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MORENA BONITA

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Morena bonita,

bonita e charmosa,

além do seu charme,

eu quero você.

Seus lábios, morena,

vermelhos, carnudos,

o seu conteúdo

me apaixonou.

Seus seios, morena,

macios e tudo,

parecem veludo

ao se apalpar.

Morena mimosa,

seu cheiro de rosa

rosa feminina,

eu sinto você.

Seus olhos, morena,

seu jeito de fera,

não me amedrontam,

eu amo você.

Bonita morena,

com mecha ou sem mecha,

mexendo é mais sexi,

eu gamo em você.

Morena teimosa,

se faz de difícil

não é impossível,

eu domo você.

Morena fogosa,

seus lábios de mel,

dou-lhe o infinito,

a levo ao céu

Morena sarada,

de pele macia,

a quero de noite

e também de dia.

seu corpo, morena,

bem escultural,

parece uma miss,

Miss mundial. ( Do livro NOVOS POEMAS DE AMOR )

FORRÓ MODERNO

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Sempre gostei do forró,

De um forró animado

E de um samba pesado,

Seja em qualquer lugar;

Seja no clube ou num bar,

Seja no meio da rua,

Olhando para as estrelas

E admirando o luar.

Gosto do forrobodó,

Seja lá no Ceará,

Num salão ou no terreiro

Ou no Rio de Janeiro,

Sempre gostei de dançar.

Além do samba tropeiro,

Vem um bolero apertado,

Um vanerão salteado,

Um baiãozinho ligeiro.

Além do xote arrastado,

A música no CD Rom,

Quando faltar na telinha,

Tenho a mulher do meu lado

E pego no seu bumbum.

Além também do pagode,

Com o grupo do “É o Tchan”,

Que une louras e morenas,

De bundas grandes ou pequenas,

Valem mais os rebolados,

Deixando jovens e adultos

De olhos arregalados.

Para concluir agora,

Faço uma crítica severa

E uma denúncia sonora:

Inovaram a música Funk,

Adulta diz ser criança

E a criança vira adulta,

Em pleno salão de dança. ( Do livro NOVOS POEMAS DE AMOR )

DIA DOS NAMORADOS I

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Querida, neste memorável Dia dos Namorados,

quero deixar evidente e torná-lo público

o meu amor por você.

Quero que o mundo inteiro saiba que eu a amo.

aliás, o meu amor é do tamanho do mundo,

maior do que o infinito

e mais forte do que a razão.

O meu amor por você é tão puro e sincero,

o quanto é a transparência

e a cristalinidade das águas pluviais.

Você é a joia predileta e preciosa

que eu ganhei da Providência Divina.

Por isso eu a guardarei para sempre

no meu pensamento e no meu coração.

Você é a miss-rosa, miss-flores perfumada

do jardim botânico-humano do nosso lar.

Você é a rainha das borboletas multicoloridas

Que embelezam a floresta amazônica.

O seu nome representa o acróstico poético mais belo

da literatura brasileira e rondoniense.

Você é a musa inspiradora dos meus poemas de amor,

poemas simples, mas sinceros,

porque são inspirados em você.

As marcas do seu batom,

gravadas num simples pedacinho de papel-jornal,

refletem a sutileza e a forma do seu carinho,

do seu inesquecível beijo de amor e paixão,

o qual fotocopiei e o guardarei

como prova e eterna lembrança do nosso amor.

A LITERATURA COMO REMÉDIO

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Quando da construção da lendária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré,  o jornal  The Porto Velho Marconigram, o segundo publicado em inglês que circulou nesta região naquela época , trazia uma frase, a única em espanhol, embaixo do título do periódico: “ A vida sin literatura e quinina, es muerte”.

No meio da adversidade quase intransponível da floresta amazônica, a literatura foi equiparada ao mais importante medicamento existente na época, aquele que tratava a enfermidade que mais acometia e matava os trabalhadores da ferrovia, a malária. A leitura era para esses bravos operários um lenitivo salutar para a solidão em que viviam , distante dos seus e de seus domicílios.

O efeito terapêutico da literatura  foi percebido desde a Antiguidade. O faraó Ramsés II considerava sua biblioteca como uma farmácia. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com  soldados feridos na Segunda Guerra Mundial concluiu que aqueles que se dedicavam à leitura  recuperavam-se mais rapidamente.

Assim como os medicamentos, a literatura tem indicações, contraindicações e efeitos colaterais. Friedrich Nietzsche, filósofo alemão de nomeada, escreveu que “os leitores extraem dos livros, consoante a seu caráter, a exemplo da abelha ou da aranha que, do suco das flores, retiram, uma o mel, a outra o veneno”.

Retirar bons néctares de livros que se lê denota  sabedoria. “Muitos homens iniciaram uma nova era em sua vida a partir da leitura de um livro”, ensina Henry Thoreau. Quem tem um livro disponível, não está só. Se a escolha for boa, ele será um agradável companheiro para momentos de lazer, de apreensões e estados emocionais diversos. A leitura de um texto aprazível pode  conduzir a momentos de enlevo. E todas as vezes que se atinge esse estado de espírito, o organismo produz endorfinas, hormônios que nos provocam sensação de bem-estar, de felicidade.

O exercício da leitura deve ser estimulado desde a idade em que isso é possível. É importante dar às crianças livros infantis, coloridos, com belas histórias e até com ensinamentos de atitudes que possam ajudar na construção de seu caráter. Ler para crianças é algo que deve fazer parte das obrigações de pais e responsáveis. Nutri-las com encantadoras leituras tem tanta importância como o alimento físico que recebem. Aquelas alimentam a mente, estes fortalecem o corpo.

Se consumir literatura pode fazer muito bem à saúde, o mesmo se pode dizer de produzi-la. Mesmo que não se ache ter talento para escrever, devemos tentar nos expressar através da escrita — muitas vezes nos abstemos dessa salutar prática por inibição ou até mesmo por excesso de autocrítica. O poeta português Antônio Machado escreveu que “o caminho se faz caminhando” — qualquer atividade tende a melhorar e se consolidar com a prática reiterada. Não foram poucos os escritores que fizeram e fazem sucesso que só começaram a se dedicar a essa arte na maturidade. Produzir literatura sem dúvida que é fator motivacional  de vida — do escritor e de seus leitores.

Uma lapidar citação de Marcus Túlio Cícero, uma das mentes mais versáteis da Roma antiga, sintetiza a importância da literatura para a existência humana: “As letras são o alimento da juventude, a paixão da idade madura e a recreação da velhice; dão-nos brilho na prosperidade, e são uma consolação, um recurso no infortúnio; fazem as delícias do gabinete, e não embaraçam em nenhuma situação da vida; de noite servem-nos de companhia,  vão conosco para o campo e em viagem”.

O SAMBISTA MISTERIOSO

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O MISTERIOSO SAMBISTA

Leutério estava impecavelmente vestido. Antes de sair, completou seu traje habitual colocando aquele chapéu-coco branco que sempre estava pendurado no cabide atras da porta. Era uma sexta-feira, 13, e seu destino era uma roda de samba e pagode, que estava na moda na zona leste de Porto Velho. Precisava pegar um taxi. Mas ali, nas proximidades do cais do porto, aquela hora da noite, seria difícil passar qualquer taxi. Teria que andar a pé alguns quarteirões. Apesar da lua cheia que clareava o chão, não queria nem poderia suar, estragando seu perfume e molhando sua camisa de seda de marca Dudalina, impecavelmente passada.

Seu sapato bicolor preto-e-branco também não poderia ser sujo de poeira ou lama. Enfim, chegando na roda-de-samba, Leutério foi logo se destacando pelo samba habilidoso e ligeiro que trazia nos pés. Ninguém por ali o conhecia. Alguns chegaram a comentar que seria um sambista famoso de uma escola de samba do Rio de Janeiro. Dançava como ninguém! Logo se formou uma roda em sua volta, e Leutério escolhia e tirava pra sambar a garota que quisesse.

Quase todas se apaixonavam a primeira vista pelo malandro. Fumando um charuto cubano, soltando grandes baforadas, o sambista aproveitava o intervalo das musicas para bebericar fartos goles de tequila. Mas, o que todos ficavam ainda mais intrigados é que ele não não ficava embriagado nem tonto sequer, e dançava cada vez melhor. As vezes fazia passos e reverências que lembravam um verdadeiro mestre-sala, de uma grande escola do Rio.

      Gertrudes era uma negra, de 17 anos, com pernas torneadas e bumbum arrebitado. A noite toda foi uma das principais parceiras do malandro Leutério. Passos e firulas incríveis saiam dos seus pés , arrancando aplausos da galera sambista.
Alguém chegou até a comentar que o sambista Leutério teria sido aluno do Carlinho de Jesus no Rio, pois o seu chepéu-coco branco jamais caia de sua cabeça, sempre enfiado até a altura do nariz, não deixava boa visão de seu rosto. Mesmo quando fazia os passsos e firulas mais mirabolantes, seu chapéu permanecia imóvel.

As horas foram se passando e o sambista enigmático sambando com maestria, cada vez melhor. Indiscutivelmente, Gertrudes estava caidinha pelo sambista. A lua já estava bem alta mas seu clarão ainda iluminava o terreiro do samba, quando Leutério convidou sua parceira Gertrudes para dar uma volta, pegar um ar num cantinho mais reservado que ele conhecia muito bem, próximo ao rio… Sem titubear, Gertrudes aceitou o convite do sambista. Despediu-se de suas amigas dando uma desculpa esfarrapada qualquer e foi-se na noite, andando graciosa como se estivesse a sambar, pendurada nos braços do passista. Ao chegar próximo ao rio, os dois enveredaram por uma viela tortuosa, muito deserta aquela hora.

Chegaram enfim ao barraco tosco do sambista. No seu quarto, uma vela iluminava um ambiente singelo, que os olhos não conseguiam distinguir quase nada mais que uma cama, forrada com lençol branco.

Era o suficiente para os sambistas se amarem, agora num compasso mais lento e cadenciado, porém que foi ficando frenético. Quando Leutério passou sua mão nas coxas da sambista, ela quis beijá-lo, porém foi suavemente desestimulada, com o Leutério virando seu rosto. Gertrudes ficou ainda mais intrigada quando o sambista levantou-se e soprou a única vela que iluminava o ambiente:

–- Não sei fazer amor no claro! – disse o sambista.
Até então ela não tinha se dado conta que o sambista ainda continuava com o chapéu-coco enfiado em sua cabeça.

Quando os primeiros raios de sol prenunciaram o novo dia, Gertrudes abriu seus olhos e, incrédula, viu o sambista ainda dormindo profundamente. Levemente levantou seu chapéu-coco branco e ficou estarrecida com o que viu: havia um buraco na calota craniana do sambista. Pensou em acordá-lo mas preferiu sair rapidamente dali. Quando contou para uma amiga e confidente, as duas resolveram voltar aquele lugar para conversar com o sambista. Afinal, aquele buraco em sua cabeça poderia ser a sequela de alguma cirurgia, algum acidente e que ele trazia escondido. Ao chegarem ao local, ali não havia nenhum barraco, nenhuma casa, nenhum sambista.

—Gertrudes, amiga, é doloroso mas agora tenho duas coisas a lhe dizer: primeiro – faça o teste de gravidez; segundo – tenho a certeza absoluta que você foi mais uma vítima do boto negro do Amazonas.

A PERSONAGEM QUE FALTAVA

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Viriato Moura

Criava personagens ao sabor de qualquer insinuação. Retirava-os do caldeirão de vidas que fumegava na cozinha de sua própria família. As rodas de papos amenos eram transformadas, sem qualquer cerimônia, em plateias compulsórias dos dramas densos vividos por seus parentes e aderentes, sempre personagens principais de mirabolantes enredos, que viravam espetáculos verbalizados com a compulsão sem vírgulas de quem tem um repertório sem fim.
Valdete, a contadora de casos circunscritos à sua realidade doméstica, não abria mão do parentesco com seu elenco. Bastava que alguém sugerisse um assunto, contasse algo real ou imaginário, lembrasse de um filme visto ou coisa assim, que , de pronto, Valdete apresentava seu personagem familiar e seu enredo. No máximo, em dias de pouca inspiração, permitia-se introduzir no contexto, sempre como coadjuvante, um amigo mais íntimo.

Marilda, uma advogada de meia idade, numa conversa com Valdete e amigos, desabafa sobre seu casamento terminado havia poucas semanas. Nem concluiu seu relato, foi interrompida pela ansiosa ouvinte, que logo começou a narrativa do desenlace de seus pais. Repleto de lances sensacionais, como é de seu gosto, o caso roubou a cena da interlocutora: violências sofridas pela mãe durante os quase vinte anos de convivência com seu pai; amantes do genitor, devidamente ofendidas e esbofeteadas em público por ela e suas endiabradas irmãs. Quando o assunto era assalto, dizia que na casa de um tio seu houve um em que ele, sozinho, imobilizou os dois meliantes e, com um tiro certeiro, desarmou um terceiro, que dava cobertura aos outros. Fora as prisões espetaculares de famosos malfeitores feitas por seu irmão policial, que viravam manchetes de primeira página nos jornais locais.

Alfredinho, um dos amigos de Valdete desde os tempos de estudante no Colégio Carmela Dutra, tradicional estabelecimento de ensino de Porto Velho, intrigado pelo fato de ouvi-la contar tantos dramas e peripécias de seus familiares, procurou empreender uma sutil investigação para saber até que ponto eram verídicas as histórias relatadas por ela. Em cada investida, era surpreendido pela constatação dessa veracidade. Tudo que Valdete contara até então – ele pôde comprovar – era pura verdade. Os parentes existiam de fato e os fatos aconteceram. Muitos deles estão registrados na imprensa, como é caso das ações heroicas de seu irmão policial. Tudo verdade.

Na noite em que Valdete festejava o aniversário de seu filho mais novo, também personagem contumaz de seus relatos reais, o tema na mesa que frequentava era suicídio. Um dos convidados relembrou um caso recente que consternou a cidade. Valdete, de súbito, foi tomada de uma realidade nunca antes vivenciada. Entre os seus não havia caso de suicídio. Nem sequer tentativa. Estática e muda, pela primeira vez, desde que começou a contar histórias de seus familiares, não dispunha de um personagem pronto para entrar em cena. Em silêncio, deixou o ambiente festivo e recolheu-se a seu quarto de dormir. Minutos após, ouviu-se um estampido seco. Assustados, todos os presentes na festa correram para o local de onde veio o som. No chão, esvaindo-se de sangue, a cabeça de Valdete deixava sair seus últimos instantes de vida. Ali jazia a personagem que faltava…

A Maçonaria, sua origem e penetração na região Norte

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Por Dante Ribeiro da Fonseca

A Augusta, Benemérita, Grande Benfeitoria da Ordem, Augusta e RespeitávelLoja Simbólica União e Perseverança número 947, jurisdicionada ao GrandeOriente do Brasil (GOB) foi fundada em 24 de janeiro de 1918. Completou,portanto, há dias atrás seus 98 anos bem vividos. Lembrando desse aniversáriojulguei oportuno publicar aqui um pequeno trabalho que resume a penetração daOrdem Maçônica na região Norte e o surgimento da Maçonaria em Rondônia.

 

Loja Simbólica União ePerseverança, Porto Velho, Rondônia

 

É evidente que mais pesquisas devem ser realizadas e essa que segue ébastante resumida. Cremos, porém, que comemorar esse aniversário mesmo que comtrabalho resumido é melhor que deixar o momento passar em branco. Afinal a ARLSUnião e Perseverança faz parte da História de nosso estado, pelo seu quadro deobreiros passaram valorosos cidadãos que muito contribuíram para que Rondôniasurgisse. Assim homenageamos essa oficina com o pequeno histórico que segue.

A Maçonaria constitui-se como uma associação de homens livres e de bonscostumes, que aspiram pelo aprimoramento moral através do cumprimentoinflexível do dever, da busca da verdade e da prática desinteressada e anônimada filantropia. Ainda, buscam os Maçons o aprimoramento social, através de seusprincípios diretores: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, os quais nos permitemantever uma sociedade mais justa e mais fraterna.

A origem da Maçonaria como instituição está, historicamente, situada nascorporações de pedreiros medievais, daí nossos símbolos serem as ferramentas doofício. No século XVII, essa Maçonaria de ofício, chamada operativa, passa aaceitar em seus quadros membros da nobreza, da burguesia e de outrasprofissões. Essa nova base social transforma lentamente a Maçonaria operativa,resultando daí a Maçonaria especulativa, tal como a conhecemos hoje. Com essatransformação, os instrumentos usados pelos pedreiros são assumidos pelamaçonaria especulativa como detentores de uma simbologia moral destinada aoaprimoramento do homem e da sociedade. A primeira Potência Maçônica foi aGrande Loja da Inglaterra, fundada em 1717. Da Inglaterra, o berço das LojasEspeculativas, a Maçonaria espalhou-se pelo Mundo.

No Brasil, embora tenhamos notícias da existência de Lojas Maçônicas jáno século XVIII e, ainda, atribuam-se à influência maçônica alguns movimentos deemancipação ocorridos no Brasil colonial, a Ordem Maçônica cresce e torna-sevisível durante o século XIX. Isso ocorre particularmente após 1822, quando foicriado o Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano, obediência nacional, queviria, anos depois, a adotar a denominação de Grande Oriente do Brasil.

O primeiro passo para essa empresa, foi a fundação da Comercio e Artes naIdade de Ouro, no Rio de Janeiro. Em maio de 1822, com o acirramento da criseinstaurada pela Revolução do Porto, que pretendia fazer retornar o Brasil aostatus de colônia, surgiram, da tripartição da Loja Comércio e Artes, as LojasUnião e Tranqüilidade e Esperança de Niterói. Com essas três Lojas foi criadoem 17 de junho de 1822 o Grande Oriente, e escolhido como seu Grão-Mestre, JoséBonifácio de Andrada e Silva, um dos artífices de nossa independência políticade Portugal. Surgiu então o Grande Oriente do Brasil – GOBno cerne da luta pela nossa emancipação política. Destarte, em 04 de outubro daqueleano D. Pedro tomou posse do cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente. Daí emdiante Maçons ilustres lutaram, no Brasil, pelas grandes causas da pátria e dahumanidade, como a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República.

Na região Norte a Maçonaria tem o seu berço em Belém. Embora Maçonstenham aqui também lutado pela Independência, a primeira Loja Maçônica naregião, a Loja Tolerância, foi fundada na capital do Pará em 19 de dezembro de1832, dez anos após aquele evento. Dentre os obreiros dessa Oficina deve serdestacada a notável figura de João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha.

Esse político paraense exerceu vários mandatos eletivos como deputadoprovincial e na Assembléia Geral. Na Corte do Rio de Janeiro, como deputadogeral pelo Grão-Pará, que até 1850 compreendia também a antiga capitania do SãoJosé do Rio Negro ou Amazonas, Tenreiro Aranha propôs a lei que elevou aquelaantiga capitania à categoria de Província. Ainda no ano anterior, em sessão de7 de novembro de 1849, como membro da Assembléia Provincial do Pará, apresentoua seguinte indicação: “Indico que se dirija uma representação à AssembléiaGeral legislativa, para que a Comarca do Alto Amazonas seja elevada à suaantiga categoria de Província”. Nessa empreitada foi apoiado, entre outros,pelo obreiro Miguel Calmon du Pin e Almeida, o Marquês de Abrantes, que foiGrão-Mestre do GOB noperíodo de 1850-1863. Afinal, criada a Província do Amazonas em 1850[1],fez-se justiça ao nomear esse Irpara seu primeiro Presidente[2].Tenreiro Aranha, também se destacou na luta pelo estabelecimento da navegação avapor no Amazonas, onde teve como aliado o maçom Irineu Evangelista de Souza, oBarão de Mauá, criador e incorporador da Companhia de Navegação e Comércio doAmazonas, em 1853[3].

 

João Batista de FigueiredoTenreiro Aranha

1.° Presidente da Província doAmazonas

 

Apesar da existência anterior de maçons na província do Amazonas, aprimeira oficina daquele estado foi a Loja Esperança e Porvir, fundada em seisde outubro de 1872, em pleno período que se convencionou denominar PrimeiroCiclo da Borracha. Sem dúvida a riqueza que iniciava a trazer a HeveaBraziliensis àquela província, aliada à afluência maciça de migrantes,certamente, dentre eles inúmeros maçons, foram fatores importantes para afundação daquela oficina.

A Maçonaria no Amazonas evoluiu de tal forma que, em 1883, foi criada aDelegacia do Grande Oriente do Brasil no Amazonas[4],separando-se essa província da administração Maçônica da Província do Pará. Diga-sede passagem, que além de vultos como Tenreiro Aranha, a Maçonaria paraense deuao GOB umGrão-Mestre, Lauro Sodré, que dirigiu os destinos essa potência por seguidasadministrações entre 1904 e 1916. Na primeira administração de Lauro Sodré foifundado o Grande Oriente do Amazonas em 22 de dezembro de 1904. Quinze lojasforam as fundadoras dessa potência, sendo as mais antigas as Lojas Esperança ePorvir (1872), Amazonas (1877) e Conciliação Amazonense (1894), todas sediadasna cidade de Manaus. Existiam, porém, Lojas maçônicas em Manacapuru,Itacoatiara, Canutama, Tefé, Eirunepé, Parintins e Xapuri. A essa PotênciaMaçônica vieram filiar-se duas Lojas fundadas em solo rondoniense, a ARLSUnião e Perseverança (1918) e a ARLSSegredo e Lealdade (1922).

 

A Maçonaria em Rondônia.

 

A primeira reunião de Maçons que se tem registro na área que hoje compõeo estado de Rondônia, vem do testemunho do norte-americano, Frank W. Kravigny,que trabalhou na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e, anos depois,publicou suas memórias desse período[5].Nesse livro relata que Maçons de diversas nacionalidades, que se encontravam emPorto Velho em 1909, reuniram-se em uma Sessão Maçônica da Loja denominadaSéjourners, cuja tradução é Loja dos Temporários, pois todos esses irmãos,estavam aqui de passagem.

Programou-se uma reunião desses obreiros da Arte Real para o dia 24 dejunho de 1909 e, contando com a colaboração dos diversos acampamentos daferrovia, reuniram-se em plena mata. Kravigny nota o fato de que durante todo otempo em que esteve ocupado na construção da ferrovia: “Essa foi a únicaassembléia, que eu posso lembrar-me, que ocorreu na selva e que tinha algumaconotação com a contemplação religiosa. A falta de igrejas, ou de pilotoscelestiais como ministros do evangelho, nunca nos ocorreu nesse ambiente daselva[6].”

Participantes do encontromaçônico

Ocorrido na selva e noticiado porKravigny

 

O próximo registro de atividades maçônicas no solo rondoniense é de 1916,quando Maçons residentes na vila de Presidente Marques (Vila de Abunã), entãoestado do Mato Grosso, reuniram-se e, no dia quatorze daquele ano fundaram aLoja União e Perseverança. Contudo, essa oficina não prosperou naquela vila.Dois anos depois, em 1918, mais precisamente no dia 24 de janeiro, anunciavauma edição do jornal O Alto Madeira a instalação da Loja União e Perseverança,em Porto Velho (estado do Amazonas), tendo sido o ato realizado na residênciado Irmão Martinho Ribeiro Pinto, juiz municipal do termo de desta cidade[7].

No bojo do processo da divisão da Maçonaria em Potências, ocorrido em1927, o Grande Oriente do Amazonas transformou-se em Grande Oriente do Amazonase Acre, assumindo-se como Potência Regional, independente do GOB.Teve essa potência a adesão maciça de todas as Lojas, exceto da LojaFraternidade Acreana, de Cruzeiro do Sul, que se manteve filiada ao GOB. Éinteressante notar que essa Loja Fraternidade Acreana, teve como um de seusfundadores em 1907 o ilustre escritor e historiador do Acre, Craveiro Costa,autor da admirável obra “A conquista do deserto ocidental”, que trata darebelião acreana. Consta também que, em 1910, foi empossado como o primeiropresidente de sua Loja Capitular o Major de Engenharia do Exército, FernandoGuapindaia de Souza Brejense, que viria a ser o primeiro superintendente(prefeito) de Porto Velho, empossado em 1915. Aliás, o município de PortoVelho, foi criado em 1914 também por um Maçom, o médico baiano Jonathas deFreitas Pedrosa, que governou o Amazonas entre 1913 e 1917[8].Após a criação desse Grande Oriente regional, em 1927, o GOB somenteiniciaria a restabelecer suas bases no Amazonas e Acre a partir de 1934, com acriação da Loja Capitular Unificação Maçônica.

Em 1943 foi criado, imerso no ambiente de revitalização da produçãogumífera da Amazônia que trouxera a Segunda Guerra Mundial e a chamada Batalhada Borracha, o Território Federal do Guaporé. Novamente, destacamos aqui a açãode um notável paraense o maçom Coronel Aluísio Ferreira, articulador incansávelda criação do território e que, por isso mesmo foi seu primeiro governador. Foiesse obreiro também presidente da Respeitável Loja União e Perseverança. NoTerritório Federal de Rondônia, foram criadas na década de 50, as Lojas:Verdade, em vinte de julho de 1953, e Estudo e Trabalho, em vinte de janeiro de1957, ambas sediadas em Porto Velho. A Loja União e Perseverança, que haviaaderido ao Grande Oriente do Amazonas e Acre, retornou ao seio do GOB, seguidada Loja Segredo e Lealdade, em 1956. Com essa renovada adesão ao GOB criou-se,em 1957, a Delegacia dessa Potência no Território Federal de Rondônia[9].Em 1961 o Grande Oriente do Amazonas e Acre transformou-se na Grande Loja doAmazonas, Acre Guaporé e Rio Branco. Seguindo esses passos o GOBfundou, em 1979, o Grande Oriente da Amazônia Ocidental[10],com sede em Manaus. Esse novo Grande Oriente englobava a jurisdição do estadodo Amazonas, e os Territórios Federais de Rondônia e Roraima[11].

Em solo rondoniense, até 1979, estava filiada a Grande Loja do Amazonas,apenas a Loja Fé e Confiança (Guajará-Mirim). Naquele ano, passou a governar oTerritório o maçom Jorge Teixeira de Oliveira, com a missão de ultimar as basespara a criação de um novo estado. O dinamismo que a empreitada exigia, fez comque para Porto Velho fossem transferidos inúmeros maçons, que compuseram aequipe do governador. Em 21 de abril de 1980, reuniram-se no prédio onde entãofuncionava a CAERD vários maçons, para eleger a diretoria provisória de umaLoja Maçônica em Porto Velho, que fosse filiada á Grande Loja do Estado doAmazonas (GLEAm)[12].O nome da nova Oficina, Estrela Renascente, refere-se ao renascimento dasGrandes Lojas em Porto Velho, após a transferência daquelas Lojas mais antigasdesta capital para o GOB, nosanos 50. Cogitava-se, já naquele momento, que as demais Lojas filiadas à GLEAm, aLoja Águia do Planalto do Orde Vilhena e Fé e Confiança do Orde Guajará-Mirim, mais a Loja Estrela Renascente, poderiam ser o núcleo inicialde uma Grande Loja Rondoniense. A Loja Estrela Renascente foi instalada em doisde maio de 1980 no Templo da Aug:. Ben:. Gr Benf:. da Ord:. RespLoj:. Simb:. União e Perseverança, Nº 947, filiada ao GOB[13],e continuou a funcionar nesse lugar até abril de 1985, quando mudou-se paraprédio próprio.

Um ano depois da instalação daquela Loja foi criado o Grande OrienteEstadual de Rondônia (GOER), emdezoito de dezembro de 1981[14].Quando de sua instalação, em dezenove de novembro de 1983, existiam em Rondôniadez Lojas Simbólicas filiadas ao GOB: Uniãoe Perseverança n° 947 (Porto Velho); Segredo e Lealdade n° 990 (Ji-Paraná);Verdade n° 1451 (Porto Velho); Estudo e Trabalho n° 1461(Porto Velho);Humanidade e Fraternidade de Rondônia n° 1812; (Ji-Paraná); Vigilantes da Ordemn° 2036 (Ariquemes); Pedro Michael Struthos n° 2065 (Guajará-Mirim); Caridade eSilêncio n° 2103 (Cacoal) Estrela e Rondônia n° 2106 (Porto Velho); e Monte dasOliveiras n° 2178 (Pimenta Bueno). No caso das demais coirmãs, pertencentes à GLEAm,viriam a unir-se em uma potência regional em dez de abril de 1985, quando foifundada a Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia (GLoMaRon),desvinculando-se da GLEAm.

A Maçonaria em Rondônia está hoje fortalecida, conta com duas pujantesPotências que estão mutuamente reconhecidas e, ainda, trabalham em perfeitaharmonia. Como no passado, a ordem continua a trabalhar pelo aperfeiçoamentomoral e pela melhoria das condições materiais da humanidade, contando com issocom valorosos obreiros. O espírito progressista de irmãos do passado ocasionounotáveis progressos para o Brasil e para Amazônia, como demonstramos ao longodesse trabalho, e continuará a ser assim, com o auxílio invocado ao GADU.

 

 

 

Fontes consultadas.

BAENA, Manoel(Director da 2.a secção da Secretaria da Presidencia da província doPará). Informações sobre as comarcas da província do Pará: organizadas emvirtude do Aviso Circular do Ministério da Justiça de 20 de Setembro de 1883.Anexo da: Falla com que o Exm.o Senr. Conselheiro João Silveira deSouza abriu a 1a. sessão da 25a. legislatura da AssembléaLegislativa Provincial em 15 de outubro de 1884. Para, Typographia de Franciscoda Costa Junior, travessa 7 de setembro, 1885.

BARATA,Manoel. A primeira Loja Maçônica no Pará. In Formação Histórica do Pará.Belém. Universidade Federal do Pará, 1973, pp. 338‑340.

BITTENCOURT, Agnello. Dicionárioamazonense de biografias: vultos do passado. Rio de Janeiro. Conquista,1973.

CASTELANI,José. A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial. Editora Landmark.São Paulo, 2002.

CONDELI, Renato (Grão-Mestre).  H i s t ó r i c o da criação da GrandeLoja Maçônica do Estado de Rondônia. In: http://www.glomaron.org.br/.

FERREIRA,Manoel Rodrigues. A ferrovia do diabo: história de uma estrada de ferro naAmazônia. 4ª ed. São Paulo. Melhoramentos, 1987. pp. 255-6.

GLOMARON. Históricoda ARLSEstrela Renascente.In:http://www.estrelarenascente.hpg.ig.com.br/historico.html.

GRANDE LOJA MAÇÔNICA DERONDÔNIA. Fundação da Grande Loja de Rondônia. Manaus. Imprensa Oficialdo Estado do Amazonas, 1985.

LIMA, AldenirCourinos. O Grande Oriente Estadual de Rondônia. In: http://www.goer.org.br/historia.asp.

LOUREIRO, Antônio José Souto. Dadospara uma história do Grande Oriente do Estado do Amazonas. Manaus. GráficaApolo, 1991.

O ALTOMADEIRA. Auge Resp Loj SymbUnião e Perseverança: AvMaç.Ano 1, no. 80, domingo, 24 de fevereiro de 1918.

O ALTOMADEIRA. Loja Maçônica União e Perseverança. Ano 1, no. 73,quinta-feira, 30 de janeiro de 1918.

REIS, Arthur Cézar Ferreira. Históriado Amazonas. 2ª ed. Belo Horizonte:Itatiaia;Manaus:Superintendência Cultural do Amazonas, 1989.

SILVA, Jorge Antonio Peixoto. Conferênciaalusiva ao 83º. aniversário de fundação da Loja Simbólica União e Perseverança,no. 947, ao Or de Porto Velho. Porto Velho. Mimeo, 2001.

VERÇOSA, Mário. RegistrosMaçônicos. Manaus. Imprensa Oficial do Estado do Amazonas, 1985.

 

 

 



[1]Lei n.° 582, de 5 de setembro.

[2]Decreto Imperial de 7 de junho de 1851.

[3]Reis, 1989.

[4]Decreto no. 10 de 13 de setembro de 1883.

[5] The jungle route. New York, OrlinTremaine Company Publishers, 1940.

[6] FERREIRA, 1987. pp. 255-6.

[7]O Alto Madeira. Ano 1, no. 73, quinta-feira, 30 de janeiro de 1918.

[8]Extraído do Boletim do Grande Oriente do Estado do Amazonas, de agosto de 1922por Bittencourt, 1973, pp. 291-3.

[9]Delegado Juiz Joel Quaresma Moura. Ato no. 2485 de 25/01/1957. Loureiro, 1999,p. 43.

[10]Grande Oriente da Amazônia Ocidental criado pelo Decreto n° 2.633 de 30 demarço de 1979, com a missão de coordenar as lojas da Amazônia.

[11]Decreto GOB no. 2633 de 30/03/1979. Loureiro, 1999, p. 45.

[12]Dando cumprimento ao Dec. 31-77/80 de 20 de agosto de 1979 e ao adendo de 31 demarço de 1980 do Ser:. Gr:. Mestre Afonso Ruiz da Costa Lins da GLEAm.

[13]Ato oficializado pelo Decreto GM nº 18-77/80 do Ser:. Gr:. Mest:. da Gr:. Loj:.do Amazonas e Território Limítrofes.

[14]O Grande Oriente Estadual de Rondônia foi criado através do Decreto n° 0114 de18 de dezembro de 1.981, do Grande Oriente do Brasil.

A AVÓ PATERNA

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       Minha avó paterna era uma figura quase mítica; estrangeira, falava português com um leve sotaque, pele muito clara, loira e de grandes olhos verdes. Lembro-me dela e de sua figura esbelta, sempre de vestidos acetinados, mangas e golas, bem recatada como as mulheres de sua época; os cabelos claros e longos ela os usava permanentemente presos num coque com pentes à moda espanhola.

      Hoje ao lembrar-me de sua figura, vem-me à mente o semblante de uma pessoa entristecida cujo nome não combinava com a energia que irradiava: Alegria! Este era o seu nome. Um nome alegre para uma dama triste.

          Minha avó era uma visita na casa de minha infância, hei de reconhecer isto; a pouca idade não me permitia um olhar cuidadoso sobre aquela pessoa, pessoa que procurava demonstrar o amor que sentia pelos filhos, mesmo que isso lhe causasse certo desconforto.

           Como sou avó paterna, hoje penso bastante na figura da mãe de meu pai e de seu papel em nossa família; e sinto na pele também que ser avó dos filhos de um filho é diferente de ser avó dos filhos de uma filha; não que o sentimento seja desigual, absolutamente! Apenas o olhar da família materna é diferenciado, em grande parte dos casos, e isso é passado para os filhos.

           Jovem adulta, ouvi pela primeira vez, de uma velha senhora portuguesa, no Rio de Janeiro, um ditado, que fiquei sabendo, antigo: “Filhos das minhas filhas meus netos são; filhos dos meus filhos serão ou não”. Hoje compreendo o verdadeiro sentido dessa mensagem cruel, mas ouço com frequência de amigas e parentes que isto se deve ao fato de que os filhos das filhas são criados muito mais próximos da casa da avó materna, daí os laços se tornarem mais fortes.

          Volto à figura triste de minha avó Alegria, nós a conhecíamos tão pouco! Hoje, décadas e décadas após sua morte, descubro o porquê de sua tristeza: minha avó, que pensávamos ter tido cinco filhos, teve na verdade doze, e viu morrerem seus filhos, crianças pequeninas ou crescidas, em terra longe da sua, no interior do Pará, onde viveu grande parte de sua vida.  Descubro também  que alimentava consigo a tristeza de ver suas netas criadas distantes de sua religião original, o judaísmo. Não julgo porque não compreendo os motivos de minha mãe, pessoa que tampouco era católica praticante e cujas filhas foram todas batizadas na igreja católica; acredito que isso estivesse relacionado a uma necessidade de aceitação pela sociedade, numa época em que o preconceito era terrível.

              Minha avó, última remanescente de uma colônia judaica no interior do Pará, concedeu uma entrevista a um antropólogo renomado, o qual pesquisava sobre a trajetória dos judeus naquele estado. Essa entrevista foi encontrada na Universidade Federal do Pará e embasa os estudos sobre os quais se debruça uma professora-pesquisadora residente em Gurupá, onde viveu minha avó, Alegria Serfaty Castiel.

           Quando li o relato de minha avó falando de seus infortúnios, há quase cem anos, lágrimas cheias de dor desceram-me pelo rosto; saudades do que fui privada de ter, saudades da pessoa que deixei de conhecer verdadeiramente, a pessoa rica em histórias que vivia por trás daquela personagem melancólica e solitária.

          Ponho-me a pensar nas avós paternas e no conceito cruel contido naquele horrível ditado; penso que, afinal, avós são avós…

MEDICINA: CIÊNCIA E ARTE

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Não é possível dissociar o binômio ciência e arte da Medicina. Aquele que só conhece a ciência médica e não a pratica com a arte de bem relacionar-se com seus pacientes, não sabe Medicina e nem sequer deve ser considerado plenamente médico.

A adequada relação dos médicos com seus pacientes só será possível se o profissional atravessar a barreira reducionista que os reconhece apenas como máquinas que necessitam de ajustes, de reparos, até de troca de algumas peças.

O complexo biopsicossocial que contextualiza o ser humano deve merecer ampla e diversificada atenção dos profissionais que cuidam de sua saúde. Somente atingem esse objetivo aqueles verdadeiramente conscientes de sua quase divina missão de curar quando possível,  trazer-lhes alívio se esse intento não for atingido, ou pelo menos consolá-los quando mais nada lhes podem oferecer.

Desde Hipócrates, que alçou a Medicina a condição de ciência há cerca dois milênios e meio, os médicos valeram-se muito mais da arte médica — visto que ainda não dispunham de conhecimentos científicos suficientes. Os avanços da Medicina/ciência são relativamente recentes — ainda não completaram um século. Porém, a Medicina/arte abranda incômodos e promove curas  desde que o ser humano existe.

Ciência e arte: duas faces da mesma moeda que a Medicina representa. Essa sim, a verdadeira moeda de valor, no âmbito do saber científico, para prevenir, atenuar ou banir sofrimentos, curar doenças e até evitar a morte.

O Brasil e a Câmara dos Deputados

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(*) Sandra Castiel

 Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Mestre em Educação. Membro da Academia de Letras de Rondônia, ode ocupa a cadeira 36 cujo patrono é o professor Enos Eduardo Lins.

Os recentes acontecimentos que abalaram os alicerces da política e aumentaram a insegurança do pobre povo brasileiro têm servido para levar muitos de nós (membros do povo, entre os quais me incluo) a uma reflexão mais profunda sobre os poderes constituídos, sobretudo o Legislativo. E isso se deve principalmente aos escândalos envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados.

Transmitida ao vivo por um canal de TV (Globo News), a votação sobre a deflagração ou não de um processo, ou coisa que o valha, contra o tal presidente para caçar-lhe o mandato por ferir a ética, despertou a curiosidade, acredito, de muitas pessoas. Porém, o que me causou perplexidade mesmo foi o comportamento dos parlamentares; não me refiro aos que se estapearam, pois havia uma turma do contra e outra a favor, posições divergentes comuns em qualquer regime democrático, embora no caso em questão parecesse haver muita sujeira sob um grande tapete. O que me causou perplexidade mesmo foi o modo como aqueles homens se comportam numa das casas mais importantes da nação, talvez a mais importante: a Câmara dos Deputados.

Enquanto alguém se pronuncia, microfone em punho, a balbúrdia impera no local, como se o público-alvo imediato (ou seja, os demais membros, e são muitos) não tivesse nada a ver com a história; no mais absoluto descaso, levantam-se de seus lugares, cumprimentam-se como se há muito não se vissem, cochicham um no ouvido do outro, provocam risadinhas, fazem gestos afáveis a alguém próximo,  consultam a toda hora o celular, enfim, a impressão que  aquele lugar me causou foi a de falta de seriedade para com a coisa pública e absoluta falta de comprometimento para com tão relevante função.   

Diante daquelas cenas, reportei-me a uma sala de aula de adolescentes (em sua pior fase) que convivem o ano inteiro uns com os outros e tornam-se íntimos, desrespeitosos até: fazem piadas, galhofas, zombarias, juntam-se  em turminhas e, o pior, distanciam-se de seus objetivos naquele contexto, se não houver a presença enérgica do professor para chamá-los à realidade e à importância da aquisição do conhecimento. Infelizmente na Câmara dos Deputados não há esta figura para lembrar-lhes diariamente da missão à qual se propuseram, porque o povo deles espera, a nação deles espera! Ali, ao que indicam as evidências, o importante são as alianças, os acordos, as negociações.

Ponho-me a pensar nas exceções: claro, sempre há exceções. E fico a imaginar uma voz pregando no deserto, pessoas que se debruçam sobre projetos, estudando dias e dias, procurando meios de apresentar e viabilizar alternativas e soluções para melhorar a vida dos brasileiros. As exceções são movidas por ideais, por isso um lugar daquele não deve ser nada confortável para elas. A imagem que me remetem as exceções é a imagem de Cristo, faminto e sedento, em sua longa andança pelo deserto, preparando-se para iniciar seu Ministério, sendo tentado por Satanás… Coisa difícil!  

 Depois de observar por algumas horas a conduta dos nobres deputados, acredito cada vez menos na seriedade imprescindível para legislar; acredito cada vez menos na imparcialidade das decisões, imparcialidade esta voltada, sobretudo, a melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro; acredito cada vez menos no compromisso com a causa; e um parlamentar exemplar deve ter um grande compromisso, o compromisso com o povo de seu país; que as demais propostas apequenem-se diante da grandiosidade de sua missão.   

 Por conta da notória aversão que o brasileiro mais observador desenvolveu contra a política e contra os políticos, deixamos de fiscalizar quem mandamos para nos representar, e o resultado é isto que se nos apresenta.  Precisamos estar atentos!

 Vamos ter misericórdia de nosso povo, povo tão calejado, privado de saúde, moradia digna e educação pública de qualidade, aspectos que norteiam os parâmetros do desenvolvimento humano.  E que surjam exceções!