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ACLER homenageia acadêmico

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O acadêmico Dimas Ribeiro da Fonseca, ocupante da cadeira número 1 da ACLER, será homenageado pela Academia nesta quinta-feira, 18, em reunião às 19 horas no auditório da Biblioteca Francisco Meirelles.

O homenageado é autor de vários livros nas áreas jurídica, poesia e contos, desembargador aposentado e em 1990, como presidente do Poder Judiciário, ocupou por alguns dias o Governo do Estado. O presidente da ACLER, acadêmico William Haverly Martins destacou que o homenageado será saudado pelo acadêmico Abnael Machado de Lima, decano da Academia de Letras de Rondônia.

William Martins explicou que a homenagem vai acontecer em razão do acadêmico Dimas Ribeiro da Fonseca estar deixando Porto Velho e que, durante a solenidade vai doar uma parte considerável de sua biblioteca particular à ACLER.

ACLER EMPOSSOU TRÊS NOVOS MEMBROS EFETIVOS

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Com o auditório do Conselho Regional de Medicina lotado, a Academia de Letras de Rondônia deu posse, na quinta-feira, dia 21, a seus novos acadêmicos, o funcionário público João Batista Guilherme Correia, o advogado Hugo Evangelista da Silva e o professor universitário José Dettoni, que completaram o quadro de 40 membros efetivos da Acler que, naquela mesma data, comemorou seu 28º anos de fundação.

O acadêmico João Batista, poeta e cronista, passou a ocupar a cadeira de número nove, ocupada anteriormente pelo professor, político, jornalista e membro fundador Amizael Gomes da Silva e cujo patrono é o pesquisador e escritor Amílcar Botelho de Magalhães. O acadêmico Hugo Evangelista, memorialista e colunista em sites locais, assumiu a cadeira de número 10, cujo patrono é o desembargador e professor Artur Virgílio do carmo Ribeiro, e cujo último ocupante foi o jornalista, professor e historiador Esron Penha de Menezes. Já o acadêmico José Dettoni, poeta e cronista, tornou-se o primeiro ocupante da cadeira de número 39, patrocinada pelko escritor e professor Júlio Nogueira.

A saudação aos novos acadêmicos foi feita pelo decano da ACLER, o professor, historiador e jornalista Abnael Macahdo de Lima, ocupante da cadeira número 6, e membro fundador da Academia. em seu pronunciamento ele detacou a importância da ACLER como fomentador da discussão e da produção litrária, interagindo também com os diversos segmentos da educação na busca do melhor aprimoramento social.

Abnael Silva fez umr trospecto da produção literária dos novos acadêmicos, lembrando seus escritos serem voltados sempre para aspectos filosóficos, históricos e de exploração da alma humana. Ao final ele lembrou aos novos membros as responsabilidades que estavam assumindo naquele momento perante a sociedade.

Já o presidente da ACLER, acadêmico William Haverly Martins destacou em seu pronunciamento a trajetória da entidade e os beneficios que as atividades que a ACLER desenvolve para atender especialmente os que buscam melhor conhecimento cultural. Ele também lembrou que a Academia tem em sua gestão o foco central na necessidade de ter uma sede própria, daí ter feito um apelo para que os organismos responsáveis pelas políticas culturais do Estado invistam também nas entidades que buscam oferecer seus trabalhos em benefício da própria sociedade.


ACLER EMPOSSA TRÊS MEMBROS EFETIVOS DIA 21

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Está confirmada a posse na próxima quinta-feira, dia 21, dos três novos membros efetivos da Academia de Letras de Rondônia –  ACLER, em cerimônia que também marcará os 28 anos de fundação da Academia. Os três novos membros tiveram seus nomes aprovados em reunião de Assembleia Geral da ACLER, no mês de julho. Todos são autores de trabalhos literários nas áreas de crônicas, poesias e história..

NOVOS MEMBROS

Na ocasião  o presidente da ACLER, acadêmico William Haverly Martins empossará os noves membros efetivos:

Hugo Evangelista da Silva, advogado e professor universitário, vai ocupar a  cadeira número 10 da ACLER, cujo patrono é o professor e desembargador Artur Virgílio do Carmo Ribeiro,  cadeira vaga desde o falecimento do jornalista, historiador e professor Esron Penha de Menezes. Hugo Evangelista é  autor de “Capitão Alípio”, trabalho biográfico sobre uma das figuras mais importantes da história da região de Guajará-Mirim, e de  “Santa Bárbara, um bairro de Porto Velho”.            

José Dettoni, professor universitário, vai ocupar a cadeira número 39 da ACLER, cujo patrono é o poeta, escritor e professor José Nogueira. Essa cadeira nunca havia sido antes preenchida. José Dettoni autor de várias obras, que tratam, através da poesia, de temas como o folclore, o ser humano e temas do dia a dia.

João Batista Correia é funcionário público, e membro da Academia Rondoniense de Poesia. Vai ocupar a cadeira número 9 da ACLER, cujo patrono é o pesquisador e escritor Amílcar Botelho de Magalhães, cadeira que se encontrava vaga desde o falecimento do acadêmico Amizael Gomes da Silva. É autor de várias obras, como “Quem dera” em que o autor lembra aspectos de sua juventude e “Teu sinal”, com poesias onde fala da natureza em suas mais diversas manifestações e sua influência no ser humano.

Artigo de acadêmico da ACLER é objeto de notícia em jornal boliviano

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Em recente nota no “Diário El Deber”, jornal impresso em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia), Homero Carvalho Oliva eminente escritor daquele país  comentou o último artigo publicado pelo nosso acadêmico Dante Ribeiro da Fonseca na Revista Igarapé de Literatura, Educação e Cultura: Caminhos da Alteridade ( Vol. 3, No 2, 2014) intitulado: Los Reinos Dorados: poesia, história, ficção e mito.

Carvalho Oliva utiliza das palavras do acadêmico Dante Fonseca para ilustrar sua percepção do poema:

Com sua belíssima ode intitulada Los Reinos Dorados Homero Carvalho Oliva apresenta, de forma única e fascinante, a compreensão poética e mítica da herança pré-hispânica presente no Oriente Boliviano. Da mesma forma que o poeta grego, seu homonimo, transferiu a tradição oral para a escrita os poemas que narram as peripécias de Ulisses, o autor descreve a gênese, o sentido e o apocalipse dos reinos dourados.

Dizendo-se feliz por ser objeto de estudos no estrangeiro Carvalho Oliva tece em seguida alguns comentários sobre o artigo, reputando-o como ensaio extenso e erudito onde o autor demonstra um amplo conhecimento da literatura boliviana como Gabriel René Moreno, Juan B. Coimbra, Alcides Arguedas y Edmundo Paz Soldán.

Com essa e outras iniciativas dos acadêmicos a Academia de Letras de Rondônia segue, passo a passo, integrando-se com os escritores de diversas partes do Brasil e do Mundo. Alguns desses escritores já pertencem ao seu quadro de sócios correspondentes.

Morre João Ubaldo Ribeiro, aos 73 anos

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RIO — O escritor João Ubaldo Ribeiro, de 73 anos, 7º ocupante da cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras e colunista do GLOBO e do “Estado de S.Paulo”, morreu em casa na madrugada desta sexta-feira, no Leblon.

De acordo com a secretária de Joãp Ubaldo, Valéria dos Santos, o escritor foi vítima de embolia pulmonar. Ele começou a sentir-se mal às 3h. Trinta minutos depois, foi dado como morto pela equipe médica.

— Ele sentiu falta de ar durante a noite. Dona Berenice (a psicanalista Berenice de Carvalho Batella Ribeiro, mulher do autor) e Chica (uma de suas filhas) pediram ajuda médica, mas não houve tempo para socorrê-lo. Foi uma morte súbita. Elas estão muito chocadas.

Em maio passado, o escritor esteve internado durante cinco dias no Hospital Samaritano por causa de dificuldades respiratórias. Os médicos aconselharam que ele parasse de fumar imediatamente. Desde então, João Ubaldo vinha diminuindo a quantidade de cigarros. “Não chegava nem a um maço por dia”, segundo Valéria, que trabalhava há dez anos com o escritor.

Ela lembrou, ainda, que o autor vinha escrevendo um novo romance há dois anos. Ele se levantava diariamente às 4h e escrevia até as 10h, “quando os telefones começavam a tocar e o interrompiam”, conta Valéria.

Autor de clássicos como “Sargento Getúlio” (1971) e “Viva o povo brasileiro” (1984), João Ubaldo recebeu o Prêmio Camões, maior honraria da literatura em língua portuguesa, em 2008. Ele foi eleito para a ABL em 1993 para a cadeira número 34, no lugar do jornalista e escritor Carlos Castello Branco (1920-1993).

— Foi uma surpresa, um choque para a academia — disse Geraldo Holanda Cavalcanti, presidente da ABL. — Ele estava muito bem disposto, em um momento de plena produção literária. É uma grande perda para as letras. Ele renovou a literatura brasileira. Com a publicação de “Viva o povo brasileiro”, ele inaugurou uma nova etapa do nosso romance. É um momento bastante doloroso, logo depois da perda de outro grande, o Ivan Junqueira (jornalista, poeta e crítico literário morto no dia 3).

O escritor João Ubaldo Ribeiro, com o fardão da Academia Brasileira de Letras, em foto de 1994 – Luciana Leal / Agência O GLOBO

“Viva o povo brasileiro” ganhou o prêmio Jabuti . O livro, recheado de humor, recria quase quatro séculos da História do país, incluindo episódios marcantes, como a Guerra do Paraguai e a Revolta de Canudos, a partir da vida de personagens anônimos do povo brasileiro. O lançamento da obra completa 30 anos em dezembro deste ano. E a editora Alfaguara, que vem relançando os livros de João Ubaldo desde 2008, já preparava, antes mesmo da morte do autor uma edição comemorativa, prevista para novembro. Nela, haverá dois textos de introdução, escritos por Rodrigo Lacerda e Geraldinho Carneiro, além de uma bibliografia com a relação das edições estrangeiras do romance.

A publicação já vendeu mais de 120 mil exemplares e foi traduzida para o inglês pelo próprio autor, ganhando versões em vários outros idiomas. Ubaldo Ribeiro, aliás, é um dos escritores brasileiros mais traduzidos no exterior, com livros lançados em alemão, dinamarquês, espanhol, finlandês, francês, holandês, hebraico, inglês, italiano, esloveno, norueguês e sueco.

Ubaldo Ribeiro também teve obras adaptadas para o cinema e a TV. O romance “Sargento Getúlio”, por exemplo, inspirou um longa-metragem de Hermano Penna em 1983, com Lima Duarte no papel principal. O livro narra a saga de Getúlio Santos Bezerra, sargento da PM que busca a proteção de um político após matar a própria mulher e passa a ter de servi-lo. Tendo como tema o banditismo no sertão, rendeu ao autor o Prêmio Jabuti em 1972 (na categoria revelação). O filme levou cinco Kikitos no Festival de Gramado.

Já o romance “O sorriso do lagarto” ganhou adaptação de Walther Negrão e Geraldo Carneiro para minissérie na TV Globo, em 1991, com Maitê Proença, Tony Ramos e Raul Cortez dando vida ao triângulo amoroso que marca a história. Nela, o biólogo João Pedroso (Tony Ramos) se envolve com Ana Clara (Maitê Proença), casada com o corrupto secretário de Saúde Ângelo Marcos (Raul Cortez), que planeja levar a especulação imobiliária para a paradisíaca ilha de Santa Cruz.

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, na Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Ele foi criado até os 11 anos no estado do Sergipe, onde seu pai trabalhava como professor e político. Antes de voltar para Itaparica, o escritor passou um ano em Lisboa e um ano no Rio de Janeiro.

INÍCIO NO “JORNAL DA BAHIA”

Formado em Direito pela Universidade da Bahia em 1962, Ubaldo Ribeiro jamais advogou. Ele fez pós-graduação em Administração Pública pela mesma instituição e mestrado de Administração Pública e Ciência Política pela Universidade da Califórnia do Sul, nos EUA.

A formação literária do escritor começou já nos seus primeiros anos de estudante. Ele foi um dos jovens escritores brasileiros que participaram do International Writing Program da Universidade de Iowa.

Joao Ubaldo Ribeiro, escritor.- Leonardo Aversa / Agência O Globo

Entre outras atividades, o romancista, cronista, jornalista e tradutor foi professor da Escola de Administração e da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e professor da Escola de Administração da Universidade Católica de Salvador.

Entre 1990 e 1991, morou em Berlim, a convite do Instituto Alemão de Intercâmbio (DAAD – Deutscher Akademischer Austauschdienst). Ao retornar ao Brasil, passou a viver no Rio de Janeiro.

Seu primeiro emprego foi como repórter no “Jornal da Bahia”, onde também viria a atuar mais tarde como redator, chefe de reportagem e colunista.

Em entrevista ao GLOBO em junho de 2012, ele comentou a atividade:

— O jornalismo me deu os macetes e recursos redacionais a que sua prática leva, bem como o senso de disciplina para não “furar a pauta”, qualquer que seja ela, e escrever mesmo quando não se está disposto. E, entre os escritores brasileiros, grande número deles, ou a maior parte, é e tem sido de jornalistas. Pessoalmente tenho orgulho disso.

Ele também escrevia para o diário alemão “Frankfurter Rundschau”. E já colaborou com publicações como o jornal “Diet Zeit” (Alemanha), “The Times Literary Supplement” (Inglaterra), “O Jornal” (Portugal), “Jornal de Letras” (Portugal), “Folha de S. Paulo” e “A Tarde”.

João Ubaldo Ribeiro deixa mulher, Berenice de Carvalho Batella Ribeiro, e quatro filhos: Bento e Francisca (do casamento atual) e Manuela e Emília (de seu primeiro casamento, com Mônica Maria Roters).

O corpo do escitor chegou à ABL por volta de 11h30m desta sexta. O enterro, segundo a academia, deverá acontecer às 10h deste sábado, no Mausoléu da Academia, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. A família aguarda a chegada de Manuela, que vive na Alemanha.

JOÃO UBALDO RIBEIRO, Um autor barroco

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 JOÃO UBALDO RIBEIRO
Um autor barroco

Baiano por nascimento, e cidadão carioca por afinidade com a cidade, particularmente com o Leblon, onde mantém seu posto avançado de observação sobre o cotidiano do Rio, João Ubaldo Ribeiro começou a escrever no GLOBO como colunista fixo em 1993. Sua estreia deu-se na edição dominical de 4 de abril. Logo na primeira crônica (”Votemos, plebiscitemos”), o escritor abordou um de seus temas recorrentes nesta longa trajetória nas páginas dos jornais — as idiossincrasias da política brasileira, no caso o plebiscito sobre a forma e o sistema de governo no país, convocado para o dia 21 daquele mês, através de emenda à Constituição.

Com sua fina ironia, e uma precisão nas palavras que sempre foi a marca de seus escritos, João Ubaldo abria sua colaboração no jornal desta forma: “A coisa mais exasperante em relação a esse plebiscito desmiolado é termos de nos ocupar dele, apesar de sabermos que não passa de mais um dos muitos besteiróis institucionais com que a nação é empulhada desde o início de sua existência”. Na veia. De seu posto avançado no Leblon, ele marca presença semanalmente no GLOBO com críticas como essa ou ao pragmatismo da realpolitk, ou ainda com textos em que se expressa pela boca de personagens como o sempre presente Zecamunista, e também com referências constantes a sua amada Itaparica (BA).

PORTO VELHO É UMA DÁDIVA DO MADEIRA

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Por William Haverly Martins


Sempre fui fascinado pelas águas, talvez por ter nascido no sertão da Bahia, onde a escassez das chuvas comanda a vida no anfiteatro nordestino, impulsionando a trajetória de muitos políticos que fazem da indústria da seca, cabedal de votos. O DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) que fora criado para acabar com a seca no Nordeste e evitar a emigração, cavando poços profundos, na maioria das vezes, perfurava apenas as fazendas dos coronéis, deputados, senadores e outros oportunistas da mesma espécie. Hoje se fala muito da Transposição do Rio São Francisco, já se vão quase oito anos e as obras continuam sangrando os cofres públicos, sem um mínimo de resultado prático, enquanto isto, as raposas políticas do Nordeste perduram na folha de pagamento das empreiteiras.
Ainda adolescente, fui estudar na capital e me lembro de como a visão do mar me extasiava, era como se eu fizesse parte daquele mundão de água, centelha evolutiva da vida: os olhos sentiam o azul do infinito, cobrando do vento o arrepio dos pelos do corpo; os ouvidos saboreavam o som das ondas, quebrando na praia; o banquete dos sentidos demorava horas, a gente nem se dava conta do tempo, ainda que apenas sentado desconfortavelmente numa ponta de pedra, de uma elevação de uma praia qualquer.
O destino, tão questionado pela elite cultural, mas aceito pela massa, como verdade verdadeira, talvez seja, dos questionamentos humanos, o que mais entusiasma os literatos, na contextura de uma história. De fato, acho que foi o destino que me trouxe a Porto Velho e, em aqui chegando, corri para os barrancos do Madeira, como que abraçando aquela fartura que outrora, pela falta, maltratara minha visão: nada mais triste do que assistir o caminhar de famílias retirantes, sem destino, como o espectro de um pesadelo – os que nunca viram podem encontrar nas páginas de O Quinze, Seara Vermelha, ou de Vidas Secas, um pouco do sentimento que queimou minhas retinas, interferindo no córtex cerebral da lembrança. É importante a leitura destes relatos literários baseados na verossimilhança, mas nada, nada mesmo, se compara o “ao vivo”, era como uma marcha de zumbis, enchendo meus olhos de lágrimas secas.
Pois bem, quando aqui cheguei, ouvi os arautos da história regional, propagando, aos quatro cantos da cidade, a epopeia da construção da EFMM, muitos historiadores a chamam de mãe de Porto Velho. Durante a comemoração do centenário de inauguração da ferrovia, chegou-se a se cogitar, merecidamente, é bom que se diga, em transformar o que restou da EFMM em Patrimônio da Humanidade.
Mas, todavia, entretanto, pouco, muito pouco, quase nada ouvi a respeito do nosso majestoso Madeirão, ao longo desses 40 anos, em que fiz de suas margens imponentes, meu local preferido de meditação, contemplação e lazer, a não ser quando ele esbravejava, se multiplicava e esparramava suas águas sobre o dito progresso, respondendo aos insultos, aos maus tratos da humanidade e à falta de cuidado com o meio ambiente. Recentemente ouvi reclamações pelos efeitos destruidores dos banzeiros artificiais, criados pelas comportas da usina hidrelétrica de Santo Antonio…
Todo bom estudante conhece a famosa frase de Heródoto, “o pai da História”: O Egito é uma dádiva do Nilo. O segundo maior rio do mundo em extensão, teve papel preponderante na formação cultural e histórica daquele povo, com respingos na evolução das civilizações oriental e ocidental. Seria redundante dizer que sem ele não haveria vida no deserto. Acho que poderíamos usar a paródia, para massagear a reflexão do povo desta cidade: Porto Velho é uma dádiva do Madeira!

O mais importante Patrimônio Histórico Natural de Rondônia precisa do reconhecimento e da valorização das nossas autoridades, dos nossos historiadores e dos nossos professores como um todo. Sem o Rio Madeira, sequer haveria EFMM. Antes da ferrovia, da rodovia, das aeronaves, era ele que transportava o povo e o progresso, cumprindo o seu papel integrador. Ainda hoje muita gente se desloca em seu dorso para inúmeras cidades da Região Norte, com a opção de se estender ao resto do mundo: a bacia Amazônica possui cerca de 30 mil km de rios navegáveis. Se falarmos apenas do transporte de mercadorias, poderemos enunciar que em termos de custo e de capacidade de carga, o transporte hidroviário é cerca de oito vezes mais barato que o rodoviário e três vezes menor que o ferroviário.

O Rio Madeira tem história, é uma referência cultural na formação da nossa sociedade, faz parte da biografia de muitas pessoas, na composição de memórias e perspectivas do presente e do futuro, e é matéria essencial na tessitura da nossa identidade. Que tal sairmos um pouco desse engessamento da história dita oficial, onde só se enxergam a EFMM, a Comissão Rondon e a BR 364, e contarmos um pouco, nas nossas escolas, a história oral dos nossos ribeirinhos inter-relacionada com os mitos, os segredos e as águas da bacia do nosso Madeirão?
Que tal despertarmos nos nossos estudantes a poética das águas e da floresta, na interação com a vida humana, saindo dessa globalização maluca e dessa ditadura solitária do eletrônico, enveredando pelo mundo dos sonhos viáveis, ou mesmo inalcançáveis, onde o efeito do belo na imaginação oxidaria os dedos da digitação de celulares e espicharia o olhar para a estética do outro, num verdadeiro êxtase de alteridade???

[email protected]
Detalhes biográficos: baiano de nascimento, mas rondoniense de paixão, cursou Direito na UFBA e licenciou-se em Letras pela UNIR, é professor, escritor e presidente da ACLER – Academia de Letras de Rondônia, onde ocupa a cadeira 31.          
    
 

 

Acadêmico da ACLER lança obra sobre arqueologia

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Em parceria com o professor dr. Carlos Augusto Zimpel Neto o acadêmico prof. Dr. Dante Ribeiro da Fonseca (ACLER) lançou recentemente a obra Caderno do CPARQH – Centro de Estudos e Pesquisas  Arqueológicas da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR), instituição a que ambos pertencem. Trata-se da organização de diversos textos sobre a arquelogia, editada pelo EDUFRO, a editora da UNIR, com prefácio assinado pela professora Yêdda Pinheiro Borzacov, do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia (IHGR) e da Academia de Letras de Rondônia (ACLER).

Na capa vemos o desenho estilizado de uma urna funerária arauaque encontrada no vale do Guaporé nos anos 30 pelo médico paraense, radicado em Porto Velho, Ary Tupinambá Penna Pinheiro, ao qual a obra presta uma homenagem póstuma.

Os trabalhos organizados na obra são os seguintes:

Evidencia Arqueológica para el Comportamiento Social y Habitacional en la Amazonía Prehistórica, da renomada arqueóloga norte americana Betty J. Meggers, que desde os anos 40 do século passado tem publicado pesquisas sobre a arqueologia da Amazônia.

Seqüências seriadas de sítios Itararé no vale do rio Ribeira dos autores Igor Chmyz, Eliane Maria Sganzerla e Jonas Elias Volcov.

Análise gestual: apontando caminhos e trilhas para o corpo e para a mente de Lilian Panachuk

Encerrando a obra a primeira tradução em português do capítulo II da obra Os rios Amazonas e Madeira: esboços e descrições do caderno de um explorador, de Franz Keller intitulado As cachoeiras dos rios Madeira e Mamoré, com tradução Eduardo Constantino Borzacov e notas explicativas Dante Ribeiro da Fonseca, obra lançada em Londres em 1875 que em breve será publicada na íntegra.

Porto Velho, 23 de abril de 2014

Do jeito que vi – As muitas histórias do repórter andarilho, Montezuma Cruz

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Pesquisadores, estudiosos e historiadores da região amazônica, com ênfase especial ao que aconteceu nos últimos quase 40 anos em Rondônia, terão uma nova e boa fonte de informação no livro (*) livro do repórter andarilho Montezuma Cruz (ou Célio Caldieri Munhoz ou Astrôncio Morrote – esse último só sabe quem lia as tribunadas no jornal A Tribuna na segunda parte da década de 1970).
Hoje aqui, amanhã mais adiante, e no dia seguinte, quem sabe? Assim se pode definir a caminhada de mais de 30 anos do repórter Montezuma Cruz, sem qualquer dúvida o melhor de todos os que já passaram pelas terras de Rondon. Agora ele está lançando não um livro de memórias, ou uma autobiografia, mas uma parcela daquilo que viu, testemunhou, e do que escreveu.

É o livro Do jeito que vi, com suas 144 páginas, narrando as andanças dele pela Amazônia, Maranhão, os dois Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Brasília (aqui de paletó e gravata. Deve ter sido muito engraçado o Monte nesse traje brasiliense), pelas fronteiras brasileiras.
Felizmente o Astrôncio Morrote não vai limitar ao Do jeito que vivi  tudo que vivenciou nessas andanças. Como cita o jornalista Epaminondas Henk, lembrando frase do próprio Monte inserida no livro: “Não há cronologia correta no livro. Selecionei alguns dos principais assuntos, de diferentes períodos, e infelizmente deixei ao largo histórias importantes que serão lembradas nos próximos dois livros, até 2015”.

A diferença do livro do Monte em relação a outros trabalhos de jornalistas quando enfocam a Amazônia, é que ele não veio à região para fazer uma matéria e voltou a seus pagos. O Monte vivenciou em repetidas vezes a região, tornou-se amazônida, conhece mais daqui do que a maioria dos que usam a Amazônia para discursos, e do que muitos dos que sempre viveram pelas barrancas dos nossos rios.
Ele narra situações que só vivenciou quem viveu aquelas épocas, como destaca o jornalista Carlos Gilberto Alves, editor da Rádio Jovem Pan, paulista, no prefácio. “Surgem nessas páginas coisas esquecidas, como o teletipo, a telefoto e até o telegrama. Um tempo em que os repórteres corriam aos aeroportos implorando para o passageiro, a aeromoça ou mesmo o comandante levarem o filme com as fotos necessárias à ilustração das matérias”.
(*) O livro pode ser adquirido ao valor de 33 reais depositados na conta 5424-0, agência 2636-0 do Banco do Brasil, já incluído o frete. Comunicar o depósito através do email [email protected], informando nome e CEP.
 

SEDUC E ACLER ESTUDAM PARCERIA

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O presidente da Academia de Letras de Rondônia, professor e escritor William Haverly Martins, acompanhado de sua diretoria executiva, professor doutor Dante Ribeiro da Fonseca, professor doutor Marco Teixeira, médico e escritor Viriato Moura, escritor Cláudio Feitosa, professora e historiadora Yêdda Pinheiro Borzakov, escritor Raimundo Neves e o jornalista Ciro Pinheiro, reuniram-se nesta sexta feira (04/04) no gabinete do Secretário de Educação, Émerson Castro, para tratar de pauta referente à aquisição de livros dos acadêmicos e à divulgação de literatura e história regional nas escolas do estado de Rondônia. Vários assuntos foram discutidos com um fim de estabelecer uma constante parceria entre SEDUC e ACLER.
Ao final dos trabalhos o Secretário de Educação prometeu adquirir cerca de 300 Kits formados por obras de acadêmicos para colocar nas bibliotecas escolares. Os kits abrangerão história e literatura e serão selecionados após reuniões da presidência da ACLER com assessores da SEDUC.