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Abnael responde a uma consulta sobre Literatura Rodoniense

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Abnael Machado responde a uma consulta sobre Literatura Rodoniense
 
Professor Abnael Machado de Lima*

Senhorita acadêmica da UNIR, a matéria de sua consulta é por demais complexa, exigindo o pleno domínio do seu conhecimento, condição capacitadora a conceituar e discorrer adequadamente, com a devida precisão sobre literatura, capacidade da qual sou distituido por pertencer a outra seara.

Ainda, a única fonte precisa de informação é o livro “ Síntese da literatura de Rondônia “ de autoria do poeta e romancista Matias Mendes e da poetisa Eurice Bueno, membros da Academia de Letras de Rondônia, caso o tivesse encontrado o teria lhe remetido.

Porém sentindo-me na obrigação de corresponder a sua confiança em mim depositada, prestarei dentro dos limites de meus conhecimentos,as informações correspondentes à sua consulta, como segue:

Os registros de manifestações literárias no espaço físico atualmente limitado pelo Estado de Rondônia, ocorreram no início da metade da primeira década do século XX relacionados às formas de ocupação espacial, as atividades econômicas aos relacionamentos sociais, classificando-se pelas características dos poemas, das prosas e da historiografia em:

Literatura de Rondônia- esta constitui-se das obras, literárias poesias e prosas de momentos e de motivos individuais ou coletivos sociais, políticos, hotóricos e geográficos. Pertencendo-lhes com destaque, os poetas Alkindar Brasil Arouca Neoparnasiano; Bolivar Marcelino Romancista Parnasiano; Joaquim de Araujo Lima compositor, lírico; Claudio batista Feitosa compositor, escritor; Antônio Cândido da Silva condoneiro, escritor; Edson Jorge Badra; João Teixeira de Souza; José Calixto de Medeiros; Maria Isa Machado de Lima( poeta ), todos esses românticos líricos.

Literatura em Rondônia- constitui-se das obras literárias produzidas em Rondônia inspirados em momentos e temáticas, do meio social da origem dos autores.

-Destacam-se os poetas : Gerson Magalhães romancista lírico; Dimas Ribeiro da Fonseca romancista lírico; Antônio Gonçalves Dias lírico; Pedro Tavares Batalha lírico; Carmem Veloso boucinhas ( poeta ) romancista.

Literatura sobre Rondônia- constitui-se das obras produzidas sobre Rondônia, por autores nacionais e estrangeiros residentes em outros estados e países.

-São algumas dessas obras:

Trem Fantasma- A Modernidade na Selva; Viagem da Boca do Maderia até às Cabeceiras; A Ferrovia do Diabo; Urucumacuan; As Botas do Diabo; Estrada de Ferro Madeira Mamoré História de uma tragédia; A chegas para a historia de Porto, respectivamente dos autores: Francisco Foot Hadman; Júlio Nogueira; Manoel Rodrigues Ferreira; Emanuel Pontes Pinto; Kuart Falkenburger; Neville B. Craig; Antônio Contanhede.

Atualmente há uma expansão da produção ltorária, sua divulgação e obstaculização pela carência de organização é do entrosamento entre os literatos.

Espero que estas informações atendam suas expectativas

               
*ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº. de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER.

A FACE OCULTA DA HISTÓRIA

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Professor Abnael Machado de Lima*

Sobre a criação dos novos municípios do então Território Federal de Rondônia, desmembrados dos municípios de Porto Velho e de Guajará-Mirim, já existentes, criados respectivamente pelas leis estaduais n° 757 de 02 de outubro de 1914 e n° 991 de 12 de junho de 1928, dos governos dos estados do Amazonas e do Mato Grosso, só são feitas referencias ao trabalho e ao empenho junto aos gestores federais para os criar, realizados pelo governador de Rondônia Humberto da Silva Guedes, no período de 20 de maio de 1975 a 20 de março de 1979, prosseguindo e complementado por seu sucessor, Jorge Teixeira de Oliveira no período de sua administração, de 20 de março de 1979 a 22 de dezembro de 1981.

Sendo na gestão do primeiro, obtida a expedição da Lei Federal n°6.448 de 11 de outubro de 1977, criando os municípios de Ariquemes, Ji-paraná e Cacoal desmembrados do município de Porto Velho e Vilhena desmembrados dos municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim. E na do segundo por intermédio da Lei Federal n° 6.921, de 16 de junho de 1981, foram criados os municípios de Jaru, Ouro Preto do Oeste, Presidente Médici, Espigão do Oeste, Colorado do Oeste e Costa Marques desmembrados respectivamente, dos municípios de Ariquemes, Ji-paraná. Pimenta Bueno, Vilhena e Guajará-Mirim.

Porém não se encontra nenhuma referencia ao trabalho desenvolvido no Congresso Nacional pelo parlamentar Deputado Federal representante de Rondônia. Dr. Jerônimo Garcia de Santana, em prol da criação de municípios no espaço geográfico de Rondônia como estruturas político-administrativas fomentadoras do desenvolvimento econômico, social e assistência e apoio à população em sua maioria constituída por migrantes, por ele formulado desde 1972, em pronunciamentos, projetos de leis, propostas de emenda à Constituição, entre os quais o Projeto de Lei n° 651/72 dispondo sobre uma nova organização municipal para os municípios do território, a emenda Constitucional n° 8 de março de 1977,propondo a criação dos municípios de Vilhena, Pimenta Bueno, Presidente Médici, Cacoal, Espigão do Oeste, Vila Rondônia, Ouro Preto, Costa Marques e Ariquemes.

A emenda Substitutiva n° 1 ao projeto n° 13/77-CN da Presidência da Republica, propondo a inclusão neste de mais dois municípios além dos citados, o de Jaru e o de Marechal Rondon, o Projeto de lei n° 1.700/79 reiterando o proposto na Emenda Constitucional acima referida e o Projeto de lei n° 4.765/81 propondo a criação dos municípios de Calama, Vila Nova do Yata, Cerejeiras, Alvorada D’oeste e Rolim de Moura.
O supra exposto, comprova o empenho do Deputado Jerônimo Santana em cumprir com eficácia os encargos do mandato lhe outorgado pelo povo de Rondônia, pugnado pela adoção de medidas políticas administrativas e sociais atendendo os interesses da comunidade, superando os óbices obstaculizadores.

O procedimento ditatorial do Poder Executivo Federal apoiado pela ARENA, impediam a concretização dos seus projetos, por ser ele opositor à ambos, filiados ao PMDB, tendo como objetivo desprestigiá-lo, desacreditá-lo perante seus eleitores.

Os cutubas remanescentes em Rondônia, abrigados na ARENA, exerciam sistemática campanha difamatória tendo por alvo seu desprestigio político, tentando ocultar o seu empenho em prol da criação de mais municípios no território, condição imprescindível ao seu desenvolvimento sócio econômico, divulgando como seus exclusivos idealizadores e propugnadores de redivisão política-administrativa de Rondônia, os coronéis Humberto da Silva Guedes e Jorge Teixeira de Oliveira, seus governadores.

O escuso procedimento politiqueiro de o alijar da história rondoniense não surtiu o efeito desejado. O povo aprovando a sua atuação parlamentar, o elegeram consecutivamente, em 1971, 1975 e 1979, Deputado Federal e para os cargos executivos de Prefeito Municipal de Porto Velho, em 1985, o primeiro eleito no Estado, e Governador do Estado, em 1987, também o primeiro eleito.

Dr. Jerônimo Garcia de Santana, é personalidade política e executiva de relevância na história de Rondônia. É preciso escrever de forma imparcial a história, comprometido com a veracidade dos fatos, sem ocultações ou distorções.               
 
*ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº. de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER.

A decisiva presença médica na construção da EFMM

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A DECISIVA PRESENÇA MÉDICA NA CONSTRUÇÃO DA ESTRADA DE FERRO-MADEIRA MAMORÉ

ViriatoMoura (*)

 

Muito já se falou e escreveu sobre a nossaEstrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). Diante do centenário de suainauguração, no dia 1º de agosto de 2012, mais ainda se disse da ferrovia cujaconstrução foi a maior epopeia do século 20. Todavia, ainda não se fez justiça,na correta dimensão, no que tange  adecisiva  presença médica nas frentes detrabalho da ferrovia para que o projeto fosse concretizado.

 Além dosmédicos americanos que atuaram no Hospital da Candelária, merece destaque aatuação dos sanitarista brasileiros Oswaldo Cruz e Belizário Penna que, em1910, a convite de Persival Farquhar, proprietário da empresa Madeira-MamoréRailway Company, construtora da estrada, fizeram o diagnóstico detalhado dascondições insalubres da região e propuseram medidas preventivas para saneá-las.Nas conclusões de seu relatório, o eminente sanitarista de Manguinhos foicontundente ao afirmar que  aprocrastinação das medidas será um crime de lesa-humanidade.

Acrescente-se que não só a EFMM, mas a tambémlendária Missão Rondon, contemporânea da construção da ferrovia, certamente nãoteria sido possível se um grupo de médicos não tivesse acompanhado o entãomajor Cândido Mariano da Silva Rondon em sua investida desbravadora.

Todas as tentativas para a execução da obra,entre 1872 e 1907, foram frustradas porque não foi dada, pelas empresasconstrutoras,  atenção devida àscondições insalubres da região, localizada no coração da selva amazônica, oentão chamado de inferno verde.

A floresta tropical infestada de animaisselvagens e peçonhentos, os índios arredios e ferozes, o alcoolismo disseminadoentre os trabalhadores, os violentos confrontos pessoais,  e outras dificuldades impostas pela natureza,por si só representaram um grande obstáculo. Entretanto, o mais severo delesfora imposto por doenças como a malária, a que mais matava; a febre amarela, otifo e a cólera além de outras  diarreias decorrentes da falta de higiene; viroses ainda desconhecidasou pouco conhecidas, e infecções bacterianas diversas, entre outros males e afalta de condições técnicas e de terapias clínicas (o quinino era o medicamentomais eficaz disponível, uma vez que os antibióticos e as sulfas nem sequerhaviam sido descobertos. Por isso, eram as doenças, mais que os outros fatoresambientais e interpessoais,  quedizimavam os operários impiedosamente. Estima-se que mais de 10 mil deles (estenúmero não tem a unanimidade dos historiadores) tenham morrido, o que deuorigem à lenda de que cada dormente representa uma morte. Daí porque a estradarecebeu as estigmatizantes denominações de Ferrovia do Diabo, Ferroviados Mortos, Ferrovia Fantasma.


Enfermo
caquético com bandagem no pé esquerdo parcialmente amputado,  ao relento na floresta impiedosa

 


Cemitério da
Candelária, localizado próximo ao hospital 

 

Os relatórios abalizados de dois dos primeiros
médicos que aqui chegaram para integrar a equipe construtora, os doutores H. P.
Belt, em 1907, e, em seguida, Carl Lovelace, em 1908, que dirigiram o Hospital
da Candelária, denunciaram as condições inóspitas do lugar.  Belt escreveu em seu documento histórico que um
trabalhador depois de noventa dias na região tornava-se imprestável.
(…)
É
a
região mais doentia do mundo — destacou.

Os sanitaristas brasileiros Oswaldo Cruz e
Belizário Penna, deixaram claro que se não fossem tomadas as devidas
providências preventivas por eles sugeridas, mais uma vez a ferrovia não seria
concluída.

A partir do momento em essas medidas foram
tomadas e que os pedidos dos médicos do hospital à empresa contrutora foram
atendidos (medicamentos, equipamentos, pessoal etc.), o índice de morbidade e
mortalidade diminuíram consideravelmente. Foram essas mudanças, decorrentes das
competentes ações médicas com auxílio de enfermeiras — em especial as
preventivas  — que tornaram possível a
continuidade da obra. Ante ao elevado índice de mortalidade de seus
companheiros, muitos trabalhadores, principalmente durante as tentativas que
antecederam a de Farquhar,  tentavam
fugir, mas geralmente acabaram morrendo por outros motivos durante essas
investidas desesperadores

É importante reiterar, por ser justo, que a
presença médica foi o fator divisor de águas na construção da Madeira-Mamoré. A
prova incontestável disso é que somente quando uma equipe médica e um hospital
passaram atuar na obra, a partir de 1907, que a empreitada atingiu seu
objetivo.

(*) Viriato Moura, médico, artista plástico, poeta,
escritor, membro da Academia de Letras de Rondônia. Articulista do site
gentedeopiniao.com.br e do Jornal Alto Madeira

Grandes Expedições à Amazônia Brasileira

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GRANDES EXPEDIÇÕES À AMAZÔNIA BRASILEIRA-1500-1930

Livro deautoria de  JOÃO MEIRELLES FILHO

             

Equívocos do Autor:

Páginas 42 Bandeira de Raposo

Tavares

No rio Mamoré e depois ao

encontrar o Guaporé caudaloso
Rio Madeira.

– Correções:
Raposo Tavares não percorreu o Rio Guaporé,
simplesmente passou por sua foz na margem
direita do Rio Mamoré, no qual navegava a parti das suas cabeceiras na cordilheira dos Andes (Bolívia atual), por ele descendo até sua confluência com o Rio Beni, originando o Rio Madeira, por este prosseguindo até a sua foz na margem direita do Rio Amazonas (1750).

56 – expedição do sargento-Mor Francisco de Melo Palheta.
– Percorrem os principais formadores – o Mamoré e o Guaporé.

63 – Francisco Melo Palheta até
Vila Bela, no alto Madeira.

Melo Palheta em 1722/1723, saindo de Belém- Grão-Pará, subiu o Rio Amazonas até a foz do Rio Madeira, no qual adentrou, subindo-o até a confluência do Rio Beni com Rio Mamoré, seus formadores; prosseguindo subindo o Rio Mamoré, até as missões dos jesuítas espanhóis das quais retornou à Belém, navegando em sentido contrario, Mamoré, Madeira, Amazonas.
-Vila Bela, ficava e fica no alto Rio Guaporé, tendo sua denominação mudada para cidade de Mato Grosso – MT.

67 – Ricardo Franco percorrerá o madeira e o Guaporé, onde irá entre os feitos criar uma Vila atual Porto Velho.

O engenheiro militar português, Ricardo Franco membro da Comissão Demarcadora de Fronteira, saiu da cidade de Barcelos, capital da capitania de São José do Rio Negro (Amazonas), em 1781, subiu os rios Amazonas, Madeira, Mamoré e Guaporé, neste estacionando em Vila Bela/MT. A atual cidade de Porto Velho surgiu em 1907, próxima as instalações da ferrovia Madeira Mamoré, na margem direita do Rio Madeira.

104 – Cabanagem
– Província do Pará que a época o abarcava praticamente todas da região norte do Brasil, à exceção de Rondônia e Acre.

As províncias da região norte à época, eram a Grão-Pará e São José do Rio Negro (Amazonas), a esta pertencia o Vale do Rio Madeira, no qual atualmente encontra-se o Estado de Rondônia, ocupado pelos revoltosos cabanos. Portanto, não sendo exceção. O alto Purus, atual Estado do Acre, pertencia à Republica da Bolívia, fora do contexto da conflagração da revolução cabanagem, na região norte do Brasil.


 

ADEUS 2015 – CEM ANOS DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO

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Os mais relevantes episódios de sua trajetória no decurso do centenário de sua história.
 
EM 1914

Em 02 de outubro de 1914 por intermédio da lei n°757, sancionada por Dr. Jonathas de Freitas Pedrosa, governador do estado do Amazonas, foi criado o município de Porto Velho, com sede no povoado da mesma denominação, situado na margem direita do alto curso do Rio Madeira, desmembrando-o do município de Humaitá/AM.

FAZEMOS UM PARENTESE
(O povoado de Porto Velho “dos brasileiros” formou-se espontaneamente, a partir de 1907, instalado além das instalações ferroviárias da empresa Madeira-Mamoré Railway Co., norte americana, sob o protesto dos seus administradores por considerarem os seus moradores, intrusos, marginais, invasores do espaço de propriedade da empresa. Questionamento e enfretamento entre as partes, os quais persistiram ate 1931, ano no qual o governo federal brasileiro, assumiu a administração da Madeira-Mamoré).

Em 24 de dezembro de 1914, por decreto s/n, foram nomeados para exercerem os cargos de superintendente (Prefeito), o Major reformado do exército, Fernando Guapindaia de Souza Brejense; de secretário, Manuel Pires de Castro, de intendentes, José Jorge Braga Vieira, José Z. de Camargo, Luzitano Corrêia Barreto, Manoel Félix de Campos e Antônio Sampaio; de suplente de Intendente Aderico Castilho, Achiles Reis, Horácio Bilhar, Alfredo Clínico de Carvalho e José Pontes. Esses constituíam o Conselho municipal (equivalente à Câmara Municipal).

Em 1915

Dia 24 de janeiro de 1915 às nove horas da manhã, realizou-se na residência do Intendente Manoel Félix de Campos, situada na Rua dos Portugueses (atual Barão do Rio Branco), a sessão solene de instalação do Município de Porto Velho, presidida pelo Superintendente Fernando Guapindaia de Souza Brejense.

Sua administração foi tumultuada pelo permanente conflito com os administradores da Madeira-Mamoré, os quais apoiados pelos corruptos agentes federais incumbidos de fiscalizá-los, não a exerciam comprados pelas propinas lhes repassadas pela Empresa[1]. Eram coniventes com os seus desmandos, não reconhecendo o poder legal das autoridades estaduais e municipais, ingerindo-se em matérias de direito privativas do município, coibidas por Guapindaia. Em represália foi despejado ele e a sede municipal das casas lhes cedidas pela Madeira-Mamoré, bem como cancelado o passe-livre em seus trens. Prestaram apoio aos portugueses amotinados contra o superintendente, inclusive lhes repassando rifles.
Procedimentos que não o demoveu de fazer prevalecer a lei e as prerrogativas legais da municipalidade. Providenciou a organização institucional e estrutural do município e do povoado urbanizando-o em conformidade com a planta elaborada pelo mestre de obras José Ribeiro de Souza e aprovada pelo Conselho Municipal.

Mesmo limitado pelos exíguos recursos financeiros, empreendeu relevantes atividades em prol do desenvolvimento econômico, político e social, tais como a urbanização, a construção de pontes sobre os igarapés, interligando ruas, construção da cadeia, do mercado municipal, do Cemitério dos Inocentes, da Escola Municipal Jonathas Pedrosa e outros bens públicos. Em 3 de fevereiro foi criada a Delegacia de Polícia, tendo por Delegado o Tenente Aristide Leite. Em 12 de dezembro foi fundado o Jornal “O Município”, pelo senhor João Alfredo Mendonça.

Em 1916

Foram instalados os consulados da República da Bolívia, Cônsul J. Gutierrez, e da República do Portugal, Cônsul Antônio Rodrigues da Silva.
Foram fundadas a Sociedade Beneficente Portuguesa, a Irmandade de Santa Bárbara e o Clube de Futebol União Esportiva. Instalado o Diretório Municipal do Partido Republicano Conservador/PRC, pelo senhor José Vieira Braga e fundada a Associação Dramática de Porto Velho.

Em 1° de dezembro a primeira eleição municipal presidida pelo Major Guapindaia, para os cargos de Superintendente (Prefeito), Intendentes (Vereadores) e Suplente de Intendentes, sendo eleito pelo Partido Republicano Conservador/PRC o Dr. Joaquim Augusto Tanajura, Superintendente; Luzitano Corrêa Barreto, José Z. Camargo, Álvaro Dantas Paraguassú, Antônio Sampaio e Otávio dos Reis Intendentes; Álvaro de Oliveira Rosas, Bernadino de Almeida Lima, Júlio Coelho Carvalho e Faustino Lopes de Souza, Suplentes.
Sendo lhes dado posse em 1° de janeiro de 1917 pelo Major Guapindaia, com mandatos até 31 de dezembro de 1919. Missão cumprida com denodo e compromisso cívico, pelo Major Guapindaia[2].

Em 1917

Em 15 de abril fundação do jornal Alto Madeira, por Dr. Joaquim Augusto Tanajura associado com os senhores Cincinato Elias Ferreira e Francisco Cezar Queiroz.
Elevação do Termo Judiciário à categoria de Comarca, por intermédio da Lei n. 900, de 31 de agosto, sancionada por Dr. Pedro de Alcantra Bacellar, Governador do Estado do Amazonas.

Lançamento da pedra fundamental da construção da Catedral, no dia 3 de maio, em ato solene presidido pelo bispo prelado do Estado do Amazonas Dom Irineu Joffely. Em 20 de julho por intermédio da lei nº. 43, a Intendência doou à Diocese do Estado do Amazonas, uma quadra de terreno urbano para a construção da Catedral.
Inaugurado o Hotel Brasil, o primeiro deste gênero, de propriedade da empresa Madeira-Mamoré.

Em 1918

Refundação da Loja Maçônica União e Perseverança, em 24 de janeiro, transferida pelo senhor Manoel Martins da Silva, de Abunã, onde foi fundada, para Porto Velho. Instalada em 18 de janeiro de 1919. Eleito venerável o senhor José Jorge Braga Vieira.

Em 1919

Instalado o 1° Cartório de Registro Civíl, em 20 de janeiro, tendo como tabelião, o senhor José Vieira Souto.
Fundada a associação Esportiva e Recreativa Ypiranga Clube.
Expedição da Lei nº. 1.011, de 7 de setembro, sancionada por Dr. Pedro de Alcântara Bacellar, Governador do Estado do Amazonas, elevando o povoado de Porto Velho à categoria de Cidade.

Em 1922

Fundada a Escola Dom Bosco, pelo Padre João Nicoletti e o professor Egídio Burtgnon.

Em 1924

Em 13 de maio instalação da Superintendência, no prédio comprado por Joaquim Augusto Tanajura, Superintendente, do empresário João Soares Braga. Sede administrativa da Prefeitura até 1964. Em 13 de maio, Tanajura inaugurou as redes de água e de energia elétrica.

Instalação provisória do Grupo Escolar Estadual Barão do Solimões, criado 1923, no prédio da Sociedade Beneficente Portuguesa (atual sede da Policlínica da Polícia Militar).
Revolução contra o governo federal, deposição de Tanajura e Arthur Napoleão Lebre, respectivamente, Superintendente e Presidente do Conselho Municipal, pelo Capitão Luiz Marinho de Araújo. Derrotados os revoltosos, os dois foram reintegrados nos seus cargos, no mês de setembro.

Em 1926

Construção do primeiro Templo Católico em Porto Velho, a Capela de São Francisco, erguida por iniciativa da sra. Maria Alves de Andrade, com recursos financeiros próprios e donativos da comunidade.

Em 1927

Em 7 de setembro inaugurado o Hospital São José, projetado e construído pelo Padre João Nicoletti, com apoio do Bispo Dom Pedro Massa, da Sociedade Beneficente Portuguesa e da sociedade São Vicente de Paulo.

Em 1931

Fundado o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora pelas irmãs salesianas dirigidas pela irmã Carlota Rena. Em 10 de julho a empresa Madeira-Mamoré Railway Co., e suas subsidiárias, pelo disposto no Decreto nº. 20.200, passaram a ser administradas pelo governo federal brasileiro, sendo nomeado Superintendente da ferrovia o Tenente do Exército Aluízio Pinheiro Ferreira.

Em 1932

O Contingente Especial de Fronteira do Exército, criado pelo Aviso Ministerial nº. 518, de 23 setembro, instalou-se provisoriamente, em um dos galpões da Madeira-Mamoré, sob o comando do Tenente Raimundo Zeno Pinheiro Ferreira.

Em 1934

Inicio de construção da rodovia Amazonas/Mato Grosso, pelo tenente Aluízio Ferreira.
Pagamento com dinheiro falso, pela Madeira-Mamoré, ao hospital São José por serviços hospitalares lhes prestados.

Em 1936

Em 3 de maio inauguração da linha aérea Rio de Janeiro/Porto Velho, pela empresa alemã Condor subsidiária de Lufthansa.

Em 1939

Em 15 de junho instalação da agência do Banco do Brasil sob a gerência do bancário Arnóbio Rosa Faria.

Em 1940

Visita nos dias 11,12 e 13 de outubro, do Presidente da República, Dr. Getúlio Dorneles Vargas, ocasião entre tantos eventos em sua homenagem, inaugurou a usina de geração de energia elétrica, o prédio dos Correios e telégrafos e conjunto residencial Caiari.

Em 1942

Foi instalada a Capitania dos Portos, criada pelo Decreto nº. 6.369, em 11 de dezembro de 1941. Superintendente, o Tenente da Marinha, Emiliano de Melo Sampaio.

Em 1943

Fundado em 11 de agosto o Aeroclube de Porto Velho.
Instalação da agência do banco da Borracha, em 17 de abril, sob a gerência do empresário Raimundo Cantuária.

Criação do território Federal do Guaporé, com áreas desmembradas do Estado do Amazonas e Mato Grosso, pelo Presidente da República, Dr. Getúlio Dorneles Vargas, por intermédio do Decreto-Lei nº. 5.812, de 13 de setembro. Tendo a cidade de Porto Velho por Capital e Aluízio Pinheiro Ferreira como governador.

Em 1945

Instala-se em Porto Velho a 2º. Companhia Rodoviária Independe unidade do Exército, sob o comando do Capitão engenheiro, Ênio dos Santos Pinheiro, incumbida de prosseguir a construção da rodovia Amazonas/Mato Grosso, até Cuiabá. Porém um trágico e inexplicável episódio, o desaparecimento do Tenente Fernando Gomes de Oliveira, na floresta se São Pedro do rio Preto, no qual se encontrava estacionado um pelotão sob seu comando, ocasionou a desativação da companhia, e mais uma vez a paralização da construção da rodovia.

Em 1946

Realização do primeiro pleito eleitoral para a escolha do Deputado Federal representante do Território do Guaporé no Congresso Nacional. Confronto entre Aluízio Pinheiro Ferreira líder da coligação PSD/PTB e Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha, líder da UDN. Foi eleito Aluízio Ferreira.

Em 1947

Criação da Escola Normal “Carmela Dutra”, por intermédio do decreto n°47 de 12 de dezembro.

Em 1952

Prisão por ordem do governador Jesus Bulamarque Hosannah de vários cidadãos, entre os quais Ari Tupinambá Pena Pinheiro e Renato Medeiros, médicos; Wadih Darwich Zacarias e Omar de Oliveira, engenheiros; Manoel Bezerra, Sadi, Elizer e Bonerges, graduados funcionários públicos, empresários e outros, sob a acusação de que em conluio com seus camaradas comunistas bolivianos, estarem arquitetando a realização de uma revolução armada instituindo uma república socialista integrada pelo território do Guaporé e os departamentos do Beni e do Pando. Conforme delação e lista nominal dos conspiradores lhes passada por um suposto agente secreto do serviço de inteligência da Bolívia. O governador que havia agido precipitadamente, por conta própria cientificou ao ministro do Interior e Justiça, ao qual era subordinado, esse ordenou a imediata libertação dos presos, e o exonerou do cargo de governador.

Em 1956

Substituída a denominação de Território federal do Guaporé por Rondônia pela lei nº. 21.931, de 17 de fevereiro, originária do projeto do Deputado federal Áureo de Melo, sancionada pelo Presidente da República, Dr. Juscelino Kubstschek de Oliveira.

Em 1964

Golpe militar de 31 de março, chega à Porto Velho na pessoa do capitão do exército Anachreonte Coury Gomes, no dia 22 de abril, auto intitulado agente da Revolução. Nesse mesmo dia, às 21 horas, ocupou o Palácio, assumi o governo nomeando-se interventor, indivíduo arrogante, praticou as mais descabidas arbitrariedades, encarcerando os cidadãos, cujo único crime era o de exercerem cargos públicos administrativos e serem membros do PSP, partido apoiante da Revolução. Atos totalmente irregulares, em vista de que o Governador do Território encontrava-se nomeado desde o dia 24 de abril. A comunidade portovelhense foi violentada e humilhada pela megalomania de um lunático.
Em 1966
Instalação do 5° Batalhão de engenharia e Construção, em 21 de fevereiro, com a missão de restaurar a BR 29.

Em 1969

Eleições de vereadores para a constituição das Câmaras municipais, restabelecidas pelo Decreto- lei n°411, de 8 de janeiro, apos 32 anos de terem sido cessados os seus funcionamentos.

Em 1975

Foi criada pela lei municipal n°108 de 8 de julho a fundação de Ensino Superior de Porto Velho, mantendo os cursos de Ciências Contábeis e Ciências Econômicas.

Em 1981

Criação do Estado de Rondônia por intermédio da lei complementar nº. 41 de 22 de dezembro, sancionada pelo Presidente da República General João Batista Figueiredo, tendo Porto Velho por Capital política administrativa.

Em 1982

Instalação do Estado, em 4 de janeiro, iniciando-se uma nova fase na política, administrativa, econômica social, de expansão educacional e cultural, nesses 33 anos, tendo Porto Velho como polo de decisões.
 
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[1] Referência no livro Farquhar o Ultimo Titã – de GAULD, Charles –
Ed. Cultura – 2006 – São Paulo;
 
[2] Em reconhecimento ao patriótico trabalho de instalação e estruturação do município de Porto Velho, sugeri ao presidente da assembleia legislativa e reitero, a sugestão, que o prédio da sede da assembleia seja denominado Fernando Guapindaia, em justa homenagem, perpetuando sua memória.
 
 
ABNAEL MACHADO DE LIMA

Profº.  de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER.

NOSSA SENHORA DE BELÉM 400 ANOS

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Professor Abnael Machado de Lima*

Francisco Caldeira de Castelo Branco, após participar de expulsão dos franceses, em 1615 do Maranhão, foi incumbido de ocupar a foz do Rio Amazonas. Para cumpri-la ergueu na margem da baia de Guajará o Forte do Presépio e instalou a povoação de Nossa Senhora de Belém, em 12 de janeiro de 1616, da qual se originou a cidade de Belém do Pará metrópole da região norte, capital do estado do Pará, irradiadora da conquista do espaço geográfico, da expansão militar, política e da cultura portuguêsa na atual Amazônia brasileira.

Dominando os tupinambás, expulsando os inglêses, francêses e holandêses de suas colônias fortificadas no delta amazônico, nos rios Tapajós e Tocantins. A exploração do Rio Amazonas desde sua foz até a sua origem no vice-reino do Peru, o conquistando para Portugal, a instalação do forte da Barra no Rio Negro enfrentando a aguerrida oposição dos índios manaus liderados pelo audaz chefe indígena Ajuricaba. A exploração e colonização do Vale do Rio Madeira a partir de 1669.

Belém integrava-se no plano secreto de Dom João VI na condição de Capital do Império Americano a ser instituído com a transferência do governo imperial português em definitivo para o Brasil. Aliás, não era inédita, esta tramóia vinha sendo urdida desde o governo de Dom José I.

Belém foi o foco da primeira revolução autenticamente popular, dos oprimidos rebelados contra os opressores detentores do poder político e administrativo. do poder econômico, dos quais foram banidos (7 de janeiro de 1835 ) pelos revoltosos, denominados Cabanos, instituindo um governo administrado pelos seus lideres condutores da sublevação. Contra eles, em 1836 o Padre Diogo de Feijó Regente do Império, enviou o brigadeiro Andrea, nomeado governador da Província do Pará, acompanhado de numerosa força militar terrestre e marítima com terminantes ordens de debelar os Cabanos. Estes foram derrotados. Porém mantiveram o espírito nativista dos audaciosos movimentos revolucionários da plebe. Contra a elite política, social e econômica na qual predominava os portugueses remanescentes do regime colonial usufruindo de privilégios e benesses em detrimento aos nativos, autênticos brasileiros.

Em 1907 chegaram cem trabalhadores belenenses, em Porto Velho, contratados pela empresa norte americana May, Jekyll and Rondolph, construtora da ferrovia Madeira-Mamoré, sob contrato do empresário Percival Farquhar. Surgia o povoado dividido em dois distintos setores, o dos norte-americanos contendo as instalações ferroviárias, situado entre a margem direita do Rio Madeira e a avenida divisória (atual Presidente Dutra), privativo da empresa. O dos brasileiros situado entre essa avenida e os limites com o Estado de Mato Grosso. Esse local foi habitado pela primeira vez no período de 1866 a 1870 por uma ala de soldados voluntários da Pátria do regimento sediado em São Carlos do Jamari. Ao se retirarem foi ocupado por agricultores fornecedores de lenha combustível dos navios movidos a vapor d’água. Tornou-se propriedade do empresário produtor de borracha José Crespo. Indicado em 1883, pelo engenheiro Alberto Morsing, para ser o local denominado Ponto Velho, o inicio da ferrovia projetada a ser construída no vale do alto Rio Madeira.
Foi grilado pelos americanos da Madeira-Mamoré, sob pretexto do seu proprietário o qual via judicial, perdeu o seu domínio.

Os paraenses migravam para o próspero povoado, no qual havia facilidades de empregos e oportunidades em todo segmentos de atividades econômicas. Sua cultura predominou-se sobrepondo as alienígenas de gentes de todos os continentes em especial os caribenhos os quais constituíam a população amorfa de Porto Velho. Suas mais expressivas características foram sendo absorvidas e interiorizadas pelos demais habitantes, tais como: a religião Católica apostólica romana, invocando a proteção de Nossa Senhora de Nazaré, elegendo-a padroeira de Porto Velho. Realizando-se atos litúrgicos, procissões, quermesses, arraiais e outros, em sua homenagem.

Os bailes a traje a rigor, as festas populares e aos folclores juninos aos ritmos das músicas nativas carimbó, siriá e outras.
O regime alimentar a base de peixe e de cardápios variados nos banquetes festivos de aniversários, noivados, casamentos, batizados, crismas, primeira comunhões constando de especialidades de pratos de tartaruga, galinhas e patos assados e no tucupi, maniçoba, bem condimentados acompanhados de farofas de farinhas secas e d´água, não faltando o molho das pimentas malagueta e murupi, regado com licores e sucos de frutas nativas, vinho e cachaças estes últimos importados de Belém. No dia-a-dia era indispensável os vinhos de açaí e abacaba com farinha de tapioca, os bolos de macaxeira, as tapiocas, os beijus deglutidos ao amanhecer no mercado municipal e o tacacá, à tarde nas bancas das tacacazeiras.

Os médicos, advogados, professores e outros profissionais, migraram de Belém. Porto Velho era uma extensão dessa cidade, interligada via fluvial, trafegada pelos navios do SNAPP e particulares. Sendo a fonte primitiva da cultura portovelhense, posteriormente enriquecida pelas dos migrantes das demais regiões.

Nossas congratulações aos paraenses pelos quatrocentos anos da fundação da cidade de Nossa Senhora de Belém do Grão-Pará, em 16 de janeiro de 1616.
 
*ABNAEL MACHADO DE LIMA
Profº. de História da Amazônia da Universidade Federal do Pará
Membro do Instituto Histórico e Geográfico/RO
Membro da Academia de letras de Rondônia – ACLER.

 

DR. CARL LOVELACE, UM HERÓI DOS PRIMÓRDIOS DE RONDÔNIA

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Viriato Moura (*)
 
 
Carl Lovelace nasceu no dia 6 de fevereiro de l876, em Jefferson City, Missouri, Estados Unidos. Ainda muito jovem, com apenas 22 anos de idade, combateu na guerra entre a Espanha e seu país. Anos depois, sobre essa dolorosa experiência, escreveu que a guerra fez dele um conservador com maior apreço pela dignidade e a honra da cidadania americanas, mais que nunca em sua vida.

Lovelace se formou em medicina pela Escola Médica que deu origem à Faculdade de Medicina da Universidade George Washington, em 1900. Dedicou-se a epidemiologia.

O ilustre médico veio para a América do Sul em 1904, partindo de Nova York. Participou de missões médicas nos Andes e no Canal de Panamá.

Foi contratado por Percival Farquhar, proprietário da empresa que construía a estrada de Ferro Madeira-Mamoré, para acompanhar a edificação e organizar um hospital de 300 leitos, situado há 2 km de Santo Antônio, numa elevação considerada então de ares mais saudáveis, chamada Candelária. Chegou a Porto Velho no dia 5 de fevereiro de 1908.

Em um de seus relatórios, o Dr. Lovelace deixa claro o quanto era insalubre esta região. Escreveu que nos primeiros trintas dias que aqui passou foi chamado para tratar 95% da população de Porto Velho, então estimada em pouco mais de 300 pessoas, que estava com malária, a doença que mais matava por aqui naquela época.

Carl Lovelace retornou aos Estados Unidos em 1913.

Relembrando sua vivencia durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que fora chamada de A Ferrovia do Diabo tamanha eram as dificuldades a serem vencidas para construí-la, o eminente médico escreveu, em 1921, sobre significado glorioso de ter participado da grande epopeia de sua construção em nossa inóspita floresta tropical, e se questionou: “Será que era verdadeiramente um heroica idade ou simplesmente um percepção de alguém que olha para trás e vê todas as coisas glorificadas pela luz de uma juventude que se foi?”.

O Dr. Lovelace morreu, aos 68 anos, no dia 14 de setembro de 1944, no Texas.

Entre muitos outros motivos que tenho para ter a honra de ser médico é o fato de um dos primeiros heróis que aportaram nesta terra ter sido também um médico. Carl Lovelace lutou numa guerra por suas convicções patrióticas, e noutra contra as graves doenças que assolavam nesta região quando do nascimento de Porto Velho, amada cidade onde vivo desde a mais tenra idade.

Creio que nossos benfeitores estão a merecer ainda mais divulgação de seus nomes e seus feitos para que não tenhamos, pessoas de todas as idades, a sensação de que a presença de malfeitores em nosso meio, de gente que tanto mal já causou à nossa gente, tenha mais significado e pareça uma maldição que historicamente desabou sobre nossa Rondônia.
 
Nota do Autor — É absolutamente inadmissível que o grande herói nacional Cândido Mariano da Silva Rondon, de quem provém o nome de nossa Rondônia, somente há pouco tempo tenha sido homenageado com um memorial. O mesmo se pode dizer do Memorial Jorge Teixeira, que estava sendo comido pelos cupins e só foi salvo graças à colaboração fundamental da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, que o revitalizou. E assim por diante. Povo que não preserva e glorifica a memória de seus benfeitores fica devendo à sua história e merece a pecha de ingrato. Por isso, quando quem deve fazer esse resgate não faz, deve reagir com veemência para que cumpram o seu dever. Ou aceitar indignamente que também, enquanto povo, não merece respeito.
 
 (*) Viriato Moura, médico, artista plástico, escritor, jornalista, membro da Academia de Letras de Rondônia
 
 
  

INCÔMODOS DE SER MÉDICO

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Ser médico como deve ser, exige virtudes inerentes a poucos seres humanos. Posso afirmar isso com todas as letras e com convicção porque não o faço apenas por ter ouvido falar, ter lido em muitas publicações, ter aprendido com muitos mestres. Asseguro essa assertiva embasado na vivência de 40 anos como médico.

Ser médico provoca incômodos diversos. Sim, dói, e não é pouco. E por doer tanto por vezes, exige  daqueles que optam por essa profissão que estejam preparados; ou seja, que tenham limiar de dor que suporte sofrimentos a ponto de não levá-los ao desespero e a consequente desistência, que provoca a   banalização do sofrimento e da morte de seu semelhante.

 O fato de alguém escolher ser médico, não atesta sua boa índole. A decisão pode ter sido motivada por  pressupostos avessos aos exigidos para a correta prática da medicina. Se assim for, o resultado não será um médico, mas um espectro de médico, que chega a ser uma ameaça àqueles que assiste.

Valho-me de uma lapidar citação de T.R. Harrisson, autor de um clássico compêndio sobre Medicina Interna, para expressar a dimensão do que é verdadeiramente ser médico: “As maiores oportunidades, responsabilidades ou obrigações que podem recair sobre um ser humano consistem em ser médico. Para tratar de um doente, ele necessita de habilidade técnica, conhecimento científico e compreensão humana. Empregando esses atributos reunidos à coragem, humanidade e prudência, ele proporcionará um serviço único aos seus semelhantes e contribuirá para a formação sólida de seu próprio caráter. O médico não deve pedir mais do que isso ao seu destino e nem se contentar com menos”.

Convenhamos que encontrar todas essas virtudes em uma pessoa não é  fácil. A natureza humana, por mais desolador concordar com isto, não é pródiga em gente assim.
Os incômodos sentidos pelo médico – e posso falar deles porque já os senti muitas vezes – nem sequer devem ser externados aos pacientes ou aos seus.

Temos de sofrer calados, questionando-nos  mentalmente o tempo todo. Se expressarmos nosso sofrimento, poderemos ser interpretados como inseguros, como se estivéssemos com peso na consciência por termos falhado. Como se sabe, sofrer calado faz a dor ainda mais intensa.

Os padecimentos do médico no contexto do exercício de sua profissão nem sempre decorre da dúvida em relação a sua conduta diagnóstica e terapêutica, porém é um forte indício de que está preocupado com seu paciente, muitas vezes até mesmo  antes de ter decidido  tratá-lo. Diferente dos irresponsáveis, desumanos e levianos, que geralmente são protegidos por altas doses de endorfina capazes de imunizá-los  contra o sofrimento dos outros.

As aflições que os médicos éticos e humanitários sentem provocadas por suas angústias diante dos pacientes que tratam, geralmente resulta de sua insipiência de formação, das limitações da ciência que praticam, da evolução inexorável  de algumas doença em direção à sequela ou à morte, e até de condições e infortúnios diversos nem sempre solucionáveis em tempo hábil.

Uma pergunta que não deve calar: quantas vezes a mídia ou as pessoas em geral já se ocuparam de tratar destes assuntos: a humanidade dos médicos, suas necessidades, seus incômodos etc.? O contrário é a regra: uma simples suspeita de erro médico já é razão de grande exposição ofensiva, de pré-julgamentos sumários. Precisa-se de um culpado para vingar alguma suposta vítima.

Aqueles que injustamente disseminam desconfiança generalizada em relação aos médicos estão prestando um desserviço à sociedade e a si mesmos. Somente os médicos cuja conduta provoca danos a seus pacientes devem ser motivo de providências cabíveis, inclusive no âmbito dos conselhos de ética e da  justiça. Somente esses. Porque confiar no médico tem, em muitas situações – eis um exemplo de efeito placebo! –, maior   poder melhora e cura do que os remédios que ele prescreve e os demais procedimentos terapêuticos que executa. Ao ver o médico com desconfiança, o paciente suprime parte importante de suas possibilidades de cura.  Uma reflexão sobre isso se impõe. E uma mudança de atitude, também.

EU QUERIA SER POETA

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Eu queria ser poeta,

para com palavras,

denunciar os maus tratos

com o ser humano

e com os animais.

Eu queria ser poeta,

para denunciar os crimes

contra o meio ambiente;

para denunciar os crimes

de colarinho…a corrupção.

Eu queria ser poeta,

para exaltar a vida

e desprezar a morte,

reconhecer os erros

e procurar corrigi-los.

Eu queria ser poeta,

para me sensibilizar

com a seca no Nordeste,

e as enchentes no Sul,

o desastre de Chernobil,

o atentado de 11 de setembro,

o vendaval Aline,

a fome na Somália

e a guerra fria.

Eu queria ser poeta,

para com palavras,

criticar o terrorismo

e as guerras civis.

Eu queria ser poeta,

para criticar a impunidade

e elogiar a justiça.

Eu queria ser poeta,

para amar, amar, amar…

e jamais odiar,

e ser amado,

se possível fosse.

COISAS EXEQUIVEIS

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Não quero nada impossível,

Quero coisas exequíveis,

quero um rancho pra morar,

à beira de um igarapé,

onde eu possa desfrutar

o ar puro do sertão;

onde eu possa escrever

poemas sem restrição;

onde eu possa tomar pinga,

sem haver reclamação;

onde eu possa estar ouvindo

passarinhos em serão;

onde há bichos,

onde peixes,

onde há pássaros,

que não falam,

mas me ouvem com atenção,

quando recito meus versos,

escritos na solidão;

na solidão do silêncio

das noites, que não são noites,

quando clareia o luar.

Quero também um amor,

sincero como o de mãe,

pacato como o de pai,

que saiba dar cafuné

em qualquer ocasião

e que saiba me aturar

no turbilhão de mil erros

que marcam a vida em comum.