A ocupação da Malásia pelos japoneses na Segunda guerra Mundial (1939/1945) privou as Nações Unidas de importarem borracha nativa matéria prima imprescindível à indústria bélica. A solução era obter esse produto do Brasil.
Considerando a volumosa tonelagem necessária a ser imediatamente aplicada e também de reserva estocada, era preciso a adoção de urgentes medidas concernentes a revitalização dos seringais da Amazônia, fomentando a produção de borracha em larga escala. Com este objetivo os Estados Unidos da América do Norte e o Brasil firmaram no mês de março de 1942, os Acordos de Washington, pelos quais o primeiro se comprometia a repassar recursos monetários para o segundo, e este a fornecer toda a borracha necessária ao primeiro. Para tanto, a Amazônia tornou-se zona de guerra, teatro da “Batalha da Borracha”.
A execução dessa operação de guerra ficou sob o encargo de várias empresas estatais organizadas nos Estados Unidos do Brasil, com esta especifica finalidade, as quais não se entendiam entre si. As norte-americanas eram a Board of Economic Warfare, a Recontruction Finance, a Rubiber Reserve Company e a Suplies Corporation. As brasileiras eram o serviço de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia/SEMTA, criada pela Portaria n.º 162 de 30 de novembro de 1942, subordinado ao Ministério do Trabalho, foi substituído pela Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia/CAETA, Decreto-Lei n.º 5.813, de 14 de setembro de 1943.
O governo norte-americano de uma vêz repassou para a primeira dois milhões, setecentos e cinquenta mil dólares, e para a segunda dois milhões e quatrocentos mil dólares. Além dessas duas foram criadas a Superintendência para o Abastecimento do Vale Amazônico/SAVA, o Serviço Especial de Saúde Pública/SESP e o Banco da Borracha. A SAVA no alto Madeira (Porto Velho) era administrada pelo engenheiro Joaquim de Araújo Lima e o Banco da Borracha (Porto Velho), gerenciado pelo empresário Raimundo Cantuário.
O governo brasileiro (Presidente Getúlio Dorneles Vargas) por intermédio de propaganda enganosa, comprometendo-se com os voluntários a virem para os seringais da Amazônia, ser firmado um contrato de soldado da borracha, valido por dois anos, pelo qual o contratado receberia passagem, diária completa de pousada e alimentação, uniforme, equipamentos de trabalho, amparo à família, tratamento médico, assistência religiosa, o pagamento de dez cruzeiros diários, no local de trabalho, o direito de posse de 60% no mínimo, da borracha produzida, a qual livremente venderia por até vinte cruzeiro, do mesmo modo a 50% da castanha colida e da madeira derrubada, como também a um hectare de terreno para plantar. Conseguiu recrutar cinquenta e cinco mil nordestinos instituído pelo Decreto n.º 5.225, de 10 de fevereiro de 1943, o Batalhão da Borracha, destinado à batalha da borracha, isto, é a operação de emergência de extração de látex para os norte-americanos.
Os dispositivos do contrato não foram cumpridos, os recrutados foram entregues aos patrões seringalistas, sujeitos ao regime de trabalho e ao tratamento dado aos seringueiros nos seringais.
Na nossa Porto Velho os arigós* eram recepcionados com aparato policial e conduzidos a um espaço cercado por arame farpados e alojados em um galpão de paredes de madeira coberto de zinco, aonde atualmente fica situado o moderno prédio do quartel da PM. Ai permanecia até serem selecionados e entregues aos seringalistas seguindo para os seringais dos vales dos rios Madeira, Jí-Paraná, Jamari, Candeias, Jaci-Paraná, Abunã, Mutum-Paraná, Mamoré, Pacaas Novos, Guaporé, São Miguel e todos os afluentes desses rios. Alguns ficaram nos dois maiores núcleos urbanos de Porto Velho e de Guajará Mirim escolhidos pelos empreiteiros de obras e pelo governo, estes últimos em maioria destinados à Guarda Territorial.
Terminado o conflito mundial, normalizada as relações comerciais os norte-americanos voltaram a se abastecer da borracha asiática. Os seringais amazônicos entraram num processo de esvaziamento e neles relegados ao abandono os soldados da borracha. É possível que tenham perecidos mais de trinta mil, no mesmo período que morriam os soldados da Força Expedicionária Brasileira/FEB, na Itália, ambos em situação incongruente, sendo elementos de um estado de regime ditatorial fascista, afrontavam a morte em prol da prevalência da democracia, combatendo os estados totalitários nazifascistas do Eixo.
Quantos soldados da borracha vieram para Madeira, Mamoré e Guaporé, quantos morreram em seus seringais, não se sabe, não há registros estatísticos.
Restando como suas lembranças o bairro Arigolândia em Porto velho, fundado principalmente pelos arigois da Guarda Territorial. E núcleo Agrícola Presidente Dutra-Iata, em Guajará Mirim, criado pelo governo do Território para assentamento dos soldados da borracha em êxodo dos seringais.
No transcurso do centenário de Porto Velho, regozijo extensivo a todo Estado de Rondônia, prestamos homenagem de gratidão a estes heróis anônimos integrantes da construção da sociedade rondoniense.
1 – arigó termo pejorativo dado aos nordestinos pelos amazônicos
ABNAEL MACHADO DE LIMA
MEMBRO DA ACADEMIA DE LETRAS DE RONDÔNIA

Fincado no centro da antiga Porto Velho, o Mercado Cultural inicialmente denominado Mercado Municipal, representa um dos símbolos da nossa Capital. Criado em 1913, pelo Superintendente Major Guapindaia, passou por reformas e adaptações na administração do Prefeito Joaquim Augusto Tanajura, porém só foi consolidado e inugurado oficialmente pelo Prefeito Ruy Brasil Cantanhede, em 1950. Construído no estilo colonial, abrigou no passado um comércio forte de estivas e mercadorias em geral, peixarias, açougues, frutas, legumes e verduras, etc. Podia-se encontrar ali também material de construção, botecos, sorveterias, barbearias e também muitas guloseimas como açaí, tacacá, sandubas de “boi-ralado”, cachorros quentes, pasteis e mingaus dos mais variados sabores. Lá também podia-se encontrar materiais para caça e pesca, peles de animais selvagens, armas e munições.
Sempre as praças me inspiram a sensação de lazer, paz e relaxamento. Os mais atrativos brinquedos, fontes luminosas etc são usados para chamar a atenção das crianças e também dos adultos. No centro da antiga Porto Velho, lembro-me de todas elas, pois foi nesses espaços que corri de peito aberto, joguei peteca, tomei sorvete e comi pipoca; foi nessas praças que vadiei, escorreguei nos escorregadores, namorei e vi a banda passar. Quantas vezes a noite ficava na praça Aluizio Ferreira com meu violão, esperando a luz apagar para fazer seresta na casa das meninas do Caiari. O blackout era programado: começava meia noite e terminava as 5:00h. Assim que cortavam a energia, saía com outros amigos para cantar e tocar na porta das minas. Quando era noite de lua cheia a seresta ficava ainda mais romântica. Na praça Mal.Rondon, a paquera seguia rodando nas calçadas, antes do Cine Resky iniciar sua 1a. sessão de cinema com um forte e imponente sinal sonoro. Muitas vezes a Banda de Música da Guarda Territorial tocava no coreto da praça.




