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Acadêmicos lançam livro na Bienal

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Acadêmicos Samuel Castiel e Yêda Borzacov apresentando Trem
Vivo na Bienal.

Assinado pelos acadêmicos Samuel Castiel, Yêda Borzacov e Viriato Moura, o livro Trem Vivo, uma coletânea da contos e crônicas que têm como cenário a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, foi lançado no dia 29 passado, no stand de Rondônia, durante a XVI Bienal Internacional do Livro do Rio.

Dos três autores, Viriato Moura, por razões profissionais, não pode estar presente ao lançamento, mas o ato foi um dos seus assuntos durante a entrevista concedida em Porto Velho ao programa Papos News comandado pelo jornalista Sérgio Melo.

Ao apresentarem Trem vivo ao público durante a Bienal, os co-autores Yêda Borzacov e Samuel Castiel destacaram que a escolha do tema ligado à Madeira-Mamoré representa oferecer uma visão diferenciada sobre a ferrovia.

O livro Trem Vivo, conforme o co-autor Viriato Moura disse que a obra, em Porto Velho, será lançada no dia 2 de outubro, a partir das 19h30, na Casa de Cultura Ivan Marrocos.

Crédito das Fotos: gentedeopiniao.com.br

A História do Forte Príncipe, o novo livro do acadêmico Abnael

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“História – Real Forte do Príncipe da Beira, 236 anos”,  cujo lançamento foi na noite de sexta-feira, 6, é o novo livro do acadêmico Abnael Machado de Lima, retratando a obra que aborda o que ele classificou como “a grande epopeia humana na região de Rondônia, uma construção que supera em muito os esforços feitos para termos a Madeira-Mamoré e a Linha Telegráfica Estratégica liderada pelo Marechal Rondon”.


O acadêmico Abnael Machado e família

Abnael Machado de Lima é membro ativo da Academia de Letras de Rondônia, ACLER, onde ocupa a cadeira número 6 e, também, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia – IHGRO. O autor destacou a importância do trabalho fotográfico realizado pelo jornalista Rosinaldo Machado e que ilustra a obra.

O livro foi lançado com o apoio da Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia, a Glomaron, cujo Grão-mestre Juscelino Moraes do Amaral enfatizou a importância do trabalho literário e a figura do autor acadêmico Abnael Machado de Lima, citando ainda que a instituição por ele presidida tem interesse em dar apoio à cultura.

Ao apresentar a obra, a acadêmica Yeda Borzacov, presidente do IHGRO, instituição que também apoiou o lançamento, lembrou o trabalho educacional e literário do autor de  “História – Real Forte do Príncipe da Beira, 236 anos”,  e suas ações em defesa da Educação desde a época do Território Federal.

Para o acadêmico Dante Ribeiro da Fonseca, presidente da ACLER, “a nova obra do acadêmico Abnael Machado de Lima traça novas luzes sobre aquilo que conhecemos a respeito do Real Forte do Príncipe da Beira e certamente servirá de fonte de pesquisa àqueles que estudam as instalações militares na região”.

Além de “História – Real Forte do Príncipe da Beira, 236 anos”, o acadêmico Abnael Machado de Lima é uma referência quando o assunto é a História Regional e tem livros publicados sobre temas como História, Geografia e Educação. No momento está em fase de impressão outra obra sua, que vai retratar os 50 anos da Caravana Ford, a primeira comitiva de carros que fez o trecho São Paulo a Porto Velho pela então rodovia BR-29 (depois 364).


O autor autografando a obra

O grão-mestre da Glomaron Juscelino Amaral e o acadêmico Abnael Machado

Púbico cantando o Céus de Rondônia

Acadêmicos Yeda Borzacov e Abnael Machado

Contato com o acadêmico Abnael Machado: (69) 3221 3454.

Escritor boliviano Carlos Vaca toma posse na ACLER como membro

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Presidente da ACLER Dante Fonseca discursando na solenidade, dia 13 de junho de 2013, promovida pela Câmara Municipal de Porto Velho em homenagem a ACLER.

Presidente Dante Fonseca entrega Diploma de Membro Correspondente ao acadêmico Carlos Vaca


Escritor boliviano Carlos Vaca toma posse na ACLER, como Membro correspondente na Bolívia

ABL homenageia, em seu ciclo “A memória reverenciada”

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A Academia Brasileira de Letras encerra seu ciclo “A memória reverenciada” com palestra do Professor José Arthur Rios, denominada Salvador de Mendonça – artífice do pan-americanismo (homenagem ao centenário de nascimento do Acadêmico Salvador de Mendonça, fundador da Cadeira Número 20). A coordenação do ciclo é do Acadêmico Alberto Venancio Filho, e a conferência está programada para o dia 30 de julho, terça-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., 280 lugares, na sede da Academia, na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

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José Arthur Rios nasceu no Rio de Janeiro a 24 de maio de 1921. Fez o curso secundário em Niterói e concluiu, na mesma cidade, o curso de ciências jurídicas na Faculdade de Direito, em 1943, aos 22 anos. Empenhado em especializar-se nos estudos sociológicos, cursou Ciências Sociais na antiga Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil (atual UFRJ), onde estudou com renomados sociólogos franceses (JacquesLambert, Maurice Byé e René Poirier). Interessado em seguir carreira universitária, matriculou-se na Universidade Estadual de Lousiana, Estados Unidos, onde obteve o título de “Master of Arts”.

Em sua carreira universitária, pertenceu ao corpo docente da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, tendo ali chefiado o Departamento de Sociologia e Ciência Política. Ensinou também em outras universidades brasileiras e estrangeiras (Universidade Estadual da Flórida e Universidade da Califórnia, as duas dos Estados Unidos). Aposentado da universidade, tornou-se um dos mais destacados colaboradores do Conselho Técnico Nacional do Comércio e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em cujas publicações colabora regularmente. Teve atuação destacada na edição brasileira do Dicionário de Ciências Sociais da Unesco, a cargo da Fundação Getúlio Vargas. Sua bibliografia apresenta, entre outros trabalhos, os seguintes livros: A educação dos grupos; Problemas humanos das favelas cariocas; Recomendações sobre a reforma agrária; O artesanato cearense; Estudo de problemas brasileiros; A reforma agrária. Problemas. Bases. Soluções; e Sociologia da corrupção (coautoria).

ABL homenageia José Honório Rodrigues com palestra do Sócio Correspondente Leslie Bethell

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A Academia Brasileira de Letras deu continuidade ao Ciclo “A memória reverenciada” com palestra do Sócio Correspondente Leslie Bethell, denominada José Honório Rodrigues: historiógrafo erudito, historiador combatente (homenagem ao centenário de nascimento do Acadêmico José Honório Rodrigues, terceiro ocupante da Cadeira 35). A coordenação do ciclo é do Acadêmico Alberto Venancio Filho, e a conferência aconteceu no dia 16 de julho, terça-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., 280 lugares, na sede da Academia, na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. A entrada foi franca.

O ciclo terá mais uma conferência: dia 30, Salvador de Mendonça – artífice do pan-americanismo, com o professor José Arthur Rios.

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Leslie Bethell é Professor Emérito da História da América Latina e ex-diretor do Instituto de Estudos Latino-americanos na Universidade de Londres; Fellow Emérito do St Antony´s College e ex-diretor do Centro de Estudos Brasileiros na Universidade de Oxford; Senior Scholar do Woodrow Wilson International Center for Scholars em Washington D.C; e atualmente Professor Visitante do Brazil Institute, King’s College Londres e do Instituto de Relações Internacionais, Universidade de São Paulo.

É autor de livros, capítulos, artigos e ensaios sobre a história política, social e cultural da América Latina, especialmente do Brasil, nos séculos XIX e XX. Seus livros incluem: The abolition of the Brazilian slave trade (Cambridge, 1970; trad., 1976; seg. trad., Editora do Senado Federal, 2002); (com Ian Roxborough) Latin America between the Second World War and the Cold War (Cambridge, 1992; trad., Editora Paz e Terra, 1996); Brazil by British and Irish authors (Oxford, 2003); (com José Murilo de Carvalho) Joaquim Nabuco e os abolicionistas britânicos (Topbooks e Academia Brasileira de Letras, 2008) e Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil, 1825-1826 (Instituto Moreira Salles, 2010). É também organizador da Cambridge History of Latin America (12 volumes, 1984-2008), também publicado em português (Edusp), espanhol e chinês.

Foi eleito  membro da Academia Brasileira de Ciências em 2004 e sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras (cadeira 16) em 2010. Recebeu a Ordem Nacional do Mérito Científico.

Desde sua aposentadoria da Universidade de Oxford em 2007 ele vive no Rio de Janeiro.

ABL elege Fernando Henrique Cardoso para a sucessão do jornalista João de Scantimburgo

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A Academia Brasileira de Letras elegeu no dia 27 de junho, o novo ocupante da Cadeira nº 36, na sucessão do jornalista João de Scantimburgo, falecido no dia 22 de março deste ano, em São Paulo. O vencedor, com 34 votos,  foi o sociólogo e professor Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República em dois mandatos consecutivos (1995 a 1998 e 1999 a 2002). O eleito, imediatamente após o resultado, recebeu seus confrades e convidados na Fundação Eva Klabin, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. O novo Acadêmico recebeu 34 dos 39 votos possíveis. Votaram 24 Acadêmicos presentes e 14, por cartas. Houve uma abstenção.

“Essa eleição é um ato de respeito da Academia Brasileira de Letras à inteligência brasileira. A grande obra de Fernando Henrique Cardoso de sociólogo e cientista dá ainda mais corpo à Academia”, afirmou o ex-presidente da ABL, Acadêmico Marcos Vinicios Vilaça, logo depois da eleição, ainda no Petit Trianon.

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O novo Acadêmico

Fernando Henrique Cardoso foi Presidente da República em dois mandatos sucessivos (1995-1998 e 1999 – 2002). Doutor em Sociologia e Professor Emérito da Universidade de São Paulo, a obra de Cardoso abrange os campos da sociologia, ciência política, economia e relações internacionais.

Dentre outras instituições acadêmicas, foi professor nas universidades de Stanford, Berkeley e Brown, nos Estados Unidos, Cambridge, no Reino Unido, Paris-Nanterre, Collège de France e Maison des Sciences de L’Homme, na França, FLACSO e ILPES/CEPAL, em Santiago do Chile, bem como na Universidade do Chile. Ex-Presidente de Associação Internacional de Sociologia, é autor ou coautor de 23 livros e de mais de cem artigos acadêmicos. Seu livro Dependência e Desenvolvimento, publicado originalmente em espanhol em 1969, em coautoria com Enzo Falletto, é um marco nos estudos sobre a teoria do desenvolvimento, com dezenas de edições em 16 idiomas.

Participante ativo dos movimentos pelo restabelecimento do Estado de Direito no Brasil, envolveu-se com a política no final dos anos 70. Foi Senador pelo estado de São Paulo, Ministro das Relações Exteriores e Ministro da Fazenda, elegendo-se Presidente no primeiro turno da eleição de 1994. Sua trajetória como político foi consistente com sua vocação de intelectual comprometido com a defesa da liberdade, promoção da democracia e construção de uma ordem internacional mais justa. Ao término do mandato presidencial, Cardoso dedicou-se até hoje à promoção da paz, democracia e justiça em escala global. É membro do The Elders, grupo de dez líderes globais criado por Nelson Mandela para defender a paz e os direitos humanos.

Seus livros mais recentes são O presidente e o sociólogo (1998), A arte da política (2006), The accidental president of Brazil (2006), Cartas a um Jovem Político (2008) e A soma e o resto: um olhar sobre a vida aos 80 anos (2011). Seu último livro é Pensadores que inventaram o Brasil. Recebeu inúmeras honrarias e condecorações, sendo de destacar, no Brasil, a Ordem do Mérito, e no exterior, a Grã Cruz da Legião de Honra da França, o grau de cavaleiro na Ordem de Bath, na Inglaterra, as várias distinções recebidas de Portugal (Grão Cruz da Ordem Militar da Torre e da Espada, além da Ordem da Liberdade) e da Espanha (Grã Cruz e Colar de Isabel, a Católica). Quase todos os países da América Latina, do mesmo modo, distinguiram-no no mais alto grau.

Dentre os doutorados Honoris Causa que recebeu, contam-se os das Universidades de Bolonha, Salamanca, Cambridge, Oxford, London School of Economics e Lyon, na Europa, Rutgers e Brown, nos Estados Unidos, Quebec e London, no Canadá, bem como as Universidades do Chile e de Moscou. Em 2012 Cardoso foi agraciado com o Kluge Prize da U.S. Library of Congress for Lifetime Achievement in the Study of Humanity, a mais prestigiosa distinção na área das ciências humanas.

Ciclo “O bom humor na ABL” apresenta palestra com o Acadêmico Cícero Sandroni

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A Academia Brasileira de Letras encerrou o ciclo de conferências “O bom humor na ABL”, sob coordenação do Acadêmico e jornalista Cícero Sandroni, com palestra do próprio Acadêmico, em susbtituição ao escritor Flávio Moreira da Costa, agendado, mas impedido de comparecer por motivos pessoais. A conferência intitulou-se “O humor na ficção acadêmica”. O evento aconteceu no dia 25 de junho, terça-feira, 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., 280 lugares, na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. A entrada foi franca.

De acordo com Cícero Sandroni, o ciclo mostrou que a Academia tem, também, uma face bem mais divertida do que se imagina, e pretendeu exibir nas palestras semanais que a ABL, desde sua fundação até os dias de hoje, sempre abrigou escritores voltados para textos cômicos:

“Nosso primeiro Presidente, Machado de Assis, talvez tenha sido o de maior destaque. Uma frase sua – ‘Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia’ – escrita no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, deixa isso bem evidente. Outros autores também revelaram seu lado bem humorado, entre eles Martins Pena, patrono da Cadeira 29. Mas temos muitos mais, como Moacyr Scliar, João Ubaldo Ribeiro e Carlos Heitor Cony, por exemplo”, afirmou o coordenador.

Olá, mundo!

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BAGAGEM

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carrego comigo certa bagagem
nada que se compre em viagem
coisas que não cabem em malas
sentimentos escravos em senzalas

carrego comigo uma bagagem pesada
impensada, dolorida desflorida
que castiga, instiga, fustiga
coisas da vida…

carrego comigo um longo caminho
levezinho, arrumadinho, céu azul-pombinho
flores, amores, canto de passarinhos
partos indolores, frescores…
.
Assim é a bagagem da alma:
paradoxal, transcendental, sentimental,
permanente, imperativa, sofrida,
Coisas da vida…

Sandra Castiel

LITERATURA: ESCRITORES E ESTILOS I

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I

“Espero que não a tenha perturbado, madame. A senhora não estava dormindo, estava?   Mas  acabei  de  dar  o  chá  para  minha  patroa,   e  sobrou  uma  xícara   tão gostosa, que pensei, talvez…

…Não absolutamente, madame. Sempre preparo uma xícara de chá no final. Ela bebe na cama, após suas rezas, para se aquecer. Ponho a chaleira no fogo quando ela se ajoelha e digo para ela: “Agora não precisa rezar depressa demais”. Mas sempre ferve, antes que a minha patroa não chegue nem à metade. Sabe, madame, conhecemos tantas pessoas e todas precisam de preces— todas. Minha patroa mantém uma lista de nomes num livrinho vermelho.

Quando terminei de a cobrir — e a vi deitada, as mãos para fora e a cabeça no travesseiro —Tão bonitinha, não pude deixar de pensar: “Agora você parece exatamente com sua querida mãe, quando eu a deitava”.

(Katherine Mansfield. A empregada de madame)

 

O texto acima é um trecho de um conto da notável escritora neozelandesa, Katherine Mansfield, que viveu entre 1888 a 1923. Considerada modernista, a escritora destaca temas desafiadores para a época; inspirava-se em Oscar Wilde entre outros. Katherine foi inspiração para grandes nomes, como Clarice Lispector e Virgínia Woolf . Até os dias atuais, continua deleitando seus leitores e inspirando escritores, com seu estilo único.

 

Chamou-me atenção na escrita de Katherine a forma original deste diálogo, em que o interlocutor não está presente (é omitido), apenas sugerido e indicado por meio de reticências. Neste quesito tudo fica claro para o leitor. Porém, pergunto-me: A empregada da madame serviria a outra senhora na mesma casa? Quem é patroa, afinal?

Minha percepção é que a empregada era muito antiga na casa, trabalhava para a família desde o tempo de sua “patroa”, de quem cuidara até o fim. Depois, dedicou- se a cuidar da filha da patroa.

 

Como cuidadora da madame, agora também uma old lady, cujo estado mental está afetado, a empregada optou por poupá-la da morte da mãe e age como se a patroa ainda estivesse viva. Ou seja, primeiro “servira” o chá para a patroa; como “sobrou”, oferece uma xícara para a Madame, fazendo parecer uma situação de casualidade.

 

Há outros aspectos a considerar neste breve discurso da empregada — narradora, que oferece ao leitor a possibilidade de conhecer um pouco da personalidade da “patroa” e, em consequência, um pouco de sua própria vida como empregada. Esta

percepção está contida na mudança do tempo verbal usado pelo narrador (a empregada); temos aqui um narrador protagonista.

No primeiro parágrafo, o narrador usa o tempo presente. No segundo parágrafo, adota o tempo passado, além de assumir um ponto de vista subjetivo, possibilitando ao leitor uma compreensão verdadeira do cenário que a magnífica escritora nos apresenta através de seu narrador–protagonista-onisciente.

 

Outras observações poderiam ser feitas somente neste pequeno trecho do livro, coisas subjacentes ao dito, revelações que o leitor perceberá com leitura cuidadosa desta adorável obra.

 
 

II

 

Para fazer uma espécie de contraponto, no que tange à abordagem do tema e das diferenças na expressão escrita, trago-lhes o que considero referência da literatura contemporânea. Trata-se do romance SUÍTE EM QUATRO MOVIMENTOS, de autoria da escritora escocesa Ali Smith.  O nome de Ali é destaque entre os  mais  ousados  e inventivos ficcionistas da atualidade.

 

A história acontece em Greenwhich—distrito aristocrático de Londres, onde um casal costuma abrir sua mansão histórica, com o objetivo de integrar diferenças; os convidados normalmente são casais gays, estrangeiros e outros que eles incluem na lista de “excentricidades”.

 

Mark, jovem adulto, eventual frequentador dos referidos banquetes, não estava motivado a comparecer ao evento; porém, mudou de opinião ao deparar- se com um belo homem, enquanto caminhava pelo centro do vilarejo; a conexão prometia.

 

Apresentaram-se rapidamente, conversaram sobre banalidades, e o sorriso de Miles, o belo homem, encantou Mark. Minutos depois, pareciam velhos amigos. Foi então que Mark convenceu Miles a acompanhá-lo ao jantar daquela noite.

 

Ambientação luxuosa, todos à mesa, entre vinhos raríssimos, tilintar de cristais e talheres de prata, conversas e risos.

No decorrer do requintado jantar, após o prato principal, um dos convidados levanta-se da mesa, sobe as escadas que levam ao segundo andar e tranca-se no quarto de hóspedes. É Miles.

 

Ao longo dos dias, semanas, meses, ele se recusa a abrir a porta, porta esta que os proprietários não querem arrombar, porque se trata de uma preciosidade original da casa, desde o século XVIII. Há que se considerar também que a fortuna do casal

de proprietários se encontra diminuída; antes desse episódio, cogitavam vender a casa.

 

A vida dos moradores tornou-se um inferno, com aquele estranho silencioso vivendo em sua casa. Em poucos dias a notícia se espalhou, e a casa passou a ser a maior atração turística da vizinhança. Começa a busca pela identidade de Miles, o invasor, pessoa que todos os presentes ao jantar diziam não conhecer.

Esta é a trama criada por Ali Smith.

 

III

 

Como leitora, pergunto-me:

 

—  Como seria esse quarto de hóspede?

—  O que eu faria lá dentro o dia inteiro?

—  Teria um computar sobre a escrivaninha? Teria uma escrivaninha?

—   Teria qualquer janela, de onde eu pudesse contemplar uma árvore, a lua e as estrelas, sem ser notada?

—  Que tipo de alimento eu receberia por baixo da porta? Enfim, o que me levaria a atitude tão extrema?

 
Excelente leitura!

 
Livro:Suíte em quatro movimentos Autor: Ali Smith

Editora: Companhia das letras

 
Sandra Castiel, professora, escritora,

Membro efetivo da Academia de Letras de Rondônia, cad. 36.