
O Hospital São José, localizado na rua Irmã Capelli, no centro de Porto Velho, foi o nosocômio referência de nossa população desde sua inauguração, no dia 7 de setembro de 1929, então de propriedade da Prelazia de Porto Velho, sob o comando de Monsenhor Pedro Massa. Em sua segunda fase, a partir de 1943, o hospital foi adquirido pelo governo do Território do Guaporé e teve como seu primeiro diretor o Dr. Ary Tupinambá Penna Pinheiro.
Quando ainda pertencia à congregação salesiana, o hospital era administrado pelas freiras, que o mantinham impecavelmente limpo e bem arrumado. Depois que passou para o governo, o aspecto organizacional daquela unidade de saúde perdeu qualidade.
No velho hospital do passado de nossa cidade havia uma figura curiosa – atemorizante para as crianças: serviçal de nome Gilberto, que era porteiro daquela unidade de saúde. Era conhecido como Morcego, apelido que recebeu face sua semelhança com o mamífero hematófago voador. Negro, de baixa estatura, era dado a “voar” irritado atrás de crianças que tentavam entrar naquele nosocômio. Morcego as detestava por galhofarem dele. Elas, por sua vez, tinham-lhe medo . Porém, mesmo assim, não perdiam oportunidade de chamá-lo pelo epíteto, quando tinham oportunidade. Transtornado com isso, ele sempre retrucava com muitos palavrões. A propósito, a despeito de não ter sido bem aquinhoado fisicamente, era um incorrigível admirador das beldades de então, em particular de suas belas pernas, que acintosamente fitava. Certa ocasião, uma delas, incomodada pelo olhar voluptuoso de Morcego para sua torneada anatomia, desferiu-lhe um certeiro tapa no rosto.
A rotina médica do hospital começa ao amanhecer. Por volta das 7h os doutores começavam a chegar. A maioria tomava o café da manhã lá mesmo. Uma mesa farta, com alva toalha, era o ponto de encontro para uma conversa descontraída no início do expediente dos médicos de então: Hamilton Raulino Gondim, Ary Tupinambá Penna Pinheiro, Jacob Freitas Atallah, Rachid Jaudy, Carlos Alberto Brasil Fernandes, Rafael Vaz, Noel Bispo de Souza, entre outros mais ocasionais. Após o animado papo, todos se dirigiam a seus setores.
O Hospital São José funcionou até 12 janeiro de 1983, quando foi inaugurado o Hospital de Base Ary Pinheiro, construído no governo de Jorge Teixeira. O velho e cansado de guerra Hospital São José e a Maternidade Darcy Vargas davam lugar àquela imponente estrutura de 400 leitos e avançada tecnologia. Nascia assim um novo tempo para a medicina de Rondônia.











































Ele era mau e batia nela. Tinha dado graças a Deus o dia que se enrabichou por uma piriguete e foi embora morar com ela na cidade. Não tinha filhos. Vivia sozinha naquele sítio distante, cuidando da roça. Trabalhava de sol a sol, tinha as mãos calejadas. Mas, com o passar do tempo, a solidão doendo, começou a sentir falta do companheiro, do aconchego, e dos carinhos da cama que não tinha mais. As insônias eram frequentes, ficava rolando na cama com o travesseiro entre as coxas. Via o dia clarear. Ainda era jovem, apesar de maltratada. Os dias se passaram, meses e anos. Já estava até conformada, aceitando a solidão. Afinal, pensava, estava bem melhor assim, pois não tinha que aturar os desaforos e as surras que deixavam seu corpo cheio de dor e hematomas. Nesse dia, tinha chegado da roça e se preparava para o jantar quando, ao olhar pela janela, viu entrando na porteira do seu sítio, montado a cavalo, aquela fi gura que muito conhecia. Sim, não tinha dúvida, era ele, o Valadão. Aproximou-se, desceu da montaria e amarrou a corda do cabresto na arvore mais próxima. Estava sujo, com a barba por fazer a dias, e usava um chapéu amarrotado, de abas grandes. Entrou e foi logo pedindo desculpas, estava arrependido. Aquela vagabunda da piriguete não era a mulher que ele pensava. Maria ficou assustada e desconfiada com aquela mudança e arrependimento. Disse a Maria que agora ele seria outra pessoa. Iria ajudá-la na roça e até nos serviços da casa. E afinal, carente e cheia de tanta solidão, acabou aceitando de volta o Valadão. No início até que cumpriu sua palavra, ajudando-a na roça. Mas, aos poucos, voltou a beber e passava os dias deitado na rede armada na varanda e bebendo cachaça. Maria já estava amargamente arrependida de ter aceito de volta aquele traste, principalmente porque tudo voltou a ser como antes. Voltou também a bater nela. Quando não queria ou não podia ir para cama com ele era mais um estupro e mais uma surra que levava. Às vezes ficava tão machucada que não conseguia levantar-se no dia seguinte para ir trabalhar na roça. Não sabia mais o que fazer!… Nesse dia estava bem machucada e cheia de hematomas, mas mesmo assim conseguiu levantar-se para trabalhar na roça, de sol a sol. Já era quase noite quando voltou para casa. Mal chegou e o Valadão foi logo gritando:







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