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NOTÍCIAS

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O livro “Terras de Rondônia – Aspectos Físicos e Humanos do estado de Rondônia” de autoria do Academico ABNAEL MACHADO DE LIMA, em 1994 foi incluído no acervo bibliográfico da cátedra dirigida pelo Professor Roberto Sout Dilts, da universidade BATON ROUGE, na cidade da mesma denominação, do Estado de Louisiona, dos Estados unidos da America do Norte.


E em 1996 a Drª Lourdes Endara (Antropóloga) e a Pesquisadora Irina  Maribel verdesoto Jacome, ambas integrantes da universidade politécnica  de Quito, Republica  do Equador, o adotaram integrando-o  em seus acervos didáticos.
Nesse mesmo ano, o Gerente Geral da Empresa Cumarrey S/A, de Quito/Equador, remetia uma carta ao Acadêmico Abnael , sobre o seu livro Terras de Rondônia, a qual trancrevemos:

“Quito, mayo 31 de 1996
Señor professor
Abnael Machado de Lima
FA – 0692243593601
Señor Professor

Receba um salud de la Empresa Cumarrey S/A que coanspicia la investigacion de peritaje de la señorita Irina Maribel verdesoto Jácome alunas  del Antropologia aplicada de la Universidade Politécnica Salesiana de Quito.

Me dirijo a ested, em términos personales, como Gerente General de la Empresa Cumarrey S/A, para felicitarle por su trabajo, Pues, al revisar su livro “ Terras de Rondônia, vay descobrindo secretos de nuestra Bella Amazônia americana.

Como fotografo artístico reitero el compromiso de coauspicio de la investigacion de Irina com  el Liceu Mamoré, Tuve la oportunidad de revisar uno de los libros tradusidos del ingles al español por el prof Famir Ponte em donde se demuestra que es un profisional competente.

Por la atencion que usted dipense a la presente te antecipo mi sentimento de graitud atenamente.”
Sergio Vera
Gerente General Cumarrey S/A

A Revista Brasília publicada pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, em sua edição do mês de novembro /2013, faz referencia sobre o livro “Real Forte do Príncipe da Beira – 236 anos.” (fotocopias seguintes):

TELECOMUNICAÇÕES

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O Jornal Folha de São Paulo em sua edição de 22 de setembro de 2013, publicou a matéria oriunda da pesquisa do articulista Alexandre Rodrigues, intitulada “Crônica de uma morte anunciada – O eterno retorno dos telegramas”, sobre o surgimento da telecomunicação, sua evolução tecnológica, seu utilitário emprego, em especial sob a forma de telegrama. O qual agilizou os relacionamentos sociais, as informações bélicas estratégicas e as transações comerciais. Entrando em declínio continuo a sua utilização, e anunciada a sua extinção ao surgirem novas tecnologias de comunicações tais como telefone, e-mail, celular, internet, conforme ocorreu na Índia após anos de prejuízos, o governo decidiu no mês de julho/2013 encerrar o serviço de expedição de telegrama.

No Brasil a concorrência do e-mail e celulares implicaram na redução em seguidos anos, dos quantitativos de telegramas expedidos. Os correios e telégrafos se modernizou revertendo a situação e declínio. De 6,8 milhões de telegramas expedidos em 2003, alcançou 19.978.539, em 2012.

Dom Pedro II, em 1852 inaugurou a primeira linha de telegrafo, sendo fundamental na guerra do Paraguai (1864/1870), transmitindo informações do campo de batalha para a corte no Rio de Janeiro; e desta, recebendo as devidas instruções.

As transmissões internacionais de dados em alta velocidade, em rede mundial, iniciaram-se 1874, via cabo submarino construído ligando a Brasil a Europa (Portugal).

Destaca que o serviço de telegrafo ainda foi importante para a integração nacional, realizada pelas obras de desbravamento da comissão Rondon, chefiada pelo militar do exercito, Candido Mariano da Silva, Rondon construindo oito mil quilômetros de redes telegráficas ligando as regiões Norte e Centro – Oeste ao Rio de Janeiro, então capital federal.

 Estes empreendimentos de maior relevância social, política, antropologia e econômica, a partir de 1970, quando se iniciaram as transmissões via satélite, a rede telegráfica foi abandonada, suas instalações depredadas e seus postes derrubados.

Acrescento a referência à Comissão Rondon, que sua missão era executar um projeto imprescindível ao desenvolvimento econômica do pais, planejado por Dr. Afonso  Augusto Moreira Pena, Presidente da República (1906/1909), tendo por metas a execução de empreendimento consolidadores da incorporação  do Acre, Purus, Juruá e do Javari ao Brasil, Feitos por intermédio da construção de uma linha telegráfica no norte e noroeste de Mato Grosso e no sul e sudoeste do  Amazonas, interligando-os á Cuiabá; exploração cientifica desses espaço determinando suas coordenadas geográficas, suas topografias, hidrografias, climatologias, constituições dos solos, mineralogia, botânicas, fauna e etnografia; construções de estradas de penetração; assentamento de povoados agrícolas e pecuários; integração voluntária das nações indígenas  á comunidade brasileira. E primordialmente concretizar a presença e a ação do poder do estado até os confins do território nacional, tendo evidente caráter estratégico e defensivo.

O Presidente convocou o então Major Rondon e lhe expôs o seu projeto, consultando-lhe se era exeqüível a sua realização naquele espaço despovoados e destituídos de recursos próprios? Rondon respondeu-lhe que era só querer. O Presidente afirmou: “Pois eu quero, e lhe confio a execução desse trabalho, com plenos poderes, tratando o Major dos seus assuntos diretamente comigo”.

Rondon em 23 de fevereiro de 1907, assumiu a Chefia da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas. No dia 04 Março do mesmo ano, foi nomeado engenheiro-Chefe do Distrito Telegráfico sediado em Cuiabá. E em 10 de junho iniciou os trabalhos de construção da linha de transmissão sob os encargos de três seções: A, B e C, incumbidas das seguintes atribuições:

A – Construção de um ramal Telegráfico ligando São Luis de Cáceres á cidade de Mato Grosso (ex- Vila Bela);

B – Construção da linha tronco ligando Cuiabá a Santo Antônio de Rio Madeira;

C – Reconhecimento do espaço fisiográfico e estudos preliminares para definir o traçado da linha tronco.

Rondon chefiando a seção C, deslocou – se de Brotas, no dia 24 de Junho / 1907, para descobrir o Rio Juruena, o alcançando percorrendo 967 Km, no dia 20 de outubro/1907, instalou a estação telegráfica Parecis, concluindo os trabalhos de reconhecimento do trecho compreendido entre Diamantino/Rio Juruena, regressando a Diamantino, ai chegando, dia 28 de novembro/1907.

Em 29 de julho de 1908, a 2ª expedição deslocou- se de Aldeia Queimada para o Rio Juruena chegando a este, no dia 27 de agosto. Sendo construídas as instalações do acampamento, abrigando 52 soldados sob o comando do temente José Joaquim Ferreira da Silva, inauguradas em 7 de setembro.  Os trabalhos de reconhecimento forma retomados no dia 10 de setembro, dirigindo-se para Rio Madeira, alcançando a Serra do Norte (Parecis), a 401 Km de Aldeia Queimada, no dia 27 de outubro/1908, sendo declarado findos os trabalhos da 2ª expedição, retornando a São Luis de Cáceres.

A 3ª expedição com o encargo de construir a linha telegráfica interligando Juruena a Santo Antônio do Rio Madeira, com ramais Para o Rio Guaporé, Guajará Mirim e Rio Branco/AC, foi organizada em 1909 dividida em duas seções a do Norte e do Sul. A primeira sob o comando do capitão Manuel Teófilo da Costa Pinheiro, encarregada de explorar a Rio jaci – Paraná e em sua cabeceira instalar acampamento e aguardar Rondon com seus comandados.

Dia 18 de agosto os expedicionários iniciaram a exploração do Rio jaci – Paraná subindo seu curso ( 328 Km), acampando próximo a sua a nascente, no dia 20 de novembro/1909.

A segunda comandada pelo coronel Rondon, encarregada de fazer o reconhecimento e abrir picadões de 8 a 10 metros de largura no espaço entre os rios Juruena e Madeira. Os expedicionários saíram do posto do Jurena no dia 06 de junho/1909, seguindo na direção do Norte pela picada aberta na selva no ano anterior, chegando ao topo da Serra do Norte (Campos Gerais dos Parecis), no dia 29 de Junho/1909, o denominando Vilhena, assentando acampamento, permanecendo cinqüenta dias realizando o levantamento dos dez rios com nascentes no módulo de Uru, com curso de suas águas divergindo em diferentes direções, construíram o posto telegráfico José Bonifácio e um varadouro de Vilhena á foz do Rio Corumbiara na margem direita do Rio Guaporé fronteira com a Bolívia. Dia 18 de agosto /1909 levantaram acampamento seguindo rumo ao Norte em densa, desconhecida e desabitada floresta. Os primeiros habitantes (seringueiros), encontraram na segunda metade do mês de dezembro, moradores dos seringais os rios Parto, Canaã e Jamari, os quais lhes foram utilíssimos. O proprietário do seringal Bom Futuro, os hospedou e disponibilizou uma lancha para os conduzir a Santo Antônio do Rio Madeira, sendo aceita, iniciaram a decida do Rio Jamari no dia 20, chegando á sua foz na margem direita do Rio Madeira no dia 25, subindo por este, chegando no povoado de Santo Antônio do Rio Madeira no dia 31 de dezembro de 1909. Rondon expediu ordem ao capitão Manoel Teófilo da Costa Pinheiro, a retornar com seus comandados a Santo Antônio. Declarou concluídos os trabalhos da 3ª expedição, registrando 237 dias de atividades constando a exploração e o levantamento de 2.835 km percorridos, sendo 1.697 km por terra e 1.138 km via fluvial em canoa.

Os trabalhos da Comissão Rondon prosseguiram nos anos subseqüentes, não só a construção da linha telegráfica (1.493 km), entre Cuiabá/MT e Santo Antônio do Rio Madeira, a instalação de quarto estações e vinte quarto posto telegráficos, destes dezesseis no atual espaço físico de Rondônia, a linha Telegráfica foi inaugurada em sessão solene realizada em 1º de Janeiro de 1915, na Câmara Municipal de Santo Antônio do Rio Madeira, mas também em pesquisas e descobertas cientificas, elaboração de mapas hidrográficos (descobertos dezesseis rios), topográficos, mineralógicos, botânicos, zoológicos e etnológicos. coleta e catalogação de:

8.770 explores Botânicos:

7.502 – “ – Zoológicos;

712 –‘’– Entomologia;

6.082 – “ – Etnográficos;

41 – “ – Mineralógicos;

Entregues ao museu Nacional do Rio de Janeiro.

Livros Publicados:

Tratado sobre Botânicas 13 Volumes;

– “ –        – “ –      Zoologia 12 Volumes;

– “-        – “ –       Mineralogia; e

– “-        – “ –       Geologia 5 Volumes;

– “-        – “ –       Águas Termas 2 Volumes;

– “-        – “ –       Etnográfica 1 Volume;

 

Em conclusão, a construção da linha Telegráfica Estratégia Mato Grosso/Amazonas e sua implementação no período de 1909 a 1919, no espaço entre a Serra do Norte e Santo Antônio o Rio Madeira, foi de fundamental importância para formalização e ocupação da área geográfica atualmente limitada pelo Estado de Rondônia, bem como para a conscientização da necessidade do estabelecimento de uma convivência pacifica e de mútuo respeito entre as nações indígenas e entre estas e as população coloniais agrícolas e extrativistas em formação e expansão nesse espaço amazônico.

Roquete Pinto propôs ao Governo Federal, que o Norte e o Noroeste do Estado de Mato Grosso fossem denominados Rondônia, em reconhecimento ao trabalho e seus desbravamento pela comissão Rondon. E construída uma rodovia na picada da linha telegráfica Cuiabá a Santo Antônio do Rio Madeira.

Neste centenário da Comissão Rondon rememorar o feito épico do mais relevante interesse nacional, em que se revestiu a construção de Linha Telegráfica Estratégica Mato Grosso/Amazonas. Sob o encargo desse civilista e impoluto cidadão militar Cândido Mariano da Silva Rondon, é um dever cívico homenageá-lo, objetivando a preservação do seu exemplo de comprometimento com a promoção do progresso e do desenvolvimento socioeconômico participativo, em prol do bem estar de todos os componentes dos segmentos estruturais sociais do Pais.

Tópicos sintéticos dos artigos publicados no jornal Alto Madeira, nas edições  consecutivas de 19 a 28 de janeiro de 1910 comemorativas ao centenário da atuação da Comissão Rondon, no espaço limitado pelo Estado de Rondônia.

É deplorável que a incúria dos governantes civis e militares, por falta de compromisso com o zelo, a defesa dos bens públicos e a preservação do patrimônio histórico e cultural do pais, permitiram e participaram da depredação e abandono do válioso material empregado na construção da maior e mais importante obra realizado no Brasil. Do mesmo modo foi procedido com o acervo resultante das pesquisa cientificas, com os livros publicados, com os filmes e as fotografias registrando o desempenho dos componentes da Comissão em suas especificas atribuições.

 

 

 

 

 

 

 

ABNAEL MACHADO DE LIMA

Membro do Instituto Geog

 

 

 

 

Breve Histórico da Origem e Evolução do Município e da Cidade de Porto Velho

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1-     Espaço Geográfico

A cidade de Porto Velho, sede municipal e capital política-administrativa do Estado de Rondônia, fica situada na margem direita do Rio Madeira, no início do seu médio curso, à jusante sete quilômetros da cachoeira de Santo Antônio, na altitude de noventa metros em relação ao nível do mar, na latitude de 8°46’00” – sul, e na longitude 63°55’00” a oeste do Meridiano de Greenwich e declinação de 3°10’E, distante 759Km em linha reta da cidade de Manaus/AM e 2.589 Km de Brasília/DF. Na Amazônia Ocidental em excepcional posição geográfica, atravessada por um dos corredores de exportação, dispondo de um porto e um aeroporto internacional. É ponto de cruzamento dos eixos rodoviários transcontinentais Brasília/Lima/Santiago (BR-364), Brasília/Caracas/Georgetown (BR-319) e Brasília/La Paz (BR-425).

 
2-      História

O espaço original no qual surgiu a cidade de Porto Velho foi ocupado pela primeira vez no período de 1866 a 1870, durante a guerra do Brasil contra o Paraguai, por soldados do destacamento Voluntários da Pátria do Regimento do Jamari sediado em São Carlos do Rio Madeira. Os militares fizeram uma clareira na floresta, construíram um cais e numa elevação do barranco, ponto estratégico, do qual tinham ampla visão do rio assentaram o seu acampamento (atualmente onde  ficam o Mirante II e a casa residencial do comandante da 17ª Brigada). O local tornou-se ponto de estacionamento de navios em demanda a Santo Antônio e deste a Manaus e Belém, assim como das canoas dos sitiantes abastecendo-o com produtos de suas lavouras e pomares.

       Em 1870 os soldados se retiraram, o local abandonado passou a ser denominado Porto Velho dos Militares, pelos moradores de suas adjacências.

       Em 1871 os padres franciscanos Jesualdo Machete, Teodoro Maria Portoraro de Massafra e Samuel Mancini, residentes em São Carlos do Rio Madeira, acompanhados por dois soldados e onze remeiros bolivianos, estiveram no Porto Velho dos Militares, onde pretendiam instalar uma missão para catequizar os indígenas da nação Caripuna. Porém a falta de apoio oficial, as endemias, a grande distância da taba dos índios na foz do Rio Jaci-Paraná e mais a proximidade de Santo Antônio, escolhida para ser o ponto inicial de uma ferrovia, constituíram-se em obstáculos ao empreendimento, fato que os levou a retornar a São Carlos no mesmo ano.

       No local se estabeleceram em pequenos sítios agricultores e fornecedores de lenha aos navios, sendo esse local denominado, além do nome acima citado, também Ponto Velho, Porto Velho dos Lenhadores e Porto do Velho, como fazem referência: Charles A. Gould (no livro “O Último Titã”); Ernesto Matoso (Relatório da Comissão Morsing); Carlos Morsing (no projeto da construção da ferrovia no alto Madeira, indicando o seu início no Ponto Velho a 7 Km abaixo da cachoeira de Santo Antônio, em 1873); Antônio Catanhede (no livro “Achegas para a História de Porto Velho”). Estas denominações, em especial a Porto do Velho nome do sítio do velho Pimentel, situado na área do atual Porto do Cai N’água, originaram o nome da cidade de Porto Velho, oficializada pela Lei nº741 de 30 de Setembro de 1913,a qual criou o Termo Judiciário de Porto Velho.

       Em 1890 – o empresário extrativista de borracha Coronel José da Costa Crespo comprou por seiscentos mil réis do governador da província do Amazonas o espaço compreendido entre o igarapé Milagre ao norte, o igarapé Grande ao sul, o Rio Madeira a oeste e o Rio Candeias a leste, o integrando as terras do seu seringal (atualmente grande parte da cidade de Porto Velho situa-se nesse espaço).

       1907 – os administradores e os engenheiros da empresa May, And Jekyl & Randolph, contratada por Percival Farquhar para construir a ferrovia Madeira-Mamoré, alegando uma série de obstáculos em Santo Antônio, local determinado para ser o seu ponto inicial, tais como: a topografia acidentada do núcleo urbano; a cachoeira com blocos de pedra emersos e submersos, dificultando a operação do porto a ser construído, e as manobras dos navios em constante risco de acidentes; ser Santo Antônio um empório repleto de bares e de lupanares, impedindo a manutenção da ordem e o impedimento da ingestão de bebidas alcoólicas, resultando em prejuízo ao ritmo do desempenho dos trabalhos.

       Mediante as justificativas expostas, sem autorização do governo federal, contrariando o Tratado de Petrópolis, decidiram transferir o ponto inicial da ferrovia para o Porto do Velho, a sete quilômetros abaixo de Santo Antônio. Contrataram em Belém/PA, cem trabalhadores braçais para procederem o desmatamento da capoeira, construíram os provisórios abrigos para eles, para os operários e engenheiros. Estes prontos, em Junho se mudaram para o local, sob o protesto do seu legítimo proprietário, o Coronel José da Costa Crespo, litígio submetido à decisão judicial, a qual foi favorável a Farquhar, desapropriando parte da área do seringal de Crespo grilado pela empresa estrangeira, a qual entre seus advogados, dispunha da competência de Rui Barbosa.

       No dia 04 de julho fixavam um trilho no primeiro dormente no marco zero ponto inicial da ferrovia, simbolicamente dando início a sua construção. (Na realidade os trabalhos do trecho entre Santo Antônio e Jaci-Paraná prosseguiam). Compraram por duas mil libras esterlinas o seringal Candelária II, dos irmãos Suarez, neste construindo um barracão de madeira, e nele instalaram o Hospital Candelária; contrataram o médico Dr. Shiver para administrá-lo. Próximo ao canteiro de obras da empresa começaram se instalar em barracas (tapiris) moradores desvinculados desta, considerados invasores de sua propriedade; houve a tentativa de expulsá-los, e estes resistiram, argumentando que se  encontravam em terrenos devolutos do município de Humaitá. Era 1907:  surgimento de Porto Velho dos brasileiros, litigante com os administradores da ferrovia sediados no Porto Velho dos norte-americanos e posteriormente dos anglo-canadenses, situação que perdurou até 10 de Julho de 1931.

1908 – o Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas expediu a ordem de serviço n°2 de 16 de Janeiro autorizando a transferência do ponto inicial da ferrovia de Santo Antônio para Porto Velho. Apenas por formalidade, visto que a empresa, independentemente de autorização, há sete meses havia feito essa mudança. (Alguns pseudos historiadores afirmam ser o documento acima citado a certidão de nascimento de Porto Velho, como sustentação de seus argumentos contraditórios a seu surgimento a partir de 1907).

       O povoado de Porto Velho dos brasileiros crescia em adensamento de barracas e em população constituída por brasileiros e estrangeiros das mais diversas origens se autogovernando. Construíam caminhos aos quais davam nome de ruas, tais como: Rua do Comércio, Rua da Palha, Curral das Éguas, Rua dos Portugueses e Mocambo, atuais respectivamente: Sete de Setembro, Natanael de Albuquerque, Floriano Peixoto, Barão do Rio Branco.

       Ressentiam-se da falta de assistência governamental e espiritual, como também do tratamento discriminatório dos administradores da empresa construtora da Madeira-Mamoré que não lhes permitia trânsito livre na área que consideravam sua propriedade privada, na qual era hasteada a bandeira americana, o idioma oficial era o inglês e mantida uma força policial de segurança, armada com armas de fogo.

1910 – Dia 26 de julho, é instalada no povoado uma agência postal chefiada pelo agente Felinto Costa, sua população atingia 900 habitantes.

1911 – Dia 07 de Julho é expendido o Decreto Federal 8.776, estabelecendo os limites da área cedida à Madeira-Mamoré Railway. Foi elaborada a sua planta no escritório técnico em Porto Velho, e estabelecida a construção de  uma cerca na rua Divisória (atual Av. Presidente Dutra), de proteção às suas instalações, isolando-as do povoado vizinho, guarnecida por seus seguranças armados comandados pelo policial Henrique de Torres Bandeira, da polícia do Estado do Mato Grosso.

1913 –Dia 21 de Agosto foi instalada no povoado de Porto Velho dos brasileiros  a Coletoria de Rendas administrada pelo coletor Miguel Rodrigues Souto.

          Dia 30 de outubro, por intermédio da Lei n°741, sancionada pelo Dr. Jônatas de Freitas Pedroza, governador do Estado do Amazonas, foi criado o Termo Judiciário de Porto Velho, sendo nomeados para geri-lo o Dr. Natanael de Albuquerque, juiz de Justiça Municipal; Joaquim Raulino Sampaio, José Brega Vieira e Felinto Costa, suplentes de juiz; Franciso Fernandes da Rocha, Adjunto de Promotor Público; José Vieira Souza, Escrivão e Tabelião.

1914 – Dia 30 de Janeiro foi o dia da instalação do Termo Judiciário e  da posse dos nomeados.

Dia 02 de Outubro por intermédio da Lei n°757, sancionada por Dr. Jonatas de Freitas Pedroza, governador do Estado do Amazonas, foi criado o município de Porto Velho, com sede no povoado da mesma denominação.

Dia 24 de Dezembro foram nomeados por decreto sem número o major reformado do exército Fernando Guapindaia de Souza Brejense, superintendente; Manoel Pires de Castro, secretário; José Braga Vieira, Luzitano Corrêa Barreto, Manoel Félix de Campos, Antônio Sampaio e José Z. Camargo, intendentes; José Pontes, Achilles Reis, Horácio Bilhar, Aderico Castilho e Alfredo Alicio De Carvalho, suplentes de intendentes. Para administrarem o município no período de 1° de Janeiro de 1915 a 31 de Dezembro de 1916.

       Os intendentes e os suplentes constituíam o Conselho Municipal (equivalente a Câmara Municipal).

1915 – Dia 24 de Janeiro, em sessão solene iniciada às nove horas da manhã na residência do Intendente Manoel Félix de Campos, situada na Rua dos Portugueses, presidida pelo Major Fernando Guapindaia Brejense, foi instalado o município de Porto Velho. O superintendente, ao cumprimentar as autoridades do Amazonas e Mato Grosso, os administradores da Madeira-Mamoré, os empresários e o povo em geral, iniciou o seu pronunciamento dizendo:

       “É com grande desvanecimento que tenho a honra de nestas longínquas paragens vir inaugurar o município de Porto Velho, trazendo para este remoto rincão nacional uma das grandes conquistas da democracia – o governo do povo pelo próprio povo na soberana autonomia municipal, assegurada pelos preceitos constitucionais…”

       A administração do Major Guapindaia foi tumultuada pelo confronto com o todo poderoso gerente geral da Madeira-Mamoré Mister W. Little o qual não reconhecia a autoridade dos representantes legais dos governos do Amazonas e do Mato Grosso, praticando ingerência em matérias privativas do município, sendo essas coibidas por Guapindaia. Em revide, W. Little solicitou a desocupação das casas por ele cedidas para sede municipal e para residência dos superintendentes, bem como lhes cancelou o passe livre nos trens. Estes procedimentos não o demoveram a fazer valer a prevalência da lei e as prerrogativas legais da municipalidade. Providenciou a organização institucional e estrutural do município e do povoado urbano sua sede administrativa, expedindo os decretos:

N°1, de 25 de Janeiro, regulamentando a cobrança de impostos, implementando o código de posturas e a concessão de terrenos públicos;

N°2, de 10 de Março, ordenando o espaço físico do povoado, urbanizando-o conforme a planta elaborada pelo mestre de obras José Ribeiro De Souza Junior, aprovada pelo Conselho Municipal. Ordenou a abertura de ruas e o alinhamento das casas;

N°4, de 14 de Agosto, proibindo a empresa Madeira-Mamoré Railway:

1-      de exercer a prática de poderes públicos privativos dos governos federal, estadual e municipal, vedando-a de cobrar impostos, inclusive de embarque,  por ser ato atentatório ao artigo 338 §§ 5° e 8° do Código Penal da República;

2-      de expedir títulos de propriedade e licença para construção de imóveis, anulando as expedidas e ordenando a demolição dos construídos assim licenciados em áreas do município;

3-      de extrair por intermédio de seus contratistas  madeira em florestas municipais.

Dia 9 de Março o Conselho Municipal aprovou a Lei n°3 autorizando o superintendente a denominar e substituir nomes de rua e de logradouros públicos. Determinou que o terreno da Madeira-Mamoré contasse da travessa que separa a área dos seus terrenos da área do povoado a qual passa a ser denominada Avenida Divisória.

Dia 15 de Março aprovou a Lei n°5, criando a Escola Municipal “Jonatas Pedroza”, a primeira escola pública de Porto Velho, sendo sua diretora e docente a professora Tevelinda Guapindaia.

Dia 1° de fevereiro, o governo do Amazonas criou a Delegacia de Polícia de Porto Velho, nomeando no dia 3 o Tenente Aristide Leite, para o cargo de delegado.

Dia 12 de Dezembro foi fundado o jornal “O Município” pelo senhor João Alfredo Mendonça.

– José Vieira Braga instalou o diretório municipal do Partido Republicano Conservador/ PRC,  ficando o próprio como presidente. (Primeira agremiação política de Porto Velho).

– Foi fundada a Associação Dramática de Porto Velho, mudando em 1919 esta denominação para Clube Internacional.

– No decorrer de 1915, Guapindaia mandou construir pontes sobre os igarapés interligando ruas, mandou canalizar com bueiros e aterrar trecho do igarapé Favela, ligando a Rua Gonçalves Dias à Rua General Osório, mandou construir a cadeia pública na rua Júlio de Castilho esquina com rua Dom Pedro II, o mercado público entre a rua José de Alencar e a Avenida Divisória, Cemitério dos Inocentes numa quadra de 9.900m².

Guapindaia encerrava o ano de 1915 com saldo positivo de realizações política, administrativas, sociais e materiais, apesar de obstáculos financeiros, enfrentamento com os administradores da Madeira-Mamoré, inclusive um motim armado de portugueses por esses apoiados.

1916 – É dado prosseguimento ao trabalho de consolidação e desenvolvimento do município; no decorrer do ano, instalam-se o consulado da República da Bolívia, cônsul J. M. Gutierrez e vice-consulado de Portugal, vice-cônsul Antônio Rodrigues da Silva.

            São fundadas a Sociedade Beneficente Portuguesa; a Irmandade Santa Bárbara, pela mãe-de-santo Esperança Rita, no Mocambo; o clube de futebol União Esportiva, por  Mister Leonardo Crancy, seu presidente, em 11 de Julho, constituído por operários da Madeira-Mamoré.

            Realização em 1° de Dezembro da primeira eleição municipal presidida por Guapindaia para os cargos de superintendente, intendentes e suplentes de intendentes, sendo eleitos pelo Partido Republicano Conservador os senhores Dr. Joaquim Augusto Tanajura – superintendente; Luzitano Correia Barreto, José Z. Camargo, Álvaro Dantas Paraguassu, Antônio Sampaio e Otávio Reis, intendentes; Alvaro de Oliveira Rosas, Bernardino de Almeida Lima, Júlio Coelho Carvalho e Faustino Lopes de Souza, suplentes de intendentes. Em 1°de Janeiro de 1917, Guapindaia empossa os eleitos para um mandato de 1° de Janeiro de 1917 a 31 de Dezembro de 1919.

            Missão cumprida com brilhantismo e denodo, sendo sem dúvida, um dos maiores administradores dos quantos têm passado no governo da comuna Porto Velho.

          Dois fatos de maior relevância para a consolidação política de Porto Velho foram a expedição da Lei n°900 de 31 de Agosto de 1917, sancionada por Dr. Pedro de Alcandra Bacelar, governador do Estado do Amazonas, elevando o Termo Judiciário à categoria de Comarca. E a expedição da Lei 1011 de 7 de Setembro de 1919, sancionada por este citado governador, elevando o povoado de Porto Velho à categoria de cidade.

         O município de Porto Velho não passou pela condição política e administrativa de distrito. Assim como a cidade de Porto Velho pela condição de vila. De povoado foi elevado à categoria de cidade.

 

Abnael Machado Lima
Membro do Instituto Histórico e Geográfico /RO
Membro da Academia de Letras de Rondônia

Governador do Acre pode ter sido decisivo a favor de Porto Velho

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Durante muitos anos era comum eu ir sentar, como muitos outros interessados na história local, na sala do historiador e jornalista Esron Penha de Menezes (1914/2009) e ouvir suas narrativas. Várias vezes, quando tratou da visita do presidente Getúlio Vargas, ele repetiu os fatos a seguir.


Na chegada do presidente um problema: o prefeito de Porto Velho meteu a mão no paletó para pegar o discurso de saudação, mas deixou ver o punhal que sempre suava. O segurança “Gaúcho” saltou em cima e desarmou o prefeito que até desistiu do discurso.


Naqueles dias o tema era a criação do Território. O governador Epaminondas Martins, do Acre, chamado por Vargas para uma reunião durante a visita, foi questionado sobre o fato, e a proposta das lideranças guajaramirenses, sobre criar o Território, mas só com terras de Mato Grosso e capital em Guajará. Segundo Esron ele respondera:  “Presidente, o Território deve ser criado sim, mas com a capital em Porto Velho”. Três anos depois Getúlio criou o Território, com capital em Porto Velho.

GETÚLIO VARGAS EM PORTO VELHO

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Governador do Acre, centro, chegando a Porto Velho para se encontrar com Vargas

Em 1940 o (hoje) historiador e professor Abnael Machado de Lima era um garoto de oito anos, aluno de uma escola particular dirigida pela professora Leonice, e como todos os moradores de Porto Velho, viveu, naqueles dias 11, 12 e 13 de outubro, três dias muito intensivos tudo porque pela primeira vez a cidade, então sede do município de Porto Velho e atual capital de Rondônia, hospedava ninguém menos que o presidente Getúlio Dorneles Vargas.

“Em setembro de 1940 eu comecei a ouvir falar da vinda do presidente. Em casa, na escola, aonde íamos havia sempre alguém falando e, em alguns casos, duvidando do anúncio feito pelo superintendente da Madeira-Mamoré o coronel Aluízio Ferreira.  Getúlio viria a Belém e Manaus, e havia muita expectativa de que ele viesse até Porto Velho, ainda município amazonense e sede da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Naquele tempo se começava a ouvir falar na possibilidade de ser criado um Território Federal na região, apesar da resistência de comerciantes dos rios Guaporé/Mamoré que também pretendiam a criação, mas só na região além Santo Antonio, que era parte do Estado de Mato Grosso e com capital em Guajará-Mirim”.

“Enquanto em Guajará havia fortes lideranças, como o coronel da Guarda Nacional Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha e o bispo Dom Francisco Xavier Rey, em Porto Velho só havia uma liderança forte, o capitão Aluízio Pinheiro Ferreira, superintendente da ferrovia Madeira-Mamoré” . Os dois municípios, somados, não chegavam a 25 mil habitantes.


A VISITA


“Na quinta-feira, dia 10, o presidente chegou. Para muitos ele veio dirigindo o hidroavião (catalina) que pousou na baía do Rio Madeira em frente à cidade e deslizou até atracar numa boia.  Getúlio vinha na cabine, no lugar do copiloto”, lembra  o então garoto Abnael Machado de Lima, acrescentando “a enorme repercussão daquela visita. Veio gente de Humaitá, de Guajará-Mirim e de toda a região e foram três dias que a cidade viveu num frenesi”.


No dia da chegada, 10, os escolares foram liberados – só os que não iriam desfilar em homenagem a Vargas cuja visita estava prevista apenas para três horas, inaugurar uma usina elétrica e ir embora, mas o atraso na chegada da comitiva, que era para ser pela manhã e só chegou 15 horas já mudou os plenos.


Para o (hoje) historiador Abnael Machado, um dos fundadores da Academia de Letras de Rondônia e do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia, àquela altura um garoto nas primeiras letras, o importante era a curiosidade.


Enfim amanheceu o dia 10 de outubro de 1940, uma sexta-feira. Todos  estavam num único frenesi, desde cedo os olhos voltados para o horizonte, Rio Madeira abaixo, na expectativa que cada um tinha de ser o primeiro a avistar o avião trazendo o presidente e seus acompanhantes.


“Hoje tenho certeza que o Aluízio tinha tudo pronto, tanto que preparou uma extensa programação com desfiles cívicos, visitas ao Instituto Maria Auxiliadora, ao colégio Dom Bosco, inauguração do conjunto Caiari, ao quartel do Pelotão de Fronteira (prédio hoje anexado ao comando da 17ª Brigada de Infantaria de Selva), ao centro de produção no KM 8 (hoje na região onde está a Embrapa), uma ida para conhecer castanhal e seringal onde viu funcionar uma casa de farinha, tomou cafezinho com um agricultor e ganhou um par de botas feita de seringa”.


Além, claro, de inaugurar a usina, visitar o Grupo Escolar Barão do Solimões onde foi saudado pela estudante filha da diretora Estela Compasso, participar de bailes no Clube Internacional (atual Ferroviário), inspecionar cada setor das oficinas e da estação de passageiros da Madeira-Mamoré e realizar reuniões políticas” continuou o historiador


“Quando o presidente foi embora, domingo pela manhã, dia 12, a população toda foi deixá-lo no porto. Ele entrou numa canoa e foi levado ao avião. Nós ficamos olhando o local onde o hidroavião desapareceu no horizonte muito tempo depois dele sumir. Três anos depois foi criado o Território do Guaporé, com capital em Porto Velho”, concluiu Abnael Machado de Lima.


 

BREVES REFLEXÕES SOBRE ARTE

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Quem não tem coragem de expor seu íntimo não deve ser artista.

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Não precisamos necessariamente entender uma obra de arte; precisamos senti-la.
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Quem diz não gostar de arte deve ser visto com ressalvas.

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O artista nato que não pratica sua arte deixa de cumprir um importante dever existencial.
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Nem sempre  o artista é sabe o que quer de sua obra de arte. Por vezes, é o processo construtivo da obra que lhe dá o mote e o norte de sua construção.
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O artista necessariamente não precisa saber aonde quer chegar quando produz uma obra de arte, mas ele precisa saber aonde não quer antes de considerá-la pronta.
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O artista, ao dar por concluída uma obra sua, ainda que temporariamente declara que a aprova e a assume . Ou será um farsante sem brio.

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A criação de uma obra de arte requer liberdade para que seja assinada sem restrições.
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O verdadeiro artista é aquele que extrai beleza donde os desprovidos  de talento artístico não a percebem.
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A maior prerrogativa de um artista é poder recriar o mundo do seu jeito.
 
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A vida sem arte perde graça.

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A sensibilidade artística, por fazer sentir além das aparências, produz emoções exacerbadas; agradáveis e desagradáveis.

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Um pássaro, para um artista, não é apenas um animal que voa. Ele remete à sensação  de liberdade, essa fundamental condição para ser feliz.

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O criação artística não tem compromisso com a lógica, mas com a  emoção.
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A ilusão induzida por certas obras de arte não é uma mentira. É uma verdade a ser vista com o coração.

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Por mais que tente, o artista não consegue se esconder de todo nas obras que produz.
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O artista, ao produzir uma obra de arte, pode expandir seu eu à transcendência e mostrar-se múltiplo, diverso, além dos seus limites ponderáveis.
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O artista que  se julga completo entra em decadência.

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Ser artista  permite achar sem procurar.

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A dor é mais inspiradora que o prazer.

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A verdade de uma obra de arte não é necessariamente a do artista que a produziu.
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Nem sempre o artista premedita o que pretende com sua obra de arte.

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A expressão artística por vezes se expressa melhor e convence mais do que outras que exigem somente raciocínio lógico. Porque a arte entra em nós pelas portas da emoção, que se abrem mesmo sem entendermos o porquê.
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O que inspira o artista são os encantos e os desencantos. Nem sempre nesta ordem.
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A Natureza será sempre a artista maior. Porque suas obras-primas têm vida.
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O talento artístico é uma pitada de divindade.

 

BREVES REFLEXÕES ATEMPORAIS

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Um ano que começa é apenas um ano que começa. O tempo não tem início nem fim. Apenas passa e passa.

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    O tempo perdido jamais será achado. Os momentos sempre são outros.

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    Se queremos encontrar a felicidade, por que damos tanta atenção  à infelicidade?

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    Não é justo que tudo seja sempre do jeito que cada um de nós quer. Nem justo nem possível.

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    Deixar passar boas oportunidades pode ser uma decisão irrecuperável. Porque  oportunidades tendem a ser fugidias, e algumas são únicas durante toda nossa vida.

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    Quem não sabe aonde ir está mais perdido do que quem não encontrou onde quer chegar.
   
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    O potencial de cada um é proporcional a crença que cada um tem em seu potencial.

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    A demonstração de fragilidade pode ser um álibi do seu oponente para enfraquecê-lo, desarmá-lo. Num confronto, nada deve ser subestimado.

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    Acreditar é um ato de exceção. Quem faz da crença uma norma, cedo ou tarde pagará por isso.

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    Um átimo de tempo pode mudar tudo. Ter isto sempre em mente pode mudar tudo.  

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    A adversidade para alguns é motivo de desânimo, prenúncio de desistência. Para outros, um desafio para perseverar. E vencer.

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    A felicidade se conquista, antes de tudo, com a decisão de ser feliz.

 

FOTOGRAFIA: A ARTE DE CAPTAR O MOMENTO

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Os instantes sempre são outros. Henri Cartier-Bresson, um dos mais  importantes fotógrafos do século 20, escreveu: “De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório”. A oportunidade de captar a imagem através de determinada fotografia é, portanto, única. Ainda que se fotografe algo inerte e no mesmo ângulo , as circunstâncias em que a foto é feita voa sem parar do pretérito para o futuro nas asas incansáveis do tempo.

Ao congelar o momento, a fotografia oportuniza à imagem captada deixar-se ver  mais, por mais tempo, e com maior acuidade. Paradoxalmente, a imobilidade, que se antagoniza a concepção de vida, possibilita vida duradoura ou até perene ao instante único e definitivo fotografado. Definitivo porque único, impossível de ser reproduzido tal qual foi. Ao acionar o botão da câmera, o fotógrafo, consciente ou não de seu ato, registra um átimo de sua existência e da existência do mundo na dimensão da imagem que fotografa.

Uma imagem, como se sabe, vale mais do que muitas palavras. Há algumas que, por mais bem descritas que sejam, não serão suficientemente mostradas como faz a fotografia, porque é através dela que os instantes se expõem tal como são. Daí a importância da fotografia como documento, como testemunha de um acontecimento, de uma existência.

Ao contemplarmos uma foto, geralmente vemos muito além das imagens nela contidas. Viajamos no tempo de nossos sentimentos. A fotografia se transmuta a cada olhar. Que é sempre pessoal, contextualizado à individualidade de cada um de ver as coisas, de ver a vida. Acrescentamos ou subtraímos da foto formas, cores, sabores, sons e até odores. Sensações, enfim. Por vezes, recriamos a imagem vista a ponto de a sentirmos outra, diferente daquela que o fotógrafo clicou. Porque arte que é, a fotografia tem o poder de transmitir a quem a vê além do propósito de quem a fez. Os estímulos captados por nossos órgãos dos sentidos exumam nossas vivências passadas, nossa história existencial, dando-lhes a vida que, por vezes, a memória enterrou.
    A fotografia, na condição de arte, é plantada no jardim dos significados. Há jardins férteis, onde a terra faz crescer tudo que nela se plantar. Mas há terrenos áridos, onde em se plantando nada ou quase nada dá. O que para alguns poderá contar uma longa história − talvez de uma vida inteira −, fazer rir ou chorar, para outros não passa de uma visão muda às suas emoções surdas.
    O valor de cada foto é, fundamentalmente, emocional. Uma foto pode ser tecnicamente bem feita e nada dizer em termos de arte. Porque não dialoga com a emoção de quem a contempla.
    A qualidade artística da foto nem sempre está na dependência da qualidade da câmera que a registra. Por vezes, um equipamento simples em mãos talentosas pode captar muitas emoções: encantos e desencantos.
     O sentido estético do belo e do feio contido na fotografia por vezes transcende a lógica dualista que os paradigmas definem como belo e como feio. “Quem o feio ama, bonito lhe parece”, diz um adágio popular. Há gosto e desgosto para tudo. Ao fotografo cabe explicitar em suas fotos sua verdade estética, que pode agradar ou desagradar, ser compreendida ou não. Nem sempre é pelo número de pessoas que cativa com o seu gosto estético que se deva atribuir maior mérito ao autor de uma foto. Ele pode estar propondo uma nova linguagem, um novo estilo de expressar sua arte. As pessoas podem não conseguir sintonizar com sua proposta de pronto. Ser reconhecido nesse mister, por vezes leva tempo, muito tempo. A história da arte mostra alguns desses exemplos.

A intenção do fotógrafo pode ser subestimada e até anulada por quem vê a foto por ele feita. Ao mostrá-la, como acontece com tudo que se atira em direção às emoções alheias, seu autor corta o cordão umbilical que o une sua obra, e a entrega de coração aos sentimentos do mundo que a contemplará. Com bons ou maus olhos.

Uma ressalva: muitos apenas apertam o botão da câmera fotográfica, sem se deter na importância e na extensão de seu ato. Esses, sequer devem sem considerados autores da foto – agem apenas como acionadores do clique. O que tipifica a autoria da fotografia enquanto expressão artística não é o ato em si de fotografar, mas a intenção em relação a imagem captada.

Em sendo uma das artes visuais, a fotografia está autorizada a romper com os conceitos e preconceitos e a pular de cabeça e sem medo na dimensão da fantasia, do inusitado, do imponderável e até do absolutamente incompreensível. É a licenciosidade poética de que a fotografia precisa para se assumir de modo eficaz à condição de instigadora de emoções. Esta, definitivamente, a razão de qualquer expressão humana que pretenda ser arte.

AOS MESTRES DO PASSADO

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As lembranças dos tempos de estudante sempre são viagens saudosistas que trazem a juventude de volta. São tantas que talvez só um volumoso livro as coubesse inteiras. Detenho-me, por isso, em um aspecto dessas reminiscências: as marcantes recordações de alguns professores de nossa Porto Velho do passado.

D. Noêmia morava alí, na José do Patrocínio, a uns vinte passos de nossa casa,  a de número 558. Lá, hoje, há uma das residências da família Matny. Foi a primeira professora de quase toda a garotada daquela época, anos 1950.  Para nós, era uma paciente velhinha que, assessorada por Dalila, sua fiel companheira de moradia, ensinava a ler,  a escrever e a contar, sem castigos para as nossas ignorância e peraltice. Da primeira professora a gente nunca esquece… A minha foi a professora Osvaldina, que  também lecionava em sua casa, localizada no centro comercial de Porto Velho. Lembro-me que a condição imposta por mim para estudar, debaixo de meus três anos e pouco, era que tia Inácia me acompanhasse durante toda a aula, já que mãe Maria não podia fazê-lo porque tinha de trabalhar para ajudar no sustento de nossa família. Certo dia, minha acompanhante resolveu dar uma escapada durante o período da aula, achando que eu não notaria. Ledo engano. Nem mesmo havia chegado à calçada da rua, lancei-me, aos gritos, pela janela e fui ao seu encontro. Preocupada com minha reação,  ela voltou prometendo-me que nunca mais faria aquilo.

Depois vieram outros mestres. Muitos outros. De alegres e de tristes memórias. Prefiro relembrar dos primeiros. O professor Lourival Chagas da Silva  chamou minha atenção quando, em sua primeira aula de português, procurou expressar-se didaticamente através de gizes coloridos ao tratar das classes das palavras. Seu jaleco branco compunha uma elegância nunca vista em  outros professores. Penso que meu gosto pelas letras recebeu estímulo ao ver aquele diligente docente tratar com tanto esmero e domínio o idioma de Camões.  

Estudei o primário e o ginásio no Colégio D. Bosco, que funcionava no prédio ao lado da Catedral, onde atualmente é uma faculdade católica.  Assim como o mestre Lourival, que não era padre, lá convivi com outros de admirável saber. Sempre admirei a formação intelectual dos  salesianos, que sabem latim, estudam filosofia, psicologia, teologia e outras ciências com profundidade. O padre Angelo Spadari, além de sua respeitável bagagem intelectual nesses temas, era um cientista nato, com importantes contribuições à mineralogia e à zoologia. Mantinha, inclusive, um museu em uma das dependência do colégio D. Bosco, onde foi diretor. Os padres Claudionor e Jaime, que eram jovens e inovadores, também deixaram boas recordações.

O professor Enos Eduardo Lins foi outro  mestre do passado de Porto Velho que merece  ser lembrado com todas as honras. Negro, com um corpanzil que impunha sua presença, emoldurado por postura de quem sabia o que dizia. Disse-me meu sogro, o Dr. Hamilton Gondim, que grande parte da vasta cultura daquele educador  foi adquirida no tempo dedicado ao estudo quando esteve preso, por questões políticas, em Fernando de Noronha. Tive pouco contato com ele, apenas como seu aluno de inglês, em uma série de que não me lembro. O professor Enos era o nosso Ruy Barbosa. Seus conhecimentos eram tão apregoados que ganhavam conotações  hilárias em certas ocasiões.

Conta-se que, certa feita, ao passar  com seu veículo, uma rural, nas proximidades da casa do professor Lourival, no Caiarí,  foi chamado por este, que queria uma carona, pois começava a chover enquanto ele se dirigia, como Enos, para a Escola Normal Carmela Dutra, onde ministrariam aulas naquela tarde. Sob pingos já fortes, Lourival correu até próximo à janela do carro  e disse: “Me dê uma carona, professor”. Enos, incontinente,  meteu o pé no acelerador, deixando seu colega, já molhado, sem condução e sem entender aquela atitude, uma vez que eram amigos de longa data, pois Enos fora seu mestre de português, de história, de pedagogia, de didática e de prática de ensino, no então Curso Normal Regional Carmela Dutra. No dia seguinte, ao encontrar Enos na escola, Lourival  foi veementemente  admoestado por ele. Enos, como sempre professoralmente, esclareceu: “Professor, o senhor sabe, não se deve iniciar uma frase com pronome oblíquo. Portanto, é: “Dê-me uma carona” e não “me dê”, como disse ontem”.

Além de grande professor, Enos tinha o gosto refinado, o que passava para a educação de suas três filhas, a quem impunha o aprendizado de piano e línguas. Quanto ao estudo curricular, ele exigia o máximo delas, como fazia com seus alunos, na Carmela Dutra, e como fizera com as alunas do Maria Auxiliadora, onde  lecionou logo que chegou ao então Guaporé. O Victor Sadeck, colega médico, filho de família pioneira,  contou-me que certo dia o professor Enos  foi à casa dele queixar-se à  sua mãe, D. Odaleia, professora da Escola Normal, de sua decepção com uma nota que uma de suas filhas havia tirado. D. Odaleia,  sem entender os motivos de Enos, disse-lhe que ele estava enganado, pois sua filha havia tirado nota 8 na prova e não havia razão para aquela sua decepção.

“Professora Odaleia, nota de negro é 10!”, respondeu-lhe enfático. Outro momento de indignação do mestre com a ignorância, dizem, aconteceu na casa da família Amora, quando em uma festa para adolescentes, Eudézia, sua filha virtuose, tentou dar um concerto de piano clássico. Como a moçada estava a fim de curtir o ritmo do yê-yê-yê, em voga na época, começaram a ensaiar uma salva de vaias. Professor Enos, que se fazia presente, não suportou a provocação: perdeu a compostura e começou a  chamar os mal-educados de vândalos e ignorantes.      

O eminente mestre, dado o seu reconhecido saber e modo muito próprio de ser e agir, tornou-se uma figura popular sinônimo de erudição. Por isso, por esse aspecto  por vezes com conotações curiosas, não se sabe o que é  verdade ou mentira do que dele até hoje se conta. Mas quem pretende lembrar os personagens  marcantes de nosso passado, não pode suprimir essa figura exponencial da cultura dessas terras de Rondon. Todavia, não se deve perder a oportunidade de dizer que o povo de Rondônia  ainda deve ao meritoso mestre, já falecido,  justas homenagens, principalmente oficiais. Lamentavelmente estas, que preferem alçar ao pódio dos merecedores algumas nulidades, cujos méritos não vão além das trinta moedas de suspeitos critérios políticos.

Em tempo em que muitos professores fingem que ensinam e outros tantos alunos fingem que aprendem, torna-se cada vez mais rara a concepção de educador, que vai muito além de tão somente ministrar aulas, mas invade a difícil seara dos exemplos e das lições de vida. Para tal, os critérios pecuniários, sempre presentes a atormentar esses profissionais, na sua maioria injustamente remunerados, não podem subtrair-lhes as virtudes vocacionais indispensáveis para o cumprimento de seu nobre e fundamental ofício de transmitir seus conhecimentos para instruir e formar consciências. Foi justamente a prática continuada dessas virtudes que tornou os mestres aqui citados inesquecíveis para toda uma geração de seus alunos.   

Nota do autor — Houve outros educadores em nosso passado que merecem homenagens; entre eles, o professor Batalha, as professoras Marise Castiel, Aurélia, Elvira etc. Neste texto, restringi-me aos que convivi como aluno por um período mais extenso. Todavia, deixo consignada minha homenagem a todos aqueles que cumpriram com competência e denodo seu nobre ofício de transmitir saberes.