














Na obra, intitulada Pingos Contados – Nanocontos, constam contos concisos, que sugerem mais que explicitam, mas dizem o bastante para inspirar enredos diversos. O leitor, entretanto, não tem o compromisso de interpretar o nanocontos em consonância com o que fora imaginado pelo autor, podendo criar livremente suas histórias a partir da inspirações geradas por esses pequenos textos.
Segundo Moura, esse tipo de literatura, onde menos é mais, presta-se para estimular o poder interpretativo do leitor — o índice de analfabetismo funcional é elevadíssimo no Brasil. Nesse contexto, esse subgênero do conto tem função importante para a redução dessa falha cognitiva na qual as pessoas leem mas não entendem o que leem. Os autores de nanocontos também se beneficiam com essa prática no que tange ao desenvolvimento cerebral pleno posto que escrevê-los exige a interação entre a área criativa do cérebro e a relacionada à lógica, por isso ajuda na manutenção e até na melhora da memória e, consequentemente, na prevenção das doenças demenciais; enfim, na saúde mental das pessoas —conclui o autor.
O médico e escritor disse ainda que, no próximo ano, através de palestras presenciais e lives, pretende empreender um projeto, em parceria com as academias de letras do estado, para que a literatura minimalista seja utilizada nas salas de aula de língua portuguesa, em especial os nanocontos, objetivando beneficiar o maior número de pessoas com esse tipo de literatura, tanto na condição de autores como de leitores.

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Ailton Krenak foi eleito para a cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras (ABL) nesta quinta-feira (5). O filósofo, professor, escritor, poeta, ambientalista e líder ativista da causa dos povos originários é o primeiro indígena a se juntar à instituição.
Membro da Academia Mineira de Letras desde março, ele entra para a vaga deixada por José Murilo de Carvalho, que morreu em agosto. Krenak recebeu 23 votos. Mary Lucy Murray Del Priore teve 12, e Daniel Munduruku, 4.
“O Krenak é um poeta. É uma visão de mundo muito apropriada para este momento em que o mundo está preocupado com o meio ambiente, com a mudança climática, que os povos originários lutam pelos seus direitos”, diz o presidente da ABL, Merval Pereira.
“Tudo isso está embutido na vitória do Ailton Krenak aqui na Academia, e estamos muito contentes com isso.”
Nascido em 1953 em Itabirinha (MG), Krenak fundou a organização não governamental Núcleo de Cultura Indígena, que visa promover a cultura indígena, em 1985.
Na Assembleia Constituinte de 1987, da qual o grupo participou por causa de uma emenda popular, assumiu ativo papel na defesa dos direitos de seu povo.
Autor de diversos livros como “Ideias para adiar o fim do mundo”, “A vida não é útil” e “O Amanhã não está à venda”, teve obras traduzidas para mais de treze países. Atualmente vive na Reserva Indígena Krenak, em Resplendor (MG).
“O Krenak é realmente um indígena que trabalha a cultura indígena, a valorização da oralidade e da tradição de passar as mensagens e os pensamentos”, afirma Pereira.
“Ele tem um livro, ´Futuro Ancestral´, na qual fala que reservar os rios é uma atitude de preservar o futuro. Os rios já estavam aqui antes da gente chegar, então, é por isso que essa visão da natureza, do homem junto da natureza, que estamos reforçando através de um grande escritor e de um grande intelectual indígena.”
Veja fotos e vídeos:

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