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CONTRA-SENSO

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A aprovação da lei liberando a garimpagem no rio Madeira, no seu trecho entre Santo Antônio e Calama, espaço de proteção ambiental, é incoerente decorrente da abusiva prepotência daqueles que se jugam acima de tudo e de todos, que seus atos, são ilimitados desde que satisfaçam os seus interesses. Para os  alcançar não avaliam as consequências desses  advindas, tendo por  principio que os fins atingidos, justificam os meios utilizados, sejam eles quais forem. Por exemplo, comprometidos com uma minoria de predadores do meio ambiente, a flora, a fauna terrestre e aquática, contaminando as águas dos rios  com mercúrio, comprometendo a salubridade da população ribeirinha do Madeira, e de seus afluentes.
Visando usufruir dos dividendos monetários decorrentes do favorecimento aos garimpeiros de ouro, os investindo em suas campanhas politicas e na conquista de votos. Não vacilaram em extinguir os dois decretos, os quais vetam a garimpagem no Rio Madeira em vista aos danos causados, aprovaram uma lei autorizatória à pratica dessa atividade.
O fizeram nas condições de déspotas, como se jugam ser, não atentando que puder, o qual pretendem seres detentores , não é seu, é do povo, por este lhes outorgado para serem seus porta vozes, seus representantes, conforme dispõe a lei maior” Todo o poder emana do povo, que exerce diretamente ou por meio de representantes eleitos, nos termos da constituição Federal”. Assim sendo, suas excelências tem por dever, por obrigação, pugnarem pelos direitos do povo, pela promoção do bem estar econômico e social da comunidade como um todo, e não o favoritismo espúrio há grupos, minoritários.
Esta lei não pode prevalecer por ser ofensiva aos direitos do povo, em especial os ribeirinhos, por ser prejudicial ao Estado, permitindo legalmente, a  depredação de sua biota.      

Em: 27/08/2016                                           
Abnael Machado de Lima
Membro efetivo da Academia de Letras de Rondônia
e do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia
Prof° de História do Amazonas na Universidade  Fed. Do Pará

 

25 DE AGOSTO – DIA CONSAGRADO AO DUQUE DE CAXIAS

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Luiz Alves de Lima o soldado, cidadão cívico exemplar, dedicado a servir com denodo e lealdade à pátria, jamais contrariando os princípios disciplinares regentes do exercito. Assim sendo, nunca rebelou-se contra o governo, contra as instituições legais instituídas pela Carta Magna do País.
Sua fulgente trajetória militar, executiva civil e política dedicada a servir com brio, dignidade, bravura e patriotismo o Brasil.
Soldado desde criança, se sobrepõe aos demais galgando todos postos da carreira militar, distinguido com condecorações e títulos honoríficos, por mérito e reconhecimento aos valorosos serviços prestados.
Postos  Militares:
Alferes, em 1818;
Tenente, com 18 anos de idade, em 1821;
Capitão, em 1824;
Major, em 1828;
Tenente Coronel, em 1837;
Coronel, em 1839;
General, em 1842;
Tenente General, em 1845;
Marechal de Campo Efetivo – 1845;
Marechal Graduado – 1852.
Missões bélicas e pacificadoras:
– Expulsar da Bahia o general português Madeira de Melo que se opunha a reconhecer a independência do Brasil. Luta armada travada no período de 3 de maio a 3 de junho de 1823, sendo derrotado o general Madeira, destacando-se por sua bravura, sendo-lhe concedido pelo Governo o Hábito do Cruzeiro, uma das mais altas recompensas militares;
– Debelar na Cisplatina (Uruguai) a luta armada entre o general Francisco Lecor, partidário de Dom Pedro I, e o general Álvaro Costa, contrário à independência, fiel a Portugal, confronto sob seu comando ocorre nos anos de 1826 e 1827, derrotando, o general Álvaro, pacificando a Cisplatina. Por sua denodada ação, lhe foi concedido o Hábito de Aviz e no ano seguinte, 1828, a Ordem da Rosa;
– Por termo ao confronte bélico entre Cabanos e Bem-te-vis, denominado Balaiada, travado no período de 1839 a janeiro de 1841, na província do Maranhão, conseguindo apaziguar os ânimos, estabelecendo a ordem e a paz. Recebe em recompensa o título de Barão de Caxias;
– Pacificar os revoltosos de Sorocaba/SP, em 1842, o que conseguiu, os derrotando em trinta dias. Segue para Barbacena/MG, aliada de São Paulo, também os derrotando, dando por finda a Revolução.
– Pacificar o Rio Grande do Sul, em guerra havia dez anos contra o governo imperial, os republicanos (farroupilhas) dominavam grande espaço da Região Sul. Assumindo o governo da província e o comando do exercito, em 1842, após renhidos combates, conseguiu vencer dando pacificada, em 1845, a província gaúcha.
– Reprimir o audacioso plano do Uruguai (Oribe) e da Argentina (Rosas), aliados, de anexarem o Paraguai. Derrota Oribe, em 1851 e Rosas, em 1852, ocupando Buenos Aires. Declarando findas as hostilidades. Lhe é outorgado o título de Marques de Olinda.
– Guerra do Paraguai iniciada em 1865, é nomeado Comandante em Chefe, em 1866, vitorioso em decisivas batalhas tais como Humaitá, Chaco, Itororó, Avaí, Lomas, Valetina. Em 1869 ocupa Assunção, Capital do Paraguai, transfere o comando para o Conde D’Eu, retirando-se doente para o Rio de Janeiro. Sendo agraciado com a medalha do Mérito Militar e o título de Duque de Caxias.
Cargos Executivos exercidos:
Presidente da Província do Maranhão (1839/1845);
Presidente da Província do Rio Grande do Sul (1842/1845);
Presidente da Província do Rio Grande do Sul, pela segunda vez (1851/1852);
Ministro de Guerra (1855);
Conselheiro do Conselho do Império (1856); e pela segunda vez em (1861);
Conselheiro de Guerra (1858);
Presidente do Conselho do Império e Ministro da Guerra (1875).

Cargo político:
Senador do Império filiado ao partido Conservador (1845).

Considerando cumprido o dever assumido de servir o Brasil retirou-se da vida pública, aos setenta e sete anos de idade, falecendo em 1880.
Caxias foi o mais valoroso e audaz soldado, o mais sutil diplomata e o mais competente e correto gestor público. Era um patriota sua vida foi dedicada à construção do bem estar social, da segurança e da soberania da Pátria.
Em reconhecimento aos seus méritos, foi designado Patrono do Exercito Brasileiro, extensivo a todos nós filhos desta magnânima nação.

Em: 25/08/2016                                           
        

Abnael Machado de Lima
Membro efetivo da Academia de Letras de Rondônia
e do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia
Prof° de História do Amazonas na Universidade  Fed. Do Pará

 

CARNE DE SOL

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Chicão da Costela era especialista em churrascos. Gaúcho e apaixonado mesmo por assar uma carne. Até se oferecia aos amigos nos finais de semana para preparar a carne. Ele mesmo dizia que não importava o corte nem a qualidade da carne. Fosse bovina, suína, caprina, carne dura ou mole. Se fosse dura ele trabalhava a carne até que ela ficasse mole…Fazia também embutidos como linguiças e calabresas. Preparava os molhos e vinagretes. Mas, dentre as suas preferidas, a carne de sol era a que mais ele dava ênfase. Nos mínimos detalhes, até o carvão que ia para a churrasqueira, ele mesmo gostava de escolher. As facas e espetos rigorosamente limpos! Não gostava de afiar as facas e usá-las na sequência. Condenava quem afiava os facões e, sem lavá-los, ia logo cortando a carne. Dizia que o ato de afiar deixava um pó de aço ou metal nas facas que poderia contaminar a carne se não previamente lavadas,  causando até mesmo danos a saúde das pessoas. Quando era convidado para fazer um churrasco, acordava-se bem cedinho, ia ao açougue escolher as carnes, comprava tudo que iria precisar. Chegava bem antes do horário marcado, acendia o fogo na churrasqueira, esperava a fumaça se dissipar, pois a carne poderia absorver a fumaça e, também, causar danos a saúde. E disso entendia muito, pois a defumação de seus embutidos seguia padrões e protocolos internacionais. Sais de cura, madeiras nobres, fungos específicos, tudo com requinte e rigor de um mestre. Mas a perfeição é uma virtude incompatível com o ser humano. Chicão, dentro de sua própria especialidade de churrasqueiro, tinha um defeito “de nascença”. Não podia ser contrariado naquilo que dizia ser rito sagrado do churrasco. Não tolerava sequer ser questionado sobre assunto. Seu saber era soberbo e absoluto. Ele criava uma verdadeira muralha entre os comensais e a churrasqueira da qual era o guardião (adjetivo tipo onipresente…). Contava-se que certa vez, alguém jogou água na churrasqueira para diminuir a labareda e ele ficou irado a ponto de abandonar e evento deixando todos na mão.
Pois bem! Chicão foi convidado pra “queimar uma graxa”, como ele mesmo dizia nos momentos de descontração. O local era a chácara de um amigo seu que ficava nos arredores da cidade. Na verdade o patrono do churrasco estava mais pra conhecido que pra amigo. Nunca estivera antes no local, por isso  inteirou-se com o tal “amigo” sobre peculiaridades do local, da churrasqueira, numero pessoas, preferências por cortes, etc, etc. Seria um aniversário de um cunhado do proprietário. Receberiam em torno de cem pessoas para o almoço em um sábado de novembro. Ainda na sexta foi em busca dos insumos… Estava meio desolado: Na relação das carnes que lhe foi passada não constava aquela que era sua especialidade, a carne de sol . Ainda pensou em questionar os anfitriões que lhe haviam convidado. Mas, ficou constrangido em fazê-lo, pois era contratado apenas para assar e servir o churrasco aos convidados. Mesmo assim, na véspera da festa, preparou para si mesmo uma picanha maturada, de boi novo, salgou a carne colocou seus temperos e a colocou ao ar livre para desidratar. Claro que antes teve o cuidado de cobrir tudo com um véu fino para impedir a aproximação de moscas e outros insetos. No dia do evento, saiu bem cedinho para cumprir aquele ritual, ou seja, acender o fogo, preparar a mesa com as facas previamente afiadas e lavadas, onde o churrasco seria cortado e servido. Foi muito elogiado por todos os convidados que adoraram seus saborosos  cortes enfiados nos espetos. Não só o sabor  mas também o cheiro do churrasco atraía a todos que chegavam ao local. Entretanto, o mais curioso é que aquela carne de sol, que ele fizera só pra ele, foi a que mais fez sucesso. Todos queriam provar! Não sobrou quase nada para o Chicão. Os anfitriões chegaram mesmo a vir questioná-lo porque não fez mais carne de sol.
– Não estava na relação que vocês me deram. Eu trouxe um pouco, mas só pro meu uso. Acabou que eu nem provei da minha carne de sol. Os seus convidados parece que aprovaram e comeram tudo!

– dizia o Chicão Costela todo orgulhoso.
               
Naquela semana, o Chicão ficou matutando e remoendo uma ideia. Porque não fazer carne de sol pra vender. Muita gente não sabe fazer e compra qualquer carne nas feiras, açougues ou supermercados. A sua carne de sol era diferente, especia!. Teria uma boa aceitação. Assim sendo poderia ganhar uma grana extra que o ajudaria no seu orçamento mensal. Pensou, pensou e se decidiu. Comprou 100 kg de carne que ele mesmo escolheu, montou um varal alto na frente de sua casa, no início da BR 364, Km 14, no sentido Candeias do Jamari, antes do posto da Polícia Rodoviária Federal. Cortou meticulosamente a carne, salgou e a pendurou no varal, coberta por um grande véu protetor. Deveria ficar no varal umas 24 a 36 horas, ao sol,  para desidratar o suficiente. Era uma sexta-feira quando uma camionete Hillux 4 x 4 parou em sua porta e buzinou. Chicão foi ver quem era e deu de cara com um homem gordo, alto e de chapéu a” la Indiana Jones”.

– Bom dia meu jovem! — saudou o homem abrindo um sorriso largo. Sou Jorjão Quintela, mas conhecido com “Jorjão My love”

– Bom dia. O que o senhor deseja seu “My love”?

– Isso aí no varal é carne de sol? E é pra vender?

– Sim senhor. E da melhor qualidade.

– Quero comprar.

– Quantos quilos o senhor deseja?

– Quero tudo?

– Mas Seu Jorjão,  aqui tem 100 kg de carne.

– Eu disse tudo!  Pode ir tirando do varal e colocando na minha camionete.

– Pois não.
           
Chicão tirou toda a carne do varal e a depositou na camionete.

– É o seguinte, meu bom amigo — falou o “Jorjão My Love”. Sou seu quase vizinho. Minha fazenda fica daqui a uns 50 km, próximo a Itapoã D’Oeste. Hoje é sexta-feira,  você me dá o valor total dessa compra,  quando for na próxima segunda-feira bem cedo eu estarei de volta, passo por aqui e pago a sua carne, OK? 

– Olha aqui Tchê — respondeu o Chicão  mal humorado:  eu já salguei essa carne pra não perder!…

– Mas…

História da Praça Jonathas Pedroza

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Abnael Machado de Lima, membro da Academia de Letras de Rondônia, historiador, professor universitário aposentado
                                                         Esta praça foi a primeira construída em Porto Velho, ainda povoada, pelo então  Superintendente Fernando Guapindaia de Souza Brejense, em 1915 autorizado pelo Conselho Municipal (equivalente a Câmara).

                            Foi edificada sobre o charco barreiro das antas devidamente aterrado, conforme o projeto do construtor José Ribeiro de Souza Junior por ele executado.

                            Era atravessada em sua parte central por um trecho da rua José Bonifácio, interligando a rua Barão do Rio Branco à Avenida Sete de Setembro, esta interrompida por uma grande e profunda cratera alagada pelas águas do igarapé Favela, formando um imenso charco compreendido entre as Ruas barãp do Rio Branco ao norte, a Prudente de Morais ao oeste, General Osório ao leste e a sete de Setembro ao sul. O trecho da vancontinuidade do trânsito da sete de Setembro, proseguindo pela Rua Barão do Rio Branco até a confluência com Rua Gonçalves Dias, retornando à Sete de Setembroem sua continuidade.

                         (Essa cratera foi aterrada pelo governador do Território Cel. Ênio dos Sando Pinheiro, permintindo livre trânsito em todo pércurso da avenida Sete de Setembro).

                          Concluída a construção da praça, solenemente inaugurada, sendo denominada praça Amazonas e as calhas dáguas anexas, Fonte Amazonas.

                        Esta demonidação, em 1917, foi mudada por Dr. Joaquim Tanajura, para praça Jonathas Pedrosa, em homenagem ao criador do Município de Porto Velho.             

                       No transcurso dos anos foram exercutadas reformas entre as quais a unificação das duas quadras, instalação de equipamento modernos de iluminação, jardinagem e outros bens públicos, a tornando aprazível ponto de convergência da população.

                      Havia um constante zêlo por sua manutenção higiênica e sua segurança, na década nos anos cinquentas do século vinte um empresário instalou em seu redor um posto de gasolina, por sua inconviniência e o risco que representava, foi determinada sua desativação.

                   Porém o relaxamento de sucessivas administrações Município descompromissadas com a promoção do bem estar social, com a preservação do patrimônio material e cultural, contando com a conivência do legislativo, tem permitido sua depedração, e destruição, a exemplo a Praça Jonathas Pedrosa, transformada em reduto de marginais, ocupada por infectas barracas, e até a estátua so seu patrono, ninguem sabe , ninguem viu, simplesmente desapareceu.

                 Funcionou no edifício Josino Lemos a delegacia Regional do Departamento nacional de Imigração criada em Abril de 1943, funcionou até 31 de maio de 1945, em coordenação com a comissão Administrativa de encaminhamento de trabalhadores para a Amazônia (CAETA). Recebeu e encaminhou para os seringais do atual espaço limitado pelo Estado de Rondônia, 4.543 trabalhadores, em cumprimento aos acordos de Washington (brasil / Estados Unidos da América do Norte – 03/03/1942).

                      A Delegacia em Porto Velho tinha como Delegado Dr. Joaquim Araújo Lima, cargo exercído, acumulando com o de diretor da estrada de Ferro Madeira-mamoré.

FESTAS JOANINAS NA PORTO VELHO ANTIGA

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Na tradicional Porto Velho, as  festas juninas tinham inicio no dia 12 de junho com a celebração da missa na Capela de Santo Antônio, na ex-vila da mesma denominação, organizada por um grupo de senhores lideradas por D. Lili Calmon. Após a missa havia a ritualística distribuição dos pães. Conforme programado o trem da Madeira-Mamoré, transportava de hora e hora os romeiros, ao local dos festejos, e os trazia de regresso, ate às dezoito horas, no último trem. Era o dia todo de folguedo animado pelos acordeos da orquestra da banda de música da valorosa Guarda Territorial.
Santo Antônio revivia o fausto das décadas finais do século XIX e das iniciais do século XX, da condição de mais destacado empório do alto Rio Madeira. Agora ninguém matava ninguém morria como então, tudo era amor e alegria, conforme canta a Gal.

Na cidade as avenidas, ruas e becos eram ornadas com bandeirolas coloridas, haviam festas dançantes nos clubes sociais, a prefeitura em um dos sábados ou domingos realizava uma popular, na praça Aluízio Ferreira na qual havia um espaço ovalado apropriado para danças. O baile começava as dezesseis horas embalado pelos ritmos próprios joaninos, baiões, xaxados, mambo jambo etc, executados pelos exímios músicos da Guarda Territorial.
Os casais não se faziam de rogados, aproveitavam, dançavam agarradinhos, ao contrário dos atuais, os homens indiferentes às mulheres, não as convidam para bailarem, o que fazem damas com damas, os cavalheiros quando se decidem dançar, executam pulos e rodopios acrobáticos transformando o salão em quadra de atletismo e picadeiro de circo, os que pretendem realmente dançar, que se danem. As vinte e uma horas, após a apresentação da quadrilha, terminava a festa.
Em todos os bairros seus moradores organizavam arraiais, quadrilhas e os cordões de boi bumba, estes faziam suas primeiras apresentações em frente o prédio do jornal Alto Madeira, cortesmente recepcionados por seu diretor o jornalista Euro Tourinho.
Os estudantes seus pais e professores também ornamentavam, suas escolas, instalavam arraiais e apresentavam quadrilhas. Destacava-se a da Carmela Dutra sob a orientação das professoras Marise Castiel, Cléa Guerra, Hermelinda Câmara (esta marcadora da quadrilha, sem lampião, Maria Bonita e outros estranhos figurantes)e o professor José Augusto C. Leme, docentes de música e de Educação Física.
O empresário Mouranzinho era o marcador de uma animada quadrilha, da qual vinha a frente, com a autoridade dos seus quase duzentos quilos montado num coitado jumento. Apresentava-se na praça Rondon. Em uma das vezes, um domingo a noite, o jumentinho desembestou e com seu condutor invadiu o cine Resky causando pânico na plateia e desespero aos irmãos reskys os quais mimosearam o cavaleiro com uma saraivada de descompostura.
Não faltavam as fogueiras em frente as residências, as pessoas as volteavam em sentido contrario, ao se encontrarem, apertavam as mãos, pronunciando: Santo Antônio disse, São João confirmou que haverás de ser meu primo, meu compadre, que São Pedro mandou.
Nos terreiros de Santa Bárbara, suborocu  e outros, os santos joaninos eram homenageados com rituais específicos, ao som apropriado dos atabaques e reverencias dos filhos e filhas de santo.
Desta forma espontânea sem precisar de agentes oficiais estabelecendo leis de procedimentos, as pessoas externavam seu modos atávicos culturais herdados da luzitaneidade, homenageando no mês de junho os santos: Santo Antônio, São Pedro, São João e São Marçal.             
        

Abnael Machado de Lima
Membro efetivo da Academia de Letras de Rondônia
e do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia
Prof° de História do Amazonas na Universidade  Fed. Do Pará

 

MAIS UMA VEZ A ORDEM CRONOLÓGICA NÃO FOI RESPEITADA

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CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES

 
Paulo Saldanha (*)
 
            Já tive perdas que me revoltaram e me tornaram muito infeliz. Primeiro minha mãe, aos 37 anos, o que muito afetou, quase me traumatizando; depois, meu tio João, um ídolo; anos depois, minha avó Bernarda me encheu de melancolia, enlutando-me; até que, num primeiro de maio, no ano de 2000, Dia do Trabalho, meu pai, Paulo Saldanha Sobrinho, deixava este vale de lágrimas, fazendo-me chorar copiosamente como das vezes anteriores.
 
            Outros desaparecimentos trouxeram amarguras ao meu coração pelas precoces partidas de amigos e parentes próximos.
 
            No Dia dos Namorados, domingo, dia 12 passado, uma dor aniquiladora, intensa, sem precedentes, enodoou a existência de toda a minha família. Nosso segundo filho, após três paradas cardíacas, foi para o andar de cima, quando a esperança era o único sonho pelo qual as nossas orações ansiavam.
 
            Na cronologia da vida, quando se pensa na morte, a sequência lógica nos induz a crer que o filho, ou os filhos, sepultem os pais. É o natural na trajetória dos seres, principalmente dos humanos.
 
            Foi quebrada essa lógica, no meu caso e no de minha mulher. Pancada das mais fortes, jamais imaginada por mim, que penso e tento filosofar sobre a morte.
 
            Diz um provérbio árabe: “queres viver muito, pensa na morte…”
 
            E eu, que penso nela, me distraí e fui surpreendido no outono da minha existência por uma dor tão grande como se fosse um aborto a ferro em brasa, sem anestesia, sem aviso prévio; enfim, sem que uma preparação psicológica fosse antecedida, paralisando na minha trajetória a expectativa que eu e a esposa tínhamos de continuar convivendo com os quatro filhos abençoados com que Deus nos premiou a vida. Ficaram os três, Audrey, Dayan e Dayanne. Um dos endereços eletrônicos dentre os meus contatos, o e-mail dele, ficará inerte… Que pena! A troca de correspondência se dará no plano mental, pelas saudades que já estamos a sentir.
 
            E agora os dias vão se passando, sem que eu deixe de questionar: foi uma punição em face dos meus defeitos ainda não exorcizados? Ou pelos erros por mim cometidos – jamais por dolo –, talvez por inadvertência ou equívocos de avaliação?
 
            Sou alertado através das mensagens afetuosas que recebo via WhatsApp ou e-mails a aceitar os desígnios divinos. Adianto que nenhuma repugnância ao trágico deslinde me invade; sou temente a Deus e vejo que toda a família, em nome da racionalidade e espiritualidade, também pensa assim. Achamo-nos sob forte impacto, porém resignados, pois imaginamos que, com essa reação, contribuímos para a paz no descansar eterno de nosso filho Delman Cavalcante Saldanha.
 
            Na nossa análise, fincada na crença cristã e nos valores que elegemos como verdadeiros, se por um lado o nosso sofrimento tem sido doído por demais, temos a consciência de que temos que aguardar a passagem do tempo que transformará a dor de agora em um outro sentimento mais brando, o que nos levará aos momentos das saudades e das boas lembranças por termos vivido 44 anos ao lado dele – ainda que eventualmente estivéssemos distantes pelos quilômetros a nos separar no plano geográfico -, posto que somos uma família que aprecia viver uns próximos dos outros, porque nos queremos bem e nos admiramos reciprocamente.
 
            Embora a música do Peninha trate de outro tipo de amor, vejo que cabe se adaptarmos para a precoce partida do nosso Delman: “Mas não tem revolta não / Eu só quero que você se encontre / Ter saudade até que é bom / É melhor que caminhar vazio / A esperança é um dom / Que eu tenho em mim (eu tenho sim) / Não tem desespero não / Pois o Cristo nos ensinou milhões de coisas / Tenho um sonho em  minhas mãos / Amanhã será um novo dia / Certamente eu vou ser mais feliz…”
 
            E eu, que penso na morte, dela não tenho medo. Tenho é pavor! Pois ela traduz tanto sofrimento, tanta dor tão imensa, que, quando chegar a hora incerta da minha ida, pretendo inclusive fugir do meu próprio velório…
 
(*) Paulo Saldanha, pai, membro das Academias de Letras de Rondônia e Guajaramirense de Letras

AS COBRAS GRANDES AMAZÔNICAS

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O Acadêmico Matias Mendes, veterano pesquisador do vale do Guaporé, seu berço natal, divulgou por intermédio do jornal Alto Madeira edição de 19 de março do ano de (2016) em curso, o aparecimento desde o mês de agosto de 1915, no Rio Guaporé nas proximidades do Forte do Príncipe da Beira, no trecho compreendido entre o Estirão de Puerto Ustérez e a Boca da Baia Redonda.

Ocorrência que se tornou constante, a gigantesca cobra emergir das profundezas das águas, deslocando-se em sua superfície, quase que diariamente conforme constatação de numerosas pessoas ali moradoras. Fato inédito, visto a normal raridade desses aparecimentos em longos espaços de tempos.

As cobras grandes aquáticas, são seres mitológicos e reais arraigados na nossa cultura de povos amazônicos, desde a mais tenra idade, ouvimos histórias sobre elas, contadas por nossos avós,pais e pessoas idosas, bem como narradas em livros.

O articulista em seu livro “ Lendas do Guaporé”, narra as impressionantes visões que teve de duas gigantescas cobras, uma se deslocando em sentido contrário à correnteza do Rio Guaporé e outra mais aterradora na floresta de sua margem.

Uma em Guajará Mirim, foi fotografada subindo o Rio Mamoré.

 
Dom Rey avistou uma de enorme tamanho, numa praia situada na foz do Rio Pacaás- Novos. Em tempos idos na margem direita do Rio Madeira em frente à Porto Velho, em um poção de insondável profundidade habitava uma boiúna a qual era atribuído os desaparecimentos sem deixar vestígios, de várias pessoas  que ali, a noite se aventuravam pescar, o que aconteceu com o foguista da guarnição do navio Belém, Francisco Miranda, noticiado no jornal Madeira edição de 28 de outubro de 1917, com o título “ Mais um Infeliz Desaparecido no Insondável Poção”.

Um pouco acima da ex-cachoeira de Santo Antônio do Rio Madeira, vivia uma cobra grande cega de um olho, isto comprovado visto quando energia a noite,só era visto um foco de luz fosforescente, segundo o testemunho dos beradeiros moradores no local.

Entre outros temerários que se arriscavam pescar na escuridão da noite, engoliu um jovem. O qual apesar dos seus gritos pedindo socorro, dado as circunstâncias da escuridão e o grave pecado de infrigência à sexta feira da paixão, não foi possível prestar-lhe socorro.
No porto da vila de Calama num poção moravam (ou ainda moram), um casal de cobras grandes o qual em seus arroubos sexuais, ocasionam violentos banzeiros fraturando e desabando barrancos, pondo em risco as residências e as casas comerciais.

O Carlinho Camarça quando Prefeito Municipal, designou seu Secretário de Obras Ramires a pessoalmente in loco, averiguar a veracidade e gravidade da ocorrência indicando alternativas de soluções para a área de risco, tranqüilizando os calamenses.
O padre José Francisco Pucci (padre Chiquinho) em seu relatório de viagem junto com Dom João Batista Costa (Bispo), registra “Estávamos no Rio Arapuanã, pouco a baixo do Rio Paxiuba, enquanto a canoa baixava de bubuia e com bastante velocidade, incontinente emergiu quase no meio do rio um animal cuja a cabeça era do tamanho aproximado da de um bezerro. Dirigiu-se para o bocal onde nosso motor tinha dado sinal de explosão, voltou em seguida para o lugar de antes, submergindo, os moradores da Guariba confirmaram a existência de um monstro naquele poção”.

O engenheiro Carlos Hayden da empresa P&T Collins e seus companheiros  de trabalho engenheiros e trabalhadores braçais, no fim da tarde do dia 28 de março de 1878, quando retornavam para o acampamento próximo a cachoeira dos Macacos (Rio Madeira), ao atravessarem um charco foram atacados por uma grande sucuri(7 metros), as armas que possuíam era uma espingarda e os revolves individuais. Travada a batalha ela obtinha vantagem avançando e eles recuando, sempre atirando, por sorte um dos projeteis atingiu-lhe a cabeça matando-a.

O Sargento-Mor Francisco de Melo Palheta, em junho de 1723, comandando uma expedição subindo o Rio Madeira, ele e seus subordinados avistaram duas gigantescas boiúnas com mas de 20 metros de comprimento e 4 á 5 metros de espessura, uma próxima a foz do Rio Jamarí e Outra junto a cachoeira dos Macacos. No seu relatório atribuiu um milagre de Nossa Senhora do Carmo, a protetora da expedição, não terem sido atacados.
Os relatos que fizemos são apenas de alguns reais episódios os quais  comprovam a existência de cobras com mais de vinte metros contradizendo a afirmação dos cientistas, dos biólogos e de outros mais, de que o maximo tamanha atingido por uma cobra são dez metros.

Reitero o desafio feito aos cientistas e pesquisadores de gabinetes pelo Matias Mendes em suas publicações anteriores e agora os convidando a fazer uma visita ao Forte do Príncipe da Beira,  tendo a oportunidade impar, isenta de perigo de observarem a monstruosa boiúna, flutuando nas águas superficiais do Guaporé, a vista de todas e a quaisquer hora do dia, um comportamento inusitado, oportunizando-os a reconsiderarem suas teóricas afirmativas sobre o porte das cobras grandes habitantes dos rios Madeira, Mamoré, Guaporé e de seus afluentes.
 
                
ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº. de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER.

 

JOAQUIM DE ARAÚJO LIMA – O GOVERNADOR POETA

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Na galeria dos poetas literatos de Rondônia, destaca-se o engenheiro civil, baiano, Joaquim de Araújo Lima, ativista político integrante da Ação Integralista Brasileira. Essa colocada na ilegalidade em 1938 e posteriormente seus membros foram presos confinados em Fernando de Noronha.

Anistiados, ele se dirigiu à Amazônia escolhendo Porto Velho para fixar residência. Isto na primeira década de 1940, cidade na qual moravam muitos dos seus correligionários.
Homem culto, intelectual integrou-se ao seguimento social e ao do trabalho, exercendo os mais elevados cargos administrativos entre as quais os de superintendente da superintendência de Abastecimento do Vale Amazônico/SAVA, Diretor da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e o de governador do Território Federal de Guaporé (1948 a 1951), o qual administrou com eficiência e eficácia, comprometido como bem social, em consonância com o planejamento de governo.

Construiu os prédios sede da ferrovia Madeira-Mamoré, o Palácio do Governo, o Porto Velho Hotel, o do Fórum Judiciário, o da Maternidade estes na capital.
Em Guajará Mirim os prédios do Hospital, do Grupo Escolar Simon Bolívar, do Hotel. Instalou postos de saúde e escolas rurais, nas sedes distritais dos vales dos rios Madeira, Ji-Paraná, Jamari, Mamoré, Abunã, e ao longo da ferrovia. Todos esses pessoalmente inspecionando e dialogando com seus habitantes.

A natureza o fascinava, como à exalta em seus inspirados poemas tais como:

Céus do Guaporé
Quando em nosso céu se faz moldura
Para engalanar a natureza,
Nos os bandeirantes da Amazônia,
Nos orgulhamos de tanta beleza

Dom João Batista Costa
Salve o pastor, que Deus nos deu missionário da fé
legionário do bem, defensor do Guaporé
No coração dos teus fiéis a gratidão se firmou,
E a caridade cristã para sempre se abrigou.
Se consultarmos os rios as veredas sob o céu,
Nelas andou nosso Bispo buscando d’almas para Deus,
Por isso todos amamos nosso santo e querido pastor.

Escoteiros do Guaporé
Nestas fronteiras do nosso Brasil,
Onde se espraia o Rio Mar,
A mocidade ergue-se viril
Num gesto nobre para lutar
E resoluta gritou sempre alerta,
Pelo Brasil estamos de pé,
Como sentinelas avançadas
Nas terras nova de Guaporé.

São essas as estrofes iniciais de algumas de suas composições literárias, as primeiras foram musicadas e respectivamente adotadas como hino do Estado de Rondônia e dobrando em homenagem ao primeiro Bispo da Prelazia de Porto Velho, Dom João Batista Costa.
O poeta Joaquim de Araújo Lima, é digno das mais relevantes reverencias, pelo seu trabalho realizado em prol do progresso e por sua exaltação à terra, à gente do Guaporé hoje Rondônia.  

(ACLER, 14 de março Dia Nacional da Poesia)
                 
ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº. de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER

 

GRANDES EXPEDIÇÕES À AMAZÔNIA BRASILEIRA-1500-1930

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Livro de autoria de JOÃO MEIRELLES FILHO

Equívocos do Autor:

Páginas 42 Bandeira de Raposo

Tavares

No rio Mamoré e depois ao

encontrar o Guaporé caudaloso
Rio Madeira.

– Correções:
Raposo Tavares não percorreu o Rio Guaporé,
simplesmente passou por sua foz na margem
direita do Rio Mamoré, no qual navegava a parti das suas cabeceiras na cordilheira dos Andes (Bolívia atual), por ele descendo até sua confluência com o Rio Beni, originando o Rio Madeira, por este prosseguindo até a sua foz na margem direita do Rio Amazonas (1750).

56 – expedição do sargento-Mor Francisco de Melo Palheta.
– Percorrem os principais formadores – o Mamoré e o Guaporé.

63 – Francisco Melo Palheta até
Vila Bela, no alto Madeira.

Melo Palheta em 1722/1723, saindo de Belém- Grão-Pará, subiu o Rio Amazonas até a foz do Rio Madeira, no qual adentrou, subindo-o até a confluência do Rio Beni com Rio Mamoré, seus formadores; prosseguindo subindo o Rio Mamoré, até as missões dos jesuítas espanhóis das quais retornou à Belém, navegando em sentido contrario, Mamoré, Madeira, Amazonas.
-Vila Bela, ficava e fica no alto Rio Guaporé, tendo sua denominação mudada para cidade de Mato Grosso – MT.

67 – Ricardo Franco percorrerá o madeira e o Guaporé, onde irá entre os feitos criar uma Vila atual Porto Velho.

O engenheiro militar português, Ricardo Franco membro da Comissão Demarcadora de Fronteira, saiu da cidade de Barcelos, capital da capitania de São José do Rio Negro (Amazonas), em 1781, subiu os rios Amazonas, Madeira, Mamoré e Guaporé, neste estacionando em Vila Bela/MT. A atual cidade de Porto Velho surgiu em 1907, próxima as instalações da ferrovia Madeira Mamoré, na margem direita do Rio Madeira.

104 – Cabanagem
– Província do Pará que a época o abarcava praticamente todas da região norte do Brasil, à exceção de Rondônia e Acre.

As províncias da região norte à época, eram a Grão-Pará e São José do Rio Negro (Amazonas), a esta pertencia o Vale do Rio Madeira, no qual atualmente encontra-se o Estado de Rondônia, ocupado pelos revoltosos cabanos. Portanto, não sendo exceção. O alto Purus, atual Estado do Acre, pertencia à Republica da Bolívia, fora do contexto da conflagração da revolução cabanagem, na região norte do Brasil.


ABNAEL MACHADO DE LIMA

Profº. deHistória da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro doInstituto Histórico e Geográfico/RO
Membro daAcademia de letras de Rondônia – ACLER.

 

Centenário da loja Maçônica UNIÃO E PERSEVERANÇA 1916/2016

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A trajetória histórica da loja Maçônica União e Perseverança se entrelaça com a de Porto Velho, por serem os seus destacados protagonistas, obreiros ativos dessa agremiação.

Foi fundada na vila de Presidente Marques/MT, atualAbunã, em 14 de julho de 1916 por iniciativa do maçom José Pordeus Alencar, o qual congregou os obreiros dispersos nos povoados nascentes, nos seringais, no labor das diversas atividades econômicas.

Nessa primeira sessão foi deliberado transferir a sua sede para o povoado de Porto Velho/AM.

Inicialmente reuniram-se os maçons Martinho Ribeiro Pinto, Manoel Ferreira Guimarães,    José Casemiro Bayma, Aberlado Mejias Peláes, Henrique de Carvalho Santos, José Jorge Braga Vieira, Manoel Martins da Silva, Antônio Joaquim Candéias, Prudêncio Bogea de Sá, João da Silva Madaleno, Domingos Saboia, Miguel Andrade Pastone, José Peixo Dias, José Pinto da Fonseca e José Pordeus Alencar.

Elegeram uma diretoria provisória sob a venerância de José Braga Vieira, no dia 24 de janeiro de 1918, evento publicado no Jornal Alto Madeira.

Instalaram-se provisoriamente, na residência do juiz municipal Martinho Ribeiro Pinto e posteriormente numa das casas da empresa Madeira-Mamoré Railway Company situada na avenida Faquhar, atrás do prédio da usina de energia elétrica, assim permanecendo até a loja ser transferida em definitivo para o prédio construído na década de 1920, situado na rua José Bonifácio esquina com a rua Dom Pedro II, no qual permanece.

Antes porém foi fundada em 1909, a loja Maçônica dos Temporários, composta por maçons de diversas nacionalidades contratados pela empresa Madeira-Mamoré. Reuniram-se em assembléia em plena floresta, instalando-a, essa funcionou uma vez, conforme é relatado no livro de memórias, de autoria do engenheiro norte-americano Frank W. Kravigny, um dos protagonistas desse evento.

Assim sendo, a premasia de ser a primeira loja maçônica fundada no atual espaço de Rondônia, é conferida à União e Perseverança.

A desabrida oposição lhe imposta pelos intransigentes líderes da Santa Igreja Católica Romana, denegrindo-a em suas prédicas taxando-a de ser arte diabólica, erva daninha prejudicadora da arvore do bem, máquina da formação liberal de idéias subversivas e anti-clericais*. Ameaçando com excomunhão e a condenação ao fogo eterno do inferno, os que se imbuísse com a maçonaria.

O padre João Nicoletti em 1932, propós comprar o prédio da União e Perseverança com o apoio da prelazia, para afastar os maçons das proximidades da Catedral. Porém esses obices não foram capazes de deterem a expansão maçônica em quantidades de obreiros e de lojas em Porto Velho e em todo o espaço de Rondônia, contribuindo para seu desenvolvimento social. Político, econômico e cultural.

Ciosa do seu compromisso com o alcance dos objetivos da prevalência da fraternidade, da igualdade e liberdade posto em prática por homens livres e de bons costumes.

No decorrer de sua profícua existência tem cumprido o seu dever de promover o bem estar social, comprovado indelevelmente, pelas realizações de tantas fraternais ações, entre as quais as criações da escola Samaritana e do curso profissionalizante de técnico em contabilidade “ Estudo e Trabalho “.

A primeira destinada às crianças  do bairro suburbano da Olaria, de população carente, atendendo-as com ensino, material escolar e lhes presentiando  com brinquedos no natal. O segundo, para oportunizar os jovens concluintes do ensino secundário, desprovidos de recursos financeiros para ingressarem no ensino superior fora do Estado, terem acesso aos empregos disponíveis no mercado de trabalho. Realizações dos mais destacados relevos sociais e econômicos.

Saudações e agradecimentos de um dos seus obreiros de mais elavado  grau, pela oportunidade de me ter sido propiciado o acesso aos conhecimentos maçônicos enriquecedores de minha formação intelectual e cultural.

Parabéns União e Perseverança.
 
– Desbravadores* II volume – Vitor Hugo
 
 
Em: 12/02/2016
 
*ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº. de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER.