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Acadêmica e atriz Fernanda Montenegro promove leitura dramatizada de Simone de Beauvoir e lota Teatro da ABL

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Sob aplausos de dezenas de convidados e do público em geral, a Acadêmica e atriz Fernanda Montenegro fez nesta quinta-feira, dia 23, na Academia Brasileira de Letras uma empolgante leitura dramatizada da obra “A Cerimônia do Adeus”, da escritora e líder feminista francesa Simone de Beauvoir, na qual narra a solidão e o vazio de sua vida após a morte do companheiro, o filósofo Jean-Paul Sartre. O livro trata, em sua primeira parte, dos últimos anos de vida de Sartre, passando por suas reflexões, entre outras questões, sobre a velhice e a morte. Na parte final, Simone registra entrevistas que fez com Sartre, ampliando a abordagem dos temas. “Foi uma tarde memorável”, disse o Presidente Merval Pereira, enquanto a emoção tomava conta da própria Fernanda Montenegro e de toda a plateia que lotava o Teatro R. Magalhães Jr., de 300 lugares, e se espalhava pela Sala José de Alencar, onde havia sido instalado um telão.

Após a apresentação, Fernanda e a também Acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira, igualmente ativa atuante de movimentos sociais femininos, participaram de um debate com o público, que, entusiasmado, aplaudia de pé. “Simone de Beauvoir quebrou paradigmas do século XX, influenciando a minha e as gerações que se sucedem. Minha geração é herdeira direta dela”, disse a Acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira, depois de perguntas do auditório, que incluiu dezenas de jovens. À saída da sessão estava disponível a edição no. 114 da Revista Brasileira, que será oficialmente lançada em abril em todas as lojas da Livraria da Travessa no país, e em outras livrarias, como a Argumento no Rio. A Revista, que é dirigida pela Acadêmica Rosiska, reúne textos selecionados de importantes autores, incluindo os acadêmicos Ana Maria Machado, Antonio Cicero, Antônio Torres, Cacá Diegues, Edmar Lisboa Bacha, Eduardo Giannetti, Geraldo Carneiro, Geraldo Holanda Cavalcanti, Ruy Castro e a própria Fernanda Montenegro.

Sobre a escritora

Simone de Beauvoir (1908-1986) foi uma escritora, filósofa, memorialista e feminista, considerada uma das maiores representantes do existencialismo na França. Manteve um longo e polêmico relacionamento amoroso com Jean-Paul Sartre. Com seus romances, ensaios e peças, nos quais transparece uma clara intenção didática, Simone de Beauvoir contribuiu para a expansão da consciência feminina na segunda metade do século XX.Nascida em Paris, dia 9 de janeiro de 1908, filha de um advogado e leitor compulsivo, desde a adolescência Simone de Beauvoir pensava em ser escritora. Entre 1913 e 1925, estudou no Institute Adeline Désir, uma escola católica para meninas. Em 1925, ingressou no curso de Matemática do Instituto Católico de Paris e no curso de Literatura e Línguas no Institute Sainte Marie.

Em seguida, estudou Filosofia na Universidade de Sorbonne, onde entrou em contato com outros jovens intelectuais, incluindo René Maheu e o próprio Jean-Paul Sartre, com quem se ligaria até a morte. Em 1929 concluiu o curso de Filosofia e dois anos depois, aos 23 anos, foi nomeada professora de Filosofia na Universidade de Marselha, onde permaneceu até 1932, quando se transferiu para Rouen. Em 1943, retornou a Paris para lecionar Filosofia do Lycée Molière. No mesmo ano, estreou na literatura, publicando o romance “A convidada”, no qual trata dos dilemas existenciais de uma mulher de 30 anos, marcada por ciúme, raiva e frustrações após a chegada de uma jovem estudante que se hospeda em sua casa, ameaçando desestruturar sua vida conjugal.

25/03/2023

Podcast – Dr. Samuel Castiel – 03

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Podcast –  Dr. Samuel Castiel – 03

Podcast – Dr. Samuel Castiel – 02

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Podcast –  Dr. Samuel Castiel – 02

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Podcast – Dr. Viriato Moura

Sarau do Areal movimenta membros da Acler

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Alguns flashes do “Sarau do Areal”com participação ativa de Membros da Acler.
Acontece toda última sexta-feira do mês no Bar Amarelinho. Muitos poetas estiveram presentes, inclusive de outros estados.

Diretoria da ACLER se reuniu com a Assessoria Jurídica do Deputado Cirone Deiró

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A Diretoria da Academia se reuniu com a Assessoria Jurídica do Deputado. Cirone Deiró, tratando de pautas de interesse da Acler.
Fotos:

O CADILLAC RABO-DE- PEIXE

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Ano de 2021. Terceiro dia de chuva fina e constante naquele inverno carioca. Da rua, é possível ver um rosto de mulher na janela de seu apartamento no segundo andar; prédio antigo. O rosto parece colado ao vidro molhado; dali, a mulher observa o movimento da rua onde mora, das ruas próximas, dos outros prédios e das pessoas. Àquela manhã havia algo diferente (pensa a observadora consigo mesma): as mulheres passam vestidas com elegantíssimas capas de chuva e guarda-chuvas abertos; os homens, quase todos, usam terno e grande sobretudo preto (casacos longos).

Um dos figurinos femininos despertou a curiosidade da observadora: era uma jovem passante, segurando um sombrinha preta de bolinhas brancas, combinando com um elegante vestido estampado em Petit pois, e luvas pretas e curtas. A encantadora jovem caminhava com bastante desenvoltura pelas calçadas de Copacabana, apesar dos saltos altíssimos de seus sapatos, o chamado salto Luiz XV, observou a curiosa. Este sapato fora criado na França, por encomenda do próprio rei Luiz XV, que devia ser baixinho. Séculos depois, o tal sapato foi ressuscitado, repaginado, virou febre no mundo da moda, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. E no Brasil?

Bem, estamos nos reportando a um cenário dos anos de 1950-1960 Como à época, esse tipo de coisa só se via nos cinemas e não havia cinema  em  grande  parte  das  cidades  brasileiras,  novidades  como  esta chegavam através das revistas oriundas das grandes cidades, como Rio de Janeiro, capital do país, e São Paulo, por exemplo.
 
Com o rosto colado na vidraça da janela, a moradora do apto 201 estava deslumbrada! Pensou em vestir-se adequadamente, para enfrentar a chuva fina e persistente, e descer, para ver melhor aquele cenário maravilhoso; assim, da calçada de seu prédio, poderia interagir com aquelas pessoas que pareciam saídas das telas do cinema.

E assim o fez Protegida por uma sombrinha, põe-se a olhar mais de perto os transeuntes; notou que o penteado dos homens parecia unanimidade: um topete alto e cabelos muito curtos.

Tão entretida estava a observar a elegância dos homens, com seus ternos e sobretudos impecáveis, que por pouco não esbarrou no que acreditou ser uma miragem: uma loura platinada com cabelos curtos penteados em forma de bobs, com saltos muito altos, e um deslumbrante vestido de veludo colado ao corpo perfeito, passou por ela e sorriu: Marylin Monroe teria saído de Hollywood, para transitar pelo Rio de Janeiro? E a outra mulher que a acompanhava? Cabelos escuros, muito alta e magra, belíssima, com um coque perfeito no alto da cabeça: seria Andrey Hepburn, a famosa “bonequinha de luxo?”
Assim, ainda perplexa, contemplou um clássico Mercedes Benz que passava pela rua transversal, seguido por um modelo incrível, de cor vermelha, sem capota; reconheceu de pronto: era um Cadillac Rabo-de- Peixe!

Não conhecia os nomes dos carros preferidos dos ricos – pensou que precisava ler sobre isto, afinal, gostava de estar sempre atualizada.

Naquele momento sentiu a mão do zelador do prédio onde morava, em seu braço, conduzindo-a ao interior do edifício, para a mesmice de sempre: a chata da cuidadora, a chata da cozinheira, a chata da enfermeira; esta última já estava apreensiva, porque ela descera sozinha do apartamento, sem que ninguém percebesse.
De volta ao seu quarto, um sentimento de acolhimento invadiu –lhe a alma; tão bom! Vestiu o pijama e deitou-se na cama confortável, limpinha e arrumada; então veio-lhe à mente a cena que presenciara há pouco: um fusquinha verde passando em alta velocidade pela rua principal; seria verde, seria amarelo, ou azul? Não conseguia se lembrar. Que pena. Queria ter visto mesmo era um cadillac vermelho rabo-de-peixe.

Cansada, resolveu que não pensaria mais nisto. Puxou o cobertor de lã e aconchegou-se sob ele; amanhã voltaria à janela para ver as novidades.
 
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Sandra Castiel: professora, escritora, membro efetivo da Academia de Letras de Rondônia

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