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A sucuri e a alagação

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CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES

A alagação tem olhos e estrutura de sucuri. Olha-nos com sagacidade! com língua de fora “fareja” a nossa própria fraqueza, identificando o tamanho da nossa fragilidade e chega de mansinho à noite, vara a madrugada e nos surpreende durante o dia.

E eu, que moro num dos barrancos mamorenses, como que hipnotizado pelo magnetismo que emana das águas, acordo e corro para a varanda e, entre assustado e esperançoso, vejo que aquela imensidão líquida vai se aproximando, aproximando até que isolou o único caminho, a Leste, que demandava à cidade e que, agora, nos espreme, como se fosse um tentáculo, através do lado Oeste de nossas vidas.


E a alagação qual sucuri, (essa uma, que tem nos roedores, aves, felinos, bezerros e jacarés a sua fonte primária de comida), vai alimentando o cardápio de nossas fantasias, ante o receio de que ela possa invadir a nossa casa, roubando-nos a alma e devorar-nos, de maneira inclemente, por conta da sua voracidade diluviana, que poderia abraçar-nos, não fosse a esperança que vamos ninando em pensamento, com a fé no rumo do Criador.


Estamos localizados na beira do rio, e é nas margens dele, das baias, lagos e igarapés que a sucuri espreita suas futuras vítimas, quando vão em busca de água para beber. Num átimo, sem que a presa possa safar-se, num bote a pega pelo pescoço e “zás”, com um abraço macabro envolve o corpo do animal e vai sufocando-o, a essas alturas já puxada para o fundo do lugar inundado.


Assim age a alagação; qual boiúna, pega-nos de surpresa e, por constrição, vai procurando atingir a nossa cabeça, pois é sádica e, tão sorrateira, deseja nos asfixiar. E a alagação faz conosco o que os homens fazem com a sucuri, que, muitas vezes pode transformar-se em predadora dos pequenos humanos seres, que a temem, mas que, em condições adversas, mediante as armas de grosso calibre, transformam-se em troféus de adultos, até porque não apenas o seu couro (em face do preço tão expressivo nos mercados clandestinos), mas a sua vida é mais preciosa, muito mais, do que essa pobre existência de homens e mulheres, cuja cidadania nada vale para algumas autoridades do pedaço.


        Ora, sabe-se que esses répteis, insisto, têm no abraço sinistro, o golpe fatal para as suas presas, haja vista serem da espécie das Constritoras e as apertam violentamente até que, extenuadas, deixam de respirar.


        A alagação, inspirando-se na sutileza e na argúcia fúnebre da anaconda, vai despertando o horror, horripilante quadro, representação da destruição e da morte. De mansinho, manda-nos o tétrico recado ao anoitecer para, após a madrugada, dar um aviso: “amanhã estarei maior e mais devastadora que hoje”.


        Mas, nós, teimosos, insistimos em permanecer neste cenário que, a cada dia pode ficar mais lúgubre, haja vista representar a nossa história, os nossos pequenos investimentos, os nossos sonhos e as nossas realizações. Mas que poderão ser engolidos pela boca enorme da “madrasta d’água” que nos espreita…


Assim, como a cobra grande tem a capacidade de engolir uma paca, por exemplo, uma onça ou um jacaré enorme, em face do movimento com que a natureza lhes favoreceu, por conta da elasticidade das mandíbulas, a alagação tem abertura muito maior. Como disse, ela sorrateira, silenciosa, esparrama-se pelas planícies do entorno e amplia os seus domínios por toda a grande geografia, por todo esse imenso ambiente. E como quem chega do nada, nos ataca de surpresa, molhando primeiramente os nossos pés, o joelho, a barriga, o peito, o pescoço e afunda as nossas cabeças no seu leito frio e barrento, destruindo a vida, as coisas, danificando equipamentos, colchões, armários, máquinas e demais instrumentos, submetendo o ribeirinho a perdas, ao lamento, ao chôro e ao difícil recomeço.


E, nós, teimosos, medindo diariamente a subida dos seus níveis, vamos, manifestando a nossa fé em Deus, esperando a chegada da primeira friagem, com a qual a natureza celebrará a pausa na subida das águas, para que, já na segunda queda de temperatura, em torno de 10 ou 15 de abril, os rios possam comemorar a alegria e, assim, começar a baixar.


Com a segunda friagem a sucuri vai embora para outras terras mais distantes, a procura das baias, para ficar longe dos seus predadores, exemplo seguido pela alagação, verdadeiro saqueador, que dará um “tchauzinho” até as cheias do próximo ano…

DESABAFO

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Antônio Cândido da Silva,

Poeta, historiador, comentarista do site gentedeopiniao.com.br e membro da Academia de Letras de Rondônia, onde ocupa a cadeira de número 16

Estou a pensar com os meus botões e, de repente, me vem à lembrança que dia 14 de março é o dia nacional da poesia. Assim, como uma coisa puxa a outra eu me lembrei do meu amigo Flávio Carneiro e do empenho que ele tinha para não deixar essa data passar em branco.

Flávio ligava para nós poetas para que mandássemos, com antecedência, versos da nossa lavra que, depois de multiplicados por ele através de fotocópias eram lançados, no final da tarde, de um pequeno avião sobre a nossa cidade. Tratava-se do Projeto por ele criado com o sugestivo nome de “Chuva de Poesia”.

E aí vem a lembrança do “Flor do Maracujá” do qual ele foi um dos criadores e ardoroso batalhador na execução anual do projeto, juntamente com a Nazaré Silva, Monteiro e outros funcionários da já não sei mais o nome depois de tantas mudanças.

Então me dou conta de que tudo o que representava a nossa cultura nativa, com raras exceções, ainda, foi ou está sendo riscado do caderno cultural da nossa vida cabocla, de maneira sorrateira e criminosa.

E os remanescentes dessa tradição nativa, assistem a tudo isso como se estivessem anestesiados, enquanto os aventureiros (não confundir com migrantes) e os religiosos radicais, em nome de uma falsa ética moral, batem palmas, regozijados com cada movimento cultural que deixa de existir como se isso servisse para purificar a população pecaminosa e devassa.

Tudo aqui é destruído ou mudado de maneira quase imperceptível, às vezes nos feriados prolongados, como já aconteceu, para que quando a população se der conta, nada mais possa fazer.

Eu fico abespinhado (para não dizer e já dizendo, puto da vida) quando vejo os repórteres e apresentadores de programas e notícias encherem a boca para dizer: Na Praça do Baú; na Praça da Bíblia; na Praça da Catedral; na Praça da Prefeitura e, mais ainda, como aconteceu ontem, quando um Secretário Municipal, ao ser entrevistado, declarou: “os desabrigados estão sendo alocados na Praça do Baú”.

E eu pergunto: Um elemento que não conhece a cidade e a sua história tem capacidade ou interesse para cuidar daquilo que é do povo?

A mídia, infelizmente, também é a responsável por levar essa ignorância ao povo que aprende e divulga as INdentidades e INregularidades que ouvimos por aí inclusive, na grande mídia do Sul do país.

Nas redes sociais sempre cobram uma atitude dos filhos da terra e eu asseguro que nunca ficamos calados. Hoje não existiria mais nada da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré sem a luta (entre outros) de Luiz Leite, ameaçado e processado tantas vezes, em uma época de censura e cassetete.

Não faltaram denuncias e cobranças publicadas na mídia local, como acontecem ainda hoje, onde devemos ressaltar o empenho de Manuel Coelho e o apoio que ele recebe, em grande escala, nas redes sociais juntamente com o menosprezo das autoridades que devem zelar pelos bens patrimoniais da cidade e do povo.  

Pensando com meus botões eu constato que a Praça Rondon virou Praça do Baú, porque um comerciante aventureiro é mais importante do que uma das figuras de grande destaque na história do Brasil; a Praça Jonathas Pedrosa, virou Praça da Bíblia, não pela importância da Bíblia, mais porque um vereador evangélico fez aprovar uma lei para se erigir um pequeno monumento ao livro santo e depois, não se sabe como, misteriosamente a estátua do criador do nosso município sumiu e, até hoje, ninguém sabe do seu paradeiro; a Praça Padre João Nicoletti virou Praça da Prefeitura e o busto do Padre escafedeu-se. Uma réplica grotesca foi colocada na Praça Osvaldo Cruz, apelidada de Praça da Catedral onde, agora, também o nome do Padre João Nicoletti montou o seu acampamento de sem terra.

Pensando com meus botões, eu busco na memória o Monumento aos Migrantes, a Feira Agropecuária, o Trem (pelo menos) até Santo Antônio, o Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré engolido pelas águas que também, escrevam, levarão os Mirantes e se Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não obrar um milagre, a sua igreja, também vai ser tragada pelas águas.

Ah! Meus botões… Vocês são botões modernos e não conheceram as nossas Escolas de Samba Diplomatas, Caiari, O Triângulo não Morreu, Castanheira, Bloco da Cobra, Blocos de Sujos, os carnavais dos Clubes Bancrevea, Danúbio Azul, Guaporé e Imperial e as tardes festivas do Porto Velho Hotel e Ipiranga.

Chega um determinado momento em que nos sentimos cansados de pregar no deserto como João Batista, como tenho feito desde a década de 1970 quando já denunciava ao falar do Igarapé Grande:

 

       Hoje, pouco mais de dois metros de largura

       é simplesmente, lugar de lama impura.

 

Nós, os nativos, fomos deixados de lado e, a nossa opinião, passou a não ter nenhum valor. Por isso, as nossas tradições, a nossa história são desmontadas e substituídas pela história que passou a ser escrita por meia dúzias de aproveitadores que se aboletaram no poder, à custa de financiamentos de campanhas escusos e ilegais e, ainda se pavoneiam em propagandas pagas a preço de ouro, de que “também somos destemidos bandeirantes”.

Pois é, meus botões. Quatorze de abril, dia da poesia, ano do centenário da nossa cidade e eu, que vivo aqui desde 10 de maio de 1945, não tenho o menor orgulho de me considerar mais um do grupo “dos destemidos bandeirantes”.

A sua competência e o seu trabalho, meu amigo Flávio, fazem falta neste Dia da Poesia…

A POESIA

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Lira dos amores,
Bálsamo das almas,
Voz de todos os clamores,
És sedutora e só tu me acalmas!…

Vagas na mente insana
Do poeta louco,  és minha  empatia…
És soberba, casta e profana,
Tu  és o meu dengo, tu és a poesia!

Nota do Autor:  Poema escrito  em homenagem ao Dia da Poesia, que  corresponde a  data de nascimento do extraordinário poeta Castro Alves.

HISTÓRICO Vila Nova de Teotônio ANTECEDENTES

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HISTÓRICO Vila Nova de Teotônio
ANTECEDENTES

Em 1757 o Bacharel Teotônio da Sylva Gismão, proveniente da cidade de Belém do Pará, acompanhado por sua família, numerosa comitiva e dois sacerdotes Carmelitas Frei José de Jesus Maria e Frei João Evangelista, instalou na margem direita do Rio Madeira, em frente a cachoeira de Gamon (atual Teotônio), a feitoria de ”Nossa Senhora da Boa Viagem do Salto Grande”, elevada á categoria de Vila em 1759, pelo governador da capitania do Grão Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado.


Teotônio de Gusmão por seu autoritarismo, se incompatibilizou com os colonos, com os dois sacerdotes, os quais emigraram para outras localidades. Em face a hostilidade dos indígenas ( Pama), abandonou a povoação  em 1760, mudando-se para a Vila de Santarém/PA, aonde faleceu em extrema pobreza.

A vila foi reinstalada em 1798, com o nome de Teotônio, pelo governador da Capitania de São José do Rio Negro, Manoel da Gama Lobo D’almada sediando um destacamento militar. Removidos os soldados para reforçarem a guarnição do Rio Paraguai, no ocidente de Mato Grosso, os indígenas a destruíram (1800), sendo mais uma vez abandonada.
O Tenente – Coronel José Pereira da Silva, instalou em 1819 um povoado no local abandonado, o denominando Teotônio, foi assinado por seus escravos. Sendo substituído pelo Tenente Diogo Ramos Cardoso, o qual o abandonou em 1825, retirando-se para Belém/PA. Ficando Teotônio desabitado.

Construída a ferrovia Madeira – Mamoré, no período de 1907 a 1912, no quilometro vinte e cinco, um dos estacionamento de abastecimento de lenha e água combustíveis dos trens, foi construída uma Vila ferroviária denominada Teotônio, distante dez quilometro da cachoeira com esse nome. Esta vila abandonada na década de 1970, no século XX, suas casa de alvenaria transformaram-se em escombros.

Na década de 1940 formou-se margem do Rio Madeira em frenta a cachoeira de Teotônio, um povoado colônia de pescadores, no qual anualmente no período da vazante do rio, realizava-se o Campeonato de Pesca. Decorrente da construção da hidrelétrica de Santo Antônio, o povoado de Teotônio foi submerso. Seus moradores removidos para a Vila Nova Teotônio, construída pela empresa, constituída por confortáveis casas de alvenaria, dispondo de instalações de energia elétrica, de água encanada e de esgoto. Escola, Posto de Saúde, área de lazer, centro administrativo e restaurantes, localizada na margem do lago da represa, com praia artificial, habitada por quarenta famílias.
Resurge Teotônio no século XXI, usufruindo da modernidade por este proporcionada. Registrando um percurso de 257 anos (1757/2014).

O senhor Júlio Olivar Benedito, Superintendente Estadual de Turismo, comprometido com o resgate, a preservação e a divulgação dos locais históricos e de belezas naturais, em prol do desenvolvimento do turismo, realizou significativo evento na Vila Novas de Teotônio, prestigiando seus moradores, acontecimento difundido pelo jornal Alto Madeira.


ABNAEL MACHADO DE LIMA
Ex-Prof º de Historia da Amazônia na
Universidade federal do Pará
Membro
Do
 Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia.

 

Em: 22/02/2014

 

 

CATEDRAL DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

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Monumental obra em estilo clássico colonial, localizada em espaço privilegiado, em frente ao palácio Tancredo Neves, sede do Governo municipal, em quadrilátero limitado ao Norte pela Rua Pedro II, ao sul pela AV. Carlos Gomes, ao Leste pela rua Gonçalves Dias e ao Oeste pela rua José Bonifácio, na área central da cidade. É patrimônio histórico do Estado de Rondônia.

O lançamento da pedra fundamental de sua construção foi no dia 02 maio de 1917, em ato solene ao qual compareceram Dom Irineu Joffely, Bispo prelado do Estado do Amazonas a quem pertencia a nascente cidade de Porto Velho, Dr. Joaquim Augusto Tanajura, Superintendente (Prefeito) Municipal desta, autoridades, seringalistas, comerciantes, o padre Raimundo Oliveira e o povo em geral.

O páraco de Humaitá, padre Raimundo Oliveira justificando o local escolhido ser de difícil acesso, optou por outro situado aonde atualmente fica o palácio do Governo Estadual.
No local foi construída uma capela provisória, a qual desabou em conseqüência de um ciclone ocorrido em 25-10-1917.

Nenhum iniciativa em prol da construção da catedral era tomada pela comunidade católica, pelos empresários ou pelas autoridades. O bispo em carta pastoral deplorava a falta de religiosidade e de compromisso com a santa igreja católica apostólica romana, por parte dos habitantes de Porto velho, o povo vivia imbuído na macumba, as autoridade, os seringalista e os comerciantes com a maçonaria, tendo mesmo liderados pelo maçom Manuel Martins da Silva fundado uma loja maçônica, em 24-01-1918 (União e Perseverança), instalada oficialmente, em 18-01-1919, em um templo provisório, situado no Beco dos Doidos, próximo ao prédio da usina de luz, atualmente sede comercial da CERON, na AV. 7 de Setembro, tendo como venerável o maçom José Jorge Braga Viera. E o jornal Alto Madeira se fazia omisso em relação á divulgação, ao incentivo da fé católica, mas se fazia um ativo propagador da maçonaria.

Porém, passados alguns anos, após essas queixas, Monsenhor Pedro Massa celebrava a missa inaugural da capela consagrada á Santa Barbara no terreiro da irmandade da linha de Xangô, tendo por guia Yemanjá e padroeiro senhor Ogum, Fundado pela mãe de santo, a maranhense da cidade de Codô, Esperança Rita. Esse ato público de sincretismo religioso da parte da mais elevada autoridade da igreja católica na região, ratificando como coerente a prática religiosa do porto-velhense de pela manhã assistir á missa, comungar devoto contrito do Sagrado Coração de Jesus, de Maria Auxiliadora, etc, e á noite nos terreiros de macumba prestar culto aos orixás e pedir a bênção aos pais e mães de santos.

A construção da catedral continuava a ser apenas projeto sem perspectiva de se torna realidade por falta de interesse e vontade política. A parti de 19-05-1925, Porto Velho ficou sem assistência religiosa, visto que o padre Raimundo Oliveira, vigário de Humaitá, ao qual era subordinada essa freguesia, transferiu residência para Manaus, a fim de assumir a Governadoria do Bispado do Estado do Amazonas. Somente tornou a tê-la, com chegada á cidade, em 09-11-1926, do padre Antônio Carlos Peixoto, nomeado secretário Geral da Prelazia de Porto Velho, por Monsenhor Pedro Massa, em 08-09-1926. No dia seguinte ao de sua chegada, dia dez, pela manhã celebrou missa, tendo como ajudante litúrgico o Prefeito Municipal senhor Prudêncio Bógea de Sá. A cerimônia religiosa foi realizada na capela provisória, nas dependências de um dos casarões da empresa Madeira-Mamoré, apelidada de Vaticano, localizada AV.7 de Setembro, esquina com a AV. Divisória ( atual Pres. Dutra), onde hoje encontra-se o prédio dos correios e Telégrafos, agência Central. À época já existia o templo católico mais antigo de Porto Velho, a capela de São Francisco, situada na rua Campos Sales, esquina com a AV.Pinheiro Machado, construída esta em terreno e com recursos da senhora Maria Alves Andrade, cearense, devota fanática desse santo, por não aprovarem os procedimentos da beata e também.

por ser muito distante do centro, os padres preferiam oficiar as santas missas no Vaticano, apelido dado á casa da Madeira – Mamoré, residência dos padres e capela, em um de seus cômodos.

O padre Peixoto tomou a decisão de promover os meios para a construção de uma capela definitiva. Convocou uma reunião na qual participaram as pessoas mais influentes locais, ficando decidido que a futura igreja seria construída no local que há dez anos passados fora escolhido pelo Bispo Dom Irineu Joffely.

Em 27-8-1927, o padre Peixoto constituíu a comissão administrativa das obras da nova capela do Sagrado Coração de Jesus, composta pelos senhores Prudêncio Bògea de Sá – presidente; engenheiro Francisco Alves Erse e o comerciante comendador José Centeno, membros, com amplos poderes para constituir subcomissões que se fizessem necessárias.
O Monsenhor Dom Pedro Massa, em carta datada do mês de agosto, dirigida à comissão recém – constituída, destacava que a igreja que iam construir teria os direitos e as prerrogativas de catedral, sendo, portanto conveniente que sua construção fosse de dimensões e linhas arquitetônicas que obedeçam a um plano relativo á importância que deverá assumir.

No dia26-9-1927, foi dado início a abertura das valas para a aproveitado o material ainda em bom estado de conservação da capela que ruiu em 1917.
Integra-se á comissão (1927) o padre João Nicoletti, assumindo os encargos da construção da igreja.
A Porto Velho chega no dia 8-1-1929, o navio Madeira- Mamoré, sob o comando do senhor Pena Rocha, transportando cinco mil telhas de cerâmica, importadas de Portugal para a cobertura da igreja. O imediato do navio, senhor Luchard, auxiliado pela tripulação, transportaram no dia 13, as primeiras sessenta telhas até o canteiro de obra da igreja.
Atendendo aos apelos do padre João Nicoletti, as autoridades e o povo, no dia 19 transportaram as telhas do porto para o local da construção.

Em 1931, sob a liderança dos capitães do exército Gonzaga Pinheiro e Aluízio Ferreira e dos senhores W. Anderson e José da Câmara Leme, estes funcionários graduados da Empresa Madeira Mamoré, foram transportados pelo povo 230 metros quadrados de ladrilhos do porto ao canteiro de obra da igreja, no período das 14 ás 18 horas, coordenado pela Legião Contra o Suor, composta por senhoritas encarregadas de aplicarem a multa pró-catedral paga em dinheiro, a quem encontrasse no trajeto porto- construção, sem estar carregando ladrilhos.

A construção da catedral prosseguia sob a direção do padre João Nicoletti e participação da comunidade, o material em grande parte importado de Belém do Pará (ladrilhos e outros), de Portugal (telhas), da Itália (mármore de Carrara) e de São Paulo (vitrais.).
Em 1940, foi feito o vigamento de sustentação da cobertura do teto, com madeira esculpida e decorada pelo português Pedro Rendas, proprietário de uma grande serraria e marcenaria, situada na rua Floriano Peixoto, onde funcionava o Banco do Estado do Amazonas – BEA.

Em 1943, são contratados mestres-de-obras especializados, em Recife-PE, para construírem as torres da catedral. O então governador do Território Federal do Guaporé, tenente-coronel Aluizio Pinheiro, em 1944, doou os sinos para a torre da catedral.

Em 1945 é recebida com grande júbilo a imagem do Sagrado Coração de Jesus doada á catedral por Monsenhor Dom Pedro Massa. Dom João Batista Costa, Bispo da prelazia de Porto Velho, em 1954, constituiu a catedral em Paróquia. A catedral foi ampliada em 1955 com a construção das naves laterais e do abside.

Em 1958 foi inaugurado o alta-mor construído em Mamoré de Carrara e cúpula.Foi construído em 1959 novo piso em toda a catedral
 A empresa Juca do Estado de São Paulo, procedeu em 1960/65, o assentamento de vitrais historiados, em estilo clássico.

Em 1986 foi restaurado e inaugurado o altar basílical em Mármore.
A decoração interna da catedral, em diferente etapas, foi realizada pelos artistas plásticos padre Angelo Cerri, Afonso Ligório, Raimundo Paraguassu e Rita Queiroz, esta restauradora das pinturas, trabalho que gerou questionamentos e criticas em vista ter imprimindo seu estilo pessoal.

Esta é a trajetória da construção e a memória histórica da catedral de Porto velho, consagrada ao Sagrado Coração de Jesus, um dos mais belos e artístico monumento arquitetônico do Estado de Rondônia.

ABNAEL MACHADO DE LIMA
Membro Da Academia de Letras e do Instituto
Histórico e Geográfico de Rondônia

Fonte Consultada: Arquivo da Catedral.
     
         

URUCUMACUÃ

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O jornalista e historiador EMANUEL PONTES PINTO, membro fundador da Academia de Letras de Rondônia, nos brinda com a sua magnífica obra “URUCUMACUÔ: mitos, lendas, tradições e historia”, publicado no mês de junho do ano em curso. Era seu propósito realizar o seu lançamento no evento comemorativo dos vinte e seis anos de fundação da Academia de Letras de Rondônia, porem em face seu debilitado estado de saúde, ainda em convalescência, os seus médicos não o permitiram a fazer longa viagem. Mas garantiu-me o fará em Porto Velho, tão logo os médicos o libere a viajar. Também de que será alvo de criticas e censuras provindas dos conservadores por ter inovado rompendo com os grilhões das regras e padrões impostas aos escritores, escrevendo um livro em estilo próprio, uma simbiose de história, mito, lenda e tradições.

O Emanuel reacende as discussões e as pesquisas sobre a misteriosa Urucumacuã, põe lenha da fogueira como faz o jornalista meu amigo “ Zé Catraca”.
No início da década de 1980, do século XX, a agremiação carnavalesca “ Diplomatas do Samba” teve como tema Urucumacuã, e um samba enredo magistralmente composto, obtendo a Escola sem contestação o primeiro lugar.

O Esron Mezes provavelmente inconformado, publicou um artigo no qual deplorava os Diplomatas terem contribuído para a divulgação de uma mentira, pois Urucumacuã, jamais existiu, não sendo mais do que uma visão do Rondon, em seus delírios de febres palústricas.

Como colaborador da Diplomatas, logo em seguida publiquei um artigo, no mesmo jornal “Tribuna” reportando-me que os carnavalescos unindo o divertimento ao utilitário prestaram uma ação educativa e cultural à comunidade, dando-lhe a conhecer a um fato de nossa história, embora nebuloso, instigando-a a o pesquisar liberando-o do invólucro mitológico e lendário, estabelecendo seu cunho de verdade. Que Urucumacuã não era um delírio de Rondon. As informações sobre sua existência ocorrem desde o século XVIII, constando que os pobres jesuítas da Missão de Santo Antônio da Cachoeiras, localizada na margem direita do Rio Madeira, exploravam as minas de Urucumacuã nas proximidades das nascentes dos rios Camararé, Jamari e Corumbiara; o primeiro governador da Capitania de Mato Grosso e Cuiabá Dom Antônio Rolim de Moura, organizou uma expedição em 1755 para descobri a famosa mina, a qual conforme indicações lhes repassadas, ficaria na Serra do Norte, nas cabeceiras dos citados rios; Dom Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, quarto governador da Capitania de Mato Grosso e Cuiabá, organizou com a mesma finalidade, duas expedições uma em 1776 e outra 1779. Os demais governantes da Capitania continuaram as pesquisas em busca dessa exuberante área aurífera e diamantina.

Edgar Roquetti Pinto em seu livro “Rondônia” faz referência a Urucumacuã, localizando-a nos vales dos rios Pimenta Bueno e Barão de Melgaço.
Em 1934 o General Cândido Mariano Rondon para garantir seu direito aos descobrimento da mina de Urucumacuã, registrou o “Manifesto do Descoberto”, nos cartórios dos municípios de Guajará Mirim e Mato Grosso (ex-Vila Bela da Santíssima Trindade).
O então Major Aluízio Pinheiro Ferreira Diretor da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e Inspetor de Fronteira, organizou patrocinada pelo Ministério da Agricultura, em 1941 uma expedição para encontrar a mina de Urucumacuã, que segundo Rondon ficava situada nas seguintes coordenadas geográficas: entre os meridianos de 60º e 61º a Oeste de Greenwich e os paralelos de 12º e 13º latitude Sul, nas circunvizinhanças de Vilhena abrangendo o Vale do Rio Apidiá e a nascente do Rio Corumbiara.
Coincidentemente, na tarde do dia desta publicação o Emanuel proferia no auditório da Biblioteca Estadual Dr. José Pontes Pinto, em Porto Velho, uma conferência sobre a expedição de 1941 e obviamente, Urucumacuã, a qual ratificava o exposto em meu artigo.

Quando em 1980 escrevi o livro “Pequeno Ensaio Sobre as Lendas e Folclores de Rondônia” fiquei diante de um dilema quanto classificar Urucumacuã, se como mito? Lenda? Ou história?

Concluindo que não era mito, visto ser este de origem grega (mythos), significando discursos, narrativa, boato, fábula e a apólogo. Originariamente significava uma narrativa fantasiosa da genealogia e dos feitos das divindades do politeísmo registrados nas teogonias.

Com reserva, inclui no rol de lendas, por ser a lenda vocábulo de origem latina significando legenda, isto é coisa que se deve ler. É uma narrativa baseada em fato verídico ou imaginário, conservado pela tradição.
Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, lenda é tradição popular narrada escrita ou oral, de caráter maravilhoso no qual os fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou do poeta. Urucumacuã pelo complexo conjunto de fatos históricos comprovados a seu respeito tem as condições de ser considerada cientificamente como História. O  nosso maior literato poeta, historiador e pesquisador Matias Mendes, informalmente sugere, que talvez  a mina de diamantes do Rio Roosevelt seja a tão procurada Urucumacuã.

Aguardo o livro “Urucumacuã mitos, lendas, tradições e história” para optar sem qualquer dúvida sobre a condição literária do tema Urucumacuã, se é: Mito, Lenda ou História.
Meus cumprimentos acadêmico e amigo Emanuel por mais esta importante realização enriquecedora do cabedal histórico e cultural brasileiro, em especial o amazônico.

ABNAEL MACHADO DE LIMA
Membro fundador da Academia de Letras de Rondônia
 

CACHOEIRA DO TEOTÔNIO

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A Cachoeira do Teotônio, a maior e mais importante do rio Madeira, é um acidente geográfico, formado por terrenos cristalinos da era primária que constituem a Encosta Setentrional do Planalto Brasileiro, na qual se encaixa o alto curso do citado rio, em uma fossa teutônica.

A cachoeira forma uma colossal muralha de pedras, estendendo-se por toda a largura do rio, de margem á margem, numa extensão de mais de 2.000 metros. As águas despencam-se de uma altura de mais de oito metros, passando em alta velocidade por quatro canais com desníveis entre 8 a 10 metros, formados por uma série de pedras de grandes tamanhos que se acumulam atravessando o rio de um lado para outro, o que torna as quedas violentíssimas e perigosas em qualquer época do ano.

É a cachoeira de impressionante beleza, quem a contempla fica extasiado ante tanta grandiosidade e capricho da natureza orquestrando seus elementos em sinfonia de contrastes e harmonias. Ali se choca a força imbatível das águas com a resistência dos rochedos, essas em torvelinho líquido precipitando-se contra as penedias, elevando-se para o céu em nuvens de espumas, e neblinas, num estrondo permanente e ensurdecedor. Na época da estiagem, soma-se a essa magnífica beleza natural, o espetáculo da piracema, quando milhares de peixes de variadas espécies e tamanhos, em grandes cardumes obedecendo a um ditame biológico, buscam alcançar as cabeceiras dos rios, tentando, obstinadamente em saltos ornamentais, ultrapassar a barragem formada pela massa  d´água despejando-se em grande velocidade pelos tombos de pedra.

Sobre a Cachoeira do Teotônio, que já foi denominada de Gamon, Laguerites e Salto Grande, encontra-se referências a partir do início do século XVIIII, nos relatos dos aventureiros, comerciantes e militares, que em obediência ao rei de Portugal, utilizavam-se da rota fluvial Guaporé-Mamoré-Madeira-Amazonas e vice-versa, única via de comunicação entre Vila Bela da Santíssima Trindade (Minas de ouro do Alto Guaporé) e Santa Maria de Belém do Grão Pará. Todos a descrevem procurando transmitir a impressão que lhes causaram pela grandiosidade de sua força e beleza. Um deles, o mestre-de-campo José Gonçalves da Fonseca (1749), assim a ela se refere: “É uma muralha desmantelada, por cujas ruínas precipitando-se a água do rio com furiosa violência resulta um estrondo, que a haver nas suas margens, povoações, seria provável padecerem sues habitantes à surdez. Neste impedimento que acha o rio e rompe com tão furioso estrépito, não há caminho algum para os homens vencerem este passo por canais ou remansos; porque estes não os há junto as pedras e aqueles se não perceberem, porque entre as quebradas dos rochedos, tudo são fervedouros, de águas…” 

A denominação de Teotônio dada à cachoeira é em homenagem ao Bacharel Teotônio da Sylva Gusmão, que de acordo com a estratégia de conquista e ocupação da Amazônia, estabelecida pelo Marques de Pombal, em 1757 instalou uma feitoria na cachoeira de Gamon, denominando-a de “Nossa Senhora da Boa Viagem do Grande Salto”, a qual foi elevada à categoria de vila (1759), pelo Capitão- General Francisco Xavier de Mendonça Furtado, Governador da Capitania do Grão Pará. Tinha por objetivo prestar apoio aos navegantes e exercer controle sobre o comércio de ouro e de abastecimento das minas de Mato Grosso no Alto Guaporé. A vila teve vida efêmera motivada por desavenças entre seus habitantes e a permanente hostilidade dos índios Muras.

Teotônio de Gusmão, convencendo-se da impossibilidade de ali permanecer com sua família, abandonou a povoação (1760), indo residir na Vila de Santarém, no Grão Pará, onde faleceu. Daí em diante, maior acidente geográfico do rio Madeira passou a designar-se – SALTO DO TEOTÔNIO.

Outras tentativas de se estabelecer um núcleo populacional no Salto do Teotônio, ocorreram no início do século XIX, empreendimento realizado pelo Tenente Coronel José Pereira da Silva, (1819), assassinado por seus escravos. Substituído pelo Tenente Diogo de Ramos Cardoso, que desistiu da empresa (1825), retornando ao Grão Pará.
Atualmente Teotônio é um arraial de garimpeiros, e pescadores, cenário aonde anualmente realiza-se o Campeonato de Pesca, promovido anteriormente pelo Lions Clube de Porto Velho – Centro, evento idealizado pelo empresário Cláudio Feitosa, divulgando o Salto do Teotônio em todo o País. Porém, seu potencial turístico continua inexplorado.


ABNAEL MACHADO DE LIMA
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO

Em desmonte o Estado Democrático de Direito

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O Decreto Presidencial nº 7.037 de 21 de dezembro de 2009, criando o 3º programa Nacional de Direitos Humanos, com 521 diretrizes ressuscita o quarto Poder, o Moderador, instituído pela Constituição do Império do Brasil jurada em 25 de março de 1824, pelo qual permitia ao imperador que legalmente era constitucionalista, a agir de forma absolutista, interferindo nos demais poderes (Legislativos e Judiciários). É o que faz o decreto, afrontando a Constituição (Art. 2º – São poderes da união, independente e harmônicos entre si, o legislativo, o executivo e judiciário), permite ao chefe do poder executivo extrapolar os limites de suas atribuições, se arvorando a determinar diretrizes de procedimentos e formas de julgar aos magistrados. Por exemplo, a Diretriz 7, dispõe: “Recomenda-se ao supremo tribunal que a ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) interposta contra o Decreto seja julgada improcedente”. E “Recomenda-se ao Poder Judiciário se manifestar a favor da constitucionalidade do Decreto nº 4.887/2003”.

Contrariando o inciso XXII do art. 5° da Constituição Federal, o qual garante o direito de propriedade, bem como a legislação penal, a qual prever como crime as invasões de terra, o decreto dispõe que antes da reintegração de posse determinada pela justiça haja uma audiência coletiva com os litigantes. Tal disposição além de ser uma ingerência indevida, é incoerente, visto que decidida a reintegração, não há mais o que contestar, só resta cumpri-la como fato consumado. Da forma imposta o proprietário fica desamparado, destituído da garantia constitucional de posse a mercê do resultado da discussão entre os contestantes. Assim sendo, se invadirem nossa casa, somos impedidos de reagir e obrigados a aguardar o resultado da Audiência Pública sobre a função social ou não, de nossa propriedade em frontal desrespeito ao inciso X do Art. 5° da constituição Federal.

Determina que as licenças ambientais para obras públicas, da competência de instituições técnicas especificas, sejam submetidas a pareceres de sindicatos de trabalhadores. O que é uma inversão de valores, um abuso de autoridade.

A diretriz 22, consigna como “Objetivo estratégico” para a consolidação de uma cultura em Direitos Humanos, a elaboração de critérios de acompanhamento editorial a fim de ser criado um sistema nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios nacionais e internacionais de Direitos Humanos. A estes últimos, lhe reconhecendo status constitucionais à revelia de ainda não terem sido ratificados pelas entidades associativas de nações. O controle preconizado contraria o inciso IX do Art. 5° da constituição federal, o qual dispõe: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, cientifica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

O Decreto é um atentado à soberania do país à sua integridade territorial, esta construída e mantida com tanto sacrifício e denodo por seguida gerações, ao permitir a sua secessão em dezenas de Estados/Nações criados pelos índios, considerando-os pertencentes a povos e nações indígenas, como se brasileiros não fossem um único povo. Reconhece a esses estados soberania sobre os recursos naturais de seus espaços fisiográficos, o auto governo, a auta determinação, a manterem instituições políticas e sistemas jurídicos próprios, a vetarem medidas administrativas e intervenção militares do Brasil em seu territórios. É obvio, se necessário, para garantir esses direitos recorrem a intervenção internacional, inclusive empregando a força bélica. Justifica o decreto está dando cumprimentos ao estabelecimento na Declaração de Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela ONU e acata pelo governo brasileiro.
Na realidade encontra-se em andamento um processo de desmonte do Estado Democrático de Direito, uma revogação de fato da Constituição Federal e o estabelecimento de um Estado Totalitário, permitido pela inércia, pela omissão, principalmente dos parlamentares, os quais sobrepõem os seus interessados particulares acima dos da coletividade e dos interesses da nação, que lhes outorgaram a digna atribuição de representá-las, de pugnarem em defesa de seus direitos e do respeito às instituições sustentáculos do Estado Democrático, se opondo denunciando as escusas estratégicas de lesa aos interesses maiores do Estado Brasileiro e do seu povo.

Abnael Machado de Lima
Membro Fundador da Academia de Letras de Rondônia

INTRANSIGENCIAS DOS NEOFARISEUS

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A CARTA MAGNA do Império do Brasil, de 25 de março de 1824, no seu artigo 5º do título 1º, dispunha, “A Religião Cathólica Apostólica Romana continuará a ser a Religião do Império. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto doméstico, ou particular em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de Templo”.
A Constituição da República promulgada a 24 de fevereiro de 1891 extinguiu a religião oficial, tornando-se o Brasil um Estado democrático leigo e todas suas instituições e órgãos públicos laicos. Logo não admitido exteriorização material de símbolos e práticas de cultos religiosos em suas áreas de abrangências.


Também a escola pública é laica e o ensino nela ministrado, obrigatoriamente leigo.
Dispositivos rnantidos em tudo posteriores Constituições. A última de 5 outubro de 1988, os reitera no seu artigo 5º, ressaltando o principio basilar democrático de que “Todos são igual perante a lei”, do qual fluem os direitos constitucionais.

Assegura ainda o artigo 5º, ser “inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantia, na forma da lei, a proteção aos locais de cultos e as suas liturgias.” “a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva”.

Portanto, fica explicitamente disposto, ser Iivre a prática dos cultos religiosos e suas liturgias, em locais Próprios a esses destinados entendendo-se serem em seus templos, sinagogas, mesquitas, terreiros e outros. Nos hospitais públicos civis e militares na forma de assistência religiosa.

Assim sendo e intolerável, e intransigente, o desacato à Constituição e o abusivo desrespeito aos cidadãos e cidadãs de não serem atendidos de imediato nos órgãos públicos, em decorrência de em pleno honorário de expediente, está sendo realizado nesses, atos religiosos com todas as liturgias concernentes, e todos os servidores compulsoriamente participando, independente de suas crenças de fé. E os usuários cerceados dos seus direitos, que aguardem para serem atendidos, ou retornem no outro dia, correndo o risco de encontrarem a entidade pública transformada novamente em local de culto religioso ocupado por seus sectários em detrimento a eficiência da prestação de serviços ao público.

As autoridades educacionais foram submetidas à constrangirnentos e severas admoestações por parte dos senhores donos da Casa de Leis, por essas coerentes a observação dos princípios constitucionais, não permitirem manifestações de cunho religioso nos estabelecimentos de ensino público e nos eventos cívicos, culturais e esportivos por estes realizados, por serem instituições públicas laicas, propriedades de um Estado Nacional leigas. (Isto é sem religião oficial), neles convivendo crianças, adolescentes e jovens de todos os segmentos sociais e credos religiosos, exigindo-se a prevalência da estrita observância do direito de “Todos Serem Igual Perante a Lei.” Assim sendo, deve ser vedado à manifestação de qualquer urna religião, sobrepujando as demais, no âmbito escolar. Este foi e deve continuar ser o procedimento das autoridades educacionais e dos docentes do serviço público.

Os Senhores elaboradores das leis (Da Casa de Lei), comprometidos em promoverem a propagação de seus credos religiosos, poderão organizar eventos públicos de pregação religiosa nas praças, nos mercados e nas ruas justificando-os serem de louvores e de exaltação a Deus e no ensejo, conforme faziam os fariseus, exporem ao povo as suas condições de cidadãos probos, virtuosos e bons dedicados a servirem despidos de interesses pessoais, a população, sendo assim, dignos, merecedores de sua confiança os honrando sempre com seu voto, assegurando a permanente continuidade de seus cargos eletivos e as benesses engendradas, as tornando vitalícios. SOS REFORMA LEGISLATIVA. (os grifos são nossos).

Porto Velho-RO, 10 de junho de 2011.

RONDÔNIA SERÁ BRASIL?

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A dúvida a interrogação decorrem de que a República Federativa do Brasil constituindo-se de um Estado democrático leigo, não tem religião oficial, desde a primeira Constituição republicana de 1891. Assim sendo, todas as suas instituições são laicas, não sendo admitido em seus âmbitos e em suas áreas de abrangências a exteriorização de símbolos, ornamentos e práticas de ritos religiosos, dispositivos mantidos em todas posteriores Constituições.

A carta Magna em vigor assegura o livre exercício dos cultos e garante na forma da lei, a proteção aos locais dos cultos e de suas liturgias, permite a prestação de assistência religiosa aos enfermos nas entidades civis e militares de internação coletiva. Ficando portanto, explícito que as práticas religiosas devem ser realizadas nos locais próprios a essas destinados, entendendo-se serem seus templos, igrejas, sinagogas, mesquitas terreiros e outros.

Porém esse, assim como ouros dispositivos constitucionais ostensivamente são descumpridos. É comum os prédios das instituições oficiais exibirem crucifixos e outros adereços religiosos. Nos tribunais os guardiões da legalidade, constrangem o cidadão a jurar dizer a verdade com as mãos postas sobre a bíblia, cometendo uma infração contrariando a lei maior e a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, visto a bíblia ser sagrada para uns, os que assim a consideram, e para outros não, os que a tem como mero livro de história dos povos da antiguidade.
Em nossa Rondônia além dessas incongruências, nossos mandatários  extrapolaram no desacato à Constituição e no abusivo desrespeito a nós cidadãos e cidadãs, tolido-nos de sermos de imediato atendidos nos órgãos públicos em decorrência de em pleno horário de expediente está sendo realizado nesses, atos religiosos com todas as suas liturgias. Instituem feriados de cunho religiosos, sem considerarem os prejuízos à economia. A nossa Assembléia, a Casa das Leis, implementando a intolerância, instituiu um calendário de práticas religiosas em seu Plenário, nos seguintes dias da semana:
1. Todas as segundas-feiras – cultos evangélicos
2. Todas as últimas quartas-feiras de cada mês – missas católicas.
Imagine se os agentes dos demais credos alijados do referido calendário, resolverem com amparo no princípio basilar democrático, o de que “Todos são iguais perante a lei”, requeiram o direito concedido aos evangélicos e aos católicos, a Assembléia Legislativa certamente transformar-se-á em Assembléia Ecumênica Religiosa e conseqüentemente o Estado de Rondônia em uma república teocrática.

Em: 31 de agosto de 2012      

 
ABNAEL MACHADO DE LIMA
        Membro da Academia de Letras de Rondônia