, de esgoto e de iluminação elétrica. Fundou o Jornal Alto Madeira instalando no edifício Jovino Lemos recém construído, situado na rua Prudente de Morais esquina com a Avenida 7 de Setembro. Sua primeira edição circulou em um domingo chuvoso, de 15 de abril de 1917. Em seu editorial o definia “ser uma tribuna sem defesa dos interesses sócias inspiradora de idéias sãs e profícuas”.

Retorna ser eleito em 1º de dezembro de 1922, tomando posse no cargo de Superintendente no dia 1º de janeiro de 1923. Adquiriu por compra, um prédio de alvenaria de dois pavimentos, pertencente ao empresário João Soares Braga, para ser a sede Administrativa do município, a instalando no dia 13 de maio de 1924.

José Pordeus lencar– em 1916 fundou em Abunã (então Presidente Marques/MT), a loja Maçônica União e Perseverança, sendo o seu primeiro venerável, a transferido para o povoado de Porto Velho, em 08 de julho de 1916.

José Vieira de Souza, primeiro tabelião do 1º Cartório de Registro Civil instalado em Porto Velho no dia 20 de janeiro de 1919.

Dr. Pedro de Alcântara Bacellargovernador do Estado do Amazonas, sancionou a Lei n.º 900 de 31 de agosto de 1917, criando a Comarca de Porto Velho sediada no povoado desta denominação, nomeando os doutores Juventino Lins Themudo, juiz de Direito e Jorge Severino Ribeiro Promotor público. E sancionou a Lei n.º 1011, de 7 de setembro de 1919, elevando o povoado de Porto Velho à categoria de cidade.

Miguel Chakian, sírio, se estabeleceu em Porto Velho em 1917 com uma casa comercial, chegou ao Brasil em 1911, trabalhando em Curitiba/PR e São Paulo/SP decidindo a mudar-se para à Amazônia. Investia o capital gerado por sua empresa, na expansão dos seus empreendimentos comercias, na aquisição de propriedades e construções imobiliárias. Um  dos seus filhos, (Thomaz Miguel Chakian) foi prefeito municipal de Porto Velho e Suplente de deputado federal de Rondônia. O senhor Miguel Chakian foi um dos destacados empreendedores comerciais, contribuidor com seu desempenho para a consolidação e  o desenvolvimento econômico e social de Porto Velho.

Abdon Jacob Atallah libanês naturalizado brasileiro, se estabeleceu no Povoado de Porto velho dos brasileiros com uma casa comercial, em 1914 na rua da Palha. Com seu irmão Chucre, construíram a empresa “Chucre e Jacob & Irmão” instalando uma loja comercial na rua José de Alencar esquina com a Avenida 7 de Setembro. Posteriormente o seu irmão regressou ao Líbano, desfazendo a sociedade e desativaram a empresa. Ele constituiu outra firma denominada “Au Boon Marché” e instalou uma loja de armarinho e tecidos, situada na rua Barão do Rio Branco esquina com a rua José de Alencar, onde permanece gerida por seus descendentes . três filhos, dois médicos e um odontólogo; duas filhas uma professora a outra contabilista. Sua dedicação ao trabalho foi da mais alta relevância para o desenvolvimento econômico e social de Porto Velho.

Vitor Sadeck libanês naturalizado brasileiro, chegou à cidade de Porto Velho na década de vinte do século recém passado, com apenas 16 anos de idade. Tornou-se comerciante ambulante (regadão) percorrendo o alto Rio Madeira e o rio Abunã, adentrando na Bolívia, remando solitário, sua canoa com toldo de palha carrega de arcas contendo variados produtos desde os alimentícios, os tecidos de vestuários, os calçados, os utensílios de trabalho, as bebidas alcoólicas, as perfumarias e os remédios. Estes ele mesmo prescrevias aos doentes e por milagre os curando, logo difundindo-se a fama de médico curandeiro, a quem recorriam os moradores dos povoados e dos seringais brasileiros e bolivianos da bacia do Abunã. Aliada a essa, a de conselheiro e juiz conciliador das querelas e desavenças, cujo veredicto proferido era acatado sem contestações pelos litigantes. Ampliando seus investimentos comprou um  barco movido a vapor e um seringal. Instalou em Fortaleza do Abunã um cinema mudo, o ingresso pago com pelas de borracha, e um bar de elevado numero de frequentadores curiosos em conhecerem a geladeira a querosene, importada de Manaus. Transferiu-se para Porto Velho, sendo comerciante , funcionário público municipal e ativista político partidário. Homem probo de conduta exemplar, pai de uma prole de homens e mulheres de elevado conceito social, comprometidos em promoverem o desenvolvimento econômico e cultural de Rondônia.

Jornal Alto Madeira fundado em 1915 por Dr. Joaquim Augusto Tanajura, sua primeira edição ocorreu no dia 15  de abril de 1917, um domingo chuvoso, prosseguindo continua sem nenhuma interrupção num percurso de noventa e sete anos, sob a administração de competentes intelectuais, Tanajura (fundador), Ignácio de Castro, Carlos Augusto de Mendonça professor, membro efetivo da Academia de Letras do Pará, Arnaldo Fernandes Costa e Euro Tourinho, estes três últimos no período em que o jornal se integrava aos Diários Associados de propriedade do empresário jornalista Assis Chateuabrind. Posteriormente adquirido pelo Grupo Tourinho , constituindo o jornal, a Empresa Alto Madeira Ltada tendo como slogan “Para frente em busca do futuro”. O jornal Alto Madeira é História de Rondônia, e a  História de Rondônia é o Jornal Alto Madeira, assim como é o seu Diretor Euro Tourinho.

Euro Tourinho empresário, jornalista, intelectual exponente da cultura, membro honorário da Academia de Letras de Rondônia, acima de tudo, impoluto e cívico cidadão. Ao  assumir à administração do jornal Alto Madeira, na condição de diretor proprietário , transformou sua sede na rua Barão do Rio Branco, anteriormente ficava na rua Prudente de Morais esquina com a Avenida 7 de Setembro no edifício Jovino Lemos, em ponto convergente da intelectualidade, e o jornal um veiculo não só informativo, mais também divulgador do saber e da ciência, um formador de opinião pública, uma academia de formação de profissionais de comunicação.

O Conselho Estadual de Educação Outorgou-lhe a comenda de Emérito Educador.

Patriarca do clã Tourinho todos de distintas e elevadas qualificações comprometidos com a promoção do progresso e do bem social de Rondônia.

Emídio Alves Feitosa empresário seringalista, politico opositor contrario a Aluízio Pinheiro Ferreira diretor da Madeira-Mamoré, por adotar o comportamento dos seus anteriores administradores estrangeiros, o de não reconhecerem a autoridade dos dirigentes municipais  e menosprezarem os munícipes. E mais o de exercer indevida ingerência nas atribuições e assuntos da exclusiva e privativa competência do Estado e do Município, se intrometendo diretamente nas nomeações de prefeitos municipais, juízes, promotores, delegados de policia, coletores de renda, diretores escolares e até de professores. Sendo ele Delegado de policia Municipal do Estado do Amazonas, impunha a prevalência das prerrogativas legais do Município sem distinções e privilégios em todo seu espaço territorial. Era admirado e respeitado pelo povo. Fundou a Cooperativa dos Seringalistas. Quando em 1943 foi criado o Território Federal de Guaporé. Aluízio Ferreira nomeado seu governador, o convidou para assumir o cago de Chefe de Policia, ele não aceitou. Era um empreendedor, além de suas propriedades rurais e urbanas, construiu um imponente edifício  comercial de dois pavimentos na rua José de Alencar esquina com a rua Barão do Rio Branco, no qual ficava a sede do PSP, partido de oposição ao Aluízio Ferreira. Foi um dos destacados pioneiros contribuindo com seu trabalho para a edificação econômica e social de Porto Velho, dado continuidade por seus filhos e netos.

Alencarliense da Costa engenheiro elaborador da planta artística do monumento comemorativo do centenário da Independência do Brasil, construído pelo mestre de obras, José Ribeiro de Souza Júnior, situado no Centro da Cidade, atualmente circundado pela praça Getúlio Vargas.

Maria Alves de Andrade, beata devota de São Francisco, construiu em 1926 com recursos monetários próprios e de donativos a capela dedicada a esse santo, situada na rua Campos Sales esquina com a Avenida Pinheiro Machado, o primeiro templo católico da cidade de Porto Velho.

Antônio Carlos Peixoto Secretário Geral da Prelazia de Porto Velho e João Nicoletti, ambos padres salesianos, desenvolveram intensa prestação de assistência espiritual, educativa e social às populações urbanas e rurais da cidade e do município de Porto Velho, a partir de 1926. Construíram os prédios escolares  Dom Bosco e Maria Auxiliadora, o prédio do Hospital São José e a Catedral Sagrado Coração de Jesus, como também capelas nos povoados ribeirinhos do  Rio Madeira e os ao longo da ferrovia Madeira-Mamoré. O padre Peixoto prestava assistência religiosa à Guajará Mirim até a posse de Dom Rey, bispo prelado, dessa diocese.

Eurico A. Nelson pastor, fundou no dia 16 de outubro de 1921, a primeira Igreja Batista na cidade de Porto velho.

Paul Ennes pastor missionário norte-americano, participou em 1922 da fundação da primeira Igreja Pentecostal Assembleia de Deus, na cidade de Porto Velho.

Aluízio Pinheiro Ferreira tenente do exército brasileiro, em 1930 exercia a chefia do 3º distrito Telegrafo da Linha Telegráfica Mato Grosso/Amazonas da Comissão Rondon sediada na cidade de Santo Antônio do Rio Madeira. Vitoriosa a revolução liberal de 1930, Aluízio foi designado para substituir o coronel Rondon na chefia das Linhas Telegráficas, transferiu a sede da Seção Norte para Porto Velho. No dia 10 de junho de 1931 a Empresa Madeira-Mamoré, antecipando-se a decisão judicial, paralisou a tráfego ferroviário e demais serviços prestados pelas concessionarias .

O Ministro de Viação e obras Dr. José Américo de Almeida determinou a Aluízio que intervisse, assumindo militarmente à administração da Madeira-Mamoré e suas subsidiarias, repassando-as para o governo federal brasileiro, por intermédio do Decreto n.º 20.200, de 10 de julho de 1931. Concomitante, o tenente Aluízio Pinheiro Ferreira foi nomeado para o cargo de Superintendente da empresa até então anglo-canadense. Por intermédio do Decreto n.º 1.547 de 5 de abril de 1937, foi definitivamente rescindido o contrato com a Madeira-Mamoré. Encerra-se uma etapa da história do Município e da cidade de Porto Velho, iniciada em 1907, com o surgimento dos dois antagônicos povoados, os dos americanos da Madeira-Mamoré a modernidade na selva, e o dos brasileiros, a improvisação, o desordenamento, o caos na selva. A partir de 10 de julho de 1931, extingui-se a duplicidade administrativa, prevalecendo a municipal do Porto velho dos brasileiros absorvendo integrando em si o acervo do povoado norte-americano, iniciando-se uma nova etapa na História de Porto Velho/Estado de Rondônia.

Este artigo conforme me referi no seu inicio, tem por objetivo rememorar com vista a preservação da memoria dos fatos e dos seus protagonistas ocorridos no período de 1907 a 1931, muitos dos quais os historiadores não fazem referência. Os episódios anteriores a 1907 e os posteriores à 1931, encontram-se registrados nos livros de minha autoria; “Terras de Rondônia”; “Porto Velho de Guapindaia a Roberto Sobrinho”; “Guaporelândia”; “50 Anos da Caravana Ford” e nos artigos publicados no Jornal Alto Madeira: “Comissão Rondon Cem anos de sua Criação 1907/2007; “Expedição Cientifica Roosevelt/Rondon no Espaço Geográfico do Atual Estado de Rondônia”; Santo Antônio a Fenix do Rio Madeira”; “Cachoeira de Teotônio”; “A Veneranda Senhora Labibe Acéch Bártolo”;  “A Face Oculta da História”; “27 Anos da Elevação do Território Federal de Rondônia à Categoria de Estado”; “A Memoria e Perene Reconhecimento aos Edificadores da Sociedade e da Cidade de Porto Velho”; “Conheça sua História-Origem da Cidade de Porto Velho”; “Origem do Município de Porto Velho”; “Síntese Histórica de Guajará Mirim”; “Santo Antônio do Alto Madeira”; “São Carlos do Rio Madeira”; “Calama”; “10 de julho de 1931”; “Tratado de Petrópolis – Antecedentes”; “Os Heróis Esquecidos Vinicius Danin e Milton de Jesus”; “Descobrimento e Colonização do Rio Madeira”; “Jornal Alto Madeira um Jovem de 79 Anos”; “Cem anos do Reinicio da Construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré”; “História e Arte Catedral do Sagrado Coração de Jesus”; “Origem, Trajetória e Consolidação da Cidade de Porto Velho”; “Conquista do Vale do Guaporé”; “Padre João Sam Payo Primeiro Missionário do Alto Madeira”; “Porto Velho Rumo ao Primeiro Século”; “30 de Outubro de 2013 Cem Anos de Instalação do Poder Judiciário em Porto Velho”; “A Muralha Beira Rio”.

Menciono os dedicados profissionais que contribuíram com seus labores na constituição de Porto velho, os médicos: Jaime Pereira; Joaquim Augusto Tanajura; João Nicoletti; Antônio Magalhães; Sebastião Públio Dias; Kronge Perdigão; Clodomiro marques e José Collyer. Os docentes: Joaquim Carvão; Januário Norberto; Heitor de Figueiredo; Manuel Afonso Júnior; Isaura Arrais Lima; Paranatinga Filho; Alice Borges; Egydio Bourtgnon; João Nicoletti; Carlota Rena, todos de ensino particular, 1916/1931. Mestres de obras operários: construtores de prédios públicos e particulares de obras de infraestruturas, de pontes , de aterramento de área alagadiças, de canalização de igarapés  e outros serviços: José Ribeiro de Souza Júnior; Joaquim Luiz Lourenço; Pedro de Renda; Simplício José da Silva; Joaquim Garcia e Luiz Joaquim Paes.

Referencio a todos citados e os não citados, impossibilitado pela falta de fonte, pedindo desculpas e compreensão dos seus familiares os tendo como homenageados alvos de nosso acatamento e admiração, por terem sido os fundadores do povoado de Porto Velho dos brasileiros enfrentando com denodo e a determinação de superarem todas vicissitudes e obstáculos, o que conseguiram, construindo a cidade que completou 107 anos, sede do Município de Porto Velho o qual festeja os seus cem anos da criação, por DR. Jonathas de Freitas Pedrosa.


ABNAEL MACHADO DE LIMA

Prof.Ap. de História da Amazônia na Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geografia e da Academia de Letras de Rondônia

PORTO VELHO: CEM ANOS!

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Sandra Castiel, membro da academia de Letras de Rondônia

Porto Velho… cidade de minhas primeiras letras, Pôrto-Velho, no Grupo Escolar Barão do Solimões. Porto Velho da infância, nos comícios dos cutubas e peles-curtas, de Aluízio Ferreira e Renato Medeiros; Porto Velho das famílias pioneiras e tradicionais,  das professoras de azul e branco, das festas no velho casarão do Ypiranga e do Bancrévea Clube; Porto Velho das noites dançantes na varanda do Pôrto-Velho Hotel; Porto Velho da Madeira-Mamoré, das viagens ao amanhecer no trem encantado, até Guajará Mirim, das paradas intermináveis: Santo Antônio, Zingamoche, Teotônio, Pedra-Canga, São Carlos, Luzitânia, São Patrício, Caracol, Jaci-Paraná (hora do  almoço), Caldeirão do Inferno, Jirau, Três Irmãos, Mutum-Paraná e Abunã (pernoite no Hotel Brasil). Mal o dia raiava e a saga continuava selva adentro: Presidente Marques, Penha Colorado, Taquaras, Araras, Periquitos, Chocolatal, Ribeirão, Vila Murtinho, Lages, Pau Grande, Iata, Bananeiras, e o destino final: a Pérola do Mamoré!

Porto Velho do centro acanhado e inesquecível. E o porto-velhense, quando ia ao comércio, falava assim: -Eu vou lá embaixo!

E o comércio era basicamente isto:  Mercado Central, Feira Livre, Café Santos, Bar do Arara, Casa das Canetas, Restaurante Plaza, Casa Saudade, O Mundo Elegante, Bazar Bezerra, Casas Pernambucanas, Casa Paris,  Casa Girão,  Lanchonete Delta, Loja do Seu Abdon, Restaurante Almanara, Funerária Raposo, Panificadora Raposo, Drogaria Amora, Farmácia do Seu Boanerges, Sapataria Moderna, Perfumaria Gardênia Azul, Salão de Beleza Eline, Mourão e Irmãos, Banco da Borracha,  Mário Alfaiate, Lojas Camacho, Boutique da D. Nega, Joalheria Cabeça Branca, Loja do Seu Miguel Arcanjo, Foto Pereira, Foto Natal, Cine Lacerda, Cine Brasil e Cine Teatro Resk, Porto Velho Hotel, Hotel Vitória, Cia. Cruzeiro do Sul (Seu Bichara); Porto Velho do tempo da  Radional,  Porto Velho da Livraria do Seu Pedro Neca e da Livraria Violeta (Seu Ovídio), Porto Velho da Maria Eunice e da Anita, Porto Velho da Escola Normal  Carmela Dutra, do Colégio Dom Bosco e do Instituto Maria Auxiliadora, Porto Velho do Danúbio Azul Bailante Clube, do Ferroviário e do Flamengo, Porto Velho da Fábrica de Borracha, dos jornais O Guaporé e Alto Madeira. Porto Velho da Rádio Caiari, dos avisos para o interior, do Hospital São José e da Maternidade Darcy Vargas; Porto Velho da ladeira da Prefeitura, Porto Velho dos apitos da usina, de manhã cedo e  na hora do almoço, Porto Velho da Catedral, do Padre Chiquinho e de Dom João Batista Costa, das procissões do Senhor Morto e das cantilenas das filhas de Maria; Porto Velho dos navios Leopoldo Perez e Augusto Montenegro, embarcações abarrotadas de gente cabocla que cruzava com coragem as águas pesadas dos rios amazônidas…  Quanta saudade!

Porto Velho, outrora pequenina, de ruas barrentas e quase desertas, bairros simples, gente morena, sotaque caboclo tão nosso e tão regional: Caiari, Arigolândia, Pedrinhas, Areal, Mocambo, Baixa da União, Alto do Bode, Olaria, Tanques, Nossa Senhora das Graças, Km 1. Porto Velho das domingueiras, matinê no Resk e passeio na Praça Rondon: olha a Furiosa, da Guarda Territorial, com Mestre Neves à frente, tocando no coreto, gente!

Porto Velho das noites estreladas, Porto Velho dos candeeiros Aladim e Petromax, Porto Velho da passarinhada, ao anoitecer e ao amanhecer, Porto Velho das palheiras solitárias que ornavam a paisagem e dos igarapés caudalosos que faziam a festa da criançada; Porto Velho dos açaizeiros, das pupunheiras e dos tucumanzais; Porto Velho das tacacazeiras, cheiro de tucupi e de jambu, ao pôr do sol; Porto Velho dos seringueiros que circulavam pelas ruas da cidade com suas botinas de seringa. Quanta saudade!

Porto Velho dos seringais, Porto Velho da borracha e da cassiterita, Porto Velho do rio Madeira e das abundantes cachoeiras, de Teotônio, de Santo Antônio e de Samuel… Porto Velho do Areia Branca, da Estrada dos Japoneses, da BR 29; Porto Velho das histórias fantásticas do boto que vira homem, contadas à luz do luar… Quanta saudade!

Porto Velho dos carnavais esplendorosos, dos blocos do Ypiranga e do Bancrévea Clube, do Bloco do Sol e do Bloco da Chuva, das escolas de samba Pobres do Caiari e Diplomatas do Samba… Quanta saudade!

Porto Velho de nossos pais e irmãos, e até dos pais de nossos pais; Porto Velho de nossos filhos e dos filhos de nossos filhos… Como te amamos!

Recebe hoje nossa humilde homenagem!

NÓS E AS PALAVRAS

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Às vezes imagino que existe um grande templo, em uma dimensão conectada à nossa;  um templo onde vivem todas as palavras de todas as línguas. Nesse templo as palavras ficam separadas de acordo com a procura e com a natureza de cada uma.

Bem, se há um templo, há um guardião, na verdade mais do que isso, trata-se de um apaixonado colecionador de palavras, alguém com perfil meio divino e meio humano, que cuida de todas as palavras, diuturna e carinhosamente, através dos milhares de séculos.

Algumas delas são muito solicitadas, afinal, nós as repetimos mecanicamente e sem qualquer esforço de memória; outras há, porém, que ficam ali, arquivadas em seu lugar no grande templo, um tanto amarguradas pelo esquecimento; então, quando alguém recorre à memória ou ao dicionário para usá-las, elas renascem, gloriosas, com o mesmo sentimento que invade o coração de um velho professor, quando lembrado com carinho por algum de seus ex-alunos.  

Acredito que as palavras, assim como as pessoas, são agrupadas de acordo com a afinidade;mortee vida, por exemplo, ficam muito longe uma da outra; não seria de bom tom colocá-las juntas, tanto que o guardião as situou nos extremos do templo, pois sabe que as palavras, assim como as pessoas, têm vontade própria, são movidas a sentimentos. Mas como separarmorte e vida se, quando alguém morre, é comum ouvir-se: “- É a vida!” Neste quesito, o próprio guardião se confunde um pouco, mas felizmente seu lado divino esclarece tudo e nosso colecionador de palavras segue em frente.

Isto, contudo, não o impede de sofrer pelas palavras; gostaria que palavras antigas comolouvaminhas, pintalegrete, aspérrimo, estipêndio, patuscada, entestar, pelouros, derrear, préstito (e tantas outras) fossem solicitadas de quando em vez; entristece-se ao vê-las ali, guardadas ano após ano, esquecidas e amarguradas, assim como seus falantes; aliás, a maioria deles, gloriosa, já partiu; vai ver não se acostumaria mesmo com as palavras novas, e tantas invencionices nesse campo.

Palavras de amor podem ser guardadas juntinhas umas das outras, nunca dá confusão; e o guardião até se diverte com a imaginação humana que dá luz a novas palavras nesse sentido, como se já não bastassem amorzinho, benzinho, mô (abreviatura de amor) etc.

De tanto conviver com todas as palavras, o guardião identifica-se com sua humanidade, com suas alegrias e tristezas, com seu sucesso e com seu abandono. E meditando sobre isso, chega à conclusão que as palavras passam a se parecer com as pessoas que as escolhem: as mais sisudas e longas, com os mais velhos (há exceções); as mais curtinhas e engraçadas, com as crianças e jovens.

O fato é que as palavras vivem lá, naquele templo da minha imaginação, cuidadas, polidas, arrumadas, tristes, alegres, apaixonadas, deslembradas, esquecidas ou não, esperando que nós, humanos, façamos nossas escolhas.

O CAMINHO DE VOLTA

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A proximidade do inverno da vida levou-me a refletir sobre uma curiosidade: por que, à medida que envelhecemos, as lembranças remotas tornam-se cada vez mais nítidas em nossa mente? Quanto mais velhos, mais nos reportamos ao passado longínquo, à mocidade e à infância; passamos a lembrar tudo com detalhes: nossos pais ainda jovens, a infância junto a nossos irmãos, a fisionomia de avós, avôs e tias, as brincadeiras com os primos, as casas onde vivíamos, a vizinhança, a rotina de nossa vida então, a escola, os colegas de turma, as professoras que tivemos, eventuais apuros esolares, as broncas etc.

Muitas dessas lembranças nos enchem de alegria; outras, nem tanto, mas isto pouco importa, pois o aspecto mais interessante nisso tudo é que nelas nos encontramos; só a partir dessas lembranças nos damos conta, enfim, de que trazemos conosco um sentimento novo e dorido: o sentimento de que nos perdemos de nós mesmos em algum momento da longa estrada; no espelho, o rosto castigado que contemplamos em nada lembra nosso próprio rosto, aquele com o qual nos reconhecíamos; este que nos contempla agora se parece com os rostos de nossos pais na velhice. E isto é algo que, se nos enche de ternura, também de certa forma incomoda, pois envelhecemos e não nos demos conta, tão ocupados estávamos cuidando da vida e tentando assegurar futuro melhor para os filhos.

Tenho a sensação de que, intimamente, cada ser humano, quando jovem, pensa que vai envelhecer e permanecer com a mesma cara, porque acredita que é especial; e isto é bom, mas não é assim que ocorre.  

Algumas pessoas conseguem retardar um pouquinho o processo implacável do envelhecimento, mas só um pouquinho, porque o chamado da natureza é muito, muito forte, e esse chamado impõe ao nosso corpo sua realidade etária, não tem jeito.

Tudo isso me leva a pensar que seguimos a vida partindo de um ponto inicial e, na velhice, voltamos inevitavelmente a ele, daí as lembranças remotas impondo-se sobre as lembranças recentes. Por mais que nos distanciemos do ponto de partida, acabamos sempre voltando a ele, pois é ali que fica o cerne de nossa identidade, de quem realmente somos. Nesse processo, há uma espécie de tentativa de resgate de nossos primórdios, uma espécie de criançamento de nossa alma. Esse sentimento levou o poeta Manoel de Barros a afirmar que não caminhamos para o fim; caminhamos, sim, para as origens.

O interessante nisso tudo é que todos, absolutamente todos, se vivermos até a velhice, fatalmente empreenderemos esse caminho de volta; um caminho, aliás, agradável de ser percorrido, pois nele vive a criança que fomos algum dia.

AMIGOS VIRTUAIS

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Muita gente não gosta das redes sociais, como face book; os que não gostam argumentam que as redes sociais confinam as pessoas, privando-as do contato real com o próximo. Então se reportam ao passado, à proximidade com a vizinhança, ao tempo das cadeiras de embalo nas calçadas, etc.

Certamente, aquele era um tempo inesquecível: era ótimo, quando no fim da tarde, banho tomado, roupa limpinha, a gente carregava as cadeiras da varanda até a calçada, sentava e esperava que as vizinhas e vizinhos se acercassem para a prosa que se estendia até a hora do jantar. Se as cadeiras de balanço fossem colocadas na calçada depois do jantar, a prosa se estendia até a hora de dormir e, no dia seguinte, o ritual era o mesmo, e o grupo que se formava diariamente também; enquanto os adultos conversavam, a criançada se esbaldava brincando na rua, em frente às calçadas, à luz do luar: brincadeira de roda, pantomimas, pique – esconde,  etc.  Tempo bom.

Tempo bom, mas tempo finito, tempo passado, tempo que só existe na memória de quem viveu. O fato é que o mundo mudou, as sociedades mudaram e impõem um novo modo de vida e de relações sociais.  Certo é que as pessoas que viveram esse tempo precisam se adaptar a essas mudanças, senão acabam por se tornar arredias, reagindo contra a modernidade, reagindo contra as alternativas de contato como as redes sociais. Ora, onde, nos dias de hoje, existem cadeiras nas calçadas e o grupo da vizinhança reunido? Talvez em pequenas cidades do interior.

É claro que as redes sociais oferecem riscos, como observadores mal intencionados, sequestradores, pedófilos e toda sorte de criminosos; este é um lado da questão. Mas, tomando-se a devida cautela, há o outro lado: em vez da solidão imposta pelo mundo moderno, um mundo em que o sujeito não conhece seu vizinho, pode-se, sim, interagir com uma infinidade de pessoas e selecioná-las de acordo com a preferência do freguês.

Assim, a gente se acostuma com os rostinhos que frequentam nossas páginas das redes sociais: mensagens calorosas de ânimo, cumprimentos de aniversário, orações, recados, troca de impressões sobre tantos assuntos do cotidiano, manifestações de amizade, piadas, casos engraçados, compartilhamentos e comentários sobre o que vai pelo mundo, enfim, contato humano; como não aderir a isso tudo?

Quando ligo meu computador e abro minha página no face book, não tenho dúvida: sinto-me como se estivesse colocando minha cadeira de balanço na calçada de algum vizinho. Amo meus amigos virtuais!

DEPRESSÃO

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Abre o olho em meio à penumbra do quarto: é noite alta; sente de novo aquela sensação horrível, uma espécie de luto que a impede de ser feliz. Acreditava sinceramente que para ser feliz bastava respirar e contemplar a vida, sem dores. Mas por que cargas d’água esta sensação de luto, esta angústia, esta inquietação dorida que teima em brotar-lhe do peito e tomar conta de seu despertar, de seus momentos, de suas horas, de seus dias, de suas noites?

Se antes, amava ouvir o canto dos pássaros, este agora lhe soa funesto, pois a remete amargamente à consciência da finitude de todas as coisas, sobretudo à sua própria finitude, lembrança triste, do tipo… “em breve vou morrer e não mais ouvirei o canto dos pássaros”; se antes deleitava a alma com o som de risos de crianças, agora pensa que não há mais crianças a sua volta e nunca mais haverá: sofre; se antes se encantava em plantar sementes de árvores frutíferas, agora pensa que as árvores são efêmeras como tudo que é orgânico, então pra quê contemplá-las?  Enfim, é como se já houvesse deixado o mundo, a vida e tudo o que mais nela preza. É como se sua alma houvesse partido para sempre, rompido todos os laços que a prendiam a este mundo; é isto, a alma do que fora já não existe, foi-se para sempre, e em seu vazio há apenas o espectro, uma sombra dark que nem de longe se assemelha à sua própria alma; partiu e o que permanece aqui é apenas este espectro desorientado do que fora um dia, um espectro que não sente necessidade de falar, de ouvir, de produzir; um espectro que não é capaz de emocionar-se e enlevar-se com as belezas da vida, de chocar-se com as dores do mundo e com as dores humanas.

Isto é Depressão. Muitas pessoas, ou já sofreram deste mal terrível, ou ainda sofrem com ele;algumas não conseguem superá-lo e acabam sucumbindo, entregando-se à devastação que este mal causa à saúde física, emocional e mental das pessoas. Será esta uma doença do mundo moderno? Pode ser, muita gente crê nessa possibilidade. Porém, se vasculharmos a memória, certamente encontraremos um parente com a fisionomia nublada, sempre ensimesmado, alguém que não interagia alegremente com o grupo familiar. Só que, à época, a gente ouvia que ele era assim mesmo, esse era o jeitão dele. Hoje não creio nisso, não; acho que a depressão sempre existiu, a medicina é que ainda não a tinha detectado.

Mesmo com a difusão da existência desta terrível doença, muitas pessoas tratam-na como um tabu, envergonham-se de admitir que precisam de medicamento para combatê-la, sentem-se diminuídas, fragilizadas e temerosas da opinião dos outros a seu respeito.Grande bobagem! Felizmente existem os salvadores remedinhos de tarja preta, prescritos pelo médico, evidentemente, que trazem a pessoa de volta do Hades, do Umbral, das Trevas, impedindo a partida prematura de sua própria alma. Tudo passa. A depressão também passa, desde que tratada corretamente. Viva a Vida!

A MÃE DE TODOS NÓS

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Quando a gente é criança, a gente não consegue respirar se a mãe não estiver por perto, afinal ela sabe tudo sobre as pequenas e grandes coisas, ela sabe tudo sobre o que certo e o que é errado, ela parece conhecer todas as pessoas do mundo e cada filho pelo avesso: afinal ela é a mãe. Quando a gente é criança, nossa condição de incapazes nos leva a depositar sobre a figura materna nossa própria capacidade de existir: nada, absolutamente nada, que venha da mãe, essa figura idolatrada que nos alimenta com um grande sentimento amoroso, é questionado.

Na adolescência, fase em que deitamos sobre o mundo um olhar próprio, começamos a enxergar as coisas da vida não mais através dos olhos da mãe; então descobrimos que ela também pode cometer equívocos e, não raramente, nos sentimos incomodados com todo aquele amor e com toda aquela proteção.

Na idade adulta, após certo distanciamento, e após havermos constatado que a mãe é apenas uma pessoa, portanto alguém passível de enganos e de fraquezas, principiamos a enxergar em nós as próprias limitações maternas, afinal compartilhamos todos da mesma condição humana.

Na maturidade, após deixarmos para trás as demandas imediatistas do cotidiano, época em que não precisamos mais, a rigor, lutar pela sobrevivência, a figura da mãe, que a essa altura já deixou este mundo, torna-se vívida e presente em cada minuto de nossos dias: quanta saudade!

Então derramamos lágrimas amargas pela sua ausência, evocamos sua existência terrena e lembramo-nos da convivência materna como a fase esplendorosa e doce de nossa existência.  E não sabíamos disso, tão inocentes éramos! Assim, divagamos e pensamos que se nos fosse dada nova oportunidade de compartilhar a vida com nossa mãe, certamente ofereceríamos a ela todas as flores deste vasto mundo, falar-lhe-íamos as palavras mais doces que sabemos pronunciar, e lhe devotaríamos o sentimento mais puro, o mesmo que nos atava à sua sábia figura na infância…

Ainda bem que para nós, pobres viventes, seres cônscios das amarras a que nos submete a pequenez humana e mortal, existe uma mãe maior, uma mãe que carrega em si e em sua história triste todas as mães do mundo: as vivas, que ainda podemos homenagear neste dia, e as mortas, aquelas que vivem apenas em nossas lembranças. Não importa a idade que tenhamos, qualquer alusão a esta grande mãe nos sensibiliza e nos toca profundamente, pois ela também é mãe de nossa mãe, de nosso pai, de nossos filhos, de nossos netos,  de nossos irmãos, de nossos avôs e avós: Obrigada Maria, Mãe Santíssima! Obrigada pela força, pela esperança, pela luz, pela proteção à humanidade…

HISTÓRIAS DAS NOSSAS COPAS DO MUNDO (6)

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Causos de Copas do Mundo em Porto Velho
Lúcio Albuquerque
[email protected]

    Na Copa do Mundo de 1994, como não sou chegado a assistir jogo de futebol, disse ao editor Ivan Marrocos, no ALTO MADEIRA, para arrumar um fotógrafo que eu pretendia sair pelas ruas de Porto Velho registrando como pessoas de diversas profissões estavam vendo a Copa. E lá fomos nós dois.
    Conversei com o arcebispo de Porto Velho, em seu escritório no prédio onde muito antes funcionou o colégio dom Bosco e com o então candidato a governador Valdir Raupp (eleito alguns meses depois).
    Houve alguns causos interessantes. O agente funerário que estava “colado” na TV e conversando comigo quando o telefone tocou anunciando mais um falecido. O cara deixou-me “a ver navios” e saiu dizendo que não podia perder aquele “cliente” porque nada faturara ainda naquele dia.
    Mas o caso que não esqueço mesmo foi quando aportei à residência de uma importante liderança religiosa não católica. Fui recebido por uma senhora que explicou o pastor estar preparando uma palestra para um grupo de fiéis e, por isso, não me poderia atender.
    Disse meu nome e insisti que ela fosse lá com ele. O pastor mandou que eu entrasse. Em seu escritório, com vários livros abertos em cima e diversas anotações, atendeu-me bem e repetiu o que eu já ouvira antes. Eu estava para acreditar que ele não estava interessado  no jogo, quando literalmente a cidade explodiu: fogos, buzinas, gritos. Pior que bem ao lado da casa funcionava um dos botecos mais frequentados da cidade e que, ao chegar, eu vira que estava “bombando”.
    O pastor, que garantira não estar interessado no jogo, chamou um rapaz que estava na sala e: “Menino, vá aí no bar saber se foi gol do Brasil, quem fez e quanto está o jogo”.
    Quanto ao preparativo para a palestra, ficou para depois do jogo.
    Já em 2002 eu estava num hotel, em Rio Branco fazendo um “frila” e tinha de enviar uma matéria sobre eleições para um veículo no “sul maravilha”. Era domingo, decisão do Mundial. Consegui que o hotel me arrumasse uma salinha perto do café e estava lá trabalhando.
    Eu tinha prazo e meu tempo já estava fechando. Estou trabalhando quando entra uma hóspede. “O senhor  não vem assistir o jogo? Todos os hóspedes estão na sala do café”.
    Ela foi embora e eu continuei. Daqui a pouco retornou, pelo visto já com o jogo em andamento. “O senhor não vem mesmo?”. Respondi que não podia. Foi embora e voltou: “O Brasil já está ganhando de um a zero. O senhor é brasileiro?”.
    Mas, de todas as histórias e estórias ouvidas por aqui, relativas à Copa do Mundo, a que eu mais me divirto é com a contada pelo mestre Esron Penha de Menezes. Aconteceu na final da Copa de 1958. Ele e alguns amigos foram ouvir (a TV só foi instalada em 1974 e jogo direto só em 1978) a final Brasil x Suécia no Bancrevea Clube.
                                           
                                           Esron: em 1958 “torcendo pelo inimigo”
   
A estática forte complicava a recepção da transmissão direta de Estocolmo, os rádios eram poucos, muitos movidos à força de baterias de carros. O sinal da emissora chegava através de uma antena – um fio entendido a muitos metros de altura entre duas varas compridas.
    Jogo começado, gol. Esron e seus amigos vibraram, soltaram foguetes e nem atentaram que não houve festejos em outros pontos da cidade. Talvez o uísque sem gelo tenha feito a diferença. Mas o importante era festejar.
    Foi aí que chegou um convidado retardatário querendo saber o motivo de tanta festa. “Gol do Brasil”, gritaram os que festejavam. O amigo disse que o gol fora da Suécia, que marcou primeiro mas perdeu de5x2. “E ainda queria saber se nós estávamos torcendo pelo inimigo”, ria Esron mais de meio século depois.
    CAUSOS DO MANÉ
1973. Jogando pelo cachê, que me desculpem os que pensam diferente ou os que nunca o viram jogar, Garrincha, vulgo Manoel Francisco dos Santos, foi o jogador mais importante do Brasil nas conquistas de 1958 e 1962. Em 1973 ele se apresentava em qualquer local, desde que pagassem o preço.

                              Garrincha, com a camisa do Moto
                          Clube, no campo da 3ª Cia de Fronteira
   
E naquele ano de 1973 ninguém menos que ele, Garrincha, desembarcou no velho aeroporto do Belmont – onde hoje é o aeroporto de Porto Velho – para fazer um jogo de apresentação, um tempo pelo Moto Clube e outro pelo Ferroviário (os dois melhores times de futebol local e que já não disputam mais nossos campeonatos).
    “Foi um momento mágico”, lembrou o ex-centro-avante Faz-Tudo, enquanto tomávamos café no boteco da Zenilda, no Mercado Central que jogou um tempo ao lado e outro contra Garrincha, no campo da (atual) 17ª Brigada, com o público literalmente dentro das quatro linhas. O resultado pouco interessou. No dia seguinte Garincha foi jogar em outra cidade, Guajará-Mirim, e o estádio Paulo Saldanha não coube de tanta gente, inclusive centenas de bolivianos que “invadiram” a “Pérola” para ver “o anjo das pernas tortas” (*) jogar.
    Já Coutinho, parceiro de Pelé no Santos e reserva de Vavá na Copa de 1962, conta sempre que quando acabou o Mundial Chile parecia que Garincha não entendera que o Brasil já ganhara novo título. “Ele ficava dizendo: “Já acabou? Que torneio pequeno”.
    De Garrincha também contam muitas outras histórias e estórias, como a de um dos técnicos da seleção brasileira. No vestiário o treinador dizia aos atletas que era para fazer isso e aquilo, que era para etc e tal.
    Foi aí que Garrincha teria interrompido: “O senhor já combinou tudo isso com o time dele?”.

    (*) Anjo das pernas tortas – Termo criado pelo jornalista Nelson Rodrigues para identificar Garrincha.

Amanhã:
HISTÓRIAS DAS NOSSAS COPAS DO MUNDO (7)

    Minha Copa do Mundo inesquecível