
Na obra, intitulada Pingos Contados – Nanocontos, constam contos concisos, que sugerem mais que explicitam, mas dizem o bastante para inspirar enredos diversos. O leitor, entretanto, não tem o compromisso de interpretar o nanocontos em consonância com o que fora imaginado pelo autor, podendo criar livremente suas histórias a partir da inspirações geradas por esses pequenos textos.
Segundo Moura, esse tipo de literatura, onde menos é mais, presta-se para estimular o poder interpretativo do leitor — o índice de analfabetismo funcional é elevadíssimo no Brasil. Nesse contexto, esse subgênero do conto tem função importante para a redução dessa falha cognitiva na qual as pessoas leem mas não entendem o que leem. Os autores de nanocontos também se beneficiam com essa prática no que tange ao desenvolvimento cerebral pleno posto que escrevê-los exige a interação entre a área criativa do cérebro e a relacionada à lógica, por isso ajuda na manutenção e até na melhora da memória e, consequentemente, na prevenção das doenças demenciais; enfim, na saúde mental das pessoas —conclui o autor.
O médico e escritor disse ainda que, no próximo ano, através de palestras presenciais e lives, pretende empreender um projeto, em parceria com as academias de letras do estado, para que a literatura minimalista seja utilizada nas salas de aula de língua portuguesa, em especial os nanocontos, objetivando beneficiar o maior número de pessoas com esse tipo de literatura, tanto na condição de autores como de leitores.
