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Rondônia e a XVI Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro

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Ano passado, ou retrasado, não lembro, fui convidado para um evento universitário onde pediram fizesse um apanhado da produção bibliográfica de Rondônia nas últimas décadas. No dia aprazado fui ao local combinado e iniciei a falar sobre pessoas de Rondônia que escrevem livros, e os publicam, desde a década de 50. Passei por inúmeros escritores, muitos deles confrades na Academia de Letras de Rondônia (ACLER) e no Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia (IHGR).

Ao terminar a exposição, já em meio a perguntas e questionamentos dos acadêmicos, uma professora doutora da USP tomou a palavra. Disse que estava admirada, que nunca havia imaginado tanto produzisse e publicasse Rondônia. A admiração da professora, por sua vez, não foi motivo de surpresa para esse que vos escreve. Sabia, desde muito, que Rondônia possui escritores, e bons. Mas sabia também que Rondônia é vista no Brasil como um lugar incógnito, frequentemente confundido com Roraima ou Acre (assim como esses estados também são confundidos com Rondônia).

Enfim, sabia ainda que a mídia nacional publica com grande empenho os problemas do Estado, mas não com tanto empenho os méritos do seu povo. Já o grande magnata da imprensa americana William Randolph Hearst tinha uma frase que dizia mais ou menos o seguinte: o homem quer o bem, mas é fascinado pelo mal. Em outras palavras: se a manchete do jornal de amanhã anunciar que as pessoas estão bem e felizes, certamente venderão esses periódicos menos do que se anunciarem crimes, corrupção, roubo e assassinato. Faz sentido, é parte do instinto de sobrevivência pessoal e coletivo ter mais interesse sobre aquilo que nos ameaça do que sobre aquilo que não oferece perigo. Contudo, algumas vezes temos que mostrar o que produzimos também de positivo.

Foi pensando assim que no mês de março do corrente ano a ACLER e o IHGR entraram em contato com o Secretário de Planejamento de Rondônia, George Alessandro Gonçalves Braga, para propor a ele que o estado se fizesse representar na XVI Bienal internacional do Livro, no Rio de Janeiro, entre 29 de agosto a 08 de setembro do corrente ano.

Ficamos realmente animados com a entusiástica acolhida do Secretário George Braga à sugestão dessas instituições. Se é verdade, como já afirmava no século passado o escritor paulista Monteiro Lobato, que um país é feito com homens e livros, podemos dizer que Rondônia tem ambos, e alguns deles estão governo. A proposta do Secretário recebeu a acolhida do Governador do Estado, Confúcio Moura, como o secretário também escritor. Depois, uma parceria da ACLER, do IHGR e o apoio da UNIR e da Secretaria de Cultura do Estado fizeram o restante.
Parafraseando um nosso ex-presidente, “nunca antes na história” desse estado vimos coisa semelhante. A ideia era que Rondônia fizesse bonito, apresentasse um lado positivo, chamasse o interesse para aquilo que ela realmente é: uma terra de gente honesta e trabalhadora.

Rondônia então fez-se representar na XVI Bienal com um estande, aberto a todos os escritores do Estado. Dezenas de autores participaram expondo suas obras. Escritores iniciantes, como Rose-Mary Medeiros Brito, com a sua primeira obra publicada “Onde está meu coração” e Alexandre Lúcio Fernandes, com seu “Elos no Horizonte”, e veteranos, como a professora Yêdda Borzacov, os drs.

Viriato Moura e Samuel Castiel, que naquele evento lançaram um livro em comum intitulado “Trem Vivo: viagem ao imaginário da Ferrovia do Diabo”, contendo contos, crônicas, poesias sobre a legendária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), bem representaram nosso estado. Do interior do estado, escritores como Luiza Marilac Almeida Teixeira de Oliveira, de Ji-Paraná, com o seu “Tempo de Felicidade” e Paulo Cordeiro Saldanha, de Guajará-Mirim, com o seu “O Alferes e o Coronel”, também se fizeram presentes. Foram muitos, e peço desculpas aqui porque não poderei apresentar a todos os que se fizeram presentes com as suas obras àquele estande.

O fato é que o estande foi visitado por um público numeroso. Não era um estande luxuoso, não tínhamos muito a oferecer ao público a não ser saber que em Rondônia se escreve, e se publica. Não podíamos competir com as grandes editoras, nem com os grandes e ricos estados da federação ali representados.

Mas, e isso é o mais importante, lá estávamos, pela primeira vez em nossa história. As pessoas paravam, compravam livros, e perguntavam por Rondônia. Nosso amado torrão, esse pedaço de Brasil que muitos escolheram para construir suas vidas, fez bonito. Os livros expostos foram vendidos, uns mais, outros menos, não importa. O que importa é que agora muitas pessoas que pensavam Rondônia de uma maneira negativa, tem um ponto positivo para pensa-la. Dos contatos que fizeram aqueles visitantes do estande de nosso estado certamente frutos advirão. Soube mesmo de uma norte-americana, representante de uma instituição de seu país que, do contato com o estande do nosso estado decidiu visita-lo, para adquirir um livro de cada autor.

Somos muito prontos em criticar os governos, e nisso temos razão porque os governos existem por causa dos nossos impostos e da confiança neles depositadas ao elegê-los. Mas devemos também elogiá-los quando acolhem, como o Governo de Rondônia o fez, uma proposta como essa. “Não fez mais que a obrigação” dirão alguns, irrestritamente descontentes. Sim, é obrigação do Estado promover a cultura, mas nem sempre ele a promove e, nesse caso, o fez. O Estado, como todos nós, tem seus recursos escassos e encontra-se frequentemente frente a decisão de escolher onde aplica-los frente a um inesgotável universos de demandas. Contra todas as incompreensões e censuras infundadas digo: nesse caso o Governo de Rondônia acertou em cheio, e eu como escritor devo parabeniza-lo e agradecer pela iniciativa.

Porto Velho, 11 de setembro de 2013.
Dante Ribeiro da Fonseca

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