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Dezembro de 1981 – Os últimos dias de um Território Federal

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Criado em 1943, em dezembro de 1981 o Território Federal dava seus últimos estertores na terra patrocinada por Rondon e que, no dia 22, na antevéspera de Natal, seria, numa conquista do povo que já estava antes e dos que vieram a partir de 1970, o 23º Estado brasileiro.

Foi uma “batalha” que não teve um só “comandante”. Foi uma vitória iniciada, para sermos mais próximos possíveis, quando Aluízio Ferreira, em 1962, como deputado federal, apresentou projeto criando o Estado; dois anos antes, até, quando Paulo Leal conseguiu arrancar de JK a rodovia por onde veio a força para complementar o que já conseguira a Madeira-Mamoré.

Foi, principalmente, a vitória de um governador hoje esquecido, Humberto Guedes, que criou a estrutura para gerar o Estado que, enfim, veio com Jorge Teixeira.

Mas foi também a luta de cada um, dos estudantes que chegavam de férias e se mobilizavam para gerar a consciência da importância do Estado, do capitão Sílvio Gonçalves de Faria na regularização fundiária, os discursos de Jerônimo Santana dizendo que há tempos Rondônia já não cabia na condição de Território, foi a greve dos advogados liderada pelo segundo presidente da OAB, Arquilau de Paula.
E para lembrar o que foram aqueles dias finais do Território e os primeiros dias do Estado, o AM republica matérias que trataram do assunto.


O Alferes e o Coronel – Abnael Machado de Lima

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O Acadêmico Paulo Saldanha Sobrinho, brinda Rondônia no final desse ano de 2016, com essa preciosíssima obra biográfica romântica e histórica, versando sobre a profícua atuação cívica e humana do Coronel Paulo Cordeiro Saldanha, tanto como militar, politico e empresário, na Amazônia (Roraima, Amazonas, em especial no espaço da região dos vales dos rios Mamoré e Guaporé). Obra com a qual me distinguindo presenteando-me, gentilmente, ao me visitar no dia 31 de dezembro, cortesmente, por ter me sabido doente.

O autor se supera, revelando o filosofo ao relatar o angustiante momento do óbito do Coronel. O sociólogo ao descrever a emoção, o contentamento dos seus familiares, dos seus amigos de infância e dos moradores do acanhado lugarejo do interior do Ceara, ao qual retornava em visita após sete anos, agora como alferes. O seu relacionamento com seus subordinados militares, no comando do forte de São Joaquim, com a sociedade de Boa Vista/RR, com a de Manaus/AM, como Deputado Estadual, com a de Porto Velho, Guajará Mirim, Vila Bela/MT, com as de Guayaramerim, Ribaltas, Cubija Bolivianas, como politico e empresário. O literato romancista, ao se referir a sua vida amorosa ardorosa de muitos relacionamentos, porem sem deixar de ser fiel a sua eleita, a prima Cecy. O historiador, narrando suas pugnas bélicas com os ingleses da Guiana, em defesa da manutenção da fronteira com o Brasil, que esses pretendiam alterar em seu favor ampliando sua área territorial. Suas lutas em prol dos seus direitos.

O Paulo se sobrepõe ao Paulo das outras suas obras, e salutar a leitura da segunda edição do livro “O Aferes e o Coronel”, e enriquecedora do cabedal literário, histórico e cientifico. Portanto, merecedora de ser divulgado, de ser lida.

O parabenizo, o cumprimento, augurando-lhe o pleno êxito, o qual faz jus.

Reitero meus agradecimentos pela distinção da prestimosa oferta.

 

Abnael Machado de Lima

Acadêmico

35 ANOS DE INSTALAÇÃO DO ESTADO

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* Yêdda Pinheiro Borzacov

Com a presença de pessoas conhecedoras da História de Rondônia, ocorreu dia 4 do corrente mês, um ato cívico para comemorar os 35 anos de instalação do Estado, no Memorial Jorge Teixeira de Oliveira.

O professor Gabriel da Silva Santos, lembrou a figura do artífice da criação do Estado, Jorge Teixeira de Oliveira, sempre cumprindo o seu lema: “Trabalho, Trabalho, Trabalho”, legando durante os 5 anos como governador do Território e do Estado, marcas indestrutíveis do seu trabalho pelo progresso de Rondônia.

Reproduzimos o anúncio de falecimento do Teixeirão, divulgado pela Oana Publicidade:

PERDEMOS UM HOMEM CHAMADO TRABALHO

Estamos um pouco órfãos.

Deixou a vida um homem chamado trabalho.

Empreendedor, corajoso, até polêmico, ele nunca foi homem de meias palavras ou meias ações.

Era tudo ou nada, mas sua obstinação nunca foi gratuita.

O que conseguiu realizar foi fruto de muito trabalho e força de vontade.

Coisa que sempre teve de sobra. Assim foi como militar. Um homem de levar a fim sua missão.

Fundou o Colégio Militar de Manaus. Fundou o CIGS.

O Coronel “full” — primeiro paraquedista brasileiro a saltar de um avião a jato.
Prestigiou o esporte. Onde podia, construía um ginásio.
Como Prefeito de Manaus deixou uma longa lista de realizações. No entanto, já com os cabelos brancos e amadurecido na vida pública, foi em Rondônia que fez nascer uma Estrela: o mais novo Estado da Federação.

Como seu primeiro Governador criou o Banco do Estado, a Universidade, o Tribunal de Contas, a Cia. de Mineração. Conseguiu a construção da Hidrelétrica de Samuel e o asfaltamento da BR-364. Fez surgir novos municípios. Criou secretarias e realizou eleições.
Estruturou um Estado.

A Oana sente o maior orgulho de ter trabalhado ao seu lado. Quando Rondônia tornou-se Estado, mandamos a ele o seguinte telex:

“O homem que trabalha sempre alcança a vitória, porque é abençoado por Deus.
E quando esse trabalho é realizado com amor e honestidade, a vitória vem com sabor de eternidade. O senhor, Governador, acaba de entrar para a História, com todas as honras. O seu nome estará ligado a tudo que disser respeito à Amazônia e a Rondônia, particularmente (…). O senhor, Governador, (…) modificou a História e, principalmente, a Geografia deste País. Pense só, Governador, quantas crianças irão dizer, em suas aulas, que Rondônia é o 23.º Estado da União e que o seu primeiro Governador foi o Coronel Jorge Teixeira de Oliveira. E um nome, quando é recordado pelas crianças, é imortal. Nunca terá idade. (…)”
Jamais esqueceremos Jorge Teixeira de Oliveira. Um homem chamado trabalho.
Oana Publicidade
Durante a emocionante solenidade, lembramos algumas frases do inesquecível Teixeirão:
“É mais uma missão a cumprir. Para alguns se afigura difícil, a mim não, gosto que haja dificuldade em minha vida, pois quero e espero superá-los. Sem obstáculos não haveria nem esforço, nem luta e a vida seria insipida”. Trecho do discurso de posse como governador do Território Federal de Rondônia – 10/4/1979.

“Ninguém vai parar o progresso de Rondônia”. Entrevista para o jornal “O Globo”, dia 13/9/1984.

“No nascimento deste novo Estado, olhamos para trás e nos damos conta de que Rondônia se fez de mãos calejadas, de corpos suados e poeirentos do divino trabalho da Terra. Não é fruto elaborado por uma elite privilegiada. Lavradores e doutores, caminhoneiros e técnicos, comerciantes e artesãos, civis e militares, religiosos e leigos, confundem-se todos nesta paisagem humana, dinâmica e idealista, que se espalha, vertiginosamente, por esta região do Brasil”. 1º/4/1982 – trecho do discurso como 1º Governador do Estado de Rondônia.
“Este patrimônio histórico – a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré –, que é mais de vocês que meu, embora hoje eu também a tenha no meu coração porque como brasileiro conheço a sua História, temos a honra de inaugurar o 1º trecho reativado compreendido entre Porto Velho/Santo Antônio e o Museu Ferroviário, recomendo sua preservação. Não haverá desenvolvimento harmonioso do Estado sem a preservação da sua cultura”. 5/5/1982 – trecho do discurso na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

O prédio do Memorial Jorge Teixeira foi instalado na antiga residência oficial dos governadores do Território e Estado, por Lei da Assembleia Legislativa, homologada pelo governador José de Abreu Bianco, possuindo acervo de 350 peças, entre objetos pessoais do ex-governador, mapas, jornais, revistas, fotos e documentos que registram a elevação do Território a Estado.

Que outra forma haverá de assumir-se compromisso com o futuro, senão nas lições do passado? São lembranças que reforçam o nosso ânimo e nos fornecem elementos para reflexões que, sem dúvida, nos conduzem o caminhar pela retomada da trilha aberta por pioneiros como Cândido Mariano da Silva Rondon e Aluízio Pinheiro Ferreira e alargado pelo administrador público Jorge Teixeira de Oliveira.

Jorge Teixeira de Oliveira em passeio
na EFMM. Foto: Rosinaldo Machado / Governo de Rondônia

* Yêdda Pinheiro Borzacov, da Academia de Letras de Rondônia, do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia, vice-presidente do Memorial Jorge Teixeira, da Academia Histórica Militar Príncipe da Beira, colunista do site Gente de Opinião e do jornal Alto Madeira.

Café

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Telefono-lhe poucas vezes. Menos do que devia.

Telefono-lhe sempre que preciso e sempre encontro o mesmo apoio. Tenho consciência disso e pesa-me a consciência. 

Cada telefonema prolonga-se por longos minutos – talvez horas, nem sei – numa tentativa de compensar as conversas que não temos tido. Acabamos a conversa sempre a prometer um café – bebida que veneramos – e que nunca acabamos por partilhar.

Desculpo-me, para mim próprio, com os constantes afazeres familiares e profissionais. Nem eu credito.

Sempre que lhe telefono, penso nos cafés que temos deixado de beber, das ideias que não trocámos, das palavras que não dissemos, dos abraços que não demos.
Telefono-lhe sempre que preciso e encontro sempre o mesmo apoio. Tenho consciência disso e pesa-me a consciência.
 
 
Rui Santos Vargas
 
 
[Publicado no Boletim da Associação dos Pupilos do Exército, n.º 243, Ano LXXII, pág. 41] 

ALTO MADEIRA – 100 ANOS

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Ausente de Porto Velho durante 16 dias, não pude participar do evento histórico do centenário do jornal ALTO MADEIRA, entretanto ainda há tempo de prestar-lhe uma homenagem nesta rede social.

Há tempos, lendo Jean François Revel, impressionei-me com as suas observações sobre o dilema que todo jornalista enfrenta ao ter de decidir entre o dever de opinar e o de informar. Enquanto a opinião implica na liberdade que pode eventualmente conduzir a uma atitude tendenciosa, a informação tem que ser rigorosamente exata. Todavia, como alcançar a exatidão numa época em que as próprias ciências naturais se conformam com a relatividade de seus resultados? Nessas condições quando as ciências chamadas exatas se satisfazem com aproximações, as ciências humanas como a História – da qual o jornalismo faz parte como patrulha de reconhecimento – não podem ter a pretensão de atingir a verdade. Mesmo assim, porém, torna-se inegável que o jornalista, na sua benéfica colheita dos fatos, assume um compromisso de lealdade com os seus leitores, mediante o qual a imprensa se constitui na primeira frente de defesa dos seus direitos. Ao meditar sobre essas considerações, acrescentei para mim mesma que não basta ao homem de imprensa se colocar à frente da comunidade a que serve. Impõe-se ficar ao seu lado, compartilhando de seus anseios e de suas realizações. E essa tem sido a posição tradicional do ALTO MADEIRA, que juntamente com as notícias e comentários de suas edições, sempre se caracterizou por iniciativas em benefício da comunidade, como a defesa do patrimônio histórico material da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, enfatizando sempre que preservar a memória histórica é sintoma de maturidade e consciência. Afinal, um povo que não conhece os erros do seu passado está condenado a repeti-los; as realizadas campanhas para a abertura da BR-29 (hoje 364); a criação do Território Federal do Guaporé e a criação do Estado de Rondônia, dentre outras.

Desde a sua fundação em 1917, o ALTO MADEIRA leva voz à comunidade contando a verdade das coisas: respira a sensibilidade coletiva vista, ouvida, conversada, protestada, educativa, crítica, cotidiana, inevitável, no diálogo do repórter com o inesperado, que forja a consciência da sociedade.

No dia em que o ALTO MADEIRA completa seu centenário, conservando o misticismo redacional por meio dos escritos de um Carlos Mendonça, de João Malato, de Oderlo Bezerra Serpa, de Ossian Britto, de João Alfredo de Mendonça (jornalista da Folha do Norte, de Belém-PA e que enviava crônicas para o ALTO MADEIRA), João Tavares, Ary Macedo, Esron Menezes, rendo homenagens a Euro Tourinho, pelas lutas que travou e trava, no sentido de preservar o seu jornal, estendendo essas homenagens a Ciro Pinheiro, Lúcio Albuquerque, Sílvio Persivo, dentre outros, e para aqueles que assinalam emersões literárias e históricas, Aluízio Pimenta, Abnael Machado de Lima, Matias Mendes, Dante Ribeiro da Fonseca e Aluízio Pimenta.

Um fato inédito pode ser citado referente à imprensa rondoniense: muitos jornais surgiram, desaparecendo tempos depois, alguns reaparecendo com a mesma filosofia, outros, de forma inteiramente diferente. Coube ao ALTO MADEIRA, apesar de muitas vezes enfrentar graves questões econômicas e sociais, a láurea de se manter firme e forte tal qual o seu diretor, Euro Tourinho, idêntico a árvore mulateiro, dobra, mas não quebra.

 

* Yêdda Pinheiro Borzacov, da Academia de Letras de Rondônia, do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia, vice-presidente do Memorial Jorge Teixeira, da Academia Histórica Militar Príncipe da Beira, colunista do site Gente de Opinião e do jornal Alto Madeira.

 

 

Euro Tourinho, diretor do jornal Alto Madeira. Foto: Saul Ribeiro/Jornal Nortão

Um Hino de Bravos

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Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira – Parte I

Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS, 06 de abril de 2017.

Um Hino de Bravos
(Francisco C. Mangabeira)

Fulge um astro na nossa bandeira,
Que foi tinto com sangue de heróis
Adoremos na estrela altaneira
O mais belo e o melhor dos faróis.

https://www.youtube.com/watch?v=5y1gLPvcj30

Que o bairrismo ex¬tremamente exacerbado de meus conterrâneos gaúchos me perdoe, mas o mais belo Hino brasileiro é sem dúvida o Hino do Acre ‒ um canto de titãs, um hino vibrante e viril regido pela honra e pela glória e salpicado por notas de coragem e desassombro. Quem, como eu, já teve a oportunidade de ouvi-lo e senti-lo nas plagas acreanas há de concordar plenamente com o que digo. O Hino foi composto, no dia 05.10.1903, no Seringal Capatará, situado acima do Igarapé Distração, zona rural do Município de Capixaba, AC, em um acampamento onde Plácido de Castro esta¬belecera o Quartel-General do seu exército, pelo Médico e Poeta baiano Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira que prestava atendimento à tropa. A música, por sua vez, foi criada pelo maestro amazonense Donizeti que conhecia perfeitamente a realidade e historicidade da região, pois residira nas cidades de Tarauacá e Cruzeiro do Sul. Um vate formidável olvidado pelos intelectuais de todos os tempos, um poeta de primeira grandeza do porte de um Antônio Frederico de Castro Alves ou de um Abílio Manuel Guerra Junqueiro. Almachio Diniz, na obra “Francisco Mangabeira” afirma:

Parece que assim deixo, muito claramente exposta, a minha convicção de estarem evidenciados, numa só linha, o poeta do “Hostiário” (F. Mangabeira), o de “A Velhice do Padre Eterno” (G, Junqueiro) e o das “Espumas Flutuantes” (C. Alves), sem confusões, no entanto, não pela sua arte, mas pelo tempo em que se definiram, como os três grandes poetas de maior espontaneidade e da maior independência da moderna literatura portuguesa, compreendida nesta as de Portugal e do Brasil. (DINIZ)
Francisco Mangabeira além de poeta desponta como um herói na Guerra de Canudos, como nos relata o poeta gaúcho Múcio Scevola Lopes Teixeira:
Tornou-se notável a sua coragem em mais de uma ação, conduzindo nos braços os feridos e os moribundos, que ia levantar do ponto onde caiam, atravessando imperturbável o campo de batalha. Disseram-me os meus velhos amigos Carlos Telles e Dantas Barreto, generais a quem o recomendei, que era assombroso o sangue frio com que o juvenil poeta atravessava as linhas onde era mais nutrido o fogo da fuzilaria; e que, enquanto os soldados se resguardavam nas trincheiras, o poeta nem se lembrava de que tinha o peito exposto às balas, de tão preocupado com a intenção de minorar as dores dos feridos.
Dr. Francisco C. Mangabeira

Esta biografia do Dr. Francisco Cavalcante Mangabeira, escrita por um de seus familiares, figura como prefácio de sua obra “Últimas Poesias (Obra Póstuma)”, editado em Salvador, Bahia, nos idos de 1906, pelas Oficinas dos dois Mundos.

NOTAS BIOGRÁFICAS

Francisco Mangabeira nasceu na capital da Bahia a 08.02.1879. Era filho legítimo do farmacêutico Francisco Cavalcante Mangabeira e de D. Augusta Mangabeira, já falecida. Feito o curso preparatório no Instituto Oficial do Ensino Secundário, matriculou-se em 1894, com quinze anos de cidade, na Escola de Medicina.

Por ocasião da terrível campanha de Canudos, Francisco Mangabeira, que cursava então o 3° ano médico, fez parte da primeira turma de acadêmicos, que ofereceram seus serviços gratuitos ao governo e seguiram para o campo da luta crudelíssima.

 

Em 1898, publicou o seu primeiro livro de versos ‒ “Hostiário” ‒ que o sagrou vate (poeta) inspirado e ilustre cultor das letras. Antes disso, em 1896, o notável escritor Múcio Teixeira havia feito pela imprensa na Bahia, como na Capital da República, uma apresentação ruidosa e entusiástica do novo poeta baiano cuja lira vibrava ainda os seus primei¬ros ensaios. (MANGABEIRA)

Múcio Scevola Lopes Teixeira: escritor, jornalista, diplomata e poeta brasileiro. Múcio nasceu em Porto Alegre, no dia 13.09.1857 e faleceu no Rio de Janeiro, 08.08.1926). (Hiram Reis)

MANGABEIRA: Em 1900, deu à estampa (publicou) a sua maravilhosa “Tragédia Épica”, composta de uma série de admiráveis poemetos, que lhe inspirara a guerra que tantas vidas consumira no interior do sertão. Neste mesmo ano, doutorou-se em medicina, aos 18 de dezembro, tendo dissertado, na tese inaugural, sobre “Impedimentos do Casamento relativos ao parentesco”.

A 16.03.1901, partiu para o Maranhão, como médico contratado da Companhia Maranhense, conservando-se neste posto poucos meses, e dirigindo-se depois para o Estado do Amazonas, cujo governo lhe deu importante Comissão nas regiões do Juruá, Javari, Madeira, Negro, Purus, etc., que ele percorreu. Saudades intensas da família e da pátria querida fizeram-no regressar à Bahia, em 24.12.1902, onde permaneceu até 02.04.1903.

Seguindo de novo para o Amazonas, com destino ao Acre, onde exerceu de modo brilhantíssimo as fun¬ções de médico e de correspondente do Diário de Notícias, enviando para este órgão da imprensa uma série de Cartas do Amazonas, grandemente aprecia¬das pelo público baiano e transcritas em vários outros jornais de diversos Estados da República.

Os serviços que Francisco Mangabeira prestou, espontaneamente ao Exército Brasileiro [tendo encontrado em Manaus o 40° Batalhão de Infantaria, impossibilitado de prosseguir a sua marcha em virtude da falta de médicos militares, ofereceu-se para acompanhá-lo gratuitamente, e, durante alguns meses, se conservou naquele posto, abrindo mão a todas as remunerações a que fazia jus]. Nessa jornada de sacrifícios que o seu gênio patriótico e aventuroso, lhe impôs, nas regiões inóspitas do Acre, conquistaram-lhe os aplausos dos chefes da expedi¬ção, manifestados em honrosos ofícios e ordens do dia, publicados pela imprensa. Desligando-se de seus excepcionais compromissos, como médico gratuito das tropas brasileiras, Francisco Mangabeira travou relações intimas com os chefes revolucionários, merecendo da confiança de¬les ocupar o cargo de secretario da revolução acre¬ana, posto em que um raro talento, e um raríssimo civismo o fizeram nobilitar o seu e o nome da pátria. (MANGABEIRA)

 

Reporta-nos Isaac de Melo em um belo artigo intitulado “Francisco Mangabeira: Um Poeta Baiano na Revolução Acreana” editado no Site Alma Acreana, no dia 28.02.2011.

Hino acreano

[…] Plácido de Castro organizava seu exército em pontos estratégicos do Acre Meridional, pronto para nova luta conforme o resultado das confabulações diplomáticas entre os dois países. No seringal Capatará estava assentado o quartel-general de Plácido. Ao fundo do barracão erguiam-se as barracas de lona, a alojar os soldados. Numa delas está Francisco Mangabeira. Desde que cessara os combates aí passara a atender os feridos da guerra e à população ribeirinha que o procurava. É nesse ambiente, impressionado pela natureza, pelo ideal de liberdade, pelos combates e pelo sentimento da terra que o jovem poeta comporá, em 05.10.1903, o magnífico poema que se tornará o Hino Acreano. Aproximava-se o término do modus vivendi. O poeta encontrava-se, com a tropa, acampado em Boa Fé. Estavam irriquietos e decididos: ou o Acre seria do Brasil, ou recomeçaria a luta. A tropa, a 21 de outubro, fora reunida diante do mastro do qual pendia a bandeira acreana. Conta, em carta, Francisco Mangabeira: “A meio dia, pouco mais ou menos, reunida a oficialidade, resolve-se mandar imediatamente cem homens para o Gavião. Antes disso, porém, com uma cerimônia tocante, foi lido o Hino do Acre”. Pela voz do próprio poeta pela primeira vez o Hino Acreano percorria as matas e o coração daqueles caboclos titânicos, num misto de alegria e esperança. (DE MELO)

 

MANGABEIRA: Em princípios de Novembro, Mangabeira veio a enfermar, acometido por moléstias de pele. Achava-se ele, por este tempo, em Capatará. Quando se levantou do leito onde permaneceu longos dias, o seu semblante pálido e esquelético já refletia a pobreza de um organismo exausto. Aconselharam-no a regressar para Manaus. Ele, porém, não quis. Sentia-se forte e plenamente capaz de percorrer a rota planejada, indo ter aos extremos das águas do Xapuri. E fez-se de viagem para cima. Pouco adiante, o impaludismo o assaltava. O corpo depauperado não pode resistir a novo embate. Desde então, ele começou a definhar. Um dia, um seu amigo, de passagem naquela terra mefítica (pestilenta), encontrou-o doente no abandono. Ofereceu-se para levá-lo a Manaus. Ele aceitou. A 31.12.1903 partiu do lugarejo.

A 10 de janeiro (1904), chegava à Capital do Amazonas, depois de uma viagem penosíssima, em que passara dez dias a bordo de um calhambeque, em condições de higiene e de conforto, suficiente para levarem ao leito os próprios vigorosos e sadios. Chegou à noite em Manaus. No outro dia, pela manhã, corria toda a Cidade e a imprensa assinalava com palavras de piedade e carinho, a notícia de sua volta do Acre em perigoso estado de saúde, que ainda se agravara na travessia daqueles Rios infectos, fermentados pela morte. Hospedou-se num hotel. Os primeiros amigos que o foram visitar demoraram estupefatos diante de sua fisionomia, onde boiava a imagem de um crepúsculo nascente. Em todo o caso, seus lábios só tinham palavras de alegria e afeto, de saudações e lembranças. Sentia-se forte, aquele mal era insignificante, havia de passar como outros que se foram…

No dia imediato, um seu grande amigo e colega, Dr. Vivaldo Lima, foi buscá-lo do hotel para a casa de sua família. Ali, recebeu ele as homenagens do afeto, que conquistara no seio da sociedade amazonense, onde estivera longos meses e em cuja imprensa colaborara de contínuo. Foi logo planejada uma conferência, na qual tomaria parte grande número de clínicos. O diagnóstico acusou polinevrite (polineu¬rite) palustre, que encontrando um organismo exausto, o dominara de todo. Urgia o tratamento, que, infelizmente, parecia inútil…

Mangabeira, no entanto, julgava-se ainda forte. Era seu grande desejo partir para a Bahia, onde, no conchego do lar, havia de tratar-se. Todos os dias, a toda hora, a todo instante, quem quer que se lhe abeirasse do leito, havia de receber-lhe dos lábios palavras comovedoras, que eram pedidos de informação sobre os vapores que iam seguir para o Sul, sobre o motivo porque o não tinham embarcado – a ele, que tinha tanta certeza de que ia ficar bem no seio de sua família, aos ares de sua terra… Enfim, como falhassem todos os recursos, deliberaram embarcá-lo para a Bahia, satisfazer a ilusão, que tanto o acalentava.

A 22 de janeiro (1904), partiu de Manaus o paquete S. Salvador. Anunciaram-lhe a viagem. Ele rejubilou-se, começou a fazer as despedidas, oferecendo seus préstimos, prontificando-se a conduzir objetos e correspondências. No dia aprazado, logo pela manhã, compareceu o comandante da policia, seu particular amigo, acompanhado por polícias, trazendo uma grande maca para conduzi-lo até a bordo. Esse transporte foi concorridíssimo. Médicos, bacharéis, engenheiros, farmacêuticos, jornalistas e poetas; grande número de colegas, patrícios, amigos e admi¬radores do inditoso poeta enfermo acompanharam-no tristemente até o seu beliche.

 Comandante do Distrito, que lhe conhecia de perto os inolvidáveis serviços prestados às forças militares nos acampamentos do Acre, foi até lá cumprimentá-lo. As despedidas foram feitas entre lágrimas, que se contrastavam com os seus sorrisos de saudações, de oferecimentos e agrados.

Do Amazonas para o Pará, foi piorando pouco a pouco, malgrado a atividade do profissional de bordo, Dr. Álvaro Rego, e do cuidadoso enfermeiro, Eugênio de Barros, especialmente contratado para servi-lo durante a travessia.

Conservava a razão, por isso que correspondia aos passageiros que iam visitá-lo. De quando em vez, no entanto, apresentava indícios de uma grande fraque¬za cerebral. Quando alguém o chamava doutor ‒ ele respondia:

‒    Eu não sou doutor. Eu sou poeta.

Uma feita, indo umas. crianças visitarem-no ao camarote, encontraram-no de pé, ficaram estupefatos e foram chamar o enfermeiro que, chegando, lhe perguntou para onde ia, recebendo, então, a resposta seguinte:

‒    Para o Acre.

Num dos acessos nervosos que teve, lançou mão do anel, colocou-o entre os dentes e separou a garra do aro, machucando-o. À primeira pessoa que apareceu ao camarote disse então:

‒    Olhe. Não sou doutor. Até o anel me roubaram. Eu sou poeta.

E, de fato, não tinha no dedo o anel, sendo este depois encontrado em sua própria boca.

Perguntava de instante a instante em que lugar se achava, si longe ou perto da Bahia. Sempre lhe diziam que perto, o que o fazia sorrir, alegre e satisfeito.

Quando a morte estava próxima, ele conheceu-a.

No dia 27, amanheceu pensando na aproximação do desastre, a lembrança de pai e irmãos começou a afligi-lo, dizia que, em casa, as suas irmãs estariam rezando para que ele chegasse bom. E já ia alto o dia, quando, fortalecendo-se a visão da morte, ele exclama:

Como é que morre um poeta com vinte e cinco anos!

Recebeu ainda algumas visitas. Quando a ultima delias se retirou do beliche, ele agarrou-se a um ferro do leito e soluçou:

‒    Morro sem abraçar meu pai!

Minutos decorridos, o enfermeiro percebeu-lhe nos olhos os primeiros sinais da morte. Chamou o médico. Este veio, mandando logo deitar-lhe a vela na mão.

E, assim, às 2 horas da tarde de 27 de janeiro de 1904, na altura de Gapuri, entre Belém e São Luís, a 18 horas deste último porto, ele morreu, no beliche num. 106 do camarote número 40 do paquete nacional São Salvador.

Dadas as participações, vestiram o cadáver com uma roupa parda e levaram-no para o xadrez de ré onde permaneceu até as 15h15 da tarde imediata, coberto pela bandeira nacional.

O seu enterramento foi feito no cemitério de S. Luís do Maranhão.

Foram extraordinárias as sagrações com que, em todo o país, se assinalou o trespasse do poeta.

Na Capital Maranhense, o povo soube prestar-lhe grandes homenagens. Abriu-se logo na imprensa uma subscrição para ser erigido sobre seu túmulo um rico mausoléu. Como, porém, a família do extinto tencionasse transportar-lhe os restos para o Cemitério do Campo Santo, na Bahia, ficou sobre a sua sepultura, em vez de mausoléu, uma grande pedra mármore, onde, além das insígnias de médico e poeta, o nome de Francisco Mangabeira se destaca, em grandes letras doiradas, reverenciado, na morte, pela ‒ “Homenagem do Povo Maranhense”. (MANGABEIRA)

Fontes:
DE MELO, Isac. Francisco Mangabeira: Um Poeta Baiano na Revolução Acreana – Site Alma Acreana, 28.02.2011.

DINIZ, Almachio. Francisco Mangabeira – Brasil – Rio de Janeiro – Tipografia da Escola Profissional, 1929.

MANGABEIRA, Francisco. Ultimas Poesias (Obra Póstuma) – Brasil – Salvador – Oficinas dos dois Mundos, 1906.

Solicito publicação:

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Sócio Correspondente da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER)
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS);
Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).
E-mail: [email protected];
Blog: desafiandooriomar.blogspot.com.br

 

NA ESTRADA DO TEMPO

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É para você que conhece a obra do governador JorgeTeixeira de Oliveira e ama Rondônia, esta crônica de hoje, carregada delembranças e saudades, na data em que ele se estivesse vivo materialmente,completaria 96 anos – dia 1º de junho.

Abre-se a cortina do tempo e lembro-me daquele oficial doexército brasileiro, o último governador do Território Federal de Rondônia e oprimeiro do Estado, chegando ao aeroporto de Porto Velho, em um avião daCruzeiro do Sul, dia 10 de abril de 1979, anunciando que havia recebido “a missão de transformar o Território emEstado”

Lembro-me que já no seu discurso de posse, o GovernadorTeixeirão, nome pelo qual os manauaras o chamavam, de imediato foi absorvidopelos rondonienses, resumiu em estilo próprio a sua futura administração: “aqueles que trabalharem comigo terão querezar pela mesma cartilha – Trabalho, Trabalho, Trabalho”.

Lembro-me do governador Teixeira, vestindo safari comotraje de trabalho e com boné vermelho, usado pelos paraquedistas (praticava oesporte), percorrendo toda Rondônia de helicóptero, em ritmo de trabalhoinfatigável… os motoristas das estradas o reconheciam em razão da bolhatransparente do helicóptero, pela boina vermelha e piscavam os faróis…

Lembro-me do governador Teixeira, audacioso nos seusplanos, administrando-os com perseverança e otimismo, mantendo sérios esquemasde controle das execuções, sempre atento às datas de conclusão e avaliação daqualidade…

Lembro-me do governador Teixeira, dotado de umdeterminismo e vontade férrea, jamais se deixando subjugar diante dasdificuldades, contornando-as, solucionando os conflitos, através de atitudesincisivas e corajosas, ligadas às suas maneiras de pensar, seus modos deagir…

Lembro-me do governador Teixeira fazendo Rondôniaexperimentar um enorme surto de progresso com as estradas abertas e que foramfundamentais para iniciar a consolidação do futuro Estado…

Lembro-me do governador Teixeira defendendo com firmezaos interesses de Rondônia e o carinho para com a sua gente… Não andava comseguranças… e as crianças ao vê-lo, corriam para abraçá-lo, gritando:“Teixeirão, Teixeirão”…

Lembro-me do governador Teixeira atraindo o povo, com aquelaextraordinária personalidade, de onde transbordava a esperança, a solidariedadee a capacidade de evolução…

Lembro-me que Rondônia, de 10 de abril de 1979 a maio de1985 era um canteiro de obras: Banco do Estado de Rondônia, Tribunal de Contas,Ministério Público, Poderes Legislativo e Judiciário, Ginásio de Esportes nosmunicípios, Universidade, Hidrelétrica de Samuel, Hospital de Base “AryPinheiro”, escolas dentre outros… Rochilmer Rocha o comparava “a um trator, removendo terra e construindo, mesmo que paraisso tivesse que atropelar burocracia e politicagem”

Lembro-me do governador Teixeira, guardião do patrimôniohistórico material e imaginário de Rondônia, entendendo que a cultura, comoherança e trabalho… recuperação de 23 km da E.F. Madeira-Mamoré em PortoVelho… 5 km em Guajará-Mirim… restauração de locomotivas e outros materiaisrodantes e de prédios… a instalação do Museu Ferroviário com acervo de cercade 2000 peças… a criação do Arraial Flor do Maracujá e Mostra de Quadrilhas eBois-Bumbás… a criação e instalação da Casa do Artesão, no Plano Inclinado…o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica… a recuperação do PostoTelegráfico de Rondon, em Ji-Paraná, para a implantação do Museu dasComunicações “Cândido Mariano da Silva Rondon”… a criação da Galeria Arte-Centro(o primeiro espaço concedido para o artista plástico expor suas telas)…homenagem aos músicos integrantes da banda de música da extinta GuardaTerritorial, entregando-lhes diplomas… avivaram-se em minha memória as maisbelas melodias selecionadas pelos já músicos velhinhos, tocadas harmoniosamentee com grande emoção, homenageando Teixeirão, tendo como cenário a praça dasTrês Caixas D’Água…

Lembro-me do governador Teixeira usando estratégiainteligente para atrair o médico Claudionor Roriz, militante do MDB – MovimentoDemocrático Brasileiro para presidente do PDS (ex-Arena), com a finalidade deorganizar o partido da direita e estruturá-lo nos municípios e distritos…para atingir seu objetivo, desviou o projeto da recém construída penitenciáriaem Ji-Paraná e com algumas adaptações destinou-a para um hospital (exigência deRoriz). Com o aval do Ministro da Justiça, o hospital foi inaugurado parasatisfação de Roriz, que duvidava que o hospital saísse…

Lembro-me do governador na eleição de 1982, dirigindo umamensagem ao povo rondoniense: “Ao entrarna cabine você estará julgando o meu governo. Se entender que estamostrabalhando, dê seu voto aos nossos candidatos”… e o resultado foi queelegeu os três senadores e das oito vagas a deputado federal, cinco foram seuscandidatos… o povo julgou seu governo com louvor e aplausos…

Lembro-me que o governador acompanhou o jornalistaAlexandre Garcia em sua visita a Rondônia, iniciando-a com um passeio na locomotivada E.F. Madeira-Mamoré e depois de helicóptero visitavam os municípios…Alexandre Garcia em seu livro “Nos Bastidores da Notícia”, lançado em 1990,dedica capítulo ao Estado, fazendo referência em um dos textos a Vilhena: “Entre a cidade e a divisa com o MatoGrosso, Teixeirão tem uma surpresa: a BR-364 está congestionada de caminhõesparados. Há centenas de caminhões atolados no barro. Teixeirão faz ohelicóptero pousar junto aos barracos da empreiteira que estava asfaltando aestrada.

— Onde está o engenheiroresponsável?

— Está na cidadealmoçando.

— Mas que almoçando? Oscaminhões atolados e ele almoçando? Os motoristas não estão almoçando; e eleestá almoçando, enquanto tem aqui este serviço porco? Eu quero ele aqui agora,passando as máquinas nesse barro!

Os motoristas se aproximam:

— Ele é o Teixeirão. János ajudou lá em Ji-Paraná, nos deu comida quando a gente estava atolado.

— Vocês não podem fazerum arroz com feijão para essa gente? Pergunta o governador ao capataz daempreiteira.

O Teixeirão falava comos pés enterrados no barro. A camisa já estava toda enlameada pelas mãos doscaminhoneiros que queriam cumprimentá-lo, tocar nele. Foi quando surgiu naboleia de um caminhão recém-chegado do sul uma mulher motorista, que gritou:

— Quem é esse cara?

— É o governador –respondem os motoristas.

— Ah! Diz a mulher comironia, é o governador deste lamaçal? A gente entra no seu Estado e dá com afuça neste lamaçal. Por que tem tanta estrada boa e quando a gente chega aquiencontra esta estrada horrível?

Teixeirão não perde ohumor:

— Pela mesma razão quetem mulher horrível como a senhora e tem mulher bonita. Mas a minha estrada temcura.

Os motoristas dãobarrigadas de rir em torno do governador, e a mulher sai dali, sem graça,patinando no lamaçal.

Logo em seguida, maissem graça, ainda, chega o engenheiro responsável.

— Que diabo de obra éesta? – pergunta o governador. Já tem gente perdida no cerrado, tentando evitara estrada.

— Mas eu estou esperandoo laudo técnico – tenta justificar o engenheiro.

— Mas que laudo técnico,homem? Nós estamos numa emergência, isto é uma guerra, e você vem me falar emlaudo técnico? Eu quero é ver estes caminhões saindo daqui agora mesmo. Vocêestá cheio de máquinas. Bote essas merdas para trabalhar. A riqueza tá aíparada, o pessoal está sem comer. Olhe, eu ainda vou até Colorado. Volto aquiàs quatro da tarde e não quero ver um só caminhão atolado. Quero a pistadesimpedida!

Às quatro da tardepassamos por lá, de volta. A porta de ligação de Rondônia com o resto do Brasilestava desimpedida. Aberta. Empurrada pelo peito do Teixeirão. Agora euentendia por que os faróis piscavam quando os motoristas viam o gorro vermelhona cabeça daquele gaúcho na cabine do helicóptero”.

Lembro-me do governador cujo desprendimento possessivoaos bens terrenos materiais e valorização ao próximo, fez com que presenteasseem 1984 o cadete Christómo de Moura (hoje coronel de engenharia, militar dareserva), com a própria espada de oficial do exército que carregou em sua vidamilitar, em face do cadete Christómo ter sido seu aluno do Colégio Militar emManaus e que se formaria naquele ano na turma de oficiais na Escola Militar deResende… sua família reside em Costa Marques… Teixeirão foi seu padrinho ea espada foi entronizada ao acervo do Memorial Jorge Teixeira, em solenidadeocorrida em 2016…

Lembro-me que a voz do povo consagrou o slogan “Teixeirão– Senador/1987”… a doença e sua partida para o Mundo Maior (apenas a cruelmoléstia o derrotou), impediram a realização do sonho de quase todos osrondonienses, sonho que era também o seu…

Lembro-me do governador que viveu intensamente Rondônia.Com ele encerrou-se o último capítulo da História dos bandeirantes nessasterras de Rondon…

Lembro-me que Manaus e, sobretudo Rondônia têm dívidaimensa com Jorge Teixeira, razão pela qual seus ex-assessores e amigos criarama Sociedade Jorge Teixeira, sem fins lucrativos, e instalaram a obraimperecível do grande governador e estadista… não se pode conceber a criaçãodo Estado sem Jorge Teixeira, presença marcante, presença renovadora…

Lembro-me do governador que com a saúde abalada, recusouo tratamento fora do Estado, afirma o médico Viriato Moura… desejava concluiro trabalho de solidificação de Rondônia… mesmo doente participava deatividades, não diminuindo o ritmo de trabalho…

Lembro-me do governador já com a doença avançada, no Riode Janeiro, em 1987, ao visitá-lo, perguntava com voz firme e forte pelosprojetos culturais que estávamos desenvolvendo, sobretudo na E.F.Madeira-Mamoré. Não lhe ouvi uma palavra de amargura (encontrava-se em umacadeira de rodas); não lhe ouvi uma queixa. Era um estoico. Em momento algumdemonstrou arrependimento pelos sacrifícios que havia feito. Sua aparência erafrágil, mas sempre sorrindo.

Lembro-me do governador que no dia 28 de janeiro de 1988partiu para o Mundo Maior, pobre de bens materiais, mas deixando seu nomeeternizado na memória da História de Rondônia – exemplo edificante para asnovas gerações…

Testemunha da transformação do Território em Estado,afirmo categoricamente que depois de Aluízio Pinheiro Ferreira, nenhumgovernante o superou na tarefa de servir ao povo, com desprendimento,determinação e sem laivos de bajulação ou queima de incenso aosparlamentares…

O privilégio de tantos anos de trabalho na área culturale de amizade com o governador Jorge Teixeira e com a sua esposa, dona Aída,dá-me razões de todas ordens que mais que justificam, tornam imperativa estacrônica, referente a um ser humano pleno de dignidade, generoso, solidário,humano, amigo e leal.

Ao Governador Teixeira, o respeito que lhe tive, sempreterei.

Lembro ainda que o governador Teixeira, prossegue o seutrabalho no Mundo Espiritual, construindo algo e ajudando com certeza o Estadode Rondônia.

Selva, Teixeirão!

 

NOTA: Quanto aos 96 anos de nascimento doCel. Jorge Teixeira, a 17ª Brigada de Infantaria de Selva Forte Príncipe daBeira, recordará as virtudes cívicas no dia 2 de junho, às 8h30, do oficial egovernador de Rondônia, vitorioso em todas as atividades que empreendeu.

 

 

 

*Yêdda Pinheiro Borzacov, da Academia de Letras de Rondônia, do Instituto Históricoe Geográfico de Rondônia, vice-presidente do Memorial Jorge Teixeira, daAcademia Histórica Militar Príncipe da Beira, colunista do site Gente deOpinião e do jornal Alto Madeira.

 

 

 


Governador Jorge Teixeirade Oliveira, Isaias Vieira e Yêdda Pinheiro Borzacov, mostrando obras de artena galeria Arte-Centro. Foto: Arquivo Pessoal/Yêdda Borzacov

O SAPO APAIXONADO

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O Sapo canta para o luar,
Dedilhando sua viola plangente,
Para a sapa conquistar,
Dedicando-lhe versos dolentes,
À sua beleza exaltar.
A sapa vaidosa exigente,
Impõe-lhe maior amor demostrar,
Pois suas trovas de afeto carente,
Não à seduz, fazendo se apaixonar.
O sapo magoado, chorando descontente,
Por nada mais lhe restar
Coloca a viola na consta pendente
Indo pra muito longe os seus versos cantar

*ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº. de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER.

RIO MADEIRA

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*Abnael Machado de Lima

RIO MADEIRA COLOSSAL CAIARÍ,
REINO DA FORMOSA IARA E DA COBRA SUCURÍ,
DO BOTO TUCUXI, SEDUTOR A IMPORTUNAR,
AS CUNHATÃS QUE EMPRENHA NAS NOITES DE LUAR,
NAS SUAS MARGENS FLORESTAS VERDES, PALMEIRAL,
MORA O CURUPIRA E O MAPINGUARI DESCOMUNAL,
CANTA O UIRAPURU MÁGICO SOPRANO DA MATA ARIRI,
ASSIM SE PASSA A VIDA NO REINO DO CAÍRI.
CABLOCO NO RIO PESCANDO PACU, SARDINHA, ARUANÃ
TAMBAQUI E JARAQUI PARA A FOME ENGANAR,
CAÇANDO PACA, COTIA, VEADO NO MATAGAL,
ARMAZENANDO CARNE DE CAÇA CURTIDA NO VARAL.
A NOITE DESFRUTANDO A CUNHÃ, NA REDE DE TAQUARI,
OUVINDO A MATINTA PIAR E MÃE-DA-LUA RI,
ASSIM  SE PASSA A VIDA CABLOCA, NO REEINO DO CAIARI.

ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº.  de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER.

REMINISCÊNCIAS

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Prof° Abnael machado de Lima
Origem da Cidade e Município de Porto Velho
Nos anos iniciais do século XXI ( século vinte um ), completaram um centenário lembrados ou esquecidos os seguintes acontecimentos:

I – Construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, iniciada a 04 de julho de 1907, no Ponto Velho ou Porto do Velho, a sete quilômetros abaixo da Cachoeira do Santo Antônio do alto Rio Madeira, de propriedade do Coronel José da Costa Crespo produtor de borracha, concluída em 30 de abril e oficialmente inaugurada em 1 de agosto, ambos eventos em 1912 na localidade de Guajará Mirim, fronteira com a República da Bolívia. Obra realizada pela empresa Norte-Americana May Jekyll and Rondolph contratada pelo empresário norte-americano Percival Farquar. Foi desativada em 1972, já sob a administração do governo federal, desde 10 de julho de 1931, por disposição do Decreto 20.200. Na década de 1980, seu patrimônio foi salvo de total destruição sendo transformado em museu ferroviário.

II – Surge em 1907 o povoado de Porto Velho dos brasileiros, próximo as instalações da Madeira-Mamoré ( povoado dos norte-americanos ), instalado por indivíduos desvinculados com a empresa estrangeira. Esses deram origem o atual município de Porto Velho, a qual completou um centenário em 2007.

III – Linha Telegráfica Estratégica Mato Grosso / Amazonas, interligando Cuiabá já ligada à Rio de Janeiro/ RJ, a Santo do Alto Madeira, construção sob chefia do então Major do Exercito Cândido Mariano da Silva Rondon, teve o inicio sua construção em 1907, alcançando Vilhena em 1909, e desta, Santo Antônio do rio Madeira, no dia 31 de dezembro deste citado ano. Em torno dos postos telegráficos surgiram as atuais cidades de Vilhena, Pimenta Bueno, Presidente Médici, Ji-Paraná e Ariquemes. Sobre o picadão da linha telegráfica foi assentada a rodovia 364 ( Brasília/DF/Rio Branco/AC ).

IV – Instalada no povoado  de Porto Velho dos brasileiros no dia 26 de julho de 1910, uma agência postal chefiada pelo agente Felinto Costa. Atual Correios e Telégrafos.

V – Termo Judiciário de Porto Velho anexo a Comarca de Humaitá, criado pela Lei n° 741, de 30 de outubro de 1913, sancionada pelo governador do Estado do Amazonas, Dr. Jonathas de Freitas Pedrosa. Instalado no povoado de Porto Velho no dia 30 de janeiro de 1914, sendo nomeado Dr. Nataniel de Albuquerque no cargo de Juiz de Justiça Municipal. Este Termo originou a estrutura Judicial de Rondônia.

VI – Coletoria de rendas instalada no povoado de Porto Velho, em 21 de agosto de 1913, chefiada pelo coletor Miguel Rodrigues Souto. Originário da atual Delegacia da Receita Federal.

VII – Primeiro suicídio ocorrido em Porto Velho, foi autora a formosa pernambucana Lydia Xavier de Lima, de apenas 28 anos de idade em consequência de desavença amorosa ingeriu sublinado corrosivo, envenenando-se. Seu amante um dos diretores da Madeira- Mamoré, precavendo-se de escândalo o envolvendo, enternou-a no Hospital Candelária, no qual faleceu às três horas da tarde do dia 8 de janeiro de 1914, sendo neste mesmo dia sepultada no cemitério da Candelária, conforme consta no atestado de óbito do obituário número 48 arquivado na Secretaria  de Estado da Cultura. No seu jazigo a inscrição fúnebre “ Lydia Xavier, Age 28 Died Jan’1914”. Esta do mesmo nível do reservado aos funcionários norte-americanos de elevadas categorias na Empresa. ( Mistério ) Lydia a exceção, a única mulher brasileira sepultada em área exclusiva dos falecidos de elite da Madeira-Mamoré. Porque ?

VIII – Município de Porto Velho criado por intermédio de Lei n°757 de 2 de outubro de 1914, sancionada pelo governador do Estado do Amazonas, Dr. Jonathas de Freitas Pedrosa, sediado no povoado de Porto Velho, instalado no dia 24 de janeiro de 1915 sob a administração do Major reformado do exercito, Fernando Guapindaia de Souza Brejense, no período de janeiro de 1915 a 31 de dezembro de 1916. Semente viçosa do pujante Estado de Rondônia.

IX –  Escola Mista Municipal “ Jonathas Pedrosa”, criada pela Lei municipal n°5 de 1 de março de 1915, tendo como docente e diretora a professora Teivelinda Guapindaia. Primeiro estabelecimento público de ensino do Município de Porto Velho, originalizador do sistema educacional da atualidade.

X – Delegacia de policia de Porto Velho, criada pelo governador do Estado do Amazonas Dr. Jonathas de Freitas Pedrosa em 1 de fevereiro de 1915 nomeado para o cargo de Delegado o Tenente Aristede Leite. Origem da atual Secretaria de Segurança Pública.

XI – Diretório municipal do Partido Republicano Conservador / PRC, instalado em Porto Velho em 1915, pelo senhor José Vieira Braga, por este presidido. Foi o PRC a primeira agremiação politica partidário atuante no município de Porto Velho.

XII – Candomblé chegou a Porto Velho em 1916, trazido pela Mãe-de-Santo Esperança Rita a qual fundou a irmandade de Santa Bárbara sediada em Terreiro no bairro Mocambo. Posteriormente transferida para o espaço do atual bairro de Santa Bárbara. A associação religiosa e filantrópica permanece mantida em atividade por seus adeptos.

XIII – Loja Maçônica União e Perseverança fundada em 14 de julho de 1916, pelo maçom José Pordeus Alencar, na vila de Presidente Marques/MT, atual Abunã, transferindo-a para a cidade de Porto Velho/AM. Comemorou seu centenário de relevantes serviços à comunidade Rondoniense.

XIV – Primeiro pleito politico eleitoral realizado em Porto Velho, eleições municipais, em 1 de dezembro de 1916, para os cargos de Superintendente ( Prefeito ), Intendentes e Suplentes de intendentes  ( vereadores ), estes constituíam o conselho Municipal ( Câmara ).

– Dr. Joaquim Augusto Tanajura, primeiro Superintendente eleito.
– Álvaro Dantas Paraguassu, primeiro Intendente eleito Presidente do Conselho Municipal.
Ambos eleitos pelo PRC, com mandatos no período de 1 de janeiro de 1917 a 31 de dezembro de 1919.

– Destaque especial exaltando o jornal Alto Madeira e seu intrépido condutor, antecipadamente, pelo transcurso do seu centenário, no dia 15 de abril de 2017, sempre prestando relevantes serviços sócias, culturais e políticos desde sua fundação em 1917, em prol do progresso de todos segmentos estruturais e culturais de Rondônia.